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segunda-feira, 10 de março de 2014

Divulgação - Livro sem Ninguém de Pedro Guilherme-Moreira



Depois de ter mostrado o que aconteceu e o que podia ter acontecido no Onze de Setembro de Dois Mil e Um no excelente livro "A Manhã do Mundo" o escritor Pedro Guilherme-Moreira está de regresso com um "Livro sem Ninguém". Pois é leram bem um livro sem ninguém e se à partida a ideia parece absurda a verdade é que a sinopse já me deixou bastante curioso (até porque o livro tem alguém, ou muitos alguém). Se tudo correr como planeado quinta-feira, dia treze de Março, vou adquirir a minha copia quando o seu autor o for apresentar ao Museu de Ovar (só para avisar que também lá irá estar o escritor Afonso Cruz).
Deixo a sinopse para ver ser se também a vós vos deixa curiosos.


Sinopse:
Na rua do arco-celeste há sete casas, cada uma de sua cor; e também um café, uma horta, um jardim, uma florista, uma sucata, um infantário e uma escola. Mas, embora lá vivam pessoas - que frequentam o café, trabalham na horta, lêem no jardim, compram flores para oferecer a quem amam, se desembaraçam dos seus podres ou jogam à bola no recreio -, esta história é contada apenas pelas coisas que lhes pertencem à medida que vão mudando de lugar, e por isso se diz que o livro é sem ninguém. E, ainda assim, durante este ano extraordinário, acontece de tudo na rua: há quem se apaixone e quem se separe, quem nasça, quem morra, quem mate e até quem, depois do trauma, consiga uma vida nova. Mas, como em todas as ruas, havemos de encontrar nesta preconceitos, dúvidas, alegrias, segredos e desgostos. Enquanto isso, o tempo vai passando sem darmos por ele, mas a montra da florista e o que se colhe ou semeia na horta nunca nos deixam perder do mês em que estamos.Num romance profundamente original, a um tempo cru e delicado, poético e realista, Pedro Guilherme-Moreira usa o microcosmos da rua para desenhar o retrato da sociedade contemporânea e abordar temas tão polémicos como a xenofobia, a violência doméstica, a repressão sexual ou o envelhecimento. E - miraculosamente - sem precisar de ninguém.


E se ficaram curiosos deixo as datas das próximas apresentações onde poderão conhecer um grande autor e uma pessoa muito simpática:

Dia 13 - Museu de Ovar, 21:30h, apresenta Afonso Cruz

Dia 15 - Fnac Gaiashopping, apesentam Miguel Miranda e Luis Miguel Rocha - e a alma do Marmelo, em nome dos escritores do Porto, e ainda Clarice Lispector (actuação de actriz do Grupo de Teatro Contra-regra. 18h)

Dia 21 - Coimbra, Bertrand Dolce Vita, 16:30h, em coordenação com a Escola e a Biblioteca Avelar Brotero

Dia 22 - FDUC Coimbra, 15:30h 

domingo, 10 de junho de 2012

Uma visita à Feira do Livro do Porto - 2012

Pelo segundo ano tive o prazer de visitar a Feira do Livro do Porto. Já no ano passado lá tinha estado, mas por "acidente", o mesmo será dizer que foi sem querer. Este ano também teve a sua historia. Estive para ir no dia 2 (Sábado) porque havia uma reunião do Forum Bang, mas o tempo estava "manhoso" e adiei a viagem. No dia 7 (Quinta-feira, mas feirado) estava lá o Pedro Ventura, autor dos livros "Goor" e com de quem eu gostava de ter uns autógrafos, mas o tempo estava na mesmo. Ainda estive para lá ir ontem dia 9 (Sábado), estiveram lá o Filipe Faria (Cronica de Allaryia), a Sandra Carvalho (A Saga das Pedra Mágicas) e o Rafael Loureiro (Trilogia Nocturnus), mas acontece que neste meio tempo o autor Pedro Guilherme-Moreira comentou o meu texto A Manhã do Mundo ou o Preconceito na Ficção Cientifica e eu sabendo que ele lá estaria hoje optei por lá ir hoje e falar em pessoa com ele. Ora a conversa não podia ter corrido melhor, muito simpático e conversador foi com prazer que falamos, e até se lembrava do meu nome, eu fico assim surpreendido porque sou uma desgraça com nomes. Foram "dois dedos" de conversa agradáveis que tiveram o bónus de autografo muito personalizado, e pelo qual eu lhe agradeço, mas ainda me apresentou à sua editora, nem mais nem menos que a Maria Rosário Pedreira, e mais "dois dedos" de conversa muito agradáveis também. Se sabia que ela lá iria estar tinha levado ou livro infantil, mas com uma excelente historia, para ela me o autografar. E claro abasteci-me de "alguns" livros...

Enfim uma tarde bem passada e que me deu ainda mais vontade de querer interagir com alguns dos nossos grandes escritores, e que dos que conheço pessoalmente só posso falar muito bem.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A Manhã do Mundo ou o Preconceito na Ficção Científica




O romance de Pedro Guilherme-Moreira, A Manhã do Mundo (Dom Quixote 2011), editado sob a asa protectora desse mito vivo da edição que é Maria do Rosário Pedreira, tem como cenário o atentado de 11 de Setembro de 2011 às Torres Gémeas. A sinopse na contra capa é esta:

No dia 12 de Setembro de 2001, Ayda encontrou-se com Teresa num café de Allentown e, com o jornal aberto sobre a mesa, foi implacável com os que tinham saltado das Torres Gémeas, chamando-lhes cobardes; mas não disse à amiga que, na verdade, o que sentia era outra coisa, uma grande frustração por o marido e o filho a terem abandonado e rumado a Nova Iorque num momento em que ela se recusava a tomar a medicação e lhes tornava a vida um Inferno - e de não ter coragem de fazer o que esses tinham feito. Entre os que saltaram, estavam Thea, Millard, Mark, Alice e Solomon - todos personagens fascinantes, com histórias de vida simultaneamente banais e extraordinárias -, que o acaso reuniu no 106.º piso da Torre Norte do World Trade Center naquela fatídica manhã. Se Ayda, por hipótese, conhecesse essas histórias e o drama que eles enfrentaram, decerto não os teria insultado tão levianamente. Mas poderá o destino dar-lhe uma oportunidade de rever a História? Este é um romance admirável sobre o medo e a coragem, o desespero e a lucidez, a culpa e a expiação; mas é também um livro sobre Einstein e os universos paralelos, sobre o que foi e o que podia não ter sido. No décimo aniversário do 11 de Setembro, a memória não basta, é preciso combater o esquecimento indo para junto dos heróis que viveram o horror e compreender cada um dos seus actos - se necessário, saltar com eles, conhecer aquela que foi a manhã do Mundo.

Não dei o meu tempo por perdido, pelo contrario, gostei da historia e da escrita do autor, mas houve e há uma questão que me tem provocado alguma celeuma desde que peguei no livro.
Muitas editoras tem adoptado colocar, por exemplo por cima ou por baixo do código de barras, o género em que se insere o livro, e assim é com este, mas ao invés de dizerem que pertencia ao Romance Histórico, Filosofia, Terror, etc, este foi só classificado como Literatura Lusófona. Esta classificação é uma redundância, pois é um livro escrito por um Português, e claro não se refere ao livro, mas sim ao autor e essa informação já nós tínhamos lido na badana, portanto tempo perdido. Compreendo que a editora, a Dom Quixote tive escolhido esta "classificação" pois não é conhecida no género em que este livro se insere: a Ficção Científica, sim este é um livro de Ficção Científico.
O que mais me "escandaliza" é o facto de em todas as entrevistas e criticas que li e vi ninguém ter mencionado frontalmente o facto de este ser um livro de Ficção Cientifica, isto quando pura e simplesmente ignoraram esse facto, o que é a maioria da vezes. Existem alguns apontamentos nesse sentido, mas nunca nada de concreto é dito. A critica da Rita Bonet na revista Os Meus Livros diz que o autor deveria ter explorado "a teoria dos Universos Paralelos" (nesta revista a critica foi "arquivada” em Romance), outros falam em historia alternativa e teoria das cordas. O único que vi falar em Ficção Cientifica foi um tal de Pedro Brás Marques e apenas para dizer que "não se trata de uma investida na temática da "História Alternativa", um sub-tema tão querido ao universo da ficção científica". Este senhor claramente nunca leu Ficção Científica. Ninguém, fossem jornalistas, críticos ou leitores foram capazes de dizer que este é um livro de Ficção Científica. Acho este facto triste, triste porque mostra que as pessoas ou não conhecem o suficiente do género da Ficção Científica para o reconhecerem ou então tem preconceito em dizer e classificar este livro, ou outro que esteja na mesma situação, como Ficção Científica. Tenho muitas duvidas que a senhora Maria do Rosário Pedreira não saiba reconhecer um livro de Ficção Científica quando lê um. Tenho pena que tenham classificado este livro como sendo um romance de Literatura Lusófona, apenas por razões de marketing e medo da reacção da pessoas que tem "nojo" da Ficção Científica. Assim essas pessoas "comeram" e ainda elogiaram o "chefe", se lhes tivessem dito o que era verdadeiramente, tinham largado o livro assim que vissem esse sinal de estigma que é pertencer à Ficção Científica. À imagem do que foi feito com o nosso Nobel, José Saramago, fica mal dizer que é Ficção Científica, é mais "chique" dizer que se trata de um "alegoria".
Algumas pessoas dirão que este livro fala das pessoas, dos seus problemas, de como se as circunstancias fossem diferentes também as suas decisões o seriam, e não de Ficção Cientifica com as suas naves espaciais e laseres, ao qual eu só posso responder que a ignorância é realmente muito, muito triste. Quem assim falar certamente que nunca leu as grandes obras que a Ficção Científica tem para oferecer. Mostrar-lhes ia, e para não sair das viagens no tempo e historia alternativa, pelo menos quatro livros que tem um estrutura muito similar à de "A Manha do Mundo".
Mostrava-lhes "A Segunda Manhã do Mundo" (Presença 2004) de Manuel de Pedrolo, onde depois de todo o planeta Terra ter sido destruidor, por extraterrestres(?), ainda que nada disto seja descrito, os sobreviventes Humanos praticamente se resume a uma rapariga de 14 anos e um rapaz de 9 anos, e do que eles tem de fazer para sobreviver, de como naquele novo mundo as suas decisões de outrora tem de ser revistas.
Mostrava-lhes "E Tudo o Tempo Levou" (Clássica 1992) de Ward Moore, onde nos é apresentado um mundo onde a Guerra Civil América foi ganha pelo Sul, somos levados a conhecer um mundo diferente e igual na mesma medida, mas que devido a um pequeno erro se transforma na nossa linha temporal.
Mostrava-lhes "Eis o Homem" (Saída de Emergência 2007) de Michael Moorcock onde um homem regressa ao tempo de Jesus Cristo, onde descobre que este é um atrasado mental, e não só, e ao invés de deixar que se crie uma nova linha temporal e aceita a cruz de se oferecer em sacrifício para que a historia que ele conheceu continue igual.
Três livros, e mais exemplos poderiam ter sido dados, que muito tem em comum com "A Manhã do Mundo" excepto claro o facto de uns terem assumido o que são e o outro não, escondendo-se de modo covarde e com a conivência de quase todos, sob o rotulo de Literatura Lusófona.
Entristece-me a falta de coragem quer do autor quer da editora em assumir o género da Ficção Cientifica, pois é um dos ricos que existe. Entristece-me que saber que amanha nada terá mudado.