sexta-feira, 24 de maio de 2013

Feiras de Livros - O problema das datas



Começou ontem mais uma feira do livro de Lisboa, mas não é única por estes dias, ao mesmo tempo  irá decorrer a feira de Coimbra, que começa hoje e a de Aveiro que começa na próxima quinta-feira, dia trinta e aqui começa o problema das datas, embora eu gosto de utilizar a expressão estupidez das datas.



Desde que tomei atenção a esta questão das datas, e já lá vão alguns anos, que tem sido sempre assim, cidades como Aveiro, Braga, Coimbra, Lisboa e Porto atropelam-se e sobrepõem o inicio e fim das feiras, isto quando não coincidem quase na totalidade, e isto não pode ser bom para nenhuma das partes envolvidas. Os Leitores que não são de Lisboa ou Porto tem de se contentar com feiras bem mais pequenas, sem os descontos das feiras de Lisboa e Porto e quase desprovidas de autores e apresentações, passando ao lado de uma parte importante destes acontecimentos: um contacto ao "vivo e a cores" com os autores. Os autores ao terem de escolher entre o "mundo" de Lisboa ou uma "pequena" feira, como a de Aveiro, certamente que preferem a de Lisboa e compreende-se porquê, mais publico e claro mais possibilidade de vender livros com a tentação dos leitores indecisos levarem o livro autografado. Para as editoras deve ser um época de muito stress com as inúmeras solicitações que devem receber para "alimentar de repente" cinco ou seis feiras para logo de seguida receber os excedentes das mesmas. Para os livreiros também não deve ser nada fácil com alguns leitores (os que podem) a fugir para outras paragens mais apelativas, por exemplo quem vive em Aveiro está a um "pulinho" do Porto, e entre uma e outra a diferença é abismal.



Relembro que não estamos a falar de pequenas cidades, mas de Capitais de distrito, Cidades com C "grande" e que mereciam mais. Todos elas com universidades de renome e populações que não são de desprezar, quer as residentes quer as "flutuantes".

A feira de Lisboa e Porto, embora esta última infelizmente este ano por razões que não estão muito claras, não se irá realizar, são organizadas pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), as outras, por norma, são organizadas pelas respectivas Autarquias.

Portanto ao invés de termos um contínuo de feiras que se reforcem e renovem numa rotação similar as estações do Ano, temos uma descontinuidade com períodos de extrema aridez e outros de excesso de oferta.

A solução para estes "atropelos" das datas passaria por uma colaboração da APEL com as respectivas entidades organizadores das Feiras nestas Cidades, servindo por um lado como coordenadores ajudando por exemplo com datas e por outro de ponte entre as Editoras e as Livrarias locais ajudando a criar parcerias que servissem o interesse de todos. Todos ficariam a ganhar, os Leitores ganhavam melhores preços e um contacto mais próximo com os autores nas suas cidades, os autores não seriam obrigados a escolher e podiam promover o seu trabalho de um modo mais metódico, as editoras ganhariam quer pelas vendas, quer pelo facto de não existirem "picos", sendo mais previsível as mesmas.  



Felizmente já existem alguns sinais de mudança. O ano passado a cidade de Braga teve duas feiras. A primeira ocorreu em Abril, na habitual data, quase(?) sobrepondo o seu fim ao inicio de outra, mas alguém deve ter tido a mesma ideia que eu pois decidiram alterar a data para finais de Novembro, inicio de Dezembro. As razões evocadas são as que menciona acima, como se pode ler nestes comunicados aqui e aqui. Está nova data não coincide (que eu saiba) com outra feira, é antes do Natal, o que potencia as vendas. Tem o senão de ser numa altura de frio e chuva, mas o evento realizou-se num pavilhão e assim ao contrario das suas congéneres feitas ao ar livre com chuva ou sol estava protegida.

Espero que em breve comecem a seguir o exemplo de Braga e em vez de lutarem uma batalha que não podem ganhar, adaptem-se fazendo assim ganhar todos os intervenientes, desde os Editores, aos Leitores.