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quinta-feira, 13 de maio de 2021

30 Dias 30 Contos a ler em Português - Dia 13

 



O Pedro Cipriano é um velho conhecido deste blog e um autor que venho a acompanhar há muito tempo. Umas das coisas interessantes que raramente fazemos é analisar a evolução que um autor tem ao longo do tempo. Por isso a minha proposta para hoje envolver fazer isso mesmo: descobrir a evolução do Pedro como autor ao longo do tempo começando neste "A Era Dourada". Eu sei que estou (novamente) a "dobrar" as regras, mas fica já como leitura futura a obra do Pedro. É só seguir os links para ir lendo os contos dele até chegar a obras mais longas como "As Nuvens de Hamburgo". Podem encontrar os contos do Pedro de modo gratuito no Smashwords ou no índice de contos do Fantasy & Co e depois perseguir o Pedro para as suas outras obras.


A Era Dourada de Pedro Cipriano no Smashwords

domingo, 24 de janeiro de 2021

Opinião - A Menina dos Doces de Pedro Cipriano

 



O Pedro Cipriano voltou a surpreender-me com “A Menina dos Doces”. Enquanto “As Nuvens de Hamburgo” era uma história no género de Ficção Científica / Fantasia este livro não podia ser mais ancorado na nossa realidade, uma realidade infelizmente demasiado presente nas nossas vidas, mas muitas vezes não reconhecida e discutida. 

É um livro que “esconde” ao que vem, mascarando-se como um mistério, que também o é, mas o seu verdadeiro valor reside na maneira como nos apresenta e faz pensar em alguns problemas aos quais muitas vezes não damos valor até ser tarde demais (a não ser que já tenhamos passado por eles directa ou indirectamente) como o bullying, a depressão, a negligência parental ou as agressões (físicas ou psicológicas) no namoro. O Pedro não reserva a mesma atenção a todos os temas, a questão da violência no namoro é mencionada de “raspão”, mas só o facto de lá estar revela a atenção do autor a estas questões e claro que seria difícil prestar a mesma atenção a todos e ter um história coerente.

A hitória é divida entre as duas personagens principais: a Mariana e a Liliana, primas afastadas por quase quinze anos e um mistério que  a família tenta a todo o custo esconder. Como já devem ter lido da sinopse o mistério é porque ninguém quer falar da Liliana e o que lhe aconteceu. Pelo meio o Pedro abordará as questões que acima menciono e outras sem que as mencione pelo nome. Para mim a mais flagrante terá sido a depressão. Sem que a palavra apareça uma única vez descreve uma pessoa que se vai degradando lentamente à nossa frente até ao momento final. A Depressão é uma doença a que ligamos pouco e tendemos a descarta-la e pensamos que se resolve com uns comprimidos e/ou com palavras ocas como “não penses nisso”, mas a verdade é que é muito mais complicado do que isso. 

O cidade de Aveiro e todas as suas “atracções” são o palco que aqueles que a conhecem reconhecerão. Para quem conhece ou viveu na cidade será um ponto adicional de contacto com a história e certamente de nostalgia e para quem não conhece parece-me um bom ponto de partida para despertar a curiosidade e quem sabe vir conhecer.

Este livro pode servir como ponte entre pais e filhos para abordar temas nem sempre fáceis, como a depressão, a sexualidade, o bullying ou as amizades. Aos pais relembra-los que a adolescência e o inicio da vida adulta não são fáceis e aos jovens que os pais já por lá passaram e que podem ter conselhos preciosos que os ajudem a navegar esses tempos tumultuosos.

Foi um livro que tive de ler até ao fim para abarcar todo o seu impacto. E bem sei o que parece dizer isto, mas este livro relembrou-me isso como há muito tempo não acontecia.

A escrita do Pedro está cada vez melhor e espero o seu próximo livro para ver onde nos leva ele.

domingo, 18 de junho de 2017

Lançamento de As Nuvens de Hamburgo de Pedro Cipriano

Hoje é um dia que certamente ficará na História pelas piores razões devido aos infelizes acontecimentos em Pedrogão Grande. Mas este é também um dia que ficará na memoria, mas pelas melhores razões, de todos quantos assistiram ao lançamento, na Biblioteca Municipal de Vagos, do livro "As Nuvens de Hamburgo" do Pedro Cipriano. 

O Autor e o estreante 


À hora certa lá estava eu para apresentação de "As Nuvens de Hamburgo" e não foi sem alguma surpresa que o Pedro, que conheci pessoalmente hoje, me convidou para me sentar à mesa dos "graúdos". Já tínhamos falado da minha "disponibilidade" (dito assim até pareço um tipo importante o que não é o caso) em apresentar o livro, mas não tinha ficado nada decidido. Aceitei, mas nunca tinha feito nada disto na vida e não escondo que estava algo nervoso por ter de falar em público. Felizmente correu tudo bem, ou pelo menos tão bem quando seria de esperar para um estreante: não gaguejei (muito) e tive um discurso relativamente coerente e igualmente importante consegui manter-me (quase sempre) centrado no livro, embora não tenha conseguido evitar alguns desvios, mas consegui sempre voltar (quando não fui "arrastado) ao livro. Foi agradável falar do livro, que como sabem foi uma leitura da qual gostei bastante, e poder elogiar o autor cara a cara. Foi como um conversa de onde saímos mais ricos com o que aprendemos. Fiquei saber um pouco mais sobre o que esteve por detrás do livro, as motivações e inspirações, enfim aqueles pequenos, mas importantes pormenores, que acabam por dar mais vida à história.

O leitor, o livro e o autor

Foi uma tarde bem passada em que tive o privilegio de conhecer não só um excelente autor, mas também outras pessoas igualmente simpáticas e talentosas e com quem espero novamente privar "ao vivo e a cores" num futuro próximo. 

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Opinião - As Nuvens de Hamburgo de Pedro Cipriano




Marta é uma estudante de História que vai para a cidade de Hamburgo na Alemanha, integrada no programa Erasmus, mas algo de estranho se passa pois ainda não desfez a mala quando observa da janela do seu quarto algo não deveria ver: bandeiras com a cruz suástica a adejar ao vento, mas tal é impossível! Não é? E com um piscar de olhos elas desaparecem... É assim que começa esta novela do Pedro Cipriano onde vamos acompanhar a Marta não só na sua aventura em que irá questionar a sua sanidade, mas também a sua atribulada vida pessoal. Desde a sua relação, extremamente atribulada, com os pais, que nunca viram com bons olhos a sua escolha de curso e muito menos a sua ida para outro país, passando pelos poucos amigos que consegue fazer, também eles estudantes de Erasmus, enquanto se adapta a uma nova cidade e a uma nova língua, tudo pormenores que ajudam a dar profundidade à personagem e a criar ligação com o leitor. Mas o foco da história são mesmo as suas alucinações (serão mesmo?) onde Marta é transportada para os dias da Segunda Grande Guerra. É fascinante vê-la a debater-se com esta situação peculiar, questionando a sua sanidade e como poderá separar as suas alucinações da realidade. Ao inicio as transições são tão confusas para a personagem principal como para o leitor, pelo menos para mim foram. Não se foi algo que saiu naturalmente ao autor ou se foi meticulosamente planeado, mas tenha sido uma ou outra a verdade é que isso resulta numa maior afinidade entre o leitor e a história, pois nós (os leitores) ficamos tão confusos como a personagem principal e com ela vamos descobrindo o que se está a passar e viver as angustias e prazeres desta nova fase na sua vida.

Foram duas as horas que demorei a devorar este livro, porque depois de começar não consegui parar de lê-lo. É uma história que puxar pelo leitor. 

O que faz deste um excelente livro? As personagens palpáveis e a capacidade em ter integrado tudo numa história real apesar da sua inegável faceta Fantástica. 

Uma nota final. Em Setembro de dois mil e treze dei a minha opinião sobre a Compilação de contos da Era Dourada e escrevei que "o Pedro deve rever e aperfeiçoar a construção das personagens e aos finais um segundo olhar para que sejam mais verosímeis, pois senti algumas reticencias ai" foi pois com prazer que eu vi que ele fez exactamente isso e esta história prova-o sem margem para dúvidas. Ninguém é perfeito, mas o Pedro mostra que com (muito) trabalho se consegue progredir na direcção correcta. Espero que ele continue a mostra os seu talento.


O lançamento vai ocorreu este Domingo dia dezoito na Biblioteca Municipal de Vagos pelas quinze horas. Para quem não conseguir comparecer irá também ocorrer o lançamento em Lisboa em data e local a anunciar. 


Para quem quiser ler a sinopse e mais importante fazer a reserva do livro é só seguir o link: Pré-venda "As Nuvens de Hamburgo"


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Opinião - Compilação de contos da Era Dourada de Pedro Cipriano




Como o título indica este livro é uma compilação de contos que tem como fio condutor os avanços da tecnologia e os perigos que eles poderão acarretar para a humanidade enquanto espécie. O tema não é novo, mas a cada dia que passa torna-se cada vez mais pertinente e importante, portanto foi com alguma expectativa que me juntei à leitura conjunta deste livro.
De uma modo geral gostei dos contos e gostei da disposição cronológica, mas, sim tinha de haver um mas, achei demasiado o salto de quinhentos anos que é feito entre o segundo e o terceiro conto, mas já lá irei.
O primeiro conto,  "A Alvorada", é um começo auspicioso, (ou será um fim?) embora o seu final não me tenha convencido por ai além.
No segundo conto, "A Escuridão" continuamos no mesmo tempo do primeiro conto, mas o cenário não podia ser mais diferente. Gostei do ambiente, mas novamente aquele final deixou-me algo insatisfeito. Tal como no primeiro conto não achei (muito) verosímil o final, mas (mais um) compreendam que este é um critério subjectivo.
Ao terceiro conto damos um salto temporal de quinhentos anos e vamos parar no meio de uma sociedade "tipo século dezanove" onde o vapor é a principal fonte de energia. Neste conto acompanhamos um homem amargurado com a vida e que culpa a tecnologia pela sua infelicidade. Este conto já foi mais do meu agrado, pequeno e conciso, tudo o que um conto deve ser e com um final que me agradou.
O quarto conto, "O Mostro e a Musa", é o maior e está subdivido em duas partes respectivamente em "O Monstro" e "A Musa". Embora a ideia por detrás me tenha apelado achei a construção psicológica dos personagens algo fraca, principalmente o Comandante Artur Olivais, primeiro descrito como sádico, mas para o final já era um "tipo porreiro".
O quinto e último conto, "O Fruto Proibido", versa sobre a curiosidade humana. Gostei do tema e como o Pedro Cipriano o explorou, com um final a condizer.

Como disse no inicio gostei dos contos, mas como livro não acho que funcione. Não basta ter um tema para "colar" os contos. Temos um bom inicio, mas depois aquele "salto" de quinhentos anos "estraga" um pouco as coisas, principalmente porque a fazer fé na descrição que aparece no Smaswors este é o primeiro livro. Ficamos com uma "falha" que podia e deverei ser preenchida. Não posso deixar de recordar aquele que eu considerando um bom exemplo: "Guerra Mundial Z" do Max Brooks. Este livro leva-nos a conhecer uma mundo que sofre uma infestação Zombei. O seu autor conta-nos a historia desde o inicio ao fim através de contos ordenados por ordem cronológica, mostrando-nos os pontos mais importantes e/ou significativos da historia. Ora é precisamente o que falta aqui, ao nos "dar" o segundo conto,  "A Escuridão" o autor "induz" em erro o leitor. Se apenas tivesse utilizado o primeiro conto, "A Alvorada", como prólogo tudo bem.
Outro aspecto que o Pedro deve rever e aperfeiçoar é a construção das personagens e aos finais um segundo olhar para que sejam mais verosímeis, pois senti algumas reticencias ai.
As minhas criticas podem parecer duras, mas como disse gostei do que li e espero que o Pedro Cipriano continuo a expandir este universo pois fiquei bastante curioso.

Se quiserem ler outras opiniões podem encontra-las nos links abaixo:

As Leituras do Corvo Fiacha - Compilação de contos da Era Dourada de Pedro Cipriano

Folhas do Mundo - A Era Dourada de Pedro Cipriano


Este livro pode ser encontrado no site Smashwords neste link: Compilação de contos da Era Dourada de Pedro Cipriano