quinta-feira, 22 de maio de 2014

Feira do Livro de Coimbra 2014



É já amanhã que começa mais um feira do livro de Coimbra. Este ano trás algumas novidades como a fusão da Feira do Livro com outras Feiras de maneira a dinamizar os eventos.

A Feira irá realizar-se no Parque Manuel Braga de 23 de Maio a 1 de Junho.

Podem consultar o programa da Feira aqui


Assim que poder irei visitar a Feira e dar uma opinião.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Não sabia que era FC - Uma (possivel) Iniciação à Ficção Científica

Como se pode ler no texto Ficção Científica - Mitos, Preconceitos e Estereótipos muitas vezes as editoras e os autores fazem uns "truques de magia" com as classificações dos livros e em vez de lá vir Ficção Científica vemos "termos técnicos" como Eco-thriller, Literatura Lusófona, Romance e sei lá mais o quê, tudo menos admitir que é FC, ou também FC, porque um livro pode muito bem pertencer a dois géneros, não existem limites rigidamente definidos. Muitas obras pertencem a pelo menos dois géneros. Nas criticas e/ou publicidade que é feita a estes livros gostam muito de utilizar palavras como "Alegoria" (ou sinónimos). Mas atenção que  este "fenómeno" não acontece apenas com livros de FC, os livros de Fantasia são outros dos visados nestas "campanhas". Portanto nada mais natural que até já tenho lido algum livro que preencha muitos dos predicados da FC, mas que tenha sido "camuflado".
Alguns são de autores bem consagrados outros (ainda) não, mas todos têm uma "costela" de FC por mais que tentem nega-lo dizendo coisas com "esta alegoria...". Eu dou-lhes a alegoria dou...





Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago - Surpreendidos? Um laureado com o prémio Nobel a escrever Ficção Cientifica? O nosso Nobel da Literatura, José Saramago? Não é possível, é? Bem tanto é possível que aqui está. Permitam-me delinear os contornos da história para os que a não conhecem: uma estranha doença que deixa as pessoas cegas, um cegueira branca. Acompanhamos um dos primeiros doentes e a sua mulher, que por qualquer razão é imune, mas que prefere acompanhar o marido. Os doentes são colocados em quarentena em condições que se vão degradando cada vez mais. O principal desta história não é diferente de tantas outras histórias de FC: um cenário apocalíptico, neste caso provocado por uma doença de origem desconhecida e a exploração de como a Humanidade reage no seu melhor e pior visto através dos "olhos" de um grupo. Nada de novo aqui, já tinha sido feito antes e já foi feito depois, tirando o facto de ter sido escrita por um escritor fora do "sistema" e isso fez toda a diferença na hora de classificar o livro.
Apenas mais dois apontamentos: o primeiro é que este livro, apesar de ter sido uma boa leitura, contém algumas das passagens mais viscerais que eu já li, digo isto à laia de aviso; o segundo é que podem encontrar um interessante artigo intitulado "José Saramago: O Nobel da Ficção Científica" (o título diz quase tudo) da autoria do Jorge Candeias (embora apareça em quase todo o lado o nome José Candeias) na revista Bang! n.º0 leitura que eu aconselho vivamente. 




A Estrada de Cormac McCarthy - Num mundo pós-apocalíptico, onde aconteceu um desastre, nunca especificado, mas que "queimou" a terra um pai e o seu filho percorrem as estradas em direcção ao litoral, numa aventura onde vão passar por varias provações ao mesmo tempo que nos mostram o pior e o melhor da humanidade. Mais uma vez e como no caso anterior o fundamental da historia não é novidade para os leitores de FC, já li outros livros com premissas similares. Mais uma vez a única diferenciação está no autor: Cormac MacCarthy um dos grandes nomes da Literatura Americana (vivo). A criticas preferem dizer que se tratou da sua "mais pura Fábula até aqui" (The Village Voice), e o autor Michael Chabon insistiu que "A Estrada" não era Ficção Cientifica. É uma bonita história, ao longo do livro o autor faz algumas analepses e mostra-nos como Pai e filho ali chegaram, embora sem grandes revelações sobre o incidente que levou a este cenário de destruição. A história centra-se neste dois personagem e na paisagem, que funciona como o terceiro grande personagem do livro. Foi um livro do qual gostei bastante. 



A Manhã do Mundo de Pedro Guilherme-Moreira - A primeira vez que falei neste blog do preconceito para com a FC este livro foi o exemplo flagrante que dei num texto intitulado: A Manhã do Mundo ou o Preconceito na Ficção Científica (num pequeno apontamento este texto não só foi comentado pelo próprio autor, como levou a que ele fosse convidado a participara no Fórum Fantástico desse ano). A história do livro segue aquela velha premissa do "E se...?". Duas mulheres são transportadas (sem que exista qualquer explicação do como) do nosso Universo num dos dias seguintes ao 11 de Setembro de 2001 para um outro Universo, mas para o próprio dia de 11 de Setembro de 2001 sem que disso tenham consciência. Claro que primeiro o autor leva-nos a conhecer esse fatídico dia e algumas pessoas deste lado e as suas decisões para depois nos mostrar como mudando apenas umas "coisinhas" os eventos conseguem ser diferentes. Foi um livro que me deu grande prazer ler, não só pela historia, mas também pela soberba escrita do seu autor e o qual aconselho sem reservas.



O Quinto Dia de Frank Schätzing - Este livro foi catalogado como sendo um "Eco-thriller", sabem o que é? Pois eu também não e tive de ir à procura e o que encontrei define um "Eco-thriller" como sendo um Triller onde existe um conflito com a natureza... Esclarecidos? Pois eu também achei que é um bocado, qual é o termo técnico? Ah pois: estúpido! Na tentativa de fugir ao selo da FC acabam por criar coisas parvas como esta. Mas permitam-me fazer-vos uma pequena sinopse: Estranhos acontecimentos estão a ocorrer em todo mundo, em comum tem o facto de virem dos Oceanos: ataques a embarcações, a destruição dos cabos submarinos de fibra óptica, etc, etc. Uma equipa é formada para estudar estes eventos. E no final temos... bem não quero estragar o prazer da descoberta a ninguém, mas digo meramente que é surpreendente e que não é preciso ir para os espaço para encontrar novos mundos... Não se fiem na sinopse da editora que peca por ser demasiado centrado no lado sensacionalista do livro. Pelo meio temos muita acção e muita reflexão num livro que faz pensar não só no que andamos a fazer ao Planeta, mas também em como o nosso conhecimento dele é ainda diminuto. É também um daqueles livros em que se nota que o autor fez bastante pesquisa. Um aviso aos mais impressionáveis: apesar de quase ser preciso uma licença de uso e porte de arma para andar com este livro na rua e ser preciso uma grua para pegar nele com as suas quase mil páginas, em letra muito pequena, e mais de 1,5 kg é um livro que se lê extremamente bem e rápido (pelo menos comigo foi).




A Mulher do Viajante no Tempo de Audrey Niffenegger - Mais um livro que apesar de usar um tema tão flagrante da FC, as Viagens no Tempo, se o forem procurar só o encontraram nas estantes do Romances. No site da editora Portuguesa, a Presença, o resumo não faz a mais pequena alusão a FC , dando o destaque ao romance, no site da Wook está classificado com Romances, apenas na pagina da Wikipédia se diz "que foi classificado tanto como Ficção Científica como Romance". A historia gira à volta de Henry, um homem capaz de viajar no tempo, mas que não tem controle para quando (e onde) vai, Clare a sua esposa conhece-o com seis anos, ele conhece-a com vinte oito anos. Não estou contra que se classifique este livro como um Romance, pela simples razão de que ele o é, mas também é Ficção Científica e dizê-lo abertamente apenas mostra o quanto a FC é abrangente e que os seus limites estão bastante mais longe do que se pode imaginar.  


E assim chegamos ao fim destes livros que não sabiam que eram FC. Para a semana a quarta e ultima lista: Os Portugueses também escrevem FC e da boa!!!

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Os Ilustres Desconhecidos - Uma (possível) Iniciação à Ficção Científica

Existem Grandes Livros de FC que por razões que não lembram à Razão nunca conseguiram vingar em Portugal. São verdadeiras pedras preciosas cobertas do pó da indiferença. As razões para tal são, para além das já enunciadas no texto Ficção Científica - Mitos, Preconceitos e Estereótipos, a falta de uma estratégia por parte das editoras, assunto com pano para mangas e um enxoval completo mas que ficará para um futuro texto, e uma clara falta de marketing que geralmente fica reservado para os livros que já se sabe que vão vender bem mesmo que não se faço a alarido deles...
Confesso também aqui uma "batota" minha: este texto é praticamente uma prolongamento do anterior, Os Clássicos, pois se em Portugal são ilustres desconhecidos "lá fora" é lhes reconhecido o pleno direito ao estatuto de clássicos.
Quanto ao título escolhido para este post verdade seja dita que tirando alguns dos Clássicos já mencionados se é FC em Portugal o mais provável é ser (um ilustre) desconhecido.  
Vamos lá descobrir algumas destas pedras preciosas:





O Prestígio de Christopher Priest - Este é um livro simplesmente magnifico. A historia tem no seu centro a rivalidade de dois ilusionistas no final do século dezanove: Alfred Borden e Rupert Angier e das consequências dessa mesmas rivalidade não só entre eles, mas também para a sua descendência até aos nossos dias. Como se não bastasse uma história já de si bastante original Christopher Priest conta a historia de uma maneira magnifica como se também fosse um ilusionista que guarda para o final o seu melhor truque. Se como eu já viram o filme, e como eu também gostaram só vos posso dizer que o livro é mil vezes melhor. Já falei sobre este livro aqui no blog e se ficaram curiosos é só seguir este link: O Prestígio de Christopher Priest.



Eu sou a Lenda de Richard Matheson - Se gostam de Vampiros, de Vampiros a serio então este livro é para vocês. Com a simplicidade dos grandes autores Richard Matheson conta-nos o dia-a-dia de Robert Neville, o último homem na Terra e que faz o seu melhor para sobreviver num mundo de Vampiros. E é nesta aparente simplicidade da narrativa e da história que reside a sua grande força. Um homem só, cada vez mais só e um Mundo inteiro que o quer ver morto. Apenas vos posso dizer que é uma historia com um final que me surpreendeu bastante e que explica o título do livro e forma sublime. Este livro teve direito a duas edições, a primeira com a capa da mais recente adaptação cinematográfica e uma segunda com uma capa original. Além da historia que dá título ao livro, ambas as edições contem mais alguns contos de Richard Matheson, a edição especial está um pouco mais recheada.
Para quem já viu o filme homónimo como o actor Will Smith só posso dizer que o título e o nome do personagem principal são os únicos pontos em comum, de resto não tem nada em comum.



Eis o Homem de Michael Moorcock - O famoso Físico Stephen Hawking disse que a melhor prova de que as viagens no tempo não são possíveis é o facto de ainda não termos sido invadidos por turistas do futuro. Considerações à parte imaginem que se viajar no tempo fosse possível qual seria o tempo (e local) que gostavam de ver visitar primeiro? Para Karl Glogauer é a terra santa no tempo de Jesus Cristo, mas quando lá chega nada é o que vem narrada na bíblia, Jesus é uma deficiente mental, Maria a "libertina", etc. O que estariam dispostos a fazer e a sacrificar para que a história como a conheciam fosse a mesma? Este é um livro pequeno no seu tamanho, mas grande nas questões que coloca, não só sobre a fé, mas também sobre escolhas, sacrifícios e as verdades que pensamos saber e claro sobre os paradoxos das viagens no tempo.



O Verdadeiro Dr. Fausto de Michael Swanwick - A lenda de Fausto é bastante conhecida, de modo sucintamente vende a sua alma ao Diabo em troca de conhecimento. Ora é (quase) isto que se passa neste livro, mas ao invés de termos um Fausto que vende a alma ao Demo, ele entra em contacto com o ser de outra dimensão (?) que lhe vai "dar" os conhecimentos que irão mudar a Idade Média, a Electricidade é apenas a ponta do icebergue, mas estarão as pessoas preparadas para todos estes avanços? E que farão os mais poderosos com eles? E posso garantir que o Amor irá interferir... Mas tudo na vida tem um preço, mas estará Fausto pronto para o pagar? E que move o Demónio extra-dimensional? Foi uma leitura de que gostei bastante, e o final foi no mínimo arrepiante pelo seu realismo...



Little Brother - O Futuro já começou de Cory Doctorow - A história é (aparentemente) simples, Marcus e os seus amigos estão no lugar errado à hora errada quando se dá um atendado na cidade de S. Francisco. São presos, interrogados e por fim libertados, menos um dos seus amigos e ninguém parece saber o que lhe aconteceu. Começa assim a cruzada de Marcus.  A história passa-se no nosso futuro imediato e além de muita acção aborda questões interessantes como liberdade ou segurança e o valor da amizade. O único ponto que acho que poderá ser um entrave à leitura é o uso pelo autor de linguagem técnica, que embora já seja de uso corrente, basta olhar para um catalogo de telemóveis, pode "distrair" alguns leitores, mas ao mesmo tempo demonstra o quanto o autor pesquisou para que o realismo fosse total. É uma leitura que mostra que a FC fala e reflecte não só sobre o nosso futuro longínquo, mas também sobre o nosso presente e futuro imediato.



Crónicas Marcianas de Ray Bradbury - Este livro deveria estar na lista d'Os Clássicos, mas geralmente entre todos os livros que um autor escreve existe sempre um livro que lhe é imediatamente associado na mente do povo e no caso de Bradbury será Fahrenheit 451. Este é um livro de contos que tem como ligação as paisagens do Planetas Vermelho desde a chegada da Humanidade ao seu fim. É um livro que fica em alguns contos na fronteira entre a FC e a Fantasia. Para quem ainda não conhece a prosa de Bradbury este livro é um bom exemplo do belo lirismos que pontua muitos textos seus. De entre todos os excelentes textos que formam estas Crónicas Marcianas não resisto a destacar o brilhante "Virão Chuvas Suaves".



A Oeste do Éden de Harry Harrison - Já aqui falei deste livro e graças a isso outros houve, como o amigo Fiacha (do blog As Leituras do Corvo Fiacha), a colega Caminhante (do blog Folhas do Mundo) e a Maria QueenFire (do blog O Imaginario dos Livros), que já o leram e adoram, mas como acho que este livro bem merece a divulgação e porque apesar de tudo continua, como tantos outros, a ser estoicamente ignorado volto à carga (outra vez). Só a premissa já é em si uma história diga de ser contada. A Terra nunca sofreu o embate do meteorito que levou à extinção dos dinossauros, assim os dinossauros evoluíram para seres inteligentes, nas também sociais. Mas também a Humanidade chegou ao que somos hoje. O livro conta a historia de como essas duas sociedades se vão conhecer. Basta seguirem os links para saber mais e também as opiniões de quem já leu.



Eu, Robot de Isaac Asimov - Os robot's já não são ficção científica, já pertencem a realidade do dia-a-dia (ainda hoje saiu a noticia de que a ONU iria debater a capacidade dos robot's matarem), mas Isaac Asimov, não só autor mas também cientista e divulgador de ciência, e começou a pensar na problemática que eles iriam trazer à muitos anos. Criou as Três Leis da Robótica e explorou-as em cinco livros de que este "Eu, Robot" é o último, embora não tenham propriamente uma continuação pois são constituídos por contos. Será um livro interessante para quem gostas desta temáticas e ler o que acontece com esta leis levadas aos extremos, ou o que acontece quando uma delas falha... 



Solaris de Stalislaw Lem - A Ficção Cientifica é um género maioritariamente escrito em Inglês, mas ocasionalmente lá aparece um autor "estrangeiro" que estilhaça esta hegemonia. De nacionalidade Polaca Stalislaw Lem tornou-se um autor de culto com este "Solaris". Nele conhecemos Kris Kelvin, um psicólogo que vai investigar os estranhos acontecimentos a bordo da estação espacial que orbita o planeta Solaris, que é constituído por um oceano orgânico (Vivo? Consciente?). São muitas as questões que Solaris coloca sobre nós, a Humanidade e sobre o que verdadeiramente sabemos da nossa mente.


Está foi uma lista ainda mais difícil de elaborar, mas mais uma vez pretendi chamar a atenção de boas obras de FC pouco valorizadas e que ainda são relativamente fáceis de encontrar.

De hoje a oito cá regressarei com um novo post desta vez subordinado ao tema Não sabia que era FC

terça-feira, 6 de maio de 2014

Os Clássicos - Uma (possivel) Iniciação à Ficção Científica

Ah os Clássicos! Os Clássicos são o proverbial pau de dois bicos. Todas sabemos quais são, todos (achamos que) sabemos sobre o que falam e todos já ouvimos chavões sobre eles. Quem nunca ouvi falar do Grande Irmão? Ou do bom Selvagem? Da Baleia branca e do Capitão Ahab? E utilizar o titulo "Admirável Mundo Novo" já nem é cliché de tantas vezes que já foi utilizado nos mais variados contextos. Pois é muitos já ouviram falar, mas muito poucos já os leram e este é o primeiro problema dos clássicos porque uma boa parte do que já lemos começou nos clássicos. Quando este ou aquele livro faz alusão ao facto de este ser "o novo Senhor dos Anéis" ou "o sucessor do Orwell" não quer dizer que tenha alguma coisa em comum com o livro ou autor em questão, por norma costuma ser uma mentira pura e dura apenas para vender mais um livro ao leitor incauto.
O segundo problema acontece quando se tenta lê-los. Como as expectativas costumam ser elevadas muitos leitores tende a acha-los "fraquinhos", esquecendo-se que (na maior parte dos casos) foram eles que criam o que são agora clichés. Portando ao ler um clássico ter sempre em mente que foram eles o inicio de tudo, que o autor A ou B e que vocês até gostaram muito, meramente copiou o que os mestre fizeram antes, ou para ser mais gentil foram inspirados pelos clássicos.
É preciso ter em mente que se estes livros são clássicos foi porque resistiram ao teste do Tempo. Não esquecer também que estes livros já levam em alguns casos quase dois séculos de existência. Vamos a eles:




Frankenstein ou o Moderno Prometeu de Mary Selley - É considerado por muitos como a primeira obra de Ficção Científica, facto que não irei contestar ou atestar. Como outros livros da época é narrado na primeira pessoa, aqui pela pessoa do Capitão Walton nas cartas para a sua irmã com base nos relatos do cientista Victor Frankenstein. Nada de naves espaciais ou afins "apenas" um homem e as consequências do seu trabalho que o irão perseguir (metafórica e literalmente) e o qual irá perseguir. O livro foi um surpresa positiva para mim, nada do que pensava saber sobre a história se confirmou e assim cada página, cada paragrafo foi uma descoberta.
Ao contrario da crença popular a criatura não tem nome, e no texto apenas se fala num monstro, criatura e outros "mimos" similares. Hoje ao ler esta obra podemos dizer que ela se debruça sobre os perigos e consequências da ciência e da tecnologia embora na altura tenho a certeza que isso fosse algo de que não se falasse.
É também o perfeito exemplo de como o cinema consegue deturpar uma historia, pois as versões mais famosas nada ou, sendo simpático, muito pouco terão à haver com o livro. Escrito entre 1816 e 1817 foi publicado em 1818, em 1831 é editada uma terceira edição revista que é a versão mais utilizada e lida.




A Máquina do Tempo de H. G. Wells - É o único livro desta lista que ainda não li (apesar de já ter tentado), mas era impossível fazer uma lista de clássicos de FC sem incluir (pelo menos) um livro do Herbert George Wells. Wells é provavelmente o primeiro grande autor de Ficção Científica (a para de Jules Verne) e "A Máquina do Tempo" foi o seu primeiro livro publicado em 1895. A historia, como o próprio título indica é sobre uma maquina do tempo e a viagem que o Viajante do Tempo (o personagem principal é apenas conhecido por este nome) viaja ao ano 802701. Lá encontra uma pacifica raça, os Eloi, mas eles não estão só neste futuro em que também vivem os Morlocks, uma raça nada pacifica.
Sempre tive uma atracção por historias de viagens no tempo, adoro pensar nas possibilidades, os paradoxos e é por isso que em breve conto dar uma nova oportunidade a este livro.




Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley - Publicado em 1932 este é um daqueles livros que nas suas ideias está muito à frente do seu tempo, alias alguns livros publicados recentemente de FC não chegam aos calcanhares deste na "ousadia" das suas ideias. O livro começa por nos mostrar uma sociedade em que não existe conflitos e a razão é simples: engenharia genética, bem uma espécie de engenharia genética. Não se preocupem, não vão encontrar um livro cheio de termos obscuros. A Humanidade (quase) toda é feita em laboratório, clones que se diferenciam pelas classe a que pertencem: os Ípsilon que são a mais baixa casta, os Delta, os Gama, os Beta e os Alfa, os mais inteligentes. Como não existem casais e família o sexo é praticado por recreação com o lema "Cada um pertence a todos". Se se sentem triste ou com duvidas tomam uma droga sem efeito colaterais chamada Soma. É neste mundo que vamos encontrar Bernard, um Alfa, que sentido-se insatisfeito com a vida, ele sofreu um acidente que o torna um pouco diferente dos outros da sua casta, decide fazer uma viagem com Lenina, uma Beta, a uma reserva histórica, onde ainda existem humanos "à moda antiga" e lá descobrem Linda, uma Beta que lá ficou aprisionada e com um filho nas mãos, John e bem parece que vão ter de ler para descobrir mais. É realmente uma história interessante e da qual gostei bastante e que levanta muitas questões interessantes e que são cada vez mais actuais.





Mil Novecentos e Oitenta e Quatro de George Orwell - É provavelmente a mais conhecida distopia. Publicada em 1949 nela vemos retratas muitas das ideias que hoje são o nosso dia-a-dia, mas não se trata de uma profecia, mas sobre isso falarei noutro texto. O personagem principal é Winston Smith, trabalha no Ministério da Verdade, é também como muitos de nós, um indiferente. Vamos descobrir como um regime totalitário consegue manter sob controlo toda a população. As coisas mudam quando se apaixona por uma colega de trabalho, Júlia. Sim um história de amor no meio de um clássico da FC! É um livro que mudou o Mundo pelas suas ideias e claro pelos chavões que introduziu: "Big Brother is Wachting you!" é apenas uma exemplo, ou pelos novos e revolucionários conceitos que revelou como a Novilingua  em que se insere o Duplipensar. Tão revolucionário foi este livro que o nome de (George) Orwell deu origem a um adjectivo: Orwelliano. Um clássico que deve ser lido, não por ser FC, mas pelas suas ideias revolucionarias.





Duna de Frank Herbert - É considerado por muitos como o melhor romance de Ficção Científica, e um dos maiores nomes da FC, Arthur C. Clarke, disse que Duna era "O Senhor dos Anéis da Ficção Científica". Esta é a importância de Duna na FC, mas vai muito além disso, é também considerado um hino à ecologia. A historia de Duna podia (quase) ter-se passado na Idade Média. Duna é um planeta inóspito, um deserto, também conhecido como Arrakis, mas com algo único: apenas lá existe a especiaria Melange sem a qual o Império se desmontará.  O duque de Atreides é enviado para governar Duna e leva a sua família. Não querendo estragar a história digo apenas que o seu filho, Paul, é a chave de uma velha profecia dos Fremen, o povo de Duna. É uma historia de vingança onde vamos acompanhar Paul, com suas inseguranças e medos a tornar-se um peça central não só para o povo Fremen, mas também para o Império. É um livro com um pouco de tudo: filosofia, religião, é um mundo num livro. Sem duvida nenhuma obrigatório. 





Fahrenheit 451 de Ray Bradbury - Imaginem um universo onde ler livros não só é proibido mas quando encontrados são queimados, Como se isto não fosse já de si algo assustador para leitores como nós imaginem que quem queima os livros são os bombeiros e isto é só o começo. O personagem principal é Guy Montag um "bombeiro" que um dia sem querer lê um frase num livro, juntamente com outro acontecimento isso leva-o a começar a roubar os livros e a lê-los. Ao longo da história vamos descobrindo o porquê desde acto hediondo. A historia leva-nos por caminhos interessantes e o final é no mínimo surpreendente. Num nota de curiosidade o titulo é a temperatura à qual o papel entra em combustão. É um livro magnifico e para quem não conhece a fascinante prosa quase lírica do Bradbury pode ser uma excelente porta de entrada.




A Mão Esquerda das Trevas de Ursula K. Le Guin - Como não podia deixar de ser uma obra da grande Ursula K. Le Guin tem de fazer parte de uma lista de clássicos da FC e este "A Mão Esquerda da Trevas", publicado em 1969, é um excelente exemplo da sua imaginação e capacidade narrativa. Neste livro acompanhamos Genly Ali o envido de uma Federação Interestelar, o Ecuménico, a um planeta que é bem diferente de tudo o que já conhecemos a começar pelos seus habitantes. Estes não tem um sexo definido excepto quando entram num espécie de cio, onde podem assumir tanto o sexo feminino como o masculino, podem ser pais e mães. A historia é contada quer pelo ponto de vista de Genly, que tenta fazer com que o planeta faça parte da Ecuménia, como de Estraven, um nativo. Somos também em alguns capítulos presenteados com os mitos e lendas do planeta. Este livro é um obra de arte quer da narrativa quer da imaginação





O Homem do Castelo Alto de Philip K. Dick - Falar de FC é também falar de Philip K. Dick. A sua criatividade é algo de assombroso, e este "O Homem no Castelo Alto", publicado em 1962, é um bom exemplo. A história passa-se num universo paralelo onde os Aliados perderam a Segunda Grande Guerra e como consequência o mundo foi divido pela Alemanha e pelo Japão ao meio. Os Estados Unidos, onde se passas a narrativa, são-no de modo bastante literal, a costa este para os alemães e a costa oeste para os Japoneses. Na zona de neutra vive o Homem do Castelo Alto, autor de uma obra que descreve um mundo onde os Aliados ganharam a guerra e o mundo é bastante diferente. É um livro que além de um excelente Mundo criado tem nas suas personagens o seu ponto forte pois são elas que nos retratam este universo, arrisco dizer que as personagem criadas pelo autor são tanto ou mais fascinantes que o mundo que criou.




À Boleia pela Galáxia de Douglas Adams - Para além dos assuntos sérios que a maior parte das vezes vemos retratadas nos livros de FC (muito) ocasionalmente lá encontramos uma obra de FC que faz uso do humor e ouso dizer que nenhum será tão bom como este "À Boleia pela Galáxia", publicado em 1979. Mostra que a FC também sabe rir. A historia começa quando o planeta Terra é destruido para dar lugar a uma nova via rápida. Arthur Dent é salvo pelo seu amigo (e alienígena) Ford Prefect. Juntos irão viver grandes aventuras com algumas personagens simplesmente alucinantes onde se vais descobrir a resposta para perguntas como o sentido da vida e sempre com a preciosa ajuda do livro " O Guia da Galáxia para quem anda à Boleia" e os seus conselhos salva vidas como andar sempre como uma toalha. Um livro de FC, mas também para quem gosta de rir a bom rir e quem não gosta. A título de curiosidade este livro começou como uma novela radiofónica. 




A Guerra Eterna de Joe Haldeman - É a minha mais recente leitura e ainda estou o estou a "digerir", mas posso desde já afiançar que é um magnifico livro. É uma historia de Guerra, mas também de mudança, de como tudo muda e as vezes em pouco tempo, de como partimos heróis e chegamos vilões, de amor e confusões. A narrativa segue William Mandella, um soldado que tem de combater um raça de alienígena que nunca ninguém viu, os Tauranos, mas para o fazer tem de viajar através das Collapsars, uma espécie de portais, mas graças a relatividade o que para Mandella são 10 meses na Terra são 20 anos. Foi interessante ver como o autor soube jogar com tantos aspectos, claro que a sua experiência na guerra do Vietname foi crucial e este livro, como não podia deixar de ser reflecte essa experiência, mas vai muito mais além. O final do livro reflecte bem o sentido das Guerras. Foi publicado originalmente em 1974.


Espero que este lista de clássicos da FC vos tenha deixado curiosos. Como já disse no texto Ficção Científica - Uma (possível) Iniciação haverá polémica por ter incluído "este" autor/livro e não o cá colocado "aquele", mas o meu objectivo não é uma lista exaustiva, mas apenas despertar a curiosidade dos leitores que ainda não leram (muita) FC com livros que sejam de "fácil" leitura por quem nunca leu FC.

De hoje a oito cá estarei com "Os Ilustres Desconhecidos".

domingo, 4 de maio de 2014

Ficção Científica - Uma (possivel) Iniciação

Aconselhar um livro ou livros a alguém é sempre um acto de alguma intimidade. Deve-se conhecer a pessoa minimamente, saber se lê muito ou pouco, qual o género que mais lê, etc, etc. Por esta razão não vejo esta  minha empresa como conselhos seja para quem for, mas mais como uma chamada de atenção para um género muito mal visto, mas que contém no seu seio verdadeiras pérolas.

Como todas as listas também esta será pontuada pela (possível) controvérsia devido as escolhas que fiz. As escolhas que serão apresentadas são condicionadas ao (muito) pouco que o mercado editorial Português publica, às minhas leituras e claro à minha visão do que serão boas obras de entrada na FC. Outros "entraves" devem-se ao facto de a FC ser um género com muitos sub-géneros e como não quero transformar esta lista em algo sem fim irei cingir-me ao "essencial", embora e novamente seja discutível o que é essencial ou não.

Para ser mais fácil de consultar irei dividir esta minha lista por tópicos com uma pequena introdução em cada, a saber: Os Clássicos, Os Ilustres Desconhecidos, Não sabia que era FC e Os Portugueses também escrevem FC e da boa!!! Assim e começando amanhã com a periodicidade de um post por semana irei começar a publicar estas listas.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

À volta dos Livros

Livros, se existe algo que nos consegue unir num boa conversa são os livros. No meu dia à dia só falo de livros no mundo virtual, no mundo real não tenho muitas pessoas com quem falar e ainda menos pessoas que partilhem dos meus gostos literários.
Foi pois com muito prazer que neste dia em que se comemora mais um Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor ter encontrado alguém com quem tive uma agradável conversa, ainda que curta, sobre livros. Mais agradável ainda foi ter descoberto que partilhamos parte dos nossos gostos literários. Como não podia ter deixado de ser trocamos impressões sobre alguns livros que ambos lê-mos e claro não podia ter deixado passar a ocasião para lhe sugerir algumas boas leituras que espero que sejam seguidas. Pena é que não aconteça mais vezes, mas as vezes em que acontecem garanto que são bastante apreciadas.

A todos boas leituras e bons livros, hoje e todos os dias.

sábado, 19 de abril de 2014

Opinião - Um Pinguim na Garagem de Luís Caminha



Existem livros que são uma desilusão. As vezes a culpa é do livro, mas a maioria das vezes é do leitor. A razão é simples: as expectativas. E foi exactamente o que se passou com este livro. Já à algum tempo que este livro tinha ficado debaixo de olho. Recentemente com um promoção que encontrei lá o trouxe para casa. As minhas expectativas eram elevadas, algo sempre perigoso. Para ajudar à "festa" a livreira que mo vendeu e com quem começo a ter uma boa relação disse-me que era um livro do qual ela tinha gostado muito (acrescento que ambos gostamos de FC). Digo isto porque o que me atraiu inicialmente no livro foi a sua premissa: um homem que é clone do seu pai é uma pessoa "nova" ou uma mera copia? Com uma premissa desta será mais que natural assumir que seja um livro de Ficção Científica, embora e como em muitos outros casos encapotado de outra coisa. Mas a verdade é que o autor não vai por ai. O personagem principal luís (com minúscula assim como todos os outros nomes que aparecem no livro) vai ao longo do livro "falando" para um irmão, do qual dizer que temos um vislumbre será eufemismo, relatando-lhe alguns episódios da sua vida. 

E este foi para mim o problema deste livro: estava à espera que esta dicotomia entre clonado e clone fosse mais explorada, ao invés temos apenas vestígios. Não senti que esta ideia fosse devidamente explorada. Não que estivesse à espera de alguma conclusão, mas ao menos gostava que tivesse existido um embate. Ao invés temos muito Camões, problemas conjugais, e mais um sem fim de coisas, mas muito pouco do que supostamente deveria ser o fio condutor da narrativa deste livro.

Não se pense que tudo foi mau. Se tivesse conseguido abstrair-me das minhas expectativas tinha conseguido apreciar devidamente a prosa (quase) lírica e muito bem cuida com que somos presenteados, quase como se cada palavra tivesse sido pesada e medida antes de ter sido escolhida para fazer parte do texto. 

Talvez daqui à algum tempo volte a pegar novamente neste livro, já sem expectativas e assim consiga aprecia-lo devidamente e como ele merece, porque apesar de tudo senti que este livro tem muito mais para oferecer. Não fossem as malogradas expectativas...