terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Opinião - Doze Doses de Ilusão de Carina Portugal

O ano de 2015 no que às leituras em formato digital diz respeito começa em português e com uma autora que já tenho destacado antes: Carina Portugal

Neste "Doze Doses de Ilusão", um conto de Ficção Científica, somos levados a conhecer e partilhar a dor de um pai pela perda de uma filha (do coração). Para fugir da triste realidade toma uma overdose de medicamentos destinados a criar ilusões, mas algo não corre como o previsto. 

Este conto (pareceu-me) ter tido (parcial) inspiração nos textos e temáticas de Philip K. Dick, com as drogas e a problemática do que é real e o que não é. Embora aqui se explore isso nunca se chega a sentir isso, muito por culpa do final.

É um conto interessante, mas acho que merecia ter sido um pouco mais longo e melhor explorado em alguns pontos.

Este conto pode ser encontrado gratuitamente no site do projecto Fantasy & co, no índice de contos ou então visitar a pagina do Fantasy & co no Smashwords, onde o poderão descarregar nos formatos epub, mobi e pdf.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

O Ano começa em plena Época de Acasalamento




P. G. Wodehouse é um autor pouco conhecido por cá, e mesmo lá forma não será o mais famoso, mas é um autor que marca, e muito, quem o lê. Um desses "marcados" foi um amigo que no espaço virtual dá pelo nome de Ubik. E foi por sua causa que este livro, e outros, me chegaram às mãos e olhos e aqui fica o meu agradecimento publico.

Autor dono de um humor bastante singular pareceu-me um escolha perfeita para começar o ano. Tendo lido a primeira meia dúzia de paginas começo a perceber o porquê de tanto e rasgados elogios.

E assim começa o ano, boas leituras a todos.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

2014 - Leituras & Acontecimentos

Como é convencional nesta altura faz-se um balanço do ano que termina e apesar de andar um pouco afastado do blog quem sou eu para quebrar a tradição.

Este foi um ano atípico no que à quantidade se refere, li "apenas" 27 livros o que é cerca de um quinto em relação a 2012 e um sexto em relação a 2013! Uma diferença abismal que se explica por este ano ter tido maiores períodos em que não me "puxava" para ler e claro tive outras "distracções" que me ocuparam muito tempo, como ter traduzido um capitulo, Mercy, do futuro livro do George R. R. Martin, The Winds of Winter, mas falemos do que li.

O ano começou com Ficção Científica na forma da trilogia de John C. Wright constituída por A Idade do Ouro, A Fénix Exultante e A Grande Transcendência. Eram os últimos livros que me faltavam ler da já defunta colecção Viajante do Tempo da Presença. A razão que levou a que só agora lesse estes livros, que já os tinha desde que tinham saído, é simplesmente porque só agora achei que tinha "capacidade" e "bagagem" para os entender, quando o tentei ler a primeira vez desisti ao fim de poucas paginas, e estava certo porque (agora) adorei lê-los. É caso para dizer que quem espera sempre alcança.

O ano de 2014 foi mais um em que Manuel Alves esteve presente nas minhas leituras, neste caso com Terra Fria, uma historia passada no tempo do Estado Novo e que, claro, mais uma vez agradou. O livro foi "alvo" de uma leitura conjunta e como consequência muitos colegas bloggers deram as suas opiniões, achei por bem deixar a minha para mais tarde e claro que o tempo foi passando e até agora nada... Eu sei e vou já flagelar-me. Mas não foi a única leitura porque o Manuel elevou-me a leitor beta e tive oportunidade de ler o rascunho do seu próximo livro, que até já ia está: Wulfric - A Cativa. Foi uma experiência agradável poder, mais uma vez, depois de A Imagem do Joel G. Gomes embora em moldes diferentes, ajudar na construção de um livro. Quem disse que escrever um livro é um acto solitário? Espero poder voltar a ajudar.

Este foi também um ano bastante brasileiro com duas revista: a Somnium e a Trasgo. Além da qualidade de ambas a publicações é bom reparar que quer cá, quer lá existem muitos problemas comuns, afinal não estamos sós.

E agora um dos momentos altos destas coisas: o melhor livro do ano. Geralmente não sou muito de eleger um, mas este ano apesar de ter li grandes livros, que adorei, como irão já ver, houve um que se destacou, mas já lá vou. Este ano percebi porque todos falam do Afonso Cruz depois de ter lido Os Livros que devoraram o meu Pai, passeie num mundo onde 2% da Humanidade desapareceu de um momento para o outro em O Mundo depois do Fim de Tom Perrotta, regressei a Lisboa no Ano 2000 a antologia organizada e com textos do grande João Barreiros, fui levado a'Os Extremos por Christopher Priest e li um Livro sem Ninguém desse grande alguém que é o Pedro Guilherme-Moreira, li o grande clássico que é A Guerra Eterna de Joe Haldeman, uma magnifica história que apesar da idade que já leva continua cada vez mais actual e estive "encalhado" em Marte com Mark Watney no magnífico The Martian de Andy Weir, um livro cheio de humor e que foi uma delicia ler, mas o livro, ou devo dizer livros foi a trilogia The Last Policeman de Ben H. Winters e agradeço ao "tio" Barreiros a chamada de atenção. Constituido por The Last Policeman, Countdown City e World of Trouble foi uma angustiante leitura pelo realismo de uma situação tão irreal quanto possivel. Este livro foi tão marcante que decidi traduzi-lo para a nossa língua, vai ser uma trabalheira e não sei até onde irei chegar e nem sei se alguma editora alguma vez o quererá publicar, mas que  se lixe.

O único livro que posso dizer que me desiludiu foi Um Pinguim na Garagem de Luís Caminha, mas isso já sabiam pela minha opinião. Esta eu dei!!!

Dos novos autores que descobri em 2014 não podia deixar de assinar mais um nome Português: Carina Portugal. Foi um prazer ler os seus textos e felizmente ela continua a escrever e 2015 irá trazer ainda mais leituras da sua obra.

No que à Banda Desenhada diz respeito foi mais um bom ano e preenchido. Muita BD da Marvel com um projecto que começo e terminou este ano da Panini Espanha e que deixou muitos leitores destroçados. As edições conjuntas da Levoir e do Público com as edições da DC ainda a transitarem para este ano e a meio do ano chegou mais uma colecção dedicada à Marvel. A chegada a terras lusas da BD dos Simpsons e do Brasil as aventuras do Juiz Dredd e companhia na revista Juiz Dredd Megazine (o equivalente à original 2000AD). O final do ano assistiu à chegada de anestésico XIII, com a edição conjunta Asa e Público desse clássico da BD Franco-Belga e que se irá estender a 2015, enfim um excelente ano.


No campo dos acontecimentos este ano foi bastante preenchido, em Janeiro iniciei a colaboração com o blog Leituras do Fiacha - O Corvo Negro do meu bom amigo Fiacha que se traduziu em alguns textos conjuntos com o texto Corvos para o Corvo (este texto foi exclusivo do blog do Fiacha) e se tem vindo a prolongar com textos partilhados entre os dois blog's, como o conjunto de textos Ficção Científica - Uma (possível) Iniciação. A já falada tradução do capitulo Mercy e que me leva a algo que com muita vergonha minha ainda não falei aqui: a revista O Cantinho do Fiacha onde publiquei esta tradução no número três, Novembro, e onde também já tenho um texto na edição de Dezembro sobre Ursula K. Le Guin e em Janeiro poderão encontrar mais um, mas sobre isso falarei depois com mais tempo.

A todos os que vêem aqui ler o que escrevo desejo um bom ano de 2015.

Até para o ano

sábado, 15 de novembro de 2014

Opinião - Revista Trasgo 4




Editorial - Quem já leu a minha opinião sobre as outras revistas Trasgo já sabe a minha opinião sobre os editoriais sendo que este não é excepção. 


Contos:


Rendição do Serviço de Guarda de Gerson Lodi-Ribeiro - Depois de ter lido e adorado o conto "O Voo do Ranforrinco" na revista Somniom 108 foi com expectativas algo elevadas que parti para este conto, mas a verdade é que sai algo desiludido desta leitura. Uma boa parte do conto é basicamente o autor a enquadrar o leitor neste universo. E apesar de ser um universo que me interessou nem o final consegui salvar esta leitura.  


Vivo. Morto. X. de Érica Bombardi - Um conto bastante interessante, quer pela escrita e história, mas também por uma certa moral (se é que se pode dizer tal coisa) que não se vê muito na escrita nos dias que correm.


Isaac de Ademir Pascal - Mais um universo pós-apocalíptico, mas um de que gostei bastante. Gostei da inversão de papeis entra homem e máquina. O Homem passa de Deus criador a venerador e mais não posso dizer sem estragar a história.


Estive assombrando seus sonhos de Mary C. Muller - Um garoto chamado Filipe consegue ver e falar com mortos, tem um amigo vampiro e isto é apenas o começo de um conto bastante engraçado e leve para a temática que aborda. 


Arca dos Sonhos de Fred Oliveira - Uma nave multi-geracional que é uma lenda, pela sua missão o que leva a que muitos tentem destruí-la. O que o autor nos mostra é um desses momentos em que a nave é atacada. Com uma escrita fluída e (quase) poética descreve-nos como é que a nave e a sua tripulação reagem e é belo.  


No Labirinto de Jessica Borges - Um conto interessante sobre o destino e a nossa capacidade de o mudar, mas também sobre a nossa resistência ao apelo de algo que parece bem melhor. Gostei, embora o final tenha sido demasiado previsível, mas que outra coisa podia esperar de um conto de fadas? Com outro final deixaria certamente de o ser e perderia alguma da sua magia. 


Como é habitual depois dos contos somos presenteados com a galeria e autor da capa que desta vez é da autoria de Edmar Nunes de Almeida, que nos presentei com uns desenhos bastante bonitos (sim não sou lá muito bom a criticar arte, ou gosto ou não) e claro as entrevistas a todos os participantes desta edição.

Esta edição estreia um novo modelo em que incorpora publicidade, mas não foi intrusiva e portanto convivi bem com ela.

De ressalvar que esta é a ultima edição gratuita da revista Trasgo, a partir do próximo numero já será a pagar, embora para bloguer's ainda existe a possibilidade de poderem "ganhar" os próximos quatro números se e passo a citar: "publicarem 4 posts contado das 4 primeiras edições em seus blogues", tendo até ao final do presente mês de Novembro para tal, para saberem mais é ir aqui.


Podem descarregar a Revista Trasgo pela ultima vez gratuitamente em formato mobiepub ou ir à loja Kobo.


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Opinião - Os Extremos de Christopher Priest



As vezes acontecem coincidências agradáveis e à uns dias quando ainda não tinha (conseguido) escolher uma nova leitura o meu amigo Fiacha disse que tinha começado a ler "Os Extremos" do Christopher Priest. Este livro foi me recomendado por um camarada da net que dá pelo nome de Ubik, ao qual mando daqui o meu agradecimento quer pela sugestão quer por tido o trabalho de me fazer chegar o livro às mãos, e que também já tinha feito o mesmo ao amigo Corvo.  Portanto achei engraçado fazer uma espécie de leitura conjunta como o Fiacha: um livro duas opiniões e bem o amigo Corvo já deu a sua (podem ler aqui a sua opinião) agora é a minha vez.

Este livro foi uma surpresa total. Para começar quando o comecei a ler não fui ler a sinopse, algo que só aconteceu depois de ler o primeiro capitulo, mas a verdade é que a sinopse não diz o que verdadeiramente o livro é, alias tende a ser algo redutora e a criar falsas expectativas ou eu é que as criei e acabei por sentir isso ao longo da minha leitura portanto o meu conselho é fujam dela como o diabo da cruz.

Este não é um livro que irá ser apreciado por uma boa parte dos leitores, é que este livro é de  uma complexidade elevada, mas não parece. Esconde-se por detrás de uma simples história de uma mulher à procura do significada da morte do seu marido, morto numa pequena cidade do Texas num massacres inexplicável e da estranha coincidência de ao mesmo tempo ter acontecido um massacre no outro lado do oceano, numa pequena cidade Inglesa, com contornos similares.

Acresce a isso o facto de existir uma tecnologia "à lá" Matrix onde as pessoas podem entrar em mundo virtuais e vivenciar as vidas e situações de outras pessoas, verdadeiras ou inventadas. Fez-me alguma confusão que o autor não explicasse de onde tinha aparecido esta tecnologia ou não tivesse explorado as implicações que ela teria na sociedade, mas apercebi-me que era "apenas" uma maneira de ele contar a história.

O final não será, também, do agrado da maioria dos leitores, demasiadas pontas soltas (digo eu) e quase parece faltar algumas paginas para encerrar devidamente, pelo menos foi essa a sensação com que fiquei, mas quanto mais penso no livro no seu todo mais sentido ele (me) faz e bem sei o quão paradoxal isto parece, mas é a verdade.

Ainda agora estou a descobrir os muitos "segredos" deste livro, mas muitos leitores irão simplesmente ficar pelas impressões superficiais que o livro transmite. Digo isto não por qualquer sentido se superioridade, estou bem consciente do quão perto estive de tal me acontecer também, pois ao longo da leitura nem sempre fui capaz de ver para onde o seu autor seguia e existe uma boa razão para isso. Muitas vezes dei por mim a pensar "Mas o que é isto tem a haver com a historia?", mas a verdade é que chegados ao fim do livro tudo fará sentido.

Termino com mais um paradoxal conselho: leiam este livro, mas apenas se estiverem preparados para abdicar da habitual lógica que seguem quando lêem um livro, porque ela só vos irá atrapalhar e impedir que desfrutem da historia. E claro para o ler pelo menos mais uma vez.


Titulo - Os Extremos
Autor - Christopher Priest
Editora - Planeta
Tradução - Nuno Romano

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Divulgação - Lançamento de A Imagem de Joel G. Gomes



É já a amanhã na Moita, mas não aquele que fica mesmo ao lado de Anadia infelizmente, o lançamento do livro A Imagem do Joel G. Gomes que vai acontecer na Biblioteca Municipal da Moita pelas 21:30.
Infelizmente não poderei estar presente, mas já parte de mim estará lá pois foi com prazer que fui um leitor beta (podem ler aqui os meus conselhos). 

Também recebi um dos mais originais convites que tive o privilégio de receber: um DVD que só visto.

Espero em breve ler a versão final e dar a minha opinião.

Espero que todo corra bem e que a sala esteja cheia.




terça-feira, 21 de outubro de 2014

Opinião - The Ones Who Walk Away from Omelas de Ursula K. Le Guin



Após ter lido a opinião do Luís Filipe Silva sobre este conto da Grande Ursula K. Le Guin na Somnium 109 (podem reler aqui a minha opinião) fui logo procura o dito, e aproveitando que hoje se comemora o seu octogésimo quinto aniversario deixo aqui a minha opinião sobre este pequeno, mas extremamente inquietante conto e que mostra o quanto ela é uma excepcional escritora.

Imaginem um cidade onde tudo corre bem, onde todos são felizes e onde nada falta, seja saúde ou comida. Assim é a cidade de Omelas, mas Omelas tem um segredo terrível, um segredo que é a razão desta sua (aparente) felicidade. 

Para nos mostrar isso Ursula K. Le Guin mostra-nos um festival de Verão e levando-nos pela mão vai nos apontando essa felicidade apresentando-nos ao tipo de pessoas que habitam em Omelas. E assim lá vamos nós olhando para onde ela aponta até que somos confrontados com a razão de toda esta felicidade, o porquê de tudo o que de bom esta cidade tem e os seus cidadãos usufruem: existe um criança presa algures na cave numa casa de um dos edifícios da cidade, presa e a quem é negado qualquer gesto de bondade, pois o mais ínfimo acto compaixão significaria o fim do tratado que garante à cidade a sua condição. Nunca é especificada a proveniência da criança, ou com quem, ou o com o quê o tratado foi feito, mas também não interessa, apenas saber que existam já é suficiente.

O conto termina com algo que eu interpreto como uma espécie de redenção daquele acto hediondo e que mostra que afinal a felicidade não é assim tão completa, que afinal ainda existe uma consciência em alguns habitantes de Omelas.


Como disse é um conto pequeno (cerca de nove páginas), mas inquietante em especial pela simplicidade com que a Ursula K. Le Guin nos vai mostrando esta cidade e é impossível chegar ao fim e não nos perguntar-mos se fossemos nós o que faríamos? Estaríamos dispostos a trocar a vida de uma criança, a sacrifica-la em troca da felicidade de toda uma comunidade? A resposta não é certa e deixa um travo a fel que teima em ficar...