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segunda-feira, 15 de abril de 2019

Opinião - Em Asas Vermelhas de Nuno Almeida




Recentemente vi o filme "Alita - Anjo de Combate" e as histórias de fundo são muito similares, uma guerra que destruiu o mundo, uma cidade onde ficou a elite e uma cidade que vive do lixo da primeira e onde ficou o resto da humanidade. Neste caso existe um acrescento de racismo, em que a elite são brancos, louros e de olhos azuis e os que ficaram na cidade de lixo são pretos.

Apesar de ter gostado do inicio comecei logo a ver uma pressa nada boa e que infelizmente se estendeu até ao fim do conto. Um exemplo disso é a personagem da Heidi, de menina mimada a um espécie de heroína foi um "abri e fechar de olhos" que não me convenceu. Bem sei que é um conto e que tem limitações de espaço, mas alterações de personalidade tão radicais em não se explicam com isso. 

Nota positiva para a escrita do Nuno, reconheço que tem muito potencial pena que a sua arte de criar e dar vida às suas personagens não esteja (ainda) à altura, mas nada que a pratica não possa melhorar.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Opinião - Patriarca de Ricardo Dias



Este conto faz, em certos momentos, lembrar aquela que é uma das mais conhecidas distopias: mil novecentos e oitenta e quatro de George Orwell. Mais que uma imitação é uma homenagem a essa obra (é mencionada nas suas páginas algumas vezes). O autor tentar dar um passo mais longe actualizando-a para as preocupações da falta de privacidade que nos assolam nestes dias e como essa mesma falta de privacidade pode ainda piorar num regime totalitário que pretende o controlo absoluto da população. Se na obra de Orwell temos o Big Brother aqui temos o Patriarca (não irei revelar o que é para não estragar a história). Em mil novecentos e oitenta e quatro temos o controlo da historia  aqui  é a vigilância e até onde ela pode ir e o que nos resta como espaço pessoal. É um tema que me agrada e que está cada vez mais na ordem do dia, mas que gostava de ter visto explorado de modo mais profundo (os infodumps não ajudaram, mas já falarei deles). O conto ficou superficial, abaixo do seu potencial. 

Como já disse os infodumps não ajudaram. Bem sei que é necessário dar contexto e que um conto não tem muito "espaço" para tal, mas considero que foi excessiva a falta de equilíbrio entre informar o leitor e os momentos de acção. Na medida do possível gostava de ter visto o autor seguir a regra que diz: Mostra, não digas (Show, don't tell).

Existem algumas falhas na revisão, felizmente poucas, mas que fazem com que tenhamos de parar momentaneamente a leituras para perceber se fomos nós que lemos mal ou se foi mesmo uma falha e isso afecta o ritmo da leitura.

Um conto com (muito) potencial, mas que fica aquém do esperado. 

domingo, 7 de abril de 2019

Por Mundo Divergentes - Uma Antologia



Depois da excelente antologia Proxy sigo para outra antologia da Divergência: Por Mundo Divergentes. 

É um livro já de Junho de dois mil e quatorze. Em aspectos como a paginação nota-se que ainda é de uma fase inicial da editora, não que isso lhe tire ou acrescente qualquer mérito, mas se pegarmos num livro actual vê-se uma evolução bastante grande e existe algo de bastante agradável nisso.

Quanto ao conteúdo deste livro é uma antologia com cinco contos de distopias passadas em Portugal "num futuro por vezes mais próximo, por vezes distante". Eu gosto bastante de distopias, adoro a pergunta "E se?" e é também um dos grandes sub-géneros da Ficção Cientifica.

Quanto aos autores já li quatro deles (não me lembro de ter lido nada do Nuno Almeida) e só tenho boas recordações deles por isso espero boas coisas desta antologia.

A partir de amanhã podem contar com a minha opinião a cada conto todas as segundas-feiras.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Opinião - Bastet de Mário de Seabra Coelho



E é com este conto do Mário de Seabra Coelho que se fecha esta primeira antologia cyberpunk totalmente em Português e como leitor melhor final não se podia pedir.

Adorei como o Mário preparou o "terreno", como nos deu a conhecer as personagens, a caracterização das mesmas, o facto de não se ter deixado dominado pelo politicamente correcto e ter criado personagens reais que falam como nós (a esta altura já devem ter inferido que o meu personagem preferido, se tivesse de nomear um, é o Lope, o facto de (quase) partilharmos o mesmo nome é apenas uma feliz coincidência).

A (boa) Ficção Cientifica tem esta característica de nos fazer reflectir sobre o Futuro no Presente e o tema escolhido não podia ser mais pertinente e actual, afinal a questão da banalização do conhecimento e da tecnologia não se vê muito discutida pelo publico em geral, mas devia. Quando temos a banalização das impressoras 3D, do sistema CRISPR ou no caso deste conto de Inteligente Artificial (IA), não pensamos nas consequências do que podem dai advir. Gostamos de nos concentrar no lado bom que essas tecnologias trazem e tendemos a esquecer ou ignorar os aspectos negativos, os perigos que acarretam consigo. O caso que o Mário relata no conto como o primeiro incidente com uma IA é quase cómico, mas demonstra bem os perigos que as IA podem trazer consigo.

Outros dos temas abordados, de modo tão subtil como cómico, é a nova vaga de cépticos das evidencias da ciência. O movimento anti-vacinas ou os que acreditam que a Terra é plana, são apenas dois exemplos dos muitos que infelizmente existem.

Faço todos este elogios mesmo sabendo que o Mário é da opinião (agora) que a "história teria ficado melhor se tivesse sido um pouco limitada, porque o início é arrastado" e que é algo que "ainda pesa "(coisa que me disseram e eu na altura discordei arrogantemente e devia levar um tabefe). E talvez ele tenha razão, talvez esta história fosse melhor com as alterações que ele sugere, mas esta, como já perceberam está muito boa. E se, só se editasse uma história quando estivesse perfeita então não se publicava nada porque haveria sempre algo a alterar, falo por mim que apesar de só escrever estes textos acho sempre que nunca está bem, que com uma alteração aqui e ali ficava melhor.

Resumindo e concluindo um excelente conto a fechar uma incrível antologia. E agora sou a dizer que mereço uns "tabefes" por não a ter lido antes.

segunda-feira, 25 de março de 2019

Opinião - Alma Mater de José Pedro Castro




Lisboa, num futuro relativamente próximo, tomada (ainda mais) pelas grandes corporações e onde as assimetrias são ainda maiores. Onde os ricos vivem nas suas torres de vidro (bem) acima da ralé e dos vários gangues que governam a favela que é a Velha Baixa. É aqui que vive Maria, uma velha senhora, dona de uma livraria num mundo onde (muito) poucos lêem livros. Vamos encontra-la a procurar Sanjay, um rapaz que já conhece à muito e que está desaparecido. Na sua busca vamos explorar um pouco mais a cidade, os seus habitantes e as diferenças para os dias de hoje. Ao mesmo tempo vamos descobrir o paradeiro de Sanjay e conhecer uma misteriosa personagem que terá um papel central no desenrolar da trama e no seu final.

É um conto muito interessante, mistura aquilo que eu espero de uma história cyberpunk com a tecnologia a ter papel relativamente central, mas sem nunca descurar o lado humano da história.

Um dos seus pontos fortes foi o autor ter ancorado a história na realidade portuguesa, ao invés de ter sucumbido à tentação de ter como palco Nova York ou outra mega metrópole, porque apesar de vivermos numa mundo cada vez mais pequeno não há nada como o nosso lar, leia-se o nosso país.

Outro ponto forte deste conto foram as reviravoltas e para mim a maior foi a última, em igual medida inesperada e chocante, mas ao mesmo tempo (muito) lógica e isso é algo que não é comum encontrarmos.

"Alma Mater" de José Pedro Castro é o penúltimo conto desta antologia e mais uma excelente adição à mesma.

segunda-feira, 18 de março de 2019

Opinião - Y+T de Marta Silva



Este conto marca a estreia literária da Marta Silva e posso dizer sem reservas que é uma estreia (muito) auspiciosa.

Esta é uma distopia sobre um (pequeno?) mundo controlado por uma esfera(?). É igualmente a história de Y e T, amigas e amantes (?). Uma (Y) vive inconformada com a sua vida e vive para saber, descobrir o que existe para lá das paredes deste mundo, a outra (T) vive acomodada com o seu mundo e a regras deste. Existe desde o inicio uma espécie de embate ideológico e de perspectiva entre os dois ponto de vista, a curiosidade e rebeldia de Y e o desejo de integração e continuação de T.

Toda a história é contada da perspectiva de T e logo ao inicio começa-se a desenhar um fim inevitável que adivinhamos (muito) grave.

Foi um conto que me deu bastante prazer ler, principalmente pela qualidade literária e maneira de escrever da Marta Silva. A sua escrita tem algumas particularidades, embora não sejam originais, como não usar letra maiúscula, algo "roubado" ao escritor Valter Hugo Mãe, e se ao inicio se estranha logo se ultrapassa e passa-se a ler como se isso fosse algo normal. Gostei do uso que ela dá às analepses e prolepses, que mais do que servir para nos aguçar a curiosidade do que foi e principalmente do que está para vir acaba por servir, e muito bem, para levar este conto, de modo quase subtil, para o subgénero do cyberpunk, embora só no final percebamos isso.

Mais um excelente conto nesta antologia.

segunda-feira, 11 de março de 2019

Opinião - Pecado da Carne de Carlos Silva




"Pecados da Carne" é o terceiro conto e é da lavra de um autor já conhecido por aqui: Carlos Silva.

Se os anteriores contos desta Antologia tinham no centro das suas tramas elementos claramente Cyberpunk, este não. Não quer isso dizer que seja despromovido desses elementos. Eles estão lá, mas são mais acessórios, mais como elementos decorativos que mesmo retirados não afectariam (muito) a história contada. Este aspecto não influencia a qualidade da história, mas coloca-la numa antologia cyberpunk já me parece algo questionável.

O conto em si é uma distopia que versa sobre um mundo onde uma doença devastou o mundo. Os governos caíram incapazes de fazer face à pandemia. No seu lugar emergiram grandes corporações com apólices de saúde que apenas os mais ricos podiam pagar, obviamente. Essas grandes corporações construiriam cidades assépticas. Como parte do controlo (muito) rigoroso que é feito a tudo, mas mesmo tudo, isso inclui analises aos esgotos. Ora isso irá revelar que algo não está bem nesta espécie de cidade estado. E o resto vão ter de ler porque não quero estragar a história.

O conto tem uma estrutura clássica com principio meio e fim. O Carlos não utiliza analepses ou outros "truques". O final é interessante, mas para quem anda por cá há já tempo suficiente não será propriamente uma surpresa.

Tirando a falta de mais elementos cyberpunk entrelaçados na narrativa principal é um conto limpo e directo que se lê muito bem embora sem surpreender.

segunda-feira, 4 de março de 2019

Opinião - Modulação Ascendente de Júlia Durand



O segundo conto da antologia Cyberpunk Proxy é "Modulação Ascendente" da Júlia Durand.

A realidade de Irissa (Íris) é bastante familiar: ou se é (muito) produtivo ou é-se despedido com a agravante de a empresa denegrir o nome de quem despede tanto que outra nunca lhe dará emprego com todas as consequências que isso acarreta. Irissa, assim como todos os seus colegas é obrigada a ter ambição, de fazer por subir pela escada empresarial quer queira quer não. As suas motivações não se ficam pela mera comodidade em não querer abdicar da vida, mais ou menos desafogada, que leva. Isso também faz parte, claro, mas muito mais importante são as consequências que isso teria para a sua cara metade.

O contraste com o primeiro conto (Deuses como Nós de Vitor Frazão) é como da noite para o dia.  Se no primeiro temos a típica acção com corridas desenfreadas, armas a serem disparadas e munições a voarem por todos os lados, neste vamos encontrar um ambiente mais "calmo" (atenção às aspas). Não é uma história menos tensa e densa por isso, afinal temos vidas em risco apenas de uma modo diferente.

O final deixa algo no ar, como se houvesse algo que ficou por explicar ou um mistério que precisaria de outra tantas páginas para ser revelado. Ou então foi só a minha imaginação a trabalhar e a pregar-me uma partida. 

Não quero revelar muito, para não estragar a história a futuros leitores, mas ficou bem patente a habilidade da Júlia Durand e o porquê do Anton Stark ter seleccionado este conto para esta antologia.

domingo, 3 de março de 2019

Opinião (BD) - O Cão que guarda as Estrelas



Hoshi Mamoru Inu - Em tradução literal, "O Cão que guarda as Estrelas". É uma expressão Japonesa usada para descrever alguém que quer algo impossível. A origem vem da imagem do cão que fica a olhar o céu como se desejasse as Estrelas.
Na Introdução de "O Cão que guarda as Estrelas" de Takashi Murakami, edição JBC Portugal

Neste "O Cão que guarda as Estrelas" de Takashi Murakami não existe apenas uma história, mas várias que se vão intercalando e sucedendo. Começamos por ver como lentamente o tempo tudo muda, como o tempo vai erodindo tudo o que une uma família até não restar nada. A culpa é simultaneamente de todos e de ninguém. No centro disto tudo temos o cão Happy que entra na vida daquela família quando ainda está tudo bem e que a vai acompanhar até ao seu fim. Vamos assistir ao desmoronar da vida do Papá (é assim que lhe chama o Happy). Um homem que depois de um divórcio particularmente difícil fica quase sem nada. Sobra-lhe algum dinheiro, o carro e claro o Happy. Decide rumar à sua terra natal onde espera recomeçar, mas nunca lá chega. Isto é mostrado logo ao inicio, como que um aviso. Na viagem vão passar por muitos episódios, alguns tristes, outros felizes, mas o tom trágico nunca deixa de acompanhar a narrativa. E quando pensamos que a história acabou surge mais uma entrelaçada, naquela que acabamos de ler. O tom mantém-se trágico.  

Quanto à arte, achei que para uma história com um tom tão sério e trágico o desenho podia (deveria?) ter acompanhado, em vez de termos um traço algo caricatural, pelo menos aos meus olhos orientais.

É uma história que convida às lágrimas no canto dos olhos e quem durante a sua leitura, não ficar com os olhos pelo menos húmidos não é humano.

Este é um livro de sentimentos, é certo que, como já referi, o tom é trágico, mas também tem os seus momentos de alegria. É uma leitura mais pesada e os leitores mais maduros conseguirão compreender melhor todo o que se passa e assim tirar mais prazer da leitura. Não quero com isto dizer que leitores mais jovens não consigam também apreciar a história, acredito que a leitura irá enriquecer esses mesmo leitores mostrando-lhes e assim preparando-os para a possibilidade desses acontecimentos  

Título - O Cão que guarda as Estrelas
Autor - Takashi Murakami
Editora - JBC Portugal
Tradutor - não indicado

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Opinião - Deuses como Nós de Vitor Frazão



O primeiro conto da Antologia Proxy pertence ao Vitor Frazão com o titulo "Deuses como Nós".

O tom geral trás à memória alguns aspectos de "Neuromante" do William Gibson ou "Snow Crash" (Samurai: Nome de Código em solo luso) do Neal Stephenson como que a querer ancorar não só o seu conto, mas também o leitor à imagem que temos do que é o Ciberpunk. 

Somos brindados com uma cidade, Nova Oli, dividida entre os que tudo tem e os que de nada dispõem a não ser a sua vontade em viver, mas também entre a luz e a penumbra. É neste ambiente que vamos encontrar a antiquária (mas não só) Cleo Maltez que acaba por ser ver convencida a procurar Délio Ginjeira antigo sócio, e agora uma espécie de terrorista,  de Armando Zarco o todo poderoso dono de Ambrósia, Lda a empresa detentora do Elísio

Não quero revelar muito da história para a não estragar a quem ainda não a leu.

Num conto com cerca de quinze páginas alguma coisa terá de ser deixada, se não para trás, pelo menos para segundo plano e neste caso foi uma caracterização mais detalhada da cidade de Nova Oli e os seus contrastes como nos romances atrás mencionados. O Vitor Frazão nunca esquece isso e vai "metendo" onde pode esses elementos, mas acabam por saber a pouco. Compreende-se que o pequeno número de páginas a isso o tenha obrigado. 

O meu maior "problema" foram no entanto as analepses e prolepses. Apesar de ser um adepto da utilização deste tipo de "truque" se não forem bem urdidas na trama acabam por atrapalhar e frustrar mais do que fomentar a curiosidade e incentivar a leitura. Se as analepses das discussões entre Délio Ginjeira e Armando Zarco trouxeram luz sobre as motivações de cada personagem as de Cleo Maltez pareceram-me, não pela informação, mas pela maneira aleatória como foram colocadas, confusas.

Um bom começo desta Antologia Ciberpunk e um bom trabalho do seu autor que no seu todo se sai muito bem.  

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Proxy - Antologia Ciberpunk



Uma das razões para me ter juntado à iniciativa Leiturtugas (desde já o meu obrigado ao Jorge Candeias) é a de me obrigar a ler mais. Poderá parecer estranho, mas a verdade é que o mundo de hoje tem muitas distracções e o tempo não estica e muito menos anda para trás. E verdade seja dita tenho lido muito poucos livros no último par de anos.

E não só me obrigar-me a ler mais, mas ler mais em português e acima de tudo de autores portugueses. E se existe algo de que tenho orgulhado é de ter ajudado a divulgar bons autores portugueses que escrevem (principalmente) no nosso bom português. E espero continuar a descobri-los e a divulga-los.

Vai-me também obrigar a escrever sobre o que leio, algo que muitas vezes fica pelo caminho...

A verdade é que tenho as estantes (físicas e virtuais) cheias de muitos e bons livros de autores portugueses que se encaixam nas "exigências" da iniciativa Leiturtugas e assim, como se costuma dizer, une-se o útil ao agradável.

Assim chego a esta antologia da Editorial Divergência: Proxy que é a primeira experiência antológica de cyberpunk em Português. Lançada nos idos de Setembro de 2016, já assombrava as minhas estantes à demasiado tempo e que por razões que nunca conseguimos explicar completamente, não seria certamente por falta de vontade, foi ficando na estante a ganhar pó (como infelizmente outros)

Com edição do Anton Stark, um prefacio do sempre certeiro e caustico João Barreiros (e que nunca desilude) este será o meu objecto de atenção durante as próximas seis semanas. Com uma opinião por semana a sair à segunda-feira e começa já amanhã com "Deuses como nós" do Vitor Frazão. 

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Opinião (BD) - Starlight: O Regresso de Duke McQueen



O Pedro Cleto do blog As Leituras do Pedro, como o próprio afirma, ficou surpreso por José de Freitas, editor da G Floy, ter incluido nas suas escolhas de 2018 este "Starlight - O Regresso de Duke McQueen". Tal como o Pedro Cleto também eu fiquei curioso e novamente como o Pedro Cleto também eu fui "resgatar" a minha cópia (literalmente) do meio da pilha de BD's a ler. 


Esta é uma BD evocativa de figuras como Flash Gordon ou Buck Rogers, mas Starlight é mais do que uma mera homenagem a essas histórias e isso pode logo ver-se nas primeiras paginas. Onde essas histórias terminam, esta começa.


Começamos no que costuma ser o fim deste tipo de histórias: o herói a ser homenageado e aclamado depois de ter salvo o povo do planeta Tantalus do seu tirano governante. Somo então catapultados para o Presente da personagem, um Presente triste e cinzento.



Depois do seu regresso à Terra, cai em descrédito porque ninguém acredita nas aventuras que diz ter vivido e acaba por cair no esquecimento, embora nunca totalmente esquecido.

Para mim o melhor desta BD é o seu primeiro capitulo onde os autores exploram a vida do outrora piloto de teste e herói Galáctico caído em desgraça. De como tudo se passou, de como a sua esposa foi um pilar, sempre ao seu lado quando ninguém acreditou que ele havia viajado até outro planeta, de como a morte da sua esposa deixa Duke McQueen, um homem já a entrar na terceira idade , naufragado entre as memorias de outros tempos mais gloriosos e um presente onde os seus dois filhos, já com as suas próprias famílias, o colocam de lado por falta de tempo e vontade. Tudo isto num só capitulo, muitas vezes de modo indirecto e onde temos paginas inteiras sem um único balão de diálogo. Para mim simplesmente brilhante e demostrativo das capacidade dos autores.




É neste momento de indefinição da vida de Duke McQueen que aterra uma nave nas traseiras da sua casa. Nela um rapaz do mundo que Duke salvou à tanto tempo, vem para pedir a sua ajuda pois Tantalus encontra-se novamente preso nas garras de mais um déspota e apenas o grande herói Duke McQueen poderá salvar novamente Tantalus. 


E acho que já sabemos o que se vai passar a seguir. Apesar da indecisão inicial Duke McQueen segue o seu jovem admirador de regresso a Tantalus onde irá viver muitas aventuras até ao inevitável fim, onde tudo, spoiler alert, acaba bem.

Confesso que, pelo menos durante o primeiro e segundo capitulo ainda pensei, tal como o resto das personagens, que as aventuras do jovem Duke McQueen tinham sido uma ilusão. E que com a morte da sua esposa e o alheamento dos seus filhos essas histórias tenham regressado ainda mais em força à mente frágil de um homem à beira do abismo. Pergunto-me se isto passou pela mente de outros leitores ou mesmo dos seus autores. 

Em conclusão "Starlight: O Regresso de Duke McQueen" é uma BD interessante que pega num velho tema e lhe dá uma nova interpretação. Gostei da arte de Goran Parlov que me pareceu adequada ao ambiente que retrata. 


Título - Starlight: O Regresso de Duke McQueen
Argumento - Mark Millar
Arte - Goran Parlov
Editora - G Floy
Tradutor - João Miguel Lameiras

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Opinião - O Poder de Naomi Alderman



Confesso que tinha grandes expectativas para este livro e isso geralmente acaba por não correr bem. A ideia que lhe serve de base deixou o leitor que sou a "salivar" em antecipação. No seu todo achei o resultado interessante, mas com alguns reparos que poderia ter tornado o livro ainda melhor, na minha humilde opinião claro.





Para começar este é um livro dentro de um livro. Confusos? Permitam-me explicar: o livro começa num futuro (muito) longínquo em que se inverteu a dinâmica de poder. Neste tempo são as mulheres quem mandam.  A autora introduz-se no livro como personagem, uma editora que tem de avaliar um livro de um homem que escreveu um romance histórico fantasiado sobre como ocorreu a transformação da sociedade baseado nas provas arqueológicas que tem à sua disposição. O que vamos ler é esse livro. Portanto é uma ficção dentro de uma ficção. Não sei bem o que sentir sobre esta "artimanha". Já tinha visto algo muito similar a ser utilizada há muitos anos num livro que me deixou saudades: "A Segunda Manhã do Mundo" de Manuel de Pedrolo.

Somos pois transportados para essa ficção baseada em factos verídicos desse futuro mundo, ou tão perto disso quanto possível.  Neste mundo ficcionado ao quadrado somos levados ao inicio. É-nos mostrado, como as mulheres começaram a ganhar o Poder, das rápidas e não tão rápidas mudanças na sociedade. A autora tenta a difícil tarefa de balançar a macro e a micro história, o pessoal e o mundial  e acho que se sai bem.

Como homem confesso que senti falta de mais um personagem masculino para nos mostrar mais o outro lado, mais outro ponto de vista. Tunde é um personagem interessante e do qual gostei, mas achei que fazia falta um tipo "normal", como um marido, pai, irmão ou filho, um Zé Manel, com que os leitores masculinos se pudessem ligar. 

No fim fiquei com a sensação de que a autora podia ter ido um pouco mais longe, mostrado mais pontos de vistas. Optou por se ficar por menos, longe de ser algo mau ou bom, foi uma decisão que teve de ser tomada. Seria este livro melhor com mais pontos de vista? Um pergunta interessante, mas que dificilmente terá resposta. 

Voltando ao que disse no inicio as expectativas podem ser tramadas e acho que foi isso que me aconteceu. Gostei do livro, mas sinto que teria desfrutado mais se não tivesse as expectativas tão elevadas. Ainda assim é um livro que recomendo. 

Título - O Poder
Autores - Naomi Alderman
Colecção Bang! n.º 286
Editora - Saída de Emergência
Tradutor - Sónia Maia

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Opinião - Anjos de Carlos Silva



Começo por confessar que devia ter escrito esta opinião quando li o livro, facto que ocorreu pouco depois do seu lançamento, e como será óbvio alguns pormenores já foram, inevitavelmente, esquecidos e quanto a isso há pouco ou nada a fazer, mas ainda me lembro do suficiente. 

O que mais me agradou no livro foi o tom positivo da história. Sim temos coisas más acontecer, sim Portugal passou por algo muito mau, mas saiu mais forte, melhor. É este tom positivo que vejo muitas vezes faltar à grande maioria das histórias de Ficção Cientifica que leio. Na sua grande maioria são inerentemente negativas, quando não são frontalmente negras, apesar da vitória momentânea dos heróis (quando os há), mas aqui à uma luz que tudo ilumina e que lhe dá um tom optimista. É precisamente o que me atrai nas series de TV como "Star Trek" ou mais recentemente "The Orville". Fez-me lembra quando li "O Futuro à Janela" do Luís Filipe Silva. Ambos partilham esse sentimento de esperança num futuro melhor, contrariamente ao tom pessimista, para não ir mais longe, das histórias do "tio" João Barreiros. E para mim este livro vale por isso.

Gostei também da maneira como o Carlos Silva no leva até um futuro suficientemente próximo para ainda o reconhecermos hoje, onde vemos à nosso volta as sementes do ele extrapola e imagina como esse futuro irá ser. 

É um livro bem escrito, como não podia deixar de ser, com boas descrições dos momentos de acção, mas também dos momentos mais parados, num acertado equilíbrio.

Este livro é também mais do que parece, pois mais do que um romance de um novo autor foi também um novo capitulo na vida da editora Divergência pois foi o primeiro livro exclusivo de um só autor e o primeiro vencedor do Prémio Divergência, portanto um marco quer para a editora quer para o seu autor. E eu dou os meus parabéns a ambos por uma excelente trabalho.

Neste momento já sabemos que a Divergência segue de vento em popa e espero que o Carlos já esteja bem avançado com mais um romance se não melhor, pelo menos tão bom quanto este.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Opinião - Coração Negro de Naomi Novik



Este é um livro de leitura segura. Longe de ser uma critica negativa é apenas a constatação de um facto. Não esperem encontrar neste livro a "invenção da roda" no que à literatura Fantástica diz respeito. Chamo-lhe uma leitura de conforto, mas falemos da história. 

Um feiticeiro escolhe uma rapariga a cada dez anos em troca de proteger o vale do maléfico Bosque, claro que a última escolha do feiticeiro, que se chama Dragão, é Agnieszka, mas ela não foi a escolha que se esperava. Agnieszka é, como não podia deixar de ser muito mais do que à partida parece. A partir daqui a história segue o habitual roteiro em que a jovem descobre que não só é uma bruxa, mas também que é mais poderosa do que parecia, revelando ainda que tem capacidades que mais ninguém tem. Como não podia deixar de ser vai fazer a habitual viagem de descoberta, literal e metafórica, que a levará a salvar o Vale. Como disse no inicio esta é uma leitura de conforto onde existe uma familiaridade com cada capitulo, com cada palavra. Não surpreende, mas existe nesta sensação de "já li isto" um agradável sentimento de estarmos em território conhecido. Nem sempre quero ser espantado, às vezes quero simplesmente a segurança do comum.

Não tendo ficado propriamente longe do habitual, ainda assim houve uma quase que surpresa com o final. A autora em vez de nos dar aquele final feliz em que tudo acaba bem dá-nos um final mais real. O maléfico Bosque caminha para a cura, mas ainda vai demorar tempo até o Mal ser vencido. Podia ter feito um passe de magia e ter dito que estava tudo bem e  que o Bosque estava curado, mas preferiu dar um final mais realista e isso foi algo que (muito) me agradou.

Resumindo e concluindo foi uma leitura agradável, principalmente o final, mas tenho quase a certeza que não me irá ficar na memoria. Existem livros que, e sem desprezo por eles, servem para colmatar o espaço entre os grandes livros da nossas vidas e este é um deles.


Título - Coração Negro
Autores - Naomi Novik
Colecção Bang! n.º 295
Editora - Saída de Emergência
Tradutor - Sérgio Gonçalves

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Opinião - Quem teme a Morte de Nnedi Okorafor



Vamos começar pelo fim: não gostei deste livro. Bem sei que esta minha opinião vai em contra ciclo às opiniões que tenho lido. Suponho que seja a idade e tudo o que ela acarreta para um leitor que já muito leu e já não se impressiona, ou não se deixa impressionar com o comum e o vulgar. E por muito que um certo grande nome da literatura tenha não só gostado, mas levado esta obra para o pequeno ecrã isso no fim não faz com que ela seja melhor aos meus olhos (talvez a serie na tv me cative mais).

Mas foi assim tão mau perguntaram vocês? A resposta a essa questão é as expectativas podem ser tramadas e por norma são no mesmo. Quando nos "prometem" uma África pós-apocalíptica devastada por um holocausto nuclear esperamos encontrar uma África pós-apocalíptica devastada por um holocausto nuclear, mas isso não é mencionado em lado nenhum do livro à excepção da contra-capa, portanto perdoem-me se fiquei um "bocadinho aborrecido".

Não esperava que este livro redefinisse o género, mas quando temos nas mãos um livro que ganhou o World Fantasy Award espera-se algo especial. O que acontece aqui é mais um livro que se "agarra" à "velha" fórmula de escrever histórias de Fantasia e que segue passo a passo todos os clichés a que já estamos habituados. Uma profecia, um herói ou neste caso uma heroína, uma viagem, etc, etc... Personagens mal desenvolvidas,  unidimensionais e isso nem chega a conseguir descrever algumas. Mesmo alguns aspectos que me tocaram e conseguiram chocar, em especial a parte da mutilação genital feminina perde todo e qualquer significado quando é revertida como se nada fosse. E muitas outras pequenas coisinhas.

Houve momentos em que tive de me obrigar a continuar com a leitura deste livro e não foram as  expectativas, mas sim a qualidade intrínseca do livro.

Esperava mais, muito mais, mas a vida é mesmo assim.

Tento terminar numa nota positiva, se é que lhe podemos chamar assim. Quem sabe se algum dia, num futuro longínquo, volto a pegar e a ler este livro e mudo a minha opinião






Título - Quem teme a Morte
Autores - Nnedi Okorafor
Colecção - Bang! n.º 289
Editora - Saída de Emergência
Tradutor - Teresa Martins Carvalho

domingo, 15 de outubro de 2017

Opinião - Mulheres Perigosas (Antologia)




Mulheres Perigosas é mais uma antologia de contos organizados por George R. R. Martin, que também contribui com um conto, e Gardner Dozois na esteira de outras antologias já editadas pela editora Saída de Emergência. A premissa, tal como vem descrito na contra-capa é a de que neste livro vamos encontrar "mulheres guerreiras que brandem espadas, intrépidas pilotos de caças, formidáveis super-heroínas, femmes fatales astutas e sedutoras, feiticeiras, más raparigas duronas, bandidas e rebeldes, sobreviventes endurecidas em futuros pós-apocalípticos, rainhas altivas que governam nações e cujas invejas e ambições enviam milhares para mortes macabras, mulheres que não hesitam em assumir a liderança para defenderem aquilo em que acreditam" por oposição ao estereótipo das "mulheres infelizes ficam a choramingar de pavor enquanto o herói masculino combate o monstro ou choca espadas com o vilão". O problema é que esta promessa não é cumprida na totalidade e alguns contos chegam mesmo a mostrar "mulheres infelizes e a choramingar".

A antologia começa muito bem com o conto de Joe Abercrombie "Completamente Perdida" com uma mulher verdadeiramente perigosa como o titulo promete. A primeira senhora desta antologia é Mega Abbott com "Ou o Meu Coração Destroçado" num interessante policial de uma mãe a quem a filha desaparece, onde vemos um mulher perigosa é verdade, mas de uma maneira muito diferente do primeiro conto. Melinda M. Snodgrass é a senhora que se segue com "As Mãos Que Não Estão Lá" e também o primeiro conto de Ficção Científica. Carrie Vaughn faz com que regressemos novamente à Terra com "Raisa Stepanova" em que nos mostra as mulheres soviéticas que durante a Segunda Grande Guerra pilotaram aviões (caças) ao lado dos homens num história que nos mostra acima de tudo que a História está pejada de grandes mulheres.

Eis que chegamos ao conto que "estraga" tudo: "Eu Sei Escolhê-las a Dedo" de Lawrence Block (que ironicamente também parece ter sido escolhido a dedo). O autor até pode ser um grande escritor e o conto está bem escrito, mas este conto está completamente "fora de água" e o que faz nesta antologia é um mistério.

Como para nos fazer esquecer o erro de "casting" anterior os antologistas dão-nos Brandon Sanderson com o conto "Sombras para Silêncio nas Florestas do Inferno". Confesso que não tinha este autor em grande consideração, mas este conto fez ver que posso estar (muito) enganado e este conto é um realmente muito bom, em todos os aspectos, seja na narrativa ou história.

Segue-se mais uma conto baseado na Historia, neste caso da Rainha Constança de Hauteville, com  "Uma Rainha no Exílio" de Sharon Kay Penman. 

Lev Grossman dá-nos "A Rapariga no Espelho" um conto com travo ao Universo de Harry Potter, mas que foi um gosto ler.

Sam Sykes tenta "Dar Nome à Fera" num conto que mostra que ser mão é mais do que parir.

Caroline Spector e "As Mentiras Que a Minha Mãe Me Contou" foram uma surpresa porque não estava à espera de encontrar nas paginas desta antologia um conto passado num outro Universo que o Martin também ajudou a criar: Wild Cards. Apesar de não estar publicado entre nós (espero que um dia isso venha a acontecer) já o conhecia este Universo por alto e tinha alguma curiosidade em saber mais sobre ele e este conto foi uma agradável maneira de começar.

E claro que ficou para o fim o ansiado e muito aguardado conto do George R. R. Martin intitulado "A Princesa e a Rainha ou Os Negros e os Verdes". Admito que apesar de gostar de conhecer sempre mais do Mundo que é Westeros este conto ficou um pouco aquém das minhas expectativas, não pelas informação revelado, mas pela maneira como o Martin escreveu o conto, que parece ter sido escrito por um meister, faltando-lhe algum "sal". Não está mau e tenho a certeza que satisfará os muitos leitores e fãs do Martin. Existe um outro ponto a rever em futuras reedições a existirem: o tradutor (e por inerência da revisora) traduziu o nome de um dos Sete deuses de Westeros mal, em vez de termos o Estranho temos o Forasteiro. Um erro de palmatoria por vários motivos e facilmente evitável.




Esta foi uma boa antologia com contos acima da media sem que exista um que eu possa afirmar que seja mau. Existem histórias para todos os gostos e em vários géneros . O único ponto negativo é alguns contos se afastarem do que o titulo promete, em especial  "Eu Sei Escolhê-las a Dedo" de Lawrence Block.

Resta esperar que segunda parte desta antologia chegue depressa.


Título - Mulheres Perigosas
Autores - Joe Abercrombie, Mega Abbott, Melinda M. Snodgrass, Carrie Vaughn, Lawrence Block, Brandon Sanderson, Sharon Kay Penman, Lev Grossman, Sam Sykes, Caroline Spector, George R. R. Martin
Colecção - Bang! n.º 272
Editora - Saída de Emergência
Tradutor - Rui Azeredo




quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Opinião - Selecção de Joel G. Gomes



Depois de ter lido a introdução a este universo que o Joel G. Gomes criou com "A Arca" eis que regresso para dar a minha opinião sobre a continuação e já não era sem tempo...

Neste segundo episódio começamos (quase) onde termina "A Arca". Vamos conhecer André Lopes, um inspector da Policia de Investigação Nacional (PIN), que é chamado ao que parece ser o local de um duplo homicídio: a casa de Valter Braz. Aqui o inspector André Lopes vai-se deparar com um cenário onde a "bota não bate com a perdigota". Vamos observar também a relação tensa com o técnico forense Santiago, um tipo que segue as regras todas ao contrario dele (pessoalmente acredito que Santiago ainda vai ter mais protagonismo, mas...). A tentativa de resolver o caso vai atira-lo para locais não cartografados e é melhor não dizer mais.

Gostei da historia e das tensões e pormenores com que o Joel "coloriu" a vida do André Lopes dando-lhe assim uma tridimensionalidade não só plausível, mas que também aproxima o leitor da personagem dando-lhe um vida tão comum como a nossa, cheia de problemas e de chatices, seja em casa ou no trabalho, mas também de bons momentos nas suas amizades e no facto de estar quase a ser pai. E ele atravessa uma fase difícil da sua vida, a sua esposa está no final da gravidez e anda com humor nada agradável. No trabalho as coisas também não andam bem, é um homem que tenta fugir da sombra do seu pai, o lendário Inspector Dinis Lopes que acabou em desgraça (embora não saibamos porquê) e tenta resolver um caso que parece impossível de resolver à luz de toda a lógica.

Esta é uma obra que deixa algumas "pontas soltas", como por exemplo quem é a D. Argentina (ou lá como se chama), mas estando a falar de um universo mais vasto, em que este é apenas o segundo tomo é apenas natural e deixa o leitor mais curioso sobre o que ai vem, pelo menos a mim deixou.

Este é mais um excelente episódio que vem reforçar a minha opinião de que o Joel é um grande autor e que a sua obra merece toda atenção.

Se ficaram curiosos podem e devem procurar este (e os outros episódios), por exemplo, nos seguintes links:



E claro sempre podem recorrer à pagina do autor para estar a par das novidades em Joel G. Gomes

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Opinião - The Dark Sea War Chronicles - Book 1 - Fighting the Silent de Bruno Martins Soares



O Bruno Martins Soares é actualmente (mais) conhecido pela sua Saga de Alex 9, mas o que é hoje um só livro publicado na colecção Bang! começou como uma trilogia na (extinta) colecção TEEN sob o pseudónimo de Martin S. Brau.  O Bruno regressa agora com um novo projecto em nome próprio, mas escrito em inglês: The Dark Sea War Chronicles - Book 1 - Fighting the Silent. O Mundo dá muitas voltas e nós com ele.

Neste livro de Ficção Científica (com um forte componente militaristas) vamos encontrar três civilizações: a Republica de Axx, o Reino de Torrance e a sua aliada Webbur. Axx declara guerra a Torrance, Webbor como sua aliada acaba por ser arrastada para o conflito. De um modo simplista é este o resumo deste livro. Pela voz e olhos de um soldado, o Tenente Byllard Iddo, um jovem de vinte e um anos (quando começa o livro) e que serve na ponte da toda poderosa Magnar, a nave  de comando da Segunda Frota de Webbor, vamos ficar a conhecer este Universo. É lá que ele, e nós os leitores vamos assistir em primeira mão ao poder mortífero das Silent Boats (Naves Silenciosas), naves (quase) invisíveis aos meios de detecção e que só se dá por elas quando já é tarde de mais. Depois deste mortífero ataque as coisas começa a mudar. Para ajudar Torrance naves da marinha mercante de Webbur participam em comboios que transportam bens e a Marinha coloca em cada uma um oficial júnior para ajudar. É assim que Iddo se vê a bordo da nave Harvy como primeiro oficial sob o comando da capitã Mirany “Mira” Cavo, filha do renomado almirante Vincenz Cavo.

Como será óbvio as coisas não correm propriamente bem. Apesar de cada comboio ser guardado por duas nave da Marinha, os comboios são frequentemente atacados pelas naves silenciosas e as perdas de vidas e naves são enormes. E o melhor é parar por aqui antes que conte o que não devo

Este foi um livro interessante em vários aspecto (no bom sentido). Ao contrario do que possam a primeira vista pensar neste livro existe mais do que guerra também existe paixão e amor, perda e tristeza. E é aqui que a escolha do Bruno, quando opta por nos contar a história na primeira pessoa, se revelava acertada. É pelos olhos do jovem Iddo que vamos sentir todas essa emoções e assim uma visão mais pessoal dos acontecimentos.

O Bruno é também um autor com uma habilidade para escrever as partes de acção e suspense, mantendo o leitor agarrado ao livro. E mesmo as partes em que é "obrigado" a escrever longas passagens para situar o leitor na história deste universo e nas suas particularidade ele navega essas águas como um velho lobo do espaço que já sabe onde estão todas as armadilhas, tornando interessante algo que nas mãos de outro autor menos talentoso seria aborrecido.

Este primeiro volume tem "apenas" cento e setenta e nove páginas, mas elas voa quando as estamos a ler e paradoxalmente parecem muito mais tal a densidade da leitura e tudo o que o Bruno conseguido lá colocar em tão poucas páginas. Talvez seja apenas o habito de ler livros com duas ou mesmo três vezes mais páginas quando o podiam fazer com muito menos e assim melhor a leitura, tal como o Bruno aqui fez.

Se tivesse de apontar um ponto negativo a este livro seria o facto de apenas estar disponível em inglês, o que vai privar todos os leitores portugueses que não lêem na língua de Shakespeare. Mas ao mesmo tempo o mundo vai poder conhecer um dos nossos grandes autores e que vai a caminho de voos mais altos e quem sabe se um dia  esta obra não vê a luz do dia no nosso bom e velho Português?

O Bruno criou aqui um cativante universo que ainda só agora começou a explorar e que já aqui tem um leitor ansioso pelo próximo volume.

Podem e devem procurar este livro na loja on-line Amazon neste link: The Dark Sea War Chronicles - Book 1 - Fighting the Silent de Bruno Martins Soares

terça-feira, 4 de julho de 2017

Opinião - Quem tudo vê de Ricardo Neves

Capa Renovada

Júlio é um tipo que, como se diz na gíria popular, não joga com o baralho todo. Um dia ao ver o telejornal apaixona-se, embora dizer que desenvolve uma obsessão estará mais correcto, por uma jornalista chamada Alice. A partir desse momento não perde pitada da sua carreia em ascensão. Grava todos os programas em que ela aparece (principalmente os blocos noticiários) e guarda tudo quanto sai na imprensa escrita. Ao mesmo tempo perde a namorada e a sua "paixão" por Alice fica mais forte. Os anos passam e a sua musa torna-se pivot do telejornal. Eis que Júlio começa a receber na sua caixa de correio electrónico vídeos perturbadores de pessoas a comer outras pessoas em praticas (quase) rituais. Ora o que é que isto tem a haver com a sua obsessão com Alice? Bem vão ter de ler até ao fim para saber.

Primeira Capa

É um conto de terror (e gore), em que o que o autor soube manter o suspense mesmo até ao fim. Achei o final interessante. Apesar de o terror não ser propriamente a minha praia, gostei do li.

Este conto pode ser encontrado no Smashwords no link: Quem tudo vê de Ricardo Neves