quarta-feira, 23 de abril de 2014

À volta dos Livros

Livros, se existe algo que nos consegue unir num boa conversa são os livros. No meu dia à dia só falo de livros no mundo virtual, no mundo real não tenho muitas pessoas com quem falar e ainda menos pessoas que partilhem dos meus gostos literários.
Foi pois com muito prazer que neste dia em que se comemora mais um Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor ter encontrado alguém com quem tive uma agradável conversa, ainda que curta, sobre livros. Mais agradável ainda foi ter descoberto que partilhamos parte dos nossos gostos literários. Como não podia ter deixado de ser trocamos impressões sobre alguns livros que ambos lê-mos e claro não podia ter deixado passar a ocasião para lhe sugerir algumas boas leituras que espero que sejam seguidas. Pena é que não aconteça mais vezes, mas as vezes em que acontecem garanto que são bastante apreciadas.

A todos boas leituras e bons livros, hoje e todos os dias.

sábado, 19 de abril de 2014

Opinião - Um Pinguim na Garagem de Luís Caminha



Existem livros que são uma desilusão. As vezes a culpa é do livro, mas a maioria das vezes é do leitor. A razão é simples: as expectativas. E foi exactamente o que se passou com este livro. Já à algum tempo que este livro tinha ficado debaixo de olho. Recentemente com um promoção que encontrei lá o trouxe para casa. As minhas expectativas eram elevadas, algo sempre perigoso. Para ajudar à "festa" a livreira que mo vendeu e com quem começo a ter uma boa relação disse-me que era um livro do qual ela tinha gostado muito (acrescento que ambos gostamos de FC). Digo isto porque o que me atraiu inicialmente no livro foi a sua premissa: um homem que é clone do seu pai é uma pessoa "nova" ou uma mera copia? Com uma premissa desta será mais que natural assumir que seja um livro de Ficção Científica, embora e como em muitos outros casos encapotado de outra coisa. Mas a verdade é que o autor não vai por ai. O personagem principal luís (com minúscula assim como todos os outros nomes que aparecem no livro) vai ao longo do livro "falando" para um irmão, do qual dizer que temos um vislumbre será eufemismo, relatando-lhe alguns episódios da sua vida. 

E este foi para mim o problema deste livro: estava à espera que esta dicotomia entre clonado e clone fosse mais explorada, ao invés temos apenas vestígios. Não senti que esta ideia fosse devidamente explorada. Não que estivesse à espera de alguma conclusão, mas ao menos gostava que tivesse existido um embate. Ao invés temos muito Camões, problemas conjugais, e mais um sem fim de coisas, mas muito pouco do que supostamente deveria ser o fio condutor da narrativa deste livro.

Não se pense que tudo foi mau. Se tivesse conseguido abstrair-me das minhas expectativas tinha conseguido apreciar devidamente a prosa (quase) lírica e muito bem cuida com que somos presenteados, quase como se cada palavra tivesse sido pesada e medida antes de ter sido escolhida para fazer parte do texto. 

Talvez daqui à algum tempo volte a pegar novamente neste livro, já sem expectativas e assim consiga aprecia-lo devidamente e como ele merece, porque apesar de tudo senti que este livro tem muito mais para oferecer. Não fossem as malogradas expectativas...

terça-feira, 15 de abril de 2014

Ficção Científica - Mitos, Preconceitos e Estereótipos

"Assim que se fala em FC a malta parece que vê o diabo" - Fiacha o Corvo Negro


A frase pertence ao meu bom amigo Fiacha e resume na perfeição o que acontece quando os leitores encontram nas capas e contra-capas dos livros a mais leve alusão ao facto do livro que tem em mãos pertencer a essa ostracizada categoria literária que é a Ficção Científica (FC). Muito deste desprezo e repudio devem a sua razão de ser a muito mitos que se foram propagando ao longo do tempo e que ganharam estatuto de verdades incontestáveis, cristalizadas num estereótipo, que pouco terá em comum com a realidade. Convém portanto desmistificar alguns destes mitos antes de começar a tentar converter leitores à causa da FC.

Comecemos por tirar o óbvio do caminho. Tal como em todos os outros géneros literários existe FC excelente, boa, suficiente e má. Quero deixar este ponto bem assente para não ser depois acusado de parcialidade. Reconheço que muitos textos publicados são maus, mesmo muito maus, mas neste aspecto a FC é igual a todos os outros géneros literários. Citando um autor de FC, Theodore Sturgeon e mais especificamente a sua lei de Sturgeon: "90% de qualquer coisa é lixo" e na literatura esta lei é bem verdade como todos nós já tivemos certamente oportunidade de provar. Passemos então à desmistificação da FC.

A FC, a boa FC entenda-se, é composta de temáticas de conteúdo maduro. Para quem nunca leu FC isto poderá ser um choque, mas esta é a verdade. A FC vive de temas para os quais é preciso ter já uma boa bagagem, seja de vivências pessoais seja literária. É também uma literatura que além de “obrigar” a saber obriga a pensar. Obriga a pensar porque fala sobre realidades que ainda estão para chegar, ou sobre realidades que nunca chegaram, mas que são um aviso sobre a nossa e isto causa estranheza a muitos leitores que não conseguem lidar com tudo o que vai para além do que os seus olhos vêem. 

Provavelmente o maior mito da FC é que ela se resume a “naves espaciais e pistolas laser”. Quem nunca leu acha que sabe sobre o trata a FC, mas a verdade é que ela é grande, enorme nos temas que trata, tão vasta que muitos de nós que lemos FC de modo regular ainda não conseguimos ler todo o que ela tem para oferecer. Sim na paginas de muitos livros de FC vão encontrar “naves espaciais e pistolas laser”, mas também historias de amor, policiais, história alternativa, etc . Atrevo-me a dizer que a FC não é um género, mas um trans-género pois agrega outros. Mas mais do que ser um género ou trans-género ou outra coisa a FC é fonte de grandes historias.  

Falar dos mitos da FC é falar dos equívocos que muito leitores fazem concretamente quando comparam o incomparável e o cinema tem sido provavelmente uma das principais fontes deste equívoco. A ligação entre a literatura e o grande ecrã é já bem antiga e remonta ao primórdios do próprio cinema. O cinema é algo que é mais imediato e assim muitos leitores acabam por tomar o que vêem nos ecrãs com o que poderão encontrar na literatura, ora nada mais errado. As produções cinematográficas, principalmente nos dias que correm, servem para “encher os olhos” passando assim ao lado do cerne dos temas das obras que lhes servem de base. Raro é o filme que consegue fazer a conjugação da parte visual com as ideias do livro que adapta. E os que o fazem raramente fazem parte dos tops. O espectador/possível leitor acaba por assumir que os livros são igualmente vazios de conteúdo e desistem antes de sequer começar.
 
Muitos leitores já terão lido pelo menos um livro de FC, mas o preconceito das editoras e mesmo de alguns autores, em manchar as obras com esse rótulo faz com que sejam “desviados” para outros géneros. Dobram as regras, ignoram os factos e chegam mesmo a inventar novos termos para designar esses livros, mesmo que ninguém saiba o que são. Vale tudo menos admitir que se está na presença de um livro de FC. E assim se espalha o mito de que a FC não vende. Não vende devido a esta criatividade nos rótulos, exemplos não faltam. Não fosse este preconceito e talvez se descobrisse que afinal a FC vende e vende muito. Não fosse este preconceito e facilmente se perceberia que muitos do grandes autores e obras que o mundo conhece são afinal FC. Os rótulos são aqui uma arma de manipulação. Nos mais de dez anos em que já estou envolvido no mundo da literatura os livros juvenis passaram a ser rotulados de "jovens adultos" e os romances de fantasia mais dedicados ao público feminino passaram a ser designados como "romances paranormais". Repare-se que o conteúdo não mudou, os temas também não e os autores muito menos simplesmente mudou o rótulo para cativar novos públicos. Em vez de se educar o publico dá-se lhe algo de "novo" e como diz o ditado popular "com papas e bolos se enganam os tolos" e este publico, atrevo-me a dizer, gosta de ser enganado.

A FC é (talvez) o género literário mais mal entendido. Este mal entendido parte dos mitos atrás descritos  seja pela mais pura ignorância, ignorância esta que é transversal a todos, sejam eles o mais bronco dos leitores ao mais culto dos editores, seja porque é mais conveniente e fácil. 

O problema da FC é o preconceito, é tomar a parte pelo todo, é o mito, é comparar o incomparável. O leitor comum assume que sabe o que é a FC baseado num estereótipo que apenas representa um pequena parte e as vezes nem isso. Não existem formulas mágicas para mudar esta situação, apenas com o esforço de todos se poderá alterar. O principal problema será o leitor ultrapassar este preconceito, mas para o processo estar completo à que encontrar o livro certo. Costumo dizer as pessoas que dizem não gostar de ler que ainda não encontraram foi o livro certo que os faça finalmente ler, e acredito que aqui o caso é o mesmo, com a vantagem que já somos todos leitores. Para a semana conto trazer aqui um lista de livros que poderão ser a vossa porta de entrada na FC. Até lá mantenham uma mente aberta.

domingo, 6 de abril de 2014

Opinião - Pintado a Sangue de Carina Portugal

Selena é uma jovem quase à beira dos vinte e três anos que se muda para uma casa antiga e que já não é habitada à sessenta anos. Diz-se que a casa é assombrada devido aos acontecimentos macabros que lá se passaram à sessenta anos. Agora Selena vai descobrir que a sua ligação a esta casa e à sua história é muito mais antiga e intima, já para não falar perigosa do que ela poderia imaginar.

Inserido no género do sobrenatural este é um conto em que eu apreciei a maneira como a Carina geriu a narrativa, sabendo dar ao leitor apenas o "suficiente" para o manter interessado, guardando (quase) para o fim a reviravolta. Esta foi, mais, uma história da Carina que eu gostei bastante de ler, muito por culpa da sua soberba escrita.

Posso afirmar sem duvidas que a Carina Portugal já é a minha autora favorita desta nova geração.


Podem encontrar este conto (e outros) no blog do Fantasy & Co. Este conto pode ser descarregado nos formatos mobi, epub e pdf.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Opinião - Pele de Escrava de Carina Portugal

Uma escrava sob o jugo de um amo tirânico. Com um passado violento esta escrava depois de mais uma violenta tareia com o chicote do seu amo e perante a ameaça de ser violada por ele começa a ver outras mulher num espelho que lhe dizem "Mato-o por nós".

Num cenário com varias referencias à Grécia antiga vamos encontrar uma historia de vingança ou justiça como preferirem. Contado na primeira pessoa, pela "voz" da escrava Allyra. Vamos descobrir quem são as mulheres que lhe apareceram no espelho e porque lhe pedem que mate o amo.

Mais uma pequeno, mas interessante conto da Carina Portugal.

Podem encontrar este conto (e outros) no blog do Fantasy & Co. Este conto pode ser descarregado nos formatos de mobi, epub e pdf.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Opinião - O Canto da Ninfa de Carina Portugal

Um pequeno conto, mas grande no seu conteúdo, sobre o enamoramento entre um elfo e uma ninfa, o amor e o sacrifício e claro sobre conhecer o outro.
A estrutura narrativa fez-me lembrar as das lendas e mitos que abundam em qualquer cultura e a nossa não é excepção. Muito bem escrito é um pequeno grande conto (dai esta opinião também ser pequena) do qual gostei bastante e que claro aconselho vivamente.

Podem encontrar este conto (e outros) no blog do Fantasy & Co. Este conto pode ser descarregado nos formatos de mobi, epub e pdf.

domingo, 30 de março de 2014

Opinião – Revista Trasgo 2



E a revista Trasgo está de regresso.

Editorial - Além do habitual desfilar do conteúdo da revista ficamos a saber que a revista irá ser gratuita até ao número quatro.


Contos:

Rosas de Ana Lúcia Merege – Um casal que já passou a idade da propagação da espécie vive uma vida de rotinas. Ele é um professor e está fora de segunda a sexta e ela vive em casa e cuida das suas preciosas rosas. Gostei do conto, embora quase ao início tivesse vislumbrado o fio condutor da história e que lhe dita o inevitável fim, mas isto não lhe tira o mérito de ser uma boa história.

Cinco Bilhões de Victor Oliveira de Faria – Um Sol vermelho está morrer e é preciso salva-lo, mas algo está errado…
Um conto com uma premissa interessante, mas que falha quer na estrutura narrativa quer nos factos científicos apresentados.
A estrutura narrativa é desequilibrada com a “reviravolta” a acontecer demasiado cedo e com uma segunda parte que é um enorme infodump. Rescrevendo o conto, alongando certas partes e intercalando a acção que decorre no longínquo futuro como que se passa no futuro próximo faria maravilhas.
Os factos científicos também mereciam mais atenção para, e utilizando uma expressão brasileira, não dizer bobagem. Por exemplo o Sol só se vai transformar em gigante vermelha daqui a cinco mil milhões de anos (ou como dizem no Brasil cinco biliões de anos) o que contradiz o que vem no conto em que se diz que o Sol, já vermelho, vai morrer na altura em na realidade vai passar a gigante vermelho. Existem mais alguns erros destes, que não interferem com a leitura, mas que exigem pouca procura, eu em cinco minutos na Wikipedia soube logo os detalhes todos e contribuiriam para uma história mais real, não só para os que percebem do assunto como para os outros que aprendem algo.

Hamlet: Weird Pop de Jim Anotsu – Uma jovem encenadora chamada Viola está quase a estrear uma peça de William Shakespeare, “Hamlet”. O problema é que Shakespeare não gostou da versão e do além intima Viola a cancelar a peça sob pena de morte. Quem entrega estas devastadoras notícias é o duende Puck, não só um personagem de Shakespeare, mas aqui também advogado. Este conto está particularmente engraçado e bem escrito. Não só a historia e a narrativa são muito boas como também apreciei a perspicácia com que o autor critica a morosidade da Justiça (algo que me parece que Portugal e o Brasil partilham), mas também outros assuntos, mas mais não digo porque não quero estragar a leitura a ninguém.

Código Fonte de George Amaral – A Juventude Eterna é o tema deste conto de FC do qual gostei bastante, mas sobre o qual é difícil escrever sem estragar a leitura, basta dizer que nada é o que parece...

A Maldição das Borboletas Negras de Albarus Andreos – Embora tenha apanhado o essencial deste conto (acho eu), o facto de ter sido escrito num linguagem com “sotaque cerrado”, quer nas expressões, quer no modo como foi escrito, quer ainda pela utilização de alguma mitologia Brasileira (e apesar de eu ter visto “O Sitio do Pica-pau Amarelo) fez com que eu, um Português, não tenha conseguido aprecia-lo devidamente.

O Homem Atômico de Cristina Lasaitis – Um velho mendigo percorre as praças e esquinas de S. Paulo dizendo que é um físico que trabalhou num programa secreto do presidente Médici, mas como mendigo ninguém lhe liga, pelo menos ao início. A sua presença, mas principalmente a sua oratória vão tornando-se casa vez mais apreciados e a sua história também... Um magnífico conto que quer pela sua história, quer pela sua narrativa e claro pelo seu final que eu apreciei muito.

Tal como a edição anterior edição também neste edição temos um entrevista e mostra do trabalho do autor da capa, Alex Leão e claro as entrevista aos autores dos contos que participaram nesta edição da Trasgo.


Podem descarregar a Revista Trasgo nos formatos epub e mobi.