terça-feira, 31 de dezembro de 2013

2013 - Leituras

Como é da praxe chegados ao final de mais um ano fazemos (quase) sempre um apanhado do que se fez ao longo do ano que termina.

No que a leituras diz respeito este foi mais um excelente ano em que não só li muito, mas mais importante do que a quantidade foi a qualidade do que li e ai não me posso queixar, bem pelo contrario. Foi um ano em que descobri muitas e excelentes "vozes" no panorama nacional da Ficção Científica e da Fantasia e que me faz ter esperança numa nova geração de autores que se está a começar a afirmar, mas que já dão mostras de excelência (embora ainda tenham um longo caminho a percorrer). 

Posso (felizmente) dizer que não li nenhum livro que se tenha revelado particularmente mau, mas houve um que me desiludiu bastante: O Medo do Homem Sábio (volume 1 e 2) de Patrick Ruthfuss. A "culpa" é minha por ter colocado a fasquia demasiado alta e nisto já se sabe quanto mais alto maior a queda.

Na categoria de melhor livro do ano vou, surpresa das surpresas, destacar um livro de não-ficção: O Negócio dos Livros de André Schiffrin. Este livro quase parece ficção, mas é a triste realidade dos nossos dias sobre como funciona (infelizmente) o mundo editorial. Com muita pena minha ainda não lhe dediquei a devida atenção aqui no blog, mas gravem este nome, especialmente se gostam de saber mais sobre o funcionamento do universo dos livros.

Quanto a autores e como não podia deixar de ser um nome salta logo: Manuel Alves. Este autor, na minha humilde opinião é o melhor exemplo do que referi no inicio. Apesar de o primeiro contacto com a sua prosa ter sido em 2012 com o conto Z foi em 2013 que ele esteve em "brasa" com a publicação de vários contos e livros nos mais diversos géneros como Ficção Cientifica, Fantasia, Literatura Infantil ou Romance mostrando não só que é um autor ecléctico na obra, mas também, a julgar pelas opiniões de outros leitores, um excelente escritor. Espero que 2014 lhe traga ainda mais sucesso, por ele, mas também por nós, seus leitores, sejam os que já o apreciam seja pelos que ele ainda vai conquistar.

Quanto a este blog, bem esteve a funcionar relativamente bem, embora os últimos dois meses tenha sido algo abandonado, mas espero fazer de 2014 um ano ainda melhor, o que convenhamos não será difícil...

A todos um excelente ano de 2014.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Opinião - Lili O Natal no Fundo da Caixa de Manuel Alves



O Manuel Alves tinha prometido um conto de Natal e cumpriu presenteando-nos com um conto da Lili.
Mais uma vez o Manuel deixou-me a sonhar com uma historia bonita e natalícia da Lili onde mais uma vez a imaginação da Lili nos embrulha suavemente na sua realidade a ponto de já nem sabermos bem o que é real e o que é a sua imaginação.
Nesta conto que alarga um pouco mais uma mitologia cada vez mais interessante, vamos conhecer mais um personagem, o Sem Fundo e que malandrote ele é, por sorte a Lili vai ter uma ajuda, mas para saberem mais vão ter de ler.
Este é mais um bom belo conto do Manuel Alves que volta a mostrar toda a sua versatilidade num conto para ser contado às crianças, mas que também fará a delicia dos adultos como eu.


Este conto pode ser encontrado no site Smashwords no link: Lili - O Natal do Fundo da Caixa de Manuel Alves

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

As Luvas Brancas do Nobel da Literatura

Agora que o histerismo sobre quem seria o laureado com o prémio Nobel da Literatura 2013 terminou e quando o pó já começou a assentar (e nos dias que correm tal é cada vez mais rápido) é chegada a altura de fazer um pequeno exercício  sobre o significado da atribuição deste prémio.

O Nobel deste ano de 2013 foi atribuído à Canadiana Alice Munro. A sua carreira literária está assente nesse género narrativo tão desprezado nos nossos dias que é o conto. O comité do Nobel disse e passo a citar: The Nobel Prize in Literature 2013 was awarded to Alice Munto "master of the contemporary short story" (O Prémio Nobel da Literatura de 2013 foi atribuido a Alice Munro "mestre do conto contemporâneo").

Ora para mim isto foi uma bofetada de luva branca ao mundo editorial, onde cada vez mais para um livro ter sucesso tem de ter pelo menos mil paginas, quilo e meio e claro ser parte de pelo menos uma trilogia (embora se fizer parte de uma saga de pelo menos sete volumes será bem melhor, alias quantos mais melhor).

O Conto tem sido (muito) menosprezado. Muitos autores estreantes perdem bastante porque querem logo escrever o seu "calhamaço" esquecendo (ou nunca sabendo) que o conto é uma "escola" que muito ensina. 

Espero que a atribuição deste Prémio Nobel também sirva para chamar a atenção para estes factos.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Opinião - Compilação de contos da Era Dourada de Pedro Cipriano




Como o título indica este livro é uma compilação de contos que tem como fio condutor os avanços da tecnologia e os perigos que eles poderão acarretar para a humanidade enquanto espécie. O tema não é novo, mas a cada dia que passa torna-se cada vez mais pertinente e importante, portanto foi com alguma expectativa que me juntei à leitura conjunta deste livro.
De uma modo geral gostei dos contos e gostei da disposição cronológica, mas, sim tinha de haver um mas, achei demasiado o salto de quinhentos anos que é feito entre o segundo e o terceiro conto, mas já lá irei.
O primeiro conto,  "A Alvorada", é um começo auspicioso, (ou será um fim?) embora o seu final não me tenha convencido por ai além.
No segundo conto, "A Escuridão" continuamos no mesmo tempo do primeiro conto, mas o cenário não podia ser mais diferente. Gostei do ambiente, mas novamente aquele final deixou-me algo insatisfeito. Tal como no primeiro conto não achei (muito) verosímil o final, mas (mais um) compreendam que este é um critério subjectivo.
Ao terceiro conto damos um salto temporal de quinhentos anos e vamos parar no meio de uma sociedade "tipo século dezanove" onde o vapor é a principal fonte de energia. Neste conto acompanhamos um homem amargurado com a vida e que culpa a tecnologia pela sua infelicidade. Este conto já foi mais do meu agrado, pequeno e conciso, tudo o que um conto deve ser e com um final que me agradou.
O quarto conto, "O Mostro e a Musa", é o maior e está subdivido em duas partes respectivamente em "O Monstro" e "A Musa". Embora a ideia por detrás me tenha apelado achei a construção psicológica dos personagens algo fraca, principalmente o Comandante Artur Olivais, primeiro descrito como sádico, mas para o final já era um "tipo porreiro".
O quinto e último conto, "O Fruto Proibido", versa sobre a curiosidade humana. Gostei do tema e como o Pedro Cipriano o explorou, com um final a condizer.

Como disse no inicio gostei dos contos, mas como livro não acho que funcione. Não basta ter um tema para "colar" os contos. Temos um bom inicio, mas depois aquele "salto" de quinhentos anos "estraga" um pouco as coisas, principalmente porque a fazer fé na descrição que aparece no Smaswors este é o primeiro livro. Ficamos com uma "falha" que podia e deverei ser preenchida. Não posso deixar de recordar aquele que eu considerando um bom exemplo: "Guerra Mundial Z" do Max Brooks. Este livro leva-nos a conhecer uma mundo que sofre uma infestação Zombei. O seu autor conta-nos a historia desde o inicio ao fim através de contos ordenados por ordem cronológica, mostrando-nos os pontos mais importantes e/ou significativos da historia. Ora é precisamente o que falta aqui, ao nos "dar" o segundo conto,  "A Escuridão" o autor "induz" em erro o leitor. Se apenas tivesse utilizado o primeiro conto, "A Alvorada", como prólogo tudo bem.
Outro aspecto que o Pedro deve rever e aperfeiçoar é a construção das personagens e aos finais um segundo olhar para que sejam mais verosímeis, pois senti algumas reticencias ai.
As minhas criticas podem parecer duras, mas como disse gostei do que li e espero que o Pedro Cipriano continuo a expandir este universo pois fiquei bastante curioso.

Se quiserem ler outras opiniões podem encontra-las nos links abaixo:

As Leituras do Corvo Fiacha - Compilação de contos da Era Dourada de Pedro Cipriano

Folhas do Mundo - A Era Dourada de Pedro Cipriano


Este livro pode ser encontrado no site Smashwords neste link: Compilação de contos da Era Dourada de Pedro Cipriano

domingo, 22 de setembro de 2013

Opinião - Querido estás Morto de João D. Martins



Querido estás Morto é um divertido conto de humor negro de João D. Martins.
A premissa é bastante interessante: um homem que tem de tal forma os hábitos enraizados em si que quando morre dá por isso, prosseguindo com a sua vida como se nada se tivesse passado. O autor segue pelo absurdo da normalidade, ou seja apesar do estranho da situação as pessoas tentam seguir com as suas vidas os mais normalmente que lhes é possivel. Ora como seria de esperar somos presentados com uma serie de caricatas situações como o facto do morto não dar por issoSe quisesse ser picuinhas apontaria um inicio algo "afastado" do que é o tom do resto do conto, que mais parecia uma aula de escrita criativa (e dai...), mas que mantém sempre o (bom) humor.
Numa escrita bem humorada (que me arrancou umas boas gargalhadas) e isenta de erros (que eu tenha notado) o autor tem aqui aqui um excelente cartão de apresentação, especialmente se, como eu, gostarem de humor negro.

Este conto pode ser encontrado no site Smashwords neste link: Querido estás Morto de João D. Martins

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Opinião - Equador Morto de Manuel Alves



Este é um conto especial para mim: eu sou o personagem principal!!! Sim o Capitão Marco Lopes apresenta-se ao vosso serviço! Pois é, por serviços prestados a esse Senhor da "extraordinária arte da feitiçaria imaginativa" como diz o próprio e muito bem acrescentaria eu, o Manuel decidiu "oferecer-me" um conto onde não só sou a personagem principal, como também me deu a oportunidade de escolher o género, e claro que só podia ter sido a Ficção Científica. O resto deixei à sua imaginação e o resulta foi, como sempre, excelente. 

O Manuel apresenta-nos um mundo onde a Terra foi divida ao meio pelo Equador e tudo o que vive no hemisfério Norte está infectado por algo (tem de ler para saber). A Humanidade passou a ter de viver no hemisfério Sul, mas sempre com as nuvens negras do perigo do que está para Norte passar para o Sul e destruir o que resta do Mundo de outrora.
A historia que nos é apresentada é um pequeno episódio desta nova Terra. Uma equipa é enviada para lá da barreira e a coisa não corre bem..., mas a historia só começa depois disso, já o nosso personagem principal, eu (desculpem não me contive) está sozinho e nada contente, mas claro que os seus problemas ainda agora começaram...

Umas das coisas que mais me surpreendeu, para além da habitual e fantástica "feitiçaria" do Manuel foi que apesar de nunca nos termos conhecido pessoalmente, e as nossas conversas virtuais terem sido sempre curtas ele ter conseguido "adivinhar" como eu sou. Sim por incrível que pareça a linguagem do Capitão Marco Lopes é bastante parecida com a deste vosso Marco Lopes, como se pode ver neste excerto:

"A merda da China. Não lhe bastou tornar-se o país capaz de reproduzir clones de tudo o que existia, tinha de provar ao mundo que também era capaz de clonar lendas e torná-las reais. A merda da China e mais a merda dos dragões. Ninguém fez nada até todos serem forçados a admitir que já não era possível fazer nada. Nada, excepto evacuar metade do mundo e dividir o planeta pelo Equador, com uma barreira sólida de duzentos metros de altura."

Eu falo bastante assim, e as vezes pior, mas também sei ser um cavalheiro.
Outro aspecto que gostei e com o qual me identifiquei, foi o de o Manuel não ter transformado o Capitão Marco Lopes num herói sem medo que avança de arma em punho contra tudo e contra todos. Ele tem medo, mas não se deixa paralisar. Não é burro nenhum (mais uma característica em comum, eu sei mas se eu não me gabar quem o fará?), preferindo escolher o melhor momento para lutar (ou não) a combater contra todas as probabilidades de sucesso. Também me agradou e mais uma vez algo com que me identifiquei, foi a atitude de esperança, mas ao mesmo tempo sem nunca deixar de ser realista para reconhecer quando uma situação está perdida. Tudo isto torna o personagem não só mais humano como também mais credível.
A juntar a este personagem temos um conjunto de personagens secundarias que em nada ficam a dever ao Capitão Marco Lopes, igualmente humanas e verossímeis e que ajudam ainda mais a criar um atmosfera plausível.

Enfim este conto para além dos habituais predicado que já tornaram o Manuel Alves num dos meus autores preferidos, torna-se ainda mais especial pela dedicatória que me é dirigida e pela qual eu lhe ficarei para sempre agradecido, mas também por ter criado um personagem com o qual eu não só me identifico, mas que se parece comigo.

Para o Marco Lopes,
porque ele queria ser
Magnus, o Dragão Negro


Finalizo com uma boa noticia, ao que parece "inspirei" tanto o Manuel que ele tem intenção de expandir este universo, ao qual eu respondo: "Apoiado".

Este conto pode ser encontrado no site Smashword neste link: Equador Morto de Manuel Alves

sábado, 7 de setembro de 2013

O Leitor, o Bibliófilo e o Bibliómano

Eu sou um leitor, mas também sou um bibliófilo (e acho que também sofro de bibliomania, mas numa variante benigna). Eu sou estas três facetas e a sua união leva a que procure muitos livros. Esta procura tem tanto de frustrante como de excitante. Não existe uma feira ou alfarrabista que eu falhe e que não me arrependa durante muito tempo com o pensamento "Ali poderia estar aquele livro que ando à procura à tanto tempo!!!". A cada feira e alfarrabista que visito pareço um drogado que acabou de receber a dose para parar os tremores, mesmo que não traga nada. Quando me meto no carro a caminho de uma feira ou alfarrabista pareço um puto com hiperactividade e que em quanto não chego lá... E assim que lá chego só tenho olhos para os livros (gostava de poder estar ali ao lado a ver as minhas figuras). Vou percorrendo as filas, pilhas, caixotes caixas e mesas cheias de livros velhos e novos, em bom estado e (quase) para lá da salvação. É rara a vez que venha de mãos a abanar, mas existem dias... de felicidade extrema. Hoje foi um dia desses!

Depois de ter percorrido quase toda a feira estava a "escavar" a caixa de um "fornecedor" habitual quando o encontrei. Entre livros que nada me diziam ali estava um daqueles livros que me faz palmilhar quantas feiras e alfarrabista posso: Cidade de Carne do Luís Filipe Silva.



Oh felicidade!!! A descarga de adrenalina é intensa. Pego nele como se pega-se num bebé, para logo de seguida me transfigurar num Gollum sussurrando "Meu Preciso" e não mais o largar. 

Depois cai a realidade e penso "Agora tenho de encontrar a segunda e ultima parte - Vinganças" e lá regresso aquele estado de "ressaca" até a próxima dose, perdão feira onde, quem sabe, poderei encontrar este ou outro desses livros que me fazem a vida um pouco mais feliz.  

domingo, 1 de setembro de 2013

Opinião - A Imagem de Joel G. Gomes (versão Beta)



Antes de mais gostaria de fazer alguns avisos à "navegação". A opinião que se segue vai divergir do que é habitual. O autor do livro "A Imagem", o Joel G. Gomes, publicou aquilo que ele chamou uma versão beta deste seu livro e pediu opiniões para o melhorar. Eu, como está visto, aceitei o desafio. Assim sendo, para além do habitual gostei (ou não), vou dar alguns conselhos, apontar defeitos e possíveis correcções que espero ajudem à construção de um livro (ainda) melhor. 

A Imagem é um livro que se passa a seguir ao livro Um Cappuccino Vermelho, com o qual partilha não só o mesmo mundo ficcional, como também alguns personagens, e embora a sua leitura não seja necessária para a compreensão deste eu aconselho-a. Para os que já leram Um Cappucino Vermelho o autor eleva aqui a fasquia, não um, mas dois ou três níveis, o que, como poderão constatar mais à frente, tem os seus perigos, mas lá está quem não arrisca não petisca.

O primeiro reparo que gostaria de fazer é o mais básico de todos: a revisão. O Joel chamou a esta edição uma versão Beta, mas para mim isso não pode desculpar os (muitos) erros que fui encontrando ao longo do texto. Atenção não eram erros ortográficos propriamente ditos, mas sim falhas como acontece a todos nós que escrevemos com um teclado e escrevemos uma letra a mais, erros que "facilmente" teriam sido purgados com uma simples releitura do texto.

A história deste livro é algo complexa, isto não é em si nem mau nem bom, os problemas podem surgir quando se passa do complexo (mas coerente) ao complicado (e confuso). O Joel consegue fazer a gestão das muitas personagens relativamente bem, mas eu deixo alguns conselhos para que não só o complexo não se torne em complicado para muitos leitores, mas também porque acho que a narrativa vai sair a ganhar. Em primeiro lugar ao invés de ter simplesmente o capitulo 1, 2 e por ai fora eu aconselhava a que fosse indicado a data, isto porque o texto está carregado de analepse  o que em algumas alturas levou-me a algumas confusões (do tipo "Mas este tipo não estava morto?). O que me leva ao próximo conselho: para além das datas os capítulos deveriam ter o nome do personagem do qual aquele capitulo dá primazia, isto porque o autor já faz isso, contado a historia em cada capitulo usando o ponto de vista de um determinado personagem, portanto à que vincar isso apenas.
Outro aspecto a alterar (ou que eu alteraria) é a ordem dos capítulos. O Joel "dá-nos" dois ou três capitulo seguidos do personagem X um do Y e dois do Z, era muito melhor fazer uma rotação, assim aumentava a curiosidade do leitor e a sua vontade ler mais. O que me leva à questão sobre o momento em que os capítulos terminam. Eu gostei muito da historia e acho que é bastante boa, mas isso não basta, é preciso aliar a isso uma escrita que atraia o leitor. O Joel podia criar capítulos mais pequenos (em alguns casos) e deixar o leitor (super) curioso com que ai vem (é um "truque" relativamente básico, mas que resulta), ao invés disso muitas vezes os capítulos são prolongados e alguns momentos de suspense são perdidos com a revelação logo a seguir do mistério, quando podia ter terminado o capitulo ali e passado a outro personagem deixando o leitor curioso por saber mais.
Juntando e resumindo aconselho capítulos mais curtos em que o titulo deverá ser a data e o nome do personagem em quem recai o ponto de vista, algum cuidado sobre onde o capitulo termina para deixar um fio solto de maneira a deixar o leitor curioso por mais e claro alternar os pontos de vista de cada personagem. Um (bom) exemplo do que digo é o que o George R. R. Martin faz nos livros de As Crónicas de Gelo e Fogo.

Não se pense que A Imagem é um livro mau e cheio de defeitos, apenas pelo que possa eventualmente transparecer das minhas palavras acima escritas. Este livro do Joel tem muitas e excelentes qualidades como uma boa historia e muita imaginação e as qualidades da sua escrita também estão lá. Se pareço um editor num dia não é porque acho que o livro tem muito potencial e ainda pode ser melhorado, mas as suas qualidades intrínsecas estão lá, se não achasse que valeria o esforço não estaria aqui a perder o meu tempo, o vosso e claro o do autor. 
Tenho consciência que o que aconselho, a ser seguido, irá levar a uma rescrita bastante grande do livro, porque embora não vá alterar a historia, ira mexer profundamente na estrutura narrativa do livro, mas se o proponho é porque acho que vai enriquecer o livro.

Faço votos de que este meus conselhos possam ajudar o Joel a melhorar o seu livro, e espero que no final ele diga "Foi difícil, mas valeu a pena" e que os seus leitores concordem.

Se quiserem ler esta versão beta podem encontra-la no site Smashwords neste link: A Imagem de Joel G. Gomes.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Opinião - Lili de Manuel Alves



Quando é que um adulto sabe que um livro infantil é bom? Quando também o adulto aprecia a sua leitura!!! (Embora existam muitas outras respostas possíveis). Ora partindo do principio que esta premissa é verdade então este é um excelso exemplo de literatura infantil. Manuel Alves volta a provar que não só é um talentoso autor à espera de ser descoberto por editora e por muitos mais leitores, mas também que é um autentico "poliglota", sem sotaque, no que aos diversos géneros literários diz respeito. Mas vamos concentrar-nos que é importe, a Lili!

A personagem principal é a Lili, uma criança quase a chegar a puberdade, mas ao mesmo tempo ainda suficientemente longe para ainda manter toda uma inocência que muitos de nós ainda gostaríamos de possuir. A historia gira à volta dos medos que todos nós enfrentamos na nosso infância, como o medo do escuro. Esse medo é aqui representado pelo Homem que Muda, uma estranho e brilhante personagem e que é mais que que parece, mas não é só ele...
Vamos passear pelo mundo de um criança, pela mão da Lili. Vamos explorar alguns dos lugares mágicos da nossa infância e fazer amizade com alguns figuras imaginarias e reais. Tudo isto através da inocência de uma criança e que o Manuel Alves conseguiu retratar com uma grande mestria. Para além da excelente historia este livro é complementado por um punhado de desenhos que enriquecem (ainda mais) este livro. O que me leva a perguntar: quando uma edição em papel onde possamos apreciar devidamente esta obra?


Este livro (e-book) pode ser encontrado (para já de modo gratuito) no site Smashwords neste link: Lili

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Opinião - Rugas de Paco Roca (BD)




paginas 1 e 2
Uma doença não são apenas sintomas e (possíveis) tratamentos, é acima de tudo o que ela implica a nível pessoal e social. A doença de Alzheimer é uma dessas extraordinárias doenças que mudam tudo. A pessoa que conhecemos vai deixando-nos ao mesmo tempo que cá fica. Tudo aquilo que a constitui vai sendo progressivamente apagada de modo alienatório. O irmão passa a ser um desconhecido, uma filha é reconhecida como uma tia à muito falecida. E assim a pessoa deixa de existir, mas continua viva com que a assombrar. É uma doença que mata, sem que no entanto se morra.
Nesta magnifica Banda Desenhada o seu autor, Paco Roca, foi buscar inspiração à sua própria vivência para dar a conhecer aos que felizmente não conhecem, mostrar o que, infelizmente, espera a muitos e recordar o que demasiados já passaram com esta doença.
O autor mostra-nos a historia de Emílio, um bancário reformado, a partir do momento em que a doença deste se torna demasiado para o filho e que o colocado num lar, embora despejado seja um termo melhor. Se é verdade que enfoque principal deste livro é a doença de Alzheimer,  não será mesmo verdade que no seu todo o que temos aqui é um ensaio sobre o que é ser "velho" nos nosso dias. O autor consegue "brincar com um assunto serio", mas sem ser condescendente com a realidade o que é uma tarefa e tanto diga-se desde já, porque este é um assunto que muitos consideram como algo com o qual não se "brinca", mas não esperem rir às gargalhadas, irão muitas vezes sorrir, sim, mas sem rir.   

Capa e conta-capa

A Arte também me agradou bastante, simples e limpa, nada está a mais ou a menos e as cores são sóbrias. Gostei também da maneira , principalmente na parte final, como o autor recorrendo (quase) apenas à linguagem gráfica conta a historia.

Enfim um livro muito bom não só por abordar um tema difícil e muito pouco falado e que muitas vezes é abordado apenas porque somos "obrigados", mas também porque apesar de não ser caso único mostra, mais uma vez, que para a BD não existem assuntos que ela não consiga tratar com mestria e que é uma Arte, um ramo da cultura que não é só para crianças e adolescentes, mas que abarca todas a idades e temas.
Leiam que não se irão arrepender.


Finalmente fica a nota que esta BD foi adptada ao grande ecrã podem encontra aqui o trailer.


Titulo: Rugas
Autor: Paco Roca
Editora: Bertrand Editora
Tradução: Joana Neves

quarta-feira, 31 de julho de 2013

E já lá vão dois

Pois é, já lá vão dois anos disto. Neste segundo ano escrevi mais e espero continuar a crescer neste novo ano não só com mais post, mas também enveredando por novas temáticas com que espero despertar não só a curiosidade dos leitores, mas também o seu pensamento critico no que ao mundo dos livros diz respeito.
Agradeço a todos os que me vão lendo.

Como não podia deixar de ser deixo também aqui os meus parabéns ao incontornável João Barreiros que celebra hoje mais um aniversario.

E agora se me dão licença vou continuar com a leitura de um excelente livro...

terça-feira, 18 de junho de 2013

Ainda na Estante - As Quatro Últimas Coisas de Paul Hoffman


Depois de muita expectativa e de alguma desilusão com "O Braço Esquerdo de Deus", mas não pelo livro em si que até gostei, mas pela promessa que encerrava e não foi capaz de cumprir, afinal quando na contra capa figuram frases como: "A sua chegada foi profetizada. Dizem que ele destruirá o mundo. Talvez o faça..." um leitor como eu acalentará "algumas" esperanças de ler algo grandioso, mas tal não é o que acontece, embora volte a reitera que até gostei.
Depois deste "balde de água fria" fiquei sem muita vontade de ler a continuação, "As Quatro Últimas Coisas".



Quem sabe se um dia não me "esqueço" ou então surge alguma expectativa que leve a pegar nele e a lê-lo.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Uma visita à Feira do Livro de Aveiro - 2013


Ontem visitei a Feira do Livro (e da Musica) de Aveiro. Era o dia de abertura, mas o cenário com que me deparei era desolador. O número de expositores desceu significativamente (acho que não chegam a uma dezena) e para agravar a situação a quantidade de livros que trouxeram consigo este ano são também (visivelmente) em menor quantidade. O próprio local  da Feira parecia (quase) assombrado, corria um vento que parecia quer expulsar as pessoas dali, quase como um aviso, a luz dentro do recinto da Feira era mortiça não convidando a euforias, assim como as pessoas que lá estavam, que embora (algumas) sorrissem esses mesmos sorrisos não conseguiam contagiar. Na cerca de meia hora em que estive presente a percorrer os stand's não vi mais que uma dúzia de clientes (e acho que estou a exagerar), embora a palavra mirones melhor os defina. O contraste com a Feira do Livro de Coimbra não podia ser mais gritante, em Coimbra a Feira pouco mudou (o que neste caso é um bom sinal apesar de tudo), em Aveiro as coisas estão muito diferentes e para pior. Suponho que a Crise tenha (muito) a haver com isto. À laia de desculpa à hora que fui, entre as dezanove e trinta e as vinte horas, portanto horas de jantar, não terá "ajudado", mas ainda assim sinto cá dentro que isso não (me) serve de desculpa, acredito que deviam estar mais pessoas presentes neste que é suposto ser um evento cultural de excelência por definição.
Quanto às minhas compras,  fi-las no alfarrabista, no único alfarrabista presente.
Domingo irei rumar novamente à Aveiro e à sua Feira do Livro, e com previsão de muito Sol e calor espero puder encontrar uma Feira viva e alegre, com a habitual cacofonia de sons e cores típicos de locais cheios de pessoas com muitos sacos de livros e assim tirar da minha mente as imagens e sensações daquele local desolado que encontrei ontem. 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Opinião - Revista Bang N.º 14



Acompanho a revista Bang desde o número zero, o mesmo será dizer do inicio e apesar de (muito) apreciar ler os contos que a revista tem publicado o que (mais) me tem levado a procura-la e a ler de fio a pavio cada número desta revista é a minha curiosidade em saber mais das historias por detrás das historias. Esta décima quarta edição não foi excepção em todos os sentidos, mas vamos por partes.  

Os editoriais tem sido uma parte importante de todas as edições e o texto da Safaa Dib mostra, mais uma vez, o porquê da importância destes textos e foi com um misto de agrado e preocupação que li um texto "carregado" de premonições e que mostra mais uma vez como a FC pode ser importante por mostrar o que ai vem (e o que pode correr mal), e apelando à esperança num futuro melhor.  

A apresentação das novidades da Saída de Emergência que estão a chegar (ou já chegaram) esteve mais uma vez a cargo do editor Luís Corte Real. Os textos que ele tem vindo a escrever são, na minha opinião, um bom "barómetro" do que se passa no mundo editorial e mais uma vez isso está reflectido nas suas palavras  de aviso sobre um futuro editorial não direi sombrio, mas menos luminoso do que seria expectável.

Passamos para mais um texto do David Soares sobre a história do Fantástico, recordando-nos episódios da Historia e a diferença entre a Fantasia e a Fatrasia.

Seguimos para um texto do Fernando Ribeiro que cruza a sua vida pessoal e da sua banda para nos levar a conhecer mais um pouco do mundo do rock "pesado".

Segue-se mais uma amostra do que é capaz a prodigiosa imaginação do autor Afonso Cruz na sua Enciclopédia da Estória Universal.

Depois vamos conhecer as varias facetas da Branca de Neve onde nos é mostrado que quem pensa que esta personagem começa e acaba no famoso filme da Disney está muito enganado, num texto assinada pela Inês Botelho.

Seguimos para o texto de António Monteiro que nos dá a conhecer a autora Susan Hill e a sua obra "The Woman in Black" e as adaptações que esta teve desde a sua publicação em  1983.

João Rosmaninho dá nos a conhecer o primeiro episódio de "As Cidades na Ficção Científica" do qual ficarei "aguçadamente" à espera dos próximos episódios.

Na habitual rubrica sobre BD João Lameiras evoca o falecido, mas pior que isso desconhecido Sérgio Toppi.

Pela mãos do João Monteiro chega-nos "A Invasão dos Ladrões de Corpos" sobre bandas de musica que e como estas desbravaram os novos terrenos da imaginação musical.

"A Fantasia e a Ficção Científica na Era da Interactividade" é um texto de João Campos que nos mostra que nem só de bons gráficos e jogabilidade vivem os Videojogos, e que as historias podem ser tão ou mais importantes.

Segue-se um texto da Safaa Dib onde vamos tentar descobrir o porquê do sucesso da saga Dragonlance.

E heis que chegamos ao muito aguardado regresso da Távola Redonda onde desta vez se sentam à volta da mesa Nuno Duarte, João Leitão e Filipe Homem Fonseca para discutir e partilhar esse obscuro mundo de quem é argumentista em Portugal num texto de Safaa Dib.

Chegamos então aquele que está a ganhar uma presença regular e merecida na Bang, a BD Arquivo Morto da dupla Gilmar Fraga e Paulo Stenzel que mais uma vez só merece elogios pela imaginação com que nos tem presentado.

Passamos à secção de critica literária preenchida em exclusivo por literatura que ainda não chegou a terras Lusas, e muito dificilmente chegará (infelizmente) e que é assinados pelo colosso João Barreiros e Safaa Dib

De seguida "A Bang recomenda" com uma novidade traduzida: "A Lenda do Vento" de Stephen King, um filme "The Inocents" que aparentemente nunca chegou a Portugal, e uma BD Fables de Bill Willinghan que teve por cá a publicação do primeiro volume pela editora Devir, mas tal nem merecer menção, algo que eu estranho e repudio.

E este décimo quarto número finaliza com a habitual Sugestão Fnac deste vez "Batalha" de David Soares num opinião de Filipe Martins e a noticia dos Prémios Adamastor do Fantástico promovidos pela equipa do blog Trëma.

Como devem ter reparado deixei de fora os contos publicados pois quero emitir uma opinião mais completa e que devem ser publicados por aqui nos próximos dias portanto estejam atentos.

Para finalizar resta dizer que foi mais uma excelente publicação que muito prazer me deu ler e que me saciou a curiosidade por breves momentos. Deixo apenas o reparo já conhecido de que esta revista apenas peca por (quase) nunca sair a horas, talvez a chamada plataforma online da Bang, que deve estrear em breve, ajude a colmatar o tempo que passa entre cada publicação.

Ficam os meus desejos que a revista Bang continue por muito tempo e sempre com a qualidade demonstrada até hoje.

PS: Notei que fui vitima da Printer Portuguesa, pois a impressão, gralhas incluídas como diz na ficha técnica, parece ser da sua responsabilidade e ao invés de dizer simplesmente O Senhor Luvas, alguém achou que seria melhor se o meu Blog se chamasse O Senhor das Luvas (como se eu tivesse uma loja das ditas), pessoalmente acho que está bem exactamente assim, mas longe de mim querer discutir gostos.

domingo, 26 de maio de 2013

Uma visita à Feira do Livro de Coimbra - 2013



Ontem com um belo dia de Sol e calor fui visitar a Feira do Livro de Coimbra. O espaço à beira do rio Mondego é agradável para quem gosta de passear e com livros à mistura ainda melhor.
Como estava à espera não encontrei (grandes) novidades em relação ao ano passado, a maior novidade foi ter visto muitos, mas mesmos muitos livros à venda da editora Saída de Emergência, no ano passado só vi "meia dúzia", dai uma certa "surpresa", mas ainda bem. Os mesmos stand's, com a presença (bem-vinda) de alfarrabistas, os grandes grupos, Porto Editora e Leya, a marcar presença e a dominar e com  algumas editoras desconhecidas do grande público. E parece-me que pouco mais há a dizer, sem grandes nomes do Literatura que atraiam mais Leitores ou preços de arromba como os que se ouvem falar que se praticam em Lisboa o interesse nesta feira, e já agora de outras similares, passa por apanhar alguma novidade um pouco mais barata ou algum livro que falta na estante lá de casa, e mesmo isso será difícil com as promoções que algumas livrarias de "grande porte" fazem por estes dias. Um feira, mais uma, que faria bem em repensar não só a sua data como também parte da sua programação de maneira a atrair mais público.

A Feira do Livro de Coimbra irá decorrer no Parque Verde do Mondego até dia dois de Junho. Para mais informações podem consultar a página da Câmara Municipal de Coimbra dedica à Feira do Livro de Coimbra 2013.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Feiras de Livros - O problema das datas



Começou ontem mais uma feira do livro de Lisboa, mas não é única por estes dias, ao mesmo tempo  irá decorrer a feira de Coimbra, que começa hoje e a de Aveiro que começa na próxima quinta-feira, dia trinta e aqui começa o problema das datas, embora eu gosto de utilizar a expressão estupidez das datas.



Desde que tomei atenção a esta questão das datas, e já lá vão alguns anos, que tem sido sempre assim, cidades como Aveiro, Braga, Coimbra, Lisboa e Porto atropelam-se e sobrepõem o inicio e fim das feiras, isto quando não coincidem quase na totalidade, e isto não pode ser bom para nenhuma das partes envolvidas. Os Leitores que não são de Lisboa ou Porto tem de se contentar com feiras bem mais pequenas, sem os descontos das feiras de Lisboa e Porto e quase desprovidas de autores e apresentações, passando ao lado de uma parte importante destes acontecimentos: um contacto ao "vivo e a cores" com os autores. Os autores ao terem de escolher entre o "mundo" de Lisboa ou uma "pequena" feira, como a de Aveiro, certamente que preferem a de Lisboa e compreende-se porquê, mais publico e claro mais possibilidade de vender livros com a tentação dos leitores indecisos levarem o livro autografado. Para as editoras deve ser um época de muito stress com as inúmeras solicitações que devem receber para "alimentar de repente" cinco ou seis feiras para logo de seguida receber os excedentes das mesmas. Para os livreiros também não deve ser nada fácil com alguns leitores (os que podem) a fugir para outras paragens mais apelativas, por exemplo quem vive em Aveiro está a um "pulinho" do Porto, e entre uma e outra a diferença é abismal.



Relembro que não estamos a falar de pequenas cidades, mas de Capitais de distrito, Cidades com C "grande" e que mereciam mais. Todos elas com universidades de renome e populações que não são de desprezar, quer as residentes quer as "flutuantes".

A feira de Lisboa e Porto, embora esta última infelizmente este ano por razões que não estão muito claras, não se irá realizar, são organizadas pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), as outras, por norma, são organizadas pelas respectivas Autarquias.

Portanto ao invés de termos um contínuo de feiras que se reforcem e renovem numa rotação similar as estações do Ano, temos uma descontinuidade com períodos de extrema aridez e outros de excesso de oferta.

A solução para estes "atropelos" das datas passaria por uma colaboração da APEL com as respectivas entidades organizadores das Feiras nestas Cidades, servindo por um lado como coordenadores ajudando por exemplo com datas e por outro de ponte entre as Editoras e as Livrarias locais ajudando a criar parcerias que servissem o interesse de todos. Todos ficariam a ganhar, os Leitores ganhavam melhores preços e um contacto mais próximo com os autores nas suas cidades, os autores não seriam obrigados a escolher e podiam promover o seu trabalho de um modo mais metódico, as editoras ganhariam quer pelas vendas, quer pelo facto de não existirem "picos", sendo mais previsível as mesmas.  



Felizmente já existem alguns sinais de mudança. O ano passado a cidade de Braga teve duas feiras. A primeira ocorreu em Abril, na habitual data, quase(?) sobrepondo o seu fim ao inicio de outra, mas alguém deve ter tido a mesma ideia que eu pois decidiram alterar a data para finais de Novembro, inicio de Dezembro. As razões evocadas são as que menciona acima, como se pode ler nestes comunicados aqui e aqui. Está nova data não coincide (que eu saiba) com outra feira, é antes do Natal, o que potencia as vendas. Tem o senão de ser numa altura de frio e chuva, mas o evento realizou-se num pavilhão e assim ao contrario das suas congéneres feitas ao ar livre com chuva ou sol estava protegida.

Espero que em breve comecem a seguir o exemplo de Braga e em vez de lutarem uma batalha que não podem ganhar, adaptem-se fazendo assim ganhar todos os intervenientes, desde os Editores, aos Leitores.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Opinião - Querido estás Morto de João D. Martins


Querido estás morto é um divertido conto de humor negro de João D. Martins.
A premissa é a de um homem comum, Henrique Viegas, que tendo os hábitos de vida tão enraizados um dia morre e nem dá por isso prosseguindo com a sua vida como nada se tivesse passado. O autor segue pelo absurdo da normalidade, ou seja apesar de estranharem as pessoas tentam seguir com as sua vidas (tentando) ignorar as consequências da morte de Henrique Viegas. Ora como seria de esperar somos presenteados com um serie de caricatas situações como o "morto" não ter dado por isso, a sua  decomposição, o seu relacionamento intimo com a esposa entre outras bem engraçadas.
Uma escrita bem humorada e fluída, que me arrancou umas boas gargalhadas, e isenta de erros (que eu tivesse notado). Com quinze paginas no formato e-pub e sete em PDF lê-se rápido e se estiverem a precisar de um boa gargalhada então não há desculpas.


Este livro pode ser encontrado no site Smashwords neste link: Querido estás Morto de João D. Martins

terça-feira, 14 de maio de 2013

Nas entrelinhas

O autor David Soares surpreendeu os seus leitores com o anuncio no seu blog, Cadernos de Daath, de que iria terminar a sua relação profissional com as edições Saída de Emergência:

Caros leitores: anuncio-vos que decidi terminar a minha relação profissional com as edições Saída de Emergência.
Neste momento, ainda não tenho uma nova editora para os meus trabalhos em prosa: para já, terminar este ciclo é para mim, mais importante. Esclarecido isto irei, como é evidente, manter-vos informados sobre as novidades.
Desejo, com sinceridade, os maiores sucessos às edições Saída de Emergência.


Não sei as razões que estão por detrás deste anuncio que termina um relação de cerca de sete anos, relembro que o seu primeiro livro com as edições Saída de Emergência, "As Trevas Fantásticas", é de Janeiro de 2006 (embora no site diga que foi em 16/03/2007).

Ao ler o anuncio do David não consigo deixar de "ler algo nas entrelinhas". Assumo desde já que posso estar errado e tudo o que aqui escrevo não passa de pura especulação da minha "assombrosa" imaginação. 

Com as edições Saída de Emergência o David Soares alcançou o sucesso junto do "grande" publico, e também da critica, embora todos os predicados que lhe são reconhecidos já lá estivessem, mas volto a frisar que foi só com esta editora esse sucesso chegou. 

A editora sempre o "exibiu" como um "porta-estandarte" do que "o que é nacional é bom" e o "rótulo" de melhor autor do Fantástico Nacional cedo  "colou" e ainda hoje é assim reconhecido. 

Então se esta tem sido um relação que tem favorecido ambas as parte porquê quebra-la? O que se terá alterado?

Quer pelo silencio da Editora (pelo menos para já), quer ao ler o anuncio do David Soares acho que não será disparatado assumir que algo se passou. 

Repare-se que o autor diz que ainda não tem editora para os seus "trabalhos em prosa". Podemos inferir que o autor parece ter trabalhos por publicar e optou por não submete-los à editora. E, novamente a pergunta, se não tem ainda um nova "casa" porquê deixar a antiga? Certamente que com o seu curriculum não faltaram propostas ao David Soares, mas como diz o povo "não bate a bota com a perdigota".

Refere que o importante é "terminar este ciclo", mas não diz que ciclo é, a ligação com esta editora? Uma nova fase enquanto autor? 

Mas para mim a frase final é a que diz mais, repare-se que deseja o melhor para editora, mas nem um palavra de agradecimento e/ou reconhecimento pelo trabalho da editora na sua carreira. Para mim diz muito sobre a pessoa que a escreveu.

Ficam as perguntas e quem sabe se um dia teremos as respostas.

domingo, 12 de maio de 2013

Revista Bang n.º 14 - mais uma razão


A revista Bang já chegou e este décimo quarto número para lá das habituais razões de qualidade que me levam a "peregrinar" até a FNAC mais próxima assim que possível teve desta vez uma razão adicional: tenho uma pequena opinião publicada na secção de Bloggers. O convite foi feito pela Safaa Dib (assistente editorial da Editora Saída de Emergência) e foi um pequeno grande desafio. Em primeiro lugar pela surpresa do convite de que não estava à espera, pensa-se nisso, sonha-se com isso, mas a verdade é que quando acontece não se está preparado. Depois foi a escolha do livro, quis escolher um do qual ainda não se tivesse falado, um que representasse bem os géneros onde a revista se insere, mas que não quis ir buscar os "suspeitos do costume" e depois de algumas voltas as minhas estantes (que felizmente estão moderadamente bem compostas) os meus olhos acabaram por "cair" no livro "A Manhã do Mundo" do Pedro Guilherme-Moreira" e do qual já aqui falei ao de leve


As razões que me levaram à escolha deste livro são simples. É de um autor Português, é de Ficção Científica, tem (muita) qualidade, devido à sua classificação pode ter "escapado" ao apreciadores do género e tinha prometido ao autor uma opinião no blogue (que não está esquecida), resumindo mostrar e recordar um excelente livro.

O desafio seguinte foi escrever a opinião em meia dúzia de dias e com o limite de cento e cinquenta palavras e para "ajudar" calhou mesmo na semana em que estava a escrever as opiniões aos trabalhos do Manuel Alves. Foi um desafio e tanto, pois sabia o que queria dizer, mas a limitação de palavras fez com que tivesse de escrever e rescrever, de resumir resumos (eu sei!), e mesmo assim parecia-me que o que escrevia não servia. Então já com o prazo a tocar as ultimas badaladas coloquei os auscultadores e coloquei a minha inspiração a tocar: Queen Live at Wembley (1986) - The Magic Tour. E durante as cerca de duas horas que dura o concerto eu moldei o texto que podem ler na página setenta e oito da revista Bang n.º 14. 

Espero que as minha palavras vos levem a considerar este livro para leitura, pois bem merece.

Não sei se está foi uma vez sem exemplo, espero que não e que volte a ser (como diz na ficha técnica)  um "colaborador explorado" em futuras edições, pois é um prazer vermos o nosso nome em algo que admiramos, não pela fama que isso possa trazer, pelo menos no meu caso, mas pelo desafio que nos foi "imposto" e que nos faz progredir e ir mais além. 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Opinião - Urbania de Carlos Silva


Urbania é um romance de Carlos Silva no género da Fantasia. O livro é constituído por vários "mosaicos" onde vamos conhecer um conjunto de personagens que formaram o painel completo que é a história. Não será exagero dizer que a personagem principal deste livro é Urbania, mas Urbania não é uma pessoa, mas uma cidade, uma cidade que se move e que todos os dias destrói um parte de si apenas para outra parte renascer qual Fénix das cinzas. É neste movimento perpétuo que vivem os seus habitantes e que por ele regem as suas vidas. No seu percurso por vezes Urbania cruza-se com as cidades estáticas (as nossas) e quando as condições são as correctas as pessoas de lá podem vir visitar a nossa cidade e vice-versa. É assim que se conhecem Hugo e Inês, juntos vão dar inicio a uma mudança em Urbania que poderá ser o seu fim. 

Esta foi uma história que me agradou bastante e muita da culpa deve-se a uma ampla "mitologia" que o autor criou e conjugou e que bem merecia ter sido mais explorada, ou então de outro livro para o fazer. Desde o Caçador de Sonhos passando pelo Povo das Brumas à ciência da semioticologia, todos estes elementos conjugam-se para criar um magnifico cenário e este é certamente o ponto mais forte deste livro. 

A história tem um começo algo confuso, muito por culpa da narrativa em "mosaico", aliás acho que o livro só ganharia se a narrativa fosse contínua, dar-lhe ia não só um outro ritmo como ao leitor uma outra percepção. Ao longo do livro a história é contada com o recurso ao ponto de vista de diferentes personagens e embora todas se cruzem de modo directo ou indirecto a verdade é que as mudanças "repentinas" podem deixar alguns leitores um pouco "zonzos". Para esta narrativa em "mosaico" resultar será preciso o autor "poli-la" melhor. 

O autor confundiu-me (bastante) ao falar de Lobos e "olhares Lupinos" e com outras expressões que dão a entender que estava perante lobisomens quando tal não é de todo o caso. O autor alcunha alguns personagens como Lobos, símbolos de mudança, mais tarde percebi as intenções do autor, mas o mal estava feito e a confusão instalada.

A Simbologia é um tema de fundo neste livro, mas é preciso que o leitor entenda do que se fala, se não a frustração levará a melhor. Neste aspecto devo dizer que o autor esteve bem, explicando os símbolos que utiliza, embora existam alguns pontos onde poderá melhorar, não deverá nunca assumir que o leitor sabe automaticamente o que quer dizer.

Outro aspecto a ter em atenção, e isto serve para todos os autor desse lado, é a revisão, ainda foram  alguns os erros com que me deparei, e se alguns podem ser explicados pela conversão do texto nos vários formatos em que está disponível a verdade é que isso não os explica a todos.

Em conclusão um bom livro que vale a pena, apesar dos pontos menos positivos que aponto, pelas muitas e boas ideias que explora.

Este livro pode ser encontrado no site do Smaswords neste link: Urbania de Carlos Silva.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Dia Mundial do Livro e dos Direitos dos Autores

Hoje é celebrado o Dia Mundial do Livro e dos Direitos dos Autores. O dia fica marcado por algumas iniciativas que visam promover a leitura e infelizmente também pela polémica entre a editora Saída de Emergência (SdE) e o banco Caixa Geral de Depósitos (CGD). Grosso modo a SdE tinha programada uma colaboração com a CGD, uma parceria em que a segunda distribuiria os livros da primeira nos seus balcões, mas que foi cancelada porque "alguns livros continham linguagem com potencial de ferir a susceptibilidade de alguns clientes, não os considerando adequados ao posicionamento e imagem do banco". Mas o que é isto de "ferir a susceptibilidade"? Mas os bons livros não fazem precisamente isso? Não nos agitam e fazem pensar? Que seria do mundo sem os livros que nos emocionam, que nos escandalizam e nos revoltam? Os bons livros são outras realidades, outras perspectivas, outras pessoas. São tudo o que fui, sou e serei e o que nunca alcançarei ser. São outras   realidades que não a minha. Os livros são o que foi, o que é, o que será e a imaginação do que nunca existirá. Defender os livros, mesmo os de que não gostamos, é defender o meu ponto de vista, mas também o teu e o dele, o nosso e o vosso e claro o deles, é defender o Mundo, pois se hoje atacam o deles amanhã será o meu. Pois vamos ler livros obscenos e que escandalizem, que façam rir e chorar, que entretenham e façam pensar, vamos defender o Livro pois ele somos todos nós e nós ele. Vamos ler pois ler é compreender e compreender é conhecer e conhecer é viver, vamos ler.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Manuel Alves - O Veredicto Inicial

Não, não é mais um trabalho do Manuel, este é o tal apanhado que referi no post Promoção da semana, embora tenha de confessar que o titulo tenha sido influenciado por um comentário seu no Forum Bang.

Para mim o fascinante desta experiência, mais do que dar a minha opinião sobre a ainda breve (espero eu) obra do Manuel Alves, foi observar o seu potencial. O Manuel mostrou que, apesar do caminho que ainda tem de percorrer, já dispõem das ferramentas para o fazer e isso ninguém lhe poderá tirar. Demonstrou que tem não só o talento, mas também a vontade e isso é dizer muito sobre o autor que o Manuel é.
Como ficou patente nas minhas opiniões a sua escrita e ideias agradam-me e tenho a certeza que agradaram a muitos mais. Ao que já disse gostaria de acrescentar apenas um conselho. Sou dá opinião que deves tentar editar os teus trabalhos através das editoras "convencionais", não pela mera visibilidade que isso traria, pois com a internet isso é bastante relativo, mas porque (acho) que beneficiarias de ter o teu trabalho avaliado por um (bom) editor que te se soubesse "guiar" e te fizesse crescer ainda mais, e até acho que já tens um bom livro para esse efeito: "A Invenção de um conto de Fadas", embora tenha a certeza que mais estão a caminho.

Manuel sei que já o sabes, assim como quem lê este blog, mas digo-o na mesma: tens aqui um apreciador do teu trabalho e que irei continuar a acompanhar.

Foram sete dias algo cansativos, mas que valeram a pena, não só por ter apoiado e divulgado uma autor Português, mas acima de tudo por ser um autor que o merece. 

domingo, 14 de abril de 2013

Opinião - Perguntas-me? de Manuel Alves


Depois da surpresa que foi "A Invenção de um conto de Fadas", este livro voltou a surpreender-me com outra faceta do seu autor, a faceta de um (quase) poeta, embora já tivesse notado um pouco isso no livro supracitado.

Constituído por quarenta e seis micro e pequenas narrativas (e um poema), todos começam com uma pergunta, dai o titulo do livro, que pode ou não ser respondida, mas as resposta aqui não são o que interessa, o que realmente interessa é perguntar, questionar. Escrito num estilo que se pode chamar de poesia em prosa ou prosa poética, pois apesar da estrutura formal ser em prosa a verdade é que muitas vezes as palavras não só rimam como parecem ter um cadencia (quase) musical, como se estivéssemos  verdadeiramente a ler poesia, dando um toque muito interessante à leitura. Outro aspecto que enriquece o livro são os desenhos em aguarelas do próprio autor, simples, mas de uma beleza inquestionável e que me dão a vontade de ter o livro impresso para o poder admirar não são pela beleza do texto, mas também enquanto objecto de arte.
Pode ser lido de um fôlego ou ir saboreando um capitulo por dia. É em  muitos momentos uma narrativa emocional, noutros dá que pensar ou "apenas" que sentir.
É um livro que muitos leitores não serão capazes de apreciar, haverá quem não se identifique com o tipo de escrita ou as temáticas, nem é para todos os momentos, mas os que conseguirem apreciar   saíram enriquecidos.


Este livro (e-book) pode ser encontrado no site Smashwords neste link: Perguntas-me? de Manuel Alves

sábado, 13 de abril de 2013

Opinião - A Invenção de um conto de Fadas de Manuel Alves


Este foi um livro do qual eu não estava à espera. Em primeiro porque depois de ter lido os contos do Manuel, que estão inseridos nos géneros de Ficção Científica e Fantasia, nada fazia crer que ele mudasse "repentinamente" de registo, portanto passei as primeiras paginas a tentar encontrar algo de Fantástico e a minha busca não foi infrutífera pois encontrei o quanto a nossa vida do dia-a-dia pode ser Fantástica. Em segundo lugar não estava à espera de me ligar tanto à história e aos seus personagens. Com eles eu ri e (quase) chorei, zanguei-me e perdoei, apaixonei-me e odiei, com eles eu vivi. Citando o livro:

...pessoas inventadas, que pareciam tão nascidas em carne e osso como qualquer outra pessoa real. (página 136 do e-book em formato epub)

Esta frase resume bem o que senti ao longo do livro. As personagens não eram de papel, mas pessoas que eu queria conhecer, pessoas que eu compreendia e que queria ajudar. Elas eram eu e eu  era elas, nos problemas e nas alegrias, nos dilemas e fantasias. A história até pode ser considerada banal, pois é igual à do nosso vizinho, primo, e claro a nossa, mas existe neste realismo algo de fantástico, eu sei que parece que me contradigo. Fala de pessoas exactamente como eu e o caro leitor que está desse lado, mas por isso eu consigo ficar distante, enquanto observador e ao mesmo tempo estar lá a sentir a dor e o prazer, a angustia e satisfação.
Uma magnifica história que muito prazer me deu ler, mas acima de tudo sentir.


Este Romance pode ser encontrado no site Smashwords neste link: A Invenção de um conto de Fadas de Manuel Alves

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Opinião - Orin de Manuel Alves


A história narrada por Manuel Alves neste Orin podia muito bem ser a Mitológica sobre a  criação do mundo de um qualquer povo deste planeta. Conhecemos Orin um Deus que é o Inicio e o Fim, e que à medida que vai pensando e agindo vai aprendendo o que já sabe, mas ainda não descobriu, eu sei que parece confuso, mas o autor explica melhor do que eu.

O problema é que apesar de bem escrito, como é apanágio deste autor, e de algumas boas ideias e momentos, no geral é aborrecido. A razão é a repetição da fórmula que Orin nada sabe, mas ao mesmo tempo tudo sabe à medida que vai pensando/descobrindo. Apesar de interessante ao inicio acaba por, inevitavelmente, se tornar repetitivo e monótono. É uma leitura que vale pela escrita e ideias, mas apenas aos que gostam de histórias de e sobre Mitologia. 


Este conto pode ser encontrado no Smashwords neste link Orin de Manuel Alves

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Opinião - A Linha Recta do Corvo de Manuel Alves

Sinopse:
 Lince teria uma vida relativamente despreocupada se não fosse a pequena questão de ser perseguido por assassinos, e tudo só porque chateou certas pessoas por ter testemunhado algo que não devia. Felizmente, os corvos avisavam Lince sempre que um assassino se aproximava. Infelizmente, os corvos não o ajudavam a escapar. Uma boa maneira de matar um assassino é tornar-se um assassino melhor. Pelo menos, foi o que Lince pensou. 

É assim que o que o autor dá a conhecer esta sua pérola, um conto que eu simplesmente adorei. Como quem vai ao alfaiate fazer um fato à medida, também esta história parece ter sido escrita à medida do meu gosto. Boa parte da culpa é do humor que percorre de fio a pavio o conto, com boas doses de ironia e sarcasmos exactamente como eu gosto. O uso que faz de uma analepse, ao invés de uma narrativa contínua, potenciam a curiosidade. É uma daquelas histórias em que temos vontade de saber mais, mas a ser feita essa minha vontade e quem sabe de outros, isso só estragaria, e eu pessoalmente prefiro um bom conto a um "calhamaço" medíocre, embora o raio do mas não me largue...

Este conto pode ser encontrado no site Smashwords neste link: A Linha Recta do Corvo de Manuel Alves

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Opinião - Coração Atómico de Manuel Alves



Coração Atómico é uma história de Ficção Científica inserida no sub-género de Steampunk. Nela vamos conhecer dois robôs chamados Momo (o Macho por assim dizer) e Nini (a Fêmea), que apesar de ainda não estarem fisicamente completos, o seu intelecto é equivalente ao de uma pessoa. O leitor "entra" na narrativa quando o seu Criador está quase a termina-los, mas são apanhados no meio de uma  Revolução, pois podem ser o "peso" a fazer pender a balança a favor de um dos lados.

Este conto de História Alternativa é como uma "fotografia" de um momento e é esse (possivelmente) o seu maior "problema". Tal como numa foto em que apenas nos é mostrado um instante, também aqui não nos é explicado o como e o porquê, sabemos apenas o que a "fotografia" nos mostra. Tudo o que levou àquele instante em que o "fotografo tirou a foto" é-nos vedado. Ora isto pode desiludir alguns leitores que estão à espera de saber mais.

Gostei que o autor tenha aflorado (algumas) interessantes questões Filosóficas que envolvem Momo e Nini, mas mais uma vez existem apenas perguntas e (quase) nada de respostas, mas tendo em consideração que estamos a falar de Filosofia até se poderá considerar normal.

Apreciei o conto tal como ele foi escrito, mas claro que todas estas questões e falta de respostas me deixaram curioso e compreendo que para leitores mais curiosos isto pode ser razão suficiente para considerar que as suas expectativas não foram correspondidas. À laia de desculpa em favor do autor será conveniente mencionar que este conto (também) foi editado no Almanaque Steampunk 2012 da Clockwork Portugal e que tal com no conto Z (ver aqui a opinião) a falta de espaço poderá ter sido decisiva para o mesmo ter este "aspecto".



Este conto pode ser encontrado no site Smashwords em Português neste link: Coração Atómico de Manuel Alves ou em Inglês neste: Atomic Heart by Manuel Alves

terça-feira, 9 de abril de 2013

Opinião - Legado Vermelho de Manuel Alves



Legado Vermelho é uma daquelas histórias que se vai tornando cada vez mais interessante à medida que vamos avançando, não querendo isto dizer que tenha um começo fraco, muito pelo contrário. Não quero estragar a história, e por isso mesmo é difícil escrever sem revelar algo crucial, mas vou tentar. Existe uma série de narrativas paralelas e a verdade é que se torna difícil saber qual a "principal"  e quais as "complementares", no final somos confrontados com o facto de que eram todas principais e  que se complementavam.
Somos confrontados com um planeta que está passar por convulsões tectónicas quando aparecem Dragões, animais que se pensavam estarem reservados à mitologia e imaginação, mas o seu aparecimento pode não trazer nada de bom. Conhecemos um pai e os seus dois filhos, o mais velho é o  mais parecido consigo, inteligente e pragmático e o mais novo, também inteligente, mas um sonhador, e claro o relacionamento entre pai e filhos e entre irmãos. Sofremos com as decisões com que a personagem nas suas facetas de Pai e Cientista é obrigado a tomar. A reviravolta no final, literalmente no final, dá toda uma nova dimensão ao conto e é impossível não  pensarmos "enganou-me bem!" e ainda bem acrescentaria eu.

O autor soube (mais uma vez) criar uma boa história que promove a interacção e contribui para envolver o leitor e mostra mais uma vez todo o potencial de alguém que vai longe, se se dedicar com afinco à escrita.


Este conto pode ser encontrado no site do Smashwords em Português neste link Legado Vermelho de Manuel Alves ou em Inglês neste link Red Legacy by Manuel Alves

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Opinião - Z de Manuel Alves


Z foi a minha porta de entra para os Mundos do Manuel Alves.

O conto narra a história de uma adolescente que foi criado geneticamente e que faz parte de um conjunto de 26 que receberam como nomes as letras do alfabeto, Z é o último, quer na letra que lhe dá o nome quer no facto de ser literalmente o último que ainda está vivo, ou quase... O cenário é uma instalação onde Z é educado e onde pretendem tirar partido das suas capacidades (bem) acima da média, mas Z tem outros planos...

A temática não é nova, nem a história traz propriamente novidades, mas Manuel Alves consegue sobressair-se pela narrativa, com uma escrita limpa e que desliza sem se prender, passando pela maneira como constrói as personagens, ao sentido de humor tudo contribui para que fiquemos presos à história. Embora existam alguns problemas de coerência  lógica e/ou lacunas de informação, que o próprio autor  reconhece, sendo a justificação para elas, o limite de palavras (este conto participou numa Antologia e portanto não se pôde alongar como queria) e que outras explicações precisam de mais texto, pessoalmente não achei que estes problemas me tivessem impedido de apreciar a historia, mas tenho de reconhecer que outras pessoas "encravam" com isso.

Embora funcione bem como uma história fechada o autor já afirmou que pretende escrever uma "versão" mais longa em três partes (poderão encontrar aqui um "cheirinho"), e se for tão boa como o conto (já com os problemas resolvidos, claro) então podemos estar na presença de, quem sabe, um futuro clássico da FC nacional, mas não vamos colocar a "carroça à frente dos bois" e esperar para ver...

Este conto (também) faz parte da Antologia de Ficção Científica do Fantasporto organizada pelo Rogério Ribeiro e editado pela editora Asa na colecção 1001 Mundos.




Este conto pode ser encontrado no site Smashwords em Português neste link: Z de Manuel Alves ou em Inglês neste Z by Manuel Alves

domingo, 7 de abril de 2013

Promoção da semana: Manuel Alves



Durante esta semana vou fazer uma espécie de "campanha/promoção" da obra de um jovem autor chamado Manuel Alves, dando à estampa uma opinião por dia de (quase) toda a sua obra, ainda não sei se terminarei a tempo o seu ultimo livro (e-book), "Perguntas-me?". Convenhamos a sua obra (ainda) não é assim tão grande, mas revela já uma grande potencial. Tudo o que publicou foi em e-book, mas dois contos já tiveram direito a serem incluídos em duas antologias. No final irei fazer um "apanhado da situação". Para os que quiserem começar a descobrir desde já a obra deste autor, podem descarregar, para já de modo grátis, no site Smahswords a obra de Manuel Alves.

PS: Apesar do que possa eventualmente parece esta minha "acção de promoção" nada tem a ver com o passatempo lançado pelo autor (por exemplo) no Forum Bang, tudo não passou de uma coincidência.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Opinião - O Fim da Era da Razão de Liliana Morais



O Fim da Era da Razão é um conto de Liliana Morais que pretende reviver os ambientes de 1984 de George Orwell e Fahrenheit 451 de Ray Bradbury, mas o resultado, bem...

A historia é sobre um mundo em que os livros vão sendo banidos pelos Governos com cada vez mais violência. O personagem principal é um jovem de 18 anos chamado Manuel que se vê na posse da biblioteca do seu avó depois deste ter sido preso por não ter registado e não ter revelado os seus livros. Manuel acaba por se juntar a uma resistência, etc e etc.

O problema não foi a autora ter pegado numa temática já tão "batida". Não foi a primeira e nem será com certeza a ultima vez. Muitos são os autores que dão o seu contributo sobre este ou outros temas, mas o que difere é que alguns conseguem dar-nos uma nova perspectiva, o que não é o caso, bem longe disso.

O problemas não foi ela não ter trazido algo de novo sobre este tipo de distopias, isso até podia ter sido "ignorado" desde que a historia estive bem escrita. Podia estar aqui a dizer que "a autora Liliana Novais não acrescente nada de novo ao sub- género  mas a sua escrita cativa" ou algo deste tipo, mas isso não aconteceu, muito pelo contrario. 

O que aconteceu foi uma historia que além de não trazer nada de novo a este sub género, estava escrita num "tom" (quase) de quem está a escrever pela primeira vez algo, o que não é a realidade (como se pode ver pelo seu perfil no Smashwords), e mesmo que fosse. O que a autora faz é basicamente debitar informação sobre o que se vai passando de um modo quase infantil e uni-dimensional.  Uni-dimensional é também a sua personagem principal. O conto é (quase) uma colecção de clichés "colados" uns aos outros de um modo atabalhoado, desde o rapto do avó até à queima dos livros no final. Mais uma vez o problema não foi o facto de ela utilizar clichés, mas o modo como o fez. A historia nada avança, nada revela sobre as personagens, nada diz a não ser aquele debitar de informação já visto noutros livros. 

Mesmo a revisora Sara Farinha deixou passar, pelo menos um erro ortográfico na pagina 7:

"... como uma vela que se estingue..."

E parece-me que também alguma pontuação mal colocada. Deixarei que cada um julgue a gravidade do(s) erro(s).

Gostava de dizer algo de positivo sobre este conto, mas a verdade é que não é possível. Não conheço os outros trabalhos desta autora, mas este não devia ter saído da gaveta, pelo menos como está.

Deixo o meu conselho à Liliana se for o teu desejo  continuar na escrita, e parece ser, que sejas a tua primeira critica, que revejas os manuscritos com calma, e claro que antes dos publicar os deixe na gaveta uns bons tempos e que os voltes ler depois já com outros olhos. Existem outros conselhos, mas acho que estes são os básicos.

Espero em breve voltar a ler algo teu.

Este conto pode ser encontrado no site do Smashwords neste link: O Fim da Era da Razão de Liliana Morais