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domingo, 7 de abril de 2019

Por Mundo Divergentes - Uma Antologia



Depois da excelente antologia Proxy sigo para outra antologia da Divergência: Por Mundo Divergentes. 

É um livro já de Junho de dois mil e quatorze. Em aspectos como a paginação nota-se que ainda é de uma fase inicial da editora, não que isso lhe tire ou acrescente qualquer mérito, mas se pegarmos num livro actual vê-se uma evolução bastante grande e existe algo de bastante agradável nisso.

Quanto ao conteúdo deste livro é uma antologia com cinco contos de distopias passadas em Portugal "num futuro por vezes mais próximo, por vezes distante". Eu gosto bastante de distopias, adoro a pergunta "E se?" e é também um dos grandes sub-géneros da Ficção Cientifica.

Quanto aos autores já li quatro deles (não me lembro de ter lido nada do Nuno Almeida) e só tenho boas recordações deles por isso espero boas coisas desta antologia.

A partir de amanhã podem contar com a minha opinião a cada conto todas as segundas-feiras.

segunda-feira, 4 de março de 2019

Opinião - Modulação Ascendente de Júlia Durand



O segundo conto da antologia Cyberpunk Proxy é "Modulação Ascendente" da Júlia Durand.

A realidade de Irissa (Íris) é bastante familiar: ou se é (muito) produtivo ou é-se despedido com a agravante de a empresa denegrir o nome de quem despede tanto que outra nunca lhe dará emprego com todas as consequências que isso acarreta. Irissa, assim como todos os seus colegas é obrigada a ter ambição, de fazer por subir pela escada empresarial quer queira quer não. As suas motivações não se ficam pela mera comodidade em não querer abdicar da vida, mais ou menos desafogada, que leva. Isso também faz parte, claro, mas muito mais importante são as consequências que isso teria para a sua cara metade.

O contraste com o primeiro conto (Deuses como Nós de Vitor Frazão) é como da noite para o dia.  Se no primeiro temos a típica acção com corridas desenfreadas, armas a serem disparadas e munições a voarem por todos os lados, neste vamos encontrar um ambiente mais "calmo" (atenção às aspas). Não é uma história menos tensa e densa por isso, afinal temos vidas em risco apenas de uma modo diferente.

O final deixa algo no ar, como se houvesse algo que ficou por explicar ou um mistério que precisaria de outra tantas páginas para ser revelado. Ou então foi só a minha imaginação a trabalhar e a pregar-me uma partida. 

Não quero revelar muito, para não estragar a história a futuros leitores, mas ficou bem patente a habilidade da Júlia Durand e o porquê do Anton Stark ter seleccionado este conto para esta antologia.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Proxy - Antologia Ciberpunk



Uma das razões para me ter juntado à iniciativa Leiturtugas (desde já o meu obrigado ao Jorge Candeias) é a de me obrigar a ler mais. Poderá parecer estranho, mas a verdade é que o mundo de hoje tem muitas distracções e o tempo não estica e muito menos anda para trás. E verdade seja dita tenho lido muito poucos livros no último par de anos.

E não só me obrigar-me a ler mais, mas ler mais em português e acima de tudo de autores portugueses. E se existe algo de que tenho orgulhado é de ter ajudado a divulgar bons autores portugueses que escrevem (principalmente) no nosso bom português. E espero continuar a descobri-los e a divulga-los.

Vai-me também obrigar a escrever sobre o que leio, algo que muitas vezes fica pelo caminho...

A verdade é que tenho as estantes (físicas e virtuais) cheias de muitos e bons livros de autores portugueses que se encaixam nas "exigências" da iniciativa Leiturtugas e assim, como se costuma dizer, une-se o útil ao agradável.

Assim chego a esta antologia da Editorial Divergência: Proxy que é a primeira experiência antológica de cyberpunk em Português. Lançada nos idos de Setembro de 2016, já assombrava as minhas estantes à demasiado tempo e que por razões que nunca conseguimos explicar completamente, não seria certamente por falta de vontade, foi ficando na estante a ganhar pó (como infelizmente outros)

Com edição do Anton Stark, um prefacio do sempre certeiro e caustico João Barreiros (e que nunca desilude) este será o meu objecto de atenção durante as próximas seis semanas. Com uma opinião por semana a sair à segunda-feira e começa já amanhã com "Deuses como nós" do Vitor Frazão. 

domingo, 15 de outubro de 2017

Opinião - Mulheres Perigosas (Antologia)




Mulheres Perigosas é mais uma antologia de contos organizados por George R. R. Martin, que também contribui com um conto, e Gardner Dozois na esteira de outras antologias já editadas pela editora Saída de Emergência. A premissa, tal como vem descrito na contra-capa é a de que neste livro vamos encontrar "mulheres guerreiras que brandem espadas, intrépidas pilotos de caças, formidáveis super-heroínas, femmes fatales astutas e sedutoras, feiticeiras, más raparigas duronas, bandidas e rebeldes, sobreviventes endurecidas em futuros pós-apocalípticos, rainhas altivas que governam nações e cujas invejas e ambições enviam milhares para mortes macabras, mulheres que não hesitam em assumir a liderança para defenderem aquilo em que acreditam" por oposição ao estereótipo das "mulheres infelizes ficam a choramingar de pavor enquanto o herói masculino combate o monstro ou choca espadas com o vilão". O problema é que esta promessa não é cumprida na totalidade e alguns contos chegam mesmo a mostrar "mulheres infelizes e a choramingar".

A antologia começa muito bem com o conto de Joe Abercrombie "Completamente Perdida" com uma mulher verdadeiramente perigosa como o titulo promete. A primeira senhora desta antologia é Mega Abbott com "Ou o Meu Coração Destroçado" num interessante policial de uma mãe a quem a filha desaparece, onde vemos um mulher perigosa é verdade, mas de uma maneira muito diferente do primeiro conto. Melinda M. Snodgrass é a senhora que se segue com "As Mãos Que Não Estão Lá" e também o primeiro conto de Ficção Científica. Carrie Vaughn faz com que regressemos novamente à Terra com "Raisa Stepanova" em que nos mostra as mulheres soviéticas que durante a Segunda Grande Guerra pilotaram aviões (caças) ao lado dos homens num história que nos mostra acima de tudo que a História está pejada de grandes mulheres.

Eis que chegamos ao conto que "estraga" tudo: "Eu Sei Escolhê-las a Dedo" de Lawrence Block (que ironicamente também parece ter sido escolhido a dedo). O autor até pode ser um grande escritor e o conto está bem escrito, mas este conto está completamente "fora de água" e o que faz nesta antologia é um mistério.

Como para nos fazer esquecer o erro de "casting" anterior os antologistas dão-nos Brandon Sanderson com o conto "Sombras para Silêncio nas Florestas do Inferno". Confesso que não tinha este autor em grande consideração, mas este conto fez ver que posso estar (muito) enganado e este conto é um realmente muito bom, em todos os aspectos, seja na narrativa ou história.

Segue-se mais uma conto baseado na Historia, neste caso da Rainha Constança de Hauteville, com  "Uma Rainha no Exílio" de Sharon Kay Penman. 

Lev Grossman dá-nos "A Rapariga no Espelho" um conto com travo ao Universo de Harry Potter, mas que foi um gosto ler.

Sam Sykes tenta "Dar Nome à Fera" num conto que mostra que ser mão é mais do que parir.

Caroline Spector e "As Mentiras Que a Minha Mãe Me Contou" foram uma surpresa porque não estava à espera de encontrar nas paginas desta antologia um conto passado num outro Universo que o Martin também ajudou a criar: Wild Cards. Apesar de não estar publicado entre nós (espero que um dia isso venha a acontecer) já o conhecia este Universo por alto e tinha alguma curiosidade em saber mais sobre ele e este conto foi uma agradável maneira de começar.

E claro que ficou para o fim o ansiado e muito aguardado conto do George R. R. Martin intitulado "A Princesa e a Rainha ou Os Negros e os Verdes". Admito que apesar de gostar de conhecer sempre mais do Mundo que é Westeros este conto ficou um pouco aquém das minhas expectativas, não pelas informação revelado, mas pela maneira como o Martin escreveu o conto, que parece ter sido escrito por um meister, faltando-lhe algum "sal". Não está mau e tenho a certeza que satisfará os muitos leitores e fãs do Martin. Existe um outro ponto a rever em futuras reedições a existirem: o tradutor (e por inerência da revisora) traduziu o nome de um dos Sete deuses de Westeros mal, em vez de termos o Estranho temos o Forasteiro. Um erro de palmatoria por vários motivos e facilmente evitável.




Esta foi uma boa antologia com contos acima da media sem que exista um que eu possa afirmar que seja mau. Existem histórias para todos os gostos e em vários géneros . O único ponto negativo é alguns contos se afastarem do que o titulo promete, em especial  "Eu Sei Escolhê-las a Dedo" de Lawrence Block.

Resta esperar que segunda parte desta antologia chegue depressa.


Título - Mulheres Perigosas
Autores - Joe Abercrombie, Mega Abbott, Melinda M. Snodgrass, Carrie Vaughn, Lawrence Block, Brandon Sanderson, Sharon Kay Penman, Lev Grossman, Sam Sykes, Caroline Spector, George R. R. Martin
Colecção - Bang! n.º 272
Editora - Saída de Emergência
Tradutor - Rui Azeredo




quinta-feira, 27 de abril de 2017

Opinião - Os Monstros que nos habitam (Antologia)



A Editora Divergência está de regresso com mais uma antologia mostrando que existe nesta cantinho à beira-mar plantado muito talento à espera de uma oportunidade para se dar a conhecer e mostrando também às vozes do Apocalipse que existe publico que gosta de ler contos e antologias neste géneros "marginais"

Quando "Os Monstros que nos habitam" me chegou às mãos não pode deixar de admirar a excelente capa (e que podem admirar acima) e que dá o tom para o que podemos encontrar dentro do livro. Da autoria da Ana Filipa Dias é dela também a introdução onde traça o actual panorama da ficção especulativa (termo pelo qual eu não morro de amores, mas isso é outra conversa) e com o qual, no geral, estou de acordo.

Para além da capa (que não me canso de elogiar) houve outra questão que rapidamente me chamou a atenção: o que é afinal o Paranormal? Para muitos leitores desse lado, e para mim também assim era, a palavra paranormal era sinonimo de sobrenatural. Movido pela curiosidade acabei por descobrir que são palavras com significados diferentes, embora com pontos em comum. Para melhor entenderam as diferenças na definição de Paranormal e Sobrenatural é só seguir os links até às respectivas paginas na Wikipédia.

E então os contos perguntam vós em ânsia? Eis o que a minha pessoa tem a dizer sobre cada um:

A Maldição de Odette Laurie de Nuno Ferreira - O autor presenteia-nos com um conto de fantasia medieval onde o preconceito e o ódio vão desencadear uma maldição com consequenciais imprevistas e claro nefastas. A ideia é boa e as habilidades narrativas do Nuno também, mas ele (parece) perder-se com pequenos apontamentos narrativos que não só não trazem nada de relevante à história, mas que acabam por distrair o leitor. E porquê? Bem um conto, devido ao seu tamanho, necessariamente pequeno, deve ser "directo". Se num formato maior, como o romance, essas "divagações" são algo esperado e até mesmo necessário, no conto tal é "proibido" não podendo o autor perder-se em linhas narrativas acessórias e isto é precisamente o que acontece neste conto, o que é uma pena. Este conto  podia e devia ter sido "limado" destas "arestas".

Vento Parado de Ângelo Teodoro - A morte de um ente querido é sempre uma altura de tristeza e mesmo de alguma confusão emocional e racional. Ora é precisamente por isso que passa a personagem principal deste conto, um escritor que perdeu a esposa num acidente e que vivendo momentos de bloqueio decide que o melhor é deixar a casa carregada de memorias conjuntas e rumar a uma isolada aldeia... e bem acho que já estão ver que a partir daqui a coisa vai correr mal.
Um conto simplesmente delicioso, que me deu bastante prazer ler. Se na antologia "Nos Limites do Infinito" já tinha dado ao Ângelo Teodoro uma menção honrosa desta vez ele sobe ao lugar máximo do pódio com este conto onde demonstra ter um soberbo controlo sobre os tempos narrativos conseguindo equilibrar na perfeição a informação que vai dando, maximizando assim o impacto emocional no leitor. Inicialmente apenas achei o final demasiado abrupto, mas após reflectir por alguns momentos vi a razão da decisão do autor em terminar ali o conto e isso veio reforçar ainda mais o que atrás disse e acrescentou ainda mais prazer à leitura.

A Essência do Mal de Alexandra Torres - Uma esposa foge de um marido bêbado e violento, mas será que consegue chegar a um porto seguro ou será que irá parar num lugar/situação ainda pior? Bem, pior do que viver sempre com medo não sei, mas que o que esta personagem vai passar é bastante assustador lá isso é. Gostei da escrita da autora, simples e eficaz. Confesso que o fim me surpreendeu, não pela originalidade, mas porque a autora me enganou bem enganado e neste casos isso é bom.

Génesis de Patrícia Morais - Um conto (muito) interessante, mas com dois problemas. O primeiro é passar a sensação de que é um prólogo (ou o primeiro capitulo) de uma historia maior, mas confesso que esta sensação pode ser um problema meu. Muitos contos que tenho lido tem me dado esta sensação. Dá-me a impressão de que os autores se esquecem que os contos devem ter principio, meio e fim. Reparem que não há mal em ter um conto que possa ser expandido para, por exemplo, um romance. Não seria a primeira vez e os exemplos são mais que muitos, mas o problema é o leitor no final ficar com a tal sensação de que acabou de ler um prólogo ou o primeiro capitulo de um romance e não um conto. No conto podemos (devemos?) no final ficar com a curiosidade de querer saber mais sobre o mundo que acabamos de "viver" ao invés do sentimento de ter ficado "pendurado".
O segundo problema tem à ver com a temática. Quando comecei a lê-lo pensei: "mas o que faz uma historia de Ficção Científica aqui?". Lá me acalmei e continuei a ler. E a minha paciência foi recompensado quando, talvez a meio do conto, acontece um evento, que por razões óbvias não irei descrever, mas que à primeira vista parece encaminhar este conto na direcção do tom da Antologia. O problema é que no final aquele evento acaba por parecer algo fortuito. Fica a impressão de que apenas lá foi colocado para justificar a presença deste conto nesta antologia.
Para lá destas considerações e analisando o conto isoladamente da presente companhia achei a história interessante e com potencial, com todo o seu ambiente de história alternativa com laivos de Steampunk e que me deixou a querer saber mais.

O Canto da Sereia de Soraia Matos - Se tivesse de escolher uma palavra para definir este conto essa palavra seria confuso. Achei a história e a sua execução nebulosa e em alguns pontos desconexa.
Como ponto positivo gostei de alguns elementos mitológicos que a autora criou, como a razão para as Sereias procriarem tão pouco. 

Páginas Assassinas de Carina Rosa - Dois jovens amigas finalmente vêem-se livros do jugo dos pais quando vão para a universidade. É tempo de descontrair e aproveitar a vida e as festas certo? Errado, porque uma delas está obcecada com uma historia que não consegue parar de escrever, um romance sobrenatural em que o que ela escreve acontece... E bem o resto vão ter ler para saber, mas posso adiantar que é um conto bem escrito, com principio, meio e fim. Gostei do final, embora não possa dizer que é a "coisinha" mais original que li. Não me surpreendeu, mas também não foi algo com o qual estivesse a contar totalmente. Uma repartição de "culpas" que me deixou (muito) satisfeito.




Eis-nos então chegados ao fim, onde tenho a certeza que já salivam por um veredicto! Já vos ouço gritar "Então, tanta conversa, tanta conversa, mas afinal é boa? Vale a pena?" E eu deixo-vos mais um pouco na expectativa enquanto coço a barba (que fofinha está) como um velho sábio e puxo mais uma baforada do cachimbo e limpo os óculos com toda a calma do mundo enquanto vocês começa a ficar vermelhos de impaciência e respondo baixinho: "Sim".

Qualquer antologia que mostre que existe vida para lá dos suspeitos do costume já vale a pena. Qualquer antologia que nos mostre que afinal existem muito mais autores do que aqueles que pensávamos existirem vale a pena.

Qualquer antologia que apresente talentos como esta apresenta vale a pena e acho que por esta altura já aprendemos que as da Editorial Divergência valem muito a pena e esta não é excepção.





Ficou apenas por dizer que o lançamento deste antologia vai ocorrer este Sábado, 29 Abril, às 17h30 na Biblioteca São Lázaro, Arroios (Lisboa) e no Domingo, 30 Abril, às 16h00, no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha (Santarém), Se puderem apareçam, mas se, como eu, infelizmente, não puderem comparece sempre podem fazer já a vossa pré-encomenda na loja site da Editorial Divergência com desconto  até dia vinte e oito de Abril.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Opinião - Nos Limites do Infinito (antologia)



As Antologias e as correntes tem mais em comum do que à partida se podia supor. Quer uma quer a outra são tão fortes como o seu elo/conto mais fraco. Claro que ao contrario das correntes as Antologias podem ter muitos contos fracos, mas como diz Jorge Candeias no seu blog "Se numa antologia houver nem que se seja um conto bom, ela vale a pena, por pior que seja globalmente" e isto é algo que subscrevo. 
Com um titulo que promete explorar os limites desse enorme género que é o Fantástico a verdade é que no geral se fica (demasiado) pelo sobrenatural, mas isto posso só ser eu a ler demasiado nas entre-linhas. Todos os contos são (relativamente) competentes, mas à maioria falta aquele "salto" de genialidade que transforma uma obra de mediana em algo verdadeiramente arrebatador. Felizmente existe um conto que consegue esse feito raro: "A Colina que Olha para Ti" de Rui Bastos, que curiosamente (ou não) é de longe o mais novo autor a integrar esta antologia. As menções honrosas vão para "A Pele de Penélope" de Ângelo Teodoro e "A Casa da Rua dos Mirtilos" de Ricardo Dias. Mas vamos lá à minha opinião de cada conto:


"Sorte ao Jogo"de Ana Cristina Luiz - Este conto começou por me cativar por utilizar algo tipicamente português como cenário: a Taberna e também por recuperar alguns jogos mais tradicionais. O conto passa-se no que me parece ser um Portugal profundo e num tempo que tanto pode ser contemporâneo (que é), mas que facilmente se podia ter passado à meio século. Recuperar também as velhas lendas de um Diabo trapaceiro, mas não quero estragar (demasiado) a história. Foi pois com muita pena minha que chegado ao fim fiquei com incomoda sensação que este conto mais parecia um prologo de que um conto com principio meio e fim.

"A Pele de Penélope" de Ângelo Teodoro - Resumindo muito sinteticamente um homem apaixona-se por uma mulher com segredo terrível e mais não quero dizer para não estragar a descoberta aos leitores. A história é narrada na primeira pessoa, pelo homem que se apaixona e devo dizer que esta foi uma excelente escolha para contar a história pois permitiu guardar bem o fim.

"Memórias de Teddy" de João Rogaciano  - Tal como no conto anterior também aqui o autor optou por fazer do personagem principal o narrador, que não é mais do que um urso de peluche. Vamos acompanhar as aventuras e agruras do Teddy ao longo dos anos (e não são assim tão poucos). Infelizmente a "surpresa final" perdeu-se em mim porque já a tinha "visto" a "milhas de distancia". Não culpo (muito) autor, mas sim os muitos anos e leituras que já tenho acumuladas. Talvez este fim resulte em leitores menos versados neste tipo de leituras, mas para mim precisava de algo mais.

"A Casa da Rua dos Mirtilos" de Ricardo Dias - É um "simples" conto de uma casa assombrada, mas surpreende por trocar o habitual tom de terror e suspense por algo mais leve e engraçado. Todos os leitores mais inveterados (como eu) irão adorar (especialmente) o final com que nos iremos (de certeza) identificar.

"A Colina que Olha para Ti" de Rui Bastos. É o conto de que mais gostei e muito por causa da originalidade das ideias presentes, claro que também apreciei (e muito) a maneiro como o Rui contou a história com uma narrativa quase poética. Podem-me chamar louco (e é provável que o façam), mas este conto fez-me lembrar Neil Gaiman (e melhor elogio será difícil), talvez pela imaginação que aqui encontrei e que também encontro nas obras dos escritor Inglês. Este conto também representou mais um raio de esperança no futuro da nossa Literatura Fantástica.

"Entre Estações" de Yves Robert - O sexto e último conto tem como protagonista um autor (o próprio?!) numa viagem de comboio entre Cascais e Lisboa igual a tantas outras não fosse o facto de repara pela primeira vez numa "casinha cor-de-rosa" e num impulso decide visita-la e quem sabe encontrar a inspiração para um historia que precisa desesperadamente escrever. Embora tenha sido "decentemente" escrito foi demasiado previsível na historia que escreveu, faltou-lhe um pouco de "sal".


E eis nos regressados ao inicio e à pergunta que aparece disfarçada no principio: será que esta antologia vale a pena? E a minha resposta não pode ser outra que: vale sim, vale muito a pena.

Uma nota final: ao Rui Bastos o pedido que não pare de escrever pois é um autor que não só demonstra um imenso talento como faz falta ao Fantástico nacional mais uma voz que mostre não só que ele existe, mas que é diverso. E à editorial Divergência que continue o excelente trabalho que tem feito na promoção da Literatura Fantástica nacional apesar de todas as dificuldades que eu tenho a certeza que enfrenta sendo um pequena editora, mas que luta como pode pelo que é nosso. Não desistam porque vocês são muito necessários.


Se vos despertei a curiosidade (e espero que sim) então nada como encomendar já no site da Editora Divergência (e já agora deixarem-se tentar pelas outras coisinhas boas que eles tem por lá...).
Para os que gostam de ter a sua copia autografada pelo autores então amanhã tem duas possibilidade: em Lisboa na Biblioteca de S. Lázaro pelas 14H30, ou então em Torres Vedras na Junta de Freguesia de S. Maria, S. Pedro e Matacães pelas 18H, mas informações neste link: Lançamento da Antologia "Nos Limites do Infinito" em Lisboa e Torres Vedras.