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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

O Ano começa num Terrarium

Em termos literários dois mil e dezassete foi um ano igual a dois mil e dezasseis, ou seja, muita mas mesmo muita (e boa) Banda Desenhada. Mais de cento e vinte BD's lidas, o que dá mais de dez BD's por mês, o que também serve para mostrar o excelente momento que a Banda Desenhada vive em Portugal. Por alguma razão li muito poucos livros, mas pelo menos foram (quase) exclusivamente de autores portugueses e desses autores portugueses destacam-se Joel G. Gomes (e heterónimos), Pedro Cipriano, Bruno Martins Soares, Carlos Silva e Nuno Ferreira.

Como é apanágio desta altura do ano todos gostamos de fazer promessas. No meu caso será a de que irei ler (muitos) mais livros e claro publicar mais texto no blog. 

No que à leitura de livros e BD's diz respeito não me faltam boas razões e como podem ver pelas fotos abaixo as pilhas já estão bem compostas.






E pronto é esta a minha lista de desejos e livros para mim e para o blog. Agora resta começar a ler e não me deixar distrair o que não será tarefa fácil. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Uma Paixão em Comum

Visito feiras de antiguidades já lá vão alguns anos. Neste intervalo de tempo a minha assiduidade tem me valido a criação de laços de amizade com alguns dos seus comerciantes. Alguns deixaram de ser meros vendedores a quem apenas se pergunta o valor da "mercadoria" e com quem se regateia o preço e passaram a ser amigos, bem pelo menos tanto quanto os breves momentos que lá passo o permitem. Começamos a falar com eles, a perguntar se tem o livro A ou B, a colecção X e Z, um autor chamado Manel ou Zé, se não podem trazer mais livros de FC e assim eles começam a conhecer os nossos gostos e a tentar satisfazer-los. Bem sei que uma parte do que os move é o negócio, claro, afinal é assim que ganham parte ou todo do seu rendimento e manter os clientes satisfeitos faz parte da actividade. Mas existe outro lado, eles tal como eu e vocês são apaixonados por livros e isso nota-se nas conversas que tenho tido com alguns deste alfarrabistas itinerantes. E acabamos por trocar impressões sobre os livros que lemos, os que gostaríamos de ler e os que já nunca iremos ler. As vezes chego a ajudar a vender fazendo elogios a algum livro que está na mão de algum cliente indeciso. E eles por sua vezes acabam por me fazer um preços jeitosos nos que compro e as vezes até nos dizem com aquele ar de quem sabe que nos está a dar um doce: "Vá, escolhe lá mais um" e depois piscam-nos o olho. Estes momentos são algo que eu tenho vindo a acarinhar e a preservar como se fosse o mais raro dos livros.

Ora vem este texto a propósito de uma merecida homenagem a esse homens e mulheres que percorrem as feiras de antiguidades deste país e que tantas alegrias me tem dado, a mim, mas também a muitos outros, com pequenos tesouros à muito afastados dos escaparates das livrarias e que me tem permitido descobrir um passado muito mais rico do que aquilo que eu alguma vez poderia ter imaginado.

Ainda à pouco tempo um destes amigos alfarrabistas presenteou-me com um deste livros raros. Raro porque não só é antigo e difícil (quase impossível de encontrar), mas que ainda por cima estava autografado pelo autor, o que o torna numa verdadeira pérola. O livro é "Vieram do Infinito" de Eric Prince (1955) e ao contrario do que o nome possa sugerir o seu autor é 100% Português. Este livro é da Editorial Minerva e é o primeiro de uma colecção que simplesmente ficou por aqui.
Podia ter tentado vender-mo, e até ter pedido um bom preço por esta raridade, mas ao invés simplesmente deu-mo. Haverá quem diga que estava a pensar apenas no negócio, que ao dar-me este "rebuçado" me está a fidelizar, e talvez essas pessoas até tenha razão, mas eu prefiro acreditar que o fez porque ambos temos uma paixão em comum: os livros, e que ambos gostamos de partilhar esta nossa paixão com outros iguais a nós.  



segunda-feira, 4 de junho de 2012

Silêncio que se vai ler um Livro

Podemos, genericamente, dividir os leitores em dois grupos: os que gostam de ouvir musica enquanto lêem e os que preferem o silêncio, eu ,definitivamente, pertenço a este ultimo grupo. Não é que não consiga ler se houver barulho (com e sem aspas), mas o silêncio permite-me mergulhar no que leio com muito mais facilidade. Consigo ler com "ruído de fundo" a maioria do livros, embora existam alguns que são difíceis pelo nível de concentração que exigem, no meu caso são, por exemplo, os do José Saramago.  Claro que hoje em dia é muito difícil ler em total silêncio, muitos de nós lê nos transportes, no consultório, enquanto esperamos em alguma fila para isto ou para aquilo, enfim onde podemos e ao fim de algum tempo lá ganhamos uma espécie de imunidade. Mas sempre que posso, e consigo, aproveito para ler algumas páginas no mais absoluto silêncio e sonhar que estou ali ao lado do Herói a lutar e a sofrer, mas de repente lá vem um barulho que me trás de volta à Realidade, e olho à volta com um misto de surpresa e confusão e perguntado-me onde estou?

domingo, 20 de maio de 2012

Os últimos são os primeiros

Um dia irão olhar para os livros que tem lá por casa e pensar que ainda não leram este ou aquele. Vão lembrar-se que um amigo, ou blog da vossa confiança falava muito bem desses livros, e que por essa razão compraram-nos, mas que por alguma estranha razão nunca os chegaram a ler. Já não se lembram do porquê. Andavam a ler outro(?) ou terá sido  naquele período complicado no trabalho(?) em não tinha tempo nem para dizer ai, quanto mais para ler! Fosse qual fosse a razão a verdade é que não os leram e quando deram por isso já os tinham arrumado (onde arranjaram o espaço é outro mistério). E de repente a vontade dos ler começa a regressar, chegam até a estender a mão para ele, mas a novidade que trazem no saco, acabadinha de comprar, chama por vocês mais alto do que aquele livro, que já quase esquecido até aquele momento. O mais lógico seria pegar no livro mais antigo e começar a lê-lo, mas a capa reluzente e a resumo da contra-capa esta gravado a ferro e fogo na vossa mente e vocês tem de saber qual o fim que aquele principio tanto promete. E mais uma vez aquele(s) livro(s) ficam na estante à espera que uma nova oportunidade surja.
Mais cedo ou mais tarde e a uns mais que outros, isto acontece a todos nós, o dia em que os últimos são os primeiros.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Não gosto de ler


Existem muitas pessoas que não gostam de ler e evocam as mais variadas razões para tal. Uma das mais evocadas é o “trauma” das leituras obrigatorias na escola, de livros como “Os Maias” de Eça de Queiroz, ou “O Memorial do Convento” de José Saramago. Tenho alguma “simpatia” por esta razão, que advem de também eu não ter gostado de ler os livros que me “calharam na rifa” no meu tempo. “Os Maias” foram um suplicio e não passei do terceiro capitulo, tal a monotomia que o livro provocou em mim, mas depois de ler a sebenta, e os apontamentos gostei bastante da historia, achei muito “fixe”, como se dizia naqueles dias. O porquê de muito boa gente não gostar de ler estes livros obrigatorios, com e sem aspas, deve-se ao facto de muitas vezes faltar preparação. Uma boa parte de nós foi simplesmente lançado as feras, sem praticamente ter lido nada anteriormente. Quem lia regularmente? Muito poucos, pelo menos no meu tempo. Hoje, pela experiencia que tenho, a situação parece-me melhor. Os pais estão mais concientes e já incentivam a leitura e são mais participativos, nos meus dias uma das frases que eu mais ouvia era “Estudar é o teu trabalho”, e pronto, eramos os responsaveis por nós proprios, uns mais que outros claro.

Todo este passeio pela avenida da memoria a proposito de uma conversa com uma pessoa minha conhecida e a quem eu, inevitavelmente, perguntei se li e o quê. A resposta que me foi dada foi um despretencioso “Não gosto de ler”. Já ouvi esta resposta antes, e tenho a certeza que, infelizmente, a voltarei a ouvir, mas desta vez foi algo diferente, pela “simples” razão da pessoa em questão trabalhar no ensino pré-escolar e em breve pretender ingressar no ensino superior para obter mais qualificações no mesmo ramo, e ainda bem, claro.

O problema, sem aspas, é que estamos a falar de alguém que vai formar as proximas gerações no inicio da sua vida, numa fase crucial. Ora como é que se pode transmitir o gosto pela leitura quando se desconhece esse prazer? Como pode um professor (ou similar) despertar a paixão pela leitura se não lê?


P.S.: Apesar de começar por um exemplo concreto, não faltam outros iguais ou parecidos por esse Pais fora, infelizmente.