Mostrar mensagens com a etiqueta José Pedro Castro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Pedro Castro. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 25 de março de 2019

Opinião - Alma Mater de José Pedro Castro




Lisboa, num futuro relativamente próximo, tomada (ainda mais) pelas grandes corporações e onde as assimetrias são ainda maiores. Onde os ricos vivem nas suas torres de vidro (bem) acima da ralé e dos vários gangues que governam a favela que é a Velha Baixa. É aqui que vive Maria, uma velha senhora, dona de uma livraria num mundo onde (muito) poucos lêem livros. Vamos encontra-la a procurar Sanjay, um rapaz que já conhece à muito e que está desaparecido. Na sua busca vamos explorar um pouco mais a cidade, os seus habitantes e as diferenças para os dias de hoje. Ao mesmo tempo vamos descobrir o paradeiro de Sanjay e conhecer uma misteriosa personagem que terá um papel central no desenrolar da trama e no seu final.

É um conto muito interessante, mistura aquilo que eu espero de uma história cyberpunk com a tecnologia a ter papel relativamente central, mas sem nunca descurar o lado humano da história.

Um dos seus pontos fortes foi o autor ter ancorado a história na realidade portuguesa, ao invés de ter sucumbido à tentação de ter como palco Nova York ou outra mega metrópole, porque apesar de vivermos numa mundo cada vez mais pequeno não há nada como o nosso lar, leia-se o nosso país.

Outro ponto forte deste conto foram as reviravoltas e para mim a maior foi a última, em igual medida inesperada e chocante, mas ao mesmo tempo (muito) lógica e isso é algo que não é comum encontrarmos.

"Alma Mater" de José Pedro Castro é o penúltimo conto desta antologia e mais uma excelente adição à mesma.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Proxy - Antologia Ciberpunk



Uma das razões para me ter juntado à iniciativa Leiturtugas (desde já o meu obrigado ao Jorge Candeias) é a de me obrigar a ler mais. Poderá parecer estranho, mas a verdade é que o mundo de hoje tem muitas distracções e o tempo não estica e muito menos anda para trás. E verdade seja dita tenho lido muito poucos livros no último par de anos.

E não só me obrigar-me a ler mais, mas ler mais em português e acima de tudo de autores portugueses. E se existe algo de que tenho orgulhado é de ter ajudado a divulgar bons autores portugueses que escrevem (principalmente) no nosso bom português. E espero continuar a descobri-los e a divulga-los.

Vai-me também obrigar a escrever sobre o que leio, algo que muitas vezes fica pelo caminho...

A verdade é que tenho as estantes (físicas e virtuais) cheias de muitos e bons livros de autores portugueses que se encaixam nas "exigências" da iniciativa Leiturtugas e assim, como se costuma dizer, une-se o útil ao agradável.

Assim chego a esta antologia da Editorial Divergência: Proxy que é a primeira experiência antológica de cyberpunk em Português. Lançada nos idos de Setembro de 2016, já assombrava as minhas estantes à demasiado tempo e que por razões que nunca conseguimos explicar completamente, não seria certamente por falta de vontade, foi ficando na estante a ganhar pó (como infelizmente outros)

Com edição do Anton Stark, um prefacio do sempre certeiro e caustico João Barreiros (e que nunca desilude) este será o meu objecto de atenção durante as próximas seis semanas. Com uma opinião por semana a sair à segunda-feira e começa já amanhã com "Deuses como nós" do Vitor Frazão.