domingo, 17 de fevereiro de 2019

Opinião (BD) - Starlight: O Regresso de Duke McQueen



O Pedro Cleto do blog As Leituras do Pedro, como o próprio afirma, ficou surpreso por José de Freitas, editor da G Floy, ter incluido nas suas escolhas de 2018 este "Starlight - O Regresso de Duke McQueen". Tal como o Pedro Cleto também eu fiquei curioso e novamente como o Pedro Cleto também eu fui "resgatar" a minha cópia (literalmente) do meio da pilha de BD's a ler. 


Esta é uma BD evocativa de figuras como Flash Gordon ou Buck Rogers, mas Starlight é mais do que uma mera homenagem a essas histórias e isso pode logo ver-se nas primeiras paginas. Onde essas histórias terminam, esta começa.


Começamos no que costuma ser o fim deste tipo de histórias: o herói a ser homenageado e aclamado depois de ter salvo o povo do planeta Tantalus do seu tirano governante. Somo então catapultados para o Presente da personagem, um Presente triste e cinzento.



Depois do seu regresso à Terra, cai em descrédito porque ninguém acredita nas aventuras que diz ter vivido e acaba por cair no esquecimento, embora nunca totalmente esquecido.

Para mim o melhor desta BD é o seu primeiro capitulo onde os autores exploram a vida do outrora piloto de teste e herói Galáctico caído em desgraça. De como tudo se passou, de como a sua esposa foi um pilar, sempre ao seu lado quando ninguém acreditou que ele havia viajado até outro planeta, de como a morte da sua esposa deixa Duke McQueen, um homem já a entrar na terceira idade , naufragado entre as memorias de outros tempos mais gloriosos e um presente onde os seus dois filhos, já com as suas próprias famílias, o colocam de lado por falta de tempo e vontade. Tudo isto num só capitulo, muitas vezes de modo indirecto e onde temos paginas inteiras sem um único balão de diálogo. Para mim simplesmente brilhante e demostrativo das capacidade dos autores.




É neste momento de indefinição da vida de Duke McQueen que aterra uma nave nas traseiras da sua casa. Nela um rapaz do mundo que Duke salvou à tanto tempo, vem para pedir a sua ajuda pois Tantalus encontra-se novamente preso nas garras de mais um déspota e apenas o grande herói Duke McQueen poderá salvar novamente Tantalus. 


E acho que já sabemos o que se vai passar a seguir. Apesar da indecisão inicial Duke McQueen segue o seu jovem admirador de regresso a Tantalus onde irá viver muitas aventuras até ao inevitável fim, onde tudo, spoiler alert, acaba bem.

Confesso que, pelo menos durante o primeiro e segundo capitulo ainda pensei, tal como o resto das personagens, que as aventuras do jovem Duke McQueen tinham sido uma ilusão. E que com a morte da sua esposa e o alheamento dos seus filhos essas histórias tenham regressado ainda mais em força à mente frágil de um homem à beira do abismo. Pergunto-me se isto passou pela mente de outros leitores ou mesmo dos seus autores. 

Em conclusão "Starlight: O Regresso de Duke McQueen" é uma BD interessante que pega num velho tema e lhe dá uma nova interpretação. Gostei da arte de Goran Parlov que me pareceu adequada ao ambiente que retrata. 


Título - Starlight: O Regresso de Duke McQueen
Argumento - Mark Millar
Arte - Goran Parlov
Editora - G Floy
Tradutor - João Miguel Lameiras

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Opinião - O Poder de Naomi Alderman



Confesso que tinha grandes expectativas para este livro e isso geralmente acaba por não correr bem. A ideia que lhe serve de base deixou o leitor que sou a "salivar" em antecipação. No seu todo achei o resultado interessante, mas com alguns reparos que poderia ter tornado o livro ainda melhor, na minha humilde opinião claro.





Para começar este é um livro dentro de um livro. Confusos? Permitam-me explicar: o livro começa num futuro (muito) longínquo em que se inverteu a dinâmica de poder. Neste tempo são as mulheres quem mandam.  A autora introduz-se no livro como personagem, uma editora que tem de avaliar um livro de um homem que escreveu um romance histórico fantasiado sobre como ocorreu a transformação da sociedade baseado nas provas arqueológicas que tem à sua disposição. O que vamos ler é esse livro. Portanto é uma ficção dentro de uma ficção. Não sei bem o que sentir sobre esta "artimanha". Já tinha visto algo muito similar a ser utilizada há muitos anos num livro que me deixou saudades: "A Segunda Manhã do Mundo" de Manuel de Pedrolo.

Somos pois transportados para essa ficção baseada em factos verídicos desse futuro mundo, ou tão perto disso quanto possível.  Neste mundo ficcionado ao quadrado somos levados ao inicio. É-nos mostrado, como as mulheres começaram a ganhar o Poder, das rápidas e não tão rápidas mudanças na sociedade. A autora tenta a difícil tarefa de balançar a macro e a micro história, o pessoal e o mundial  e acho que se sai bem.

Como homem confesso que senti falta de mais um personagem masculino para nos mostrar mais o outro lado, mais outro ponto de vista. Tunde é um personagem interessante e do qual gostei, mas achei que fazia falta um tipo "normal", como um marido, pai, irmão ou filho, um Zé Manel, com que os leitores masculinos se pudessem ligar. 

No fim fiquei com a sensação de que a autora podia ter ido um pouco mais longe, mostrado mais pontos de vistas. Optou por se ficar por menos, longe de ser algo mau ou bom, foi uma decisão que teve de ser tomada. Seria este livro melhor com mais pontos de vista? Um pergunta interessante, mas que dificilmente terá resposta. 

Voltando ao que disse no inicio as expectativas podem ser tramadas e acho que foi isso que me aconteceu. Gostei do livro, mas sinto que teria desfrutado mais se não tivesse as expectativas tão elevadas. Ainda assim é um livro que recomendo. 

Título - O Poder
Autores - Naomi Alderman
Colecção Bang! n.º 286
Editora - Saída de Emergência
Tradutor - Sónia Maia

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Opinião - Anjos de Carlos Silva



Começo por confessar que devia ter escrito esta opinião quando li o livro, facto que ocorreu pouco depois do seu lançamento, e como será óbvio alguns pormenores já foram, inevitavelmente, esquecidos e quanto a isso há pouco ou nada a fazer, mas ainda me lembro do suficiente. 

O que mais me agradou no livro foi o tom positivo da história. Sim temos coisas más acontecer, sim Portugal passou por algo muito mau, mas saiu mais forte, melhor. É este tom positivo que vejo muitas vezes faltar à grande maioria das histórias de Ficção Cientifica que leio. Na sua grande maioria são inerentemente negativas, quando não são frontalmente negras, apesar da vitória momentânea dos heróis (quando os há), mas aqui à uma luz que tudo ilumina e que lhe dá um tom optimista. É precisamente o que me atrai nas series de TV como "Star Trek" ou mais recentemente "The Orville". Fez-me lembra quando li "O Futuro à Janela" do Luís Filipe Silva. Ambos partilham esse sentimento de esperança num futuro melhor, contrariamente ao tom pessimista, para não ir mais longe, das histórias do "tio" João Barreiros. E para mim este livro vale por isso.

Gostei também da maneira como o Carlos Silva no leva até um futuro suficientemente próximo para ainda o reconhecermos hoje, onde vemos à nosso volta as sementes do ele extrapola e imagina como esse futuro irá ser. 

É um livro bem escrito, como não podia deixar de ser, com boas descrições dos momentos de acção, mas também dos momentos mais parados, num acertado equilíbrio.

Este livro é também mais do que parece, pois mais do que um romance de um novo autor foi também um novo capitulo na vida da editora Divergência pois foi o primeiro livro exclusivo de um só autor e o primeiro vencedor do Prémio Divergência, portanto um marco quer para a editora quer para o seu autor. E eu dou os meus parabéns a ambos por uma excelente trabalho.

Neste momento já sabemos que a Divergência segue de vento em popa e espero que o Carlos já esteja bem avançado com mais um romance se não melhor, pelo menos tão bom quanto este.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

O Ano começa com o regresso do assassino



O  novo ano começou e o regresso às leituras também e para começar da melhor maneira e ao mesmo tempo para cumprir uma promessa, já me lancei na leitura do primeiro volume da saga "O Regresso do Assassino" da sempre grande Robin Hobb.



No campo da BD já li o "O Cão que guarda as Estrelas" de Takashi Murakami e em breve irei publicar por aqui o que achei desta BD. No entretanto irei começar a ler um clássico da nona arte "Watchmen" de Alan Moore e Dave Gibbons. Já tinha lido a original em inglês, desta vez será a versão em Português de Portugal que a Levoir publicou já em dois mil e dezasseis, mas que só agora arranjei tempo para ler (muito por culpa de já ter lido a obra e terem sido anos de muita e boa BD).

Um dos objectivos do ano será a colaboração com o projecto Leiturtugas e já tenho algumas opiniões na calha para ajudar a dar-me alguma margem de manobra caso alguma coisa corra menos bem, mas pensamento positivo.

Confesso que tendo apenas lido nove livros em dois mil e dezoito, sim leram bem, mas por outro lado li cento e sessenta e sete BD's, por isso ler mais não será propriamente difícil. E é isto.

Bom ano de dois mil e dezanove.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Opinião - Coração Negro de Naomi Novik



Este é um livro de leitura segura. Longe de ser uma critica negativa é apenas a constatação de um facto. Não esperem encontrar neste livro a "invenção da roda" no que à literatura Fantástica diz respeito. Chamo-lhe uma leitura de conforto, mas falemos da história. 

Um feiticeiro escolhe uma rapariga a cada dez anos em troca de proteger o vale do maléfico Bosque, claro que a última escolha do feiticeiro, que se chama Dragão, é Agnieszka, mas ela não foi a escolha que se esperava. Agnieszka é, como não podia deixar de ser muito mais do que à partida parece. A partir daqui a história segue o habitual roteiro em que a jovem descobre que não só é uma bruxa, mas também que é mais poderosa do que parecia, revelando ainda que tem capacidades que mais ninguém tem. Como não podia deixar de ser vai fazer a habitual viagem de descoberta, literal e metafórica, que a levará a salvar o Vale. Como disse no inicio esta é uma leitura de conforto onde existe uma familiaridade com cada capitulo, com cada palavra. Não surpreende, mas existe nesta sensação de "já li isto" um agradável sentimento de estarmos em território conhecido. Nem sempre quero ser espantado, às vezes quero simplesmente a segurança do comum.

Não tendo ficado propriamente longe do habitual, ainda assim houve uma quase que surpresa com o final. A autora em vez de nos dar aquele final feliz em que tudo acaba bem dá-nos um final mais real. O maléfico Bosque caminha para a cura, mas ainda vai demorar tempo até o Mal ser vencido. Podia ter feito um passe de magia e ter dito que estava tudo bem e  que o Bosque estava curado, mas preferiu dar um final mais realista e isso foi algo que (muito) me agradou.

Resumindo e concluindo foi uma leitura agradável, principalmente o final, mas tenho quase a certeza que não me irá ficar na memoria. Existem livros que, e sem desprezo por eles, servem para colmatar o espaço entre os grandes livros da nossas vidas e este é um deles.


Título - Coração Negro
Autores - Naomi Novik
Colecção Bang! n.º 295
Editora - Saída de Emergência
Tradutor - Sérgio Gonçalves

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Opinião - Quem teme a Morte de Nnedi Okorafor



Vamos começar pelo fim: não gostei deste livro. Bem sei que esta minha opinião vai em contra ciclo às opiniões que tenho lido. Suponho que seja a idade e tudo o que ela acarreta para um leitor que já muito leu e já não se impressiona, ou não se deixa impressionar com o comum e o vulgar. E por muito que um certo grande nome da literatura tenha não só gostado, mas levado esta obra para o pequeno ecrã isso no fim não faz com que ela seja melhor aos meus olhos (talvez a serie na tv me cative mais).

Mas foi assim tão mau perguntaram vocês? A resposta a essa questão é as expectativas podem ser tramadas e por norma são no mesmo. Quando nos "prometem" uma África pós-apocalíptica devastada por um holocausto nuclear esperamos encontrar uma África pós-apocalíptica devastada por um holocausto nuclear, mas isso não é mencionado em lado nenhum do livro à excepção da contra-capa, portanto perdoem-me se fiquei um "bocadinho aborrecido".

Não esperava que este livro redefinisse o género, mas quando temos nas mãos um livro que ganhou o World Fantasy Award espera-se algo especial. O que acontece aqui é mais um livro que se "agarra" à "velha" fórmula de escrever histórias de Fantasia e que segue passo a passo todos os clichés a que já estamos habituados. Uma profecia, um herói ou neste caso uma heroína, uma viagem, etc, etc... Personagens mal desenvolvidas,  unidimensionais e isso nem chega a conseguir descrever algumas. Mesmo alguns aspectos que me tocaram e conseguiram chocar, em especial a parte da mutilação genital feminina perde todo e qualquer significado quando é revertida como se nada fosse. E muitas outras pequenas coisinhas.

Houve momentos em que tive de me obrigar a continuar com a leitura deste livro e não foram as  expectativas, mas sim a qualidade intrínseca do livro.

Esperava mais, muito mais, mas a vida é mesmo assim.

Tento terminar numa nota positiva, se é que lhe podemos chamar assim. Quem sabe se algum dia, num futuro longínquo, volto a pegar e a ler este livro e mudo a minha opinião






Título - Quem teme a Morte
Autores - Nnedi Okorafor
Colecção - Bang! n.º 289
Editora - Saída de Emergência
Tradutor - Teresa Martins Carvalho

terça-feira, 31 de julho de 2018

The Show Must Go On

E já passaram sete anos desde que criei este blog. Esta simples constatação de um simples facto arrasta consigo a terrível verdade de que falhei neste projecto. Apesar de todo o entusiasmo inicial e de alguma (re)vitalidade ocasional a verdade é que a maior parte do tempo tem sido um vazio. Eu sou uma pessoa que precisa de uma (boa) razão para fazer algo, mas mais importante para continuar a fazê-lo. Sou também alguém que nunca está contente com o que escreve, estou constantemente a mudar virgulas e palavras, para mim um texto nunca está bem. Ora para escrever um blog de modo quase diário isso não é propriamente uma característica desejável (e enquanto escrevo isto vou relendo o que escrevi...). E não quero transformar isto num mero local de publicidade, por muito merecida que seja.

Assim chegamos à inevitável conclusão de que é hora de, se não dizer adeus ou pelo menos, dizer até um dia deste.