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segunda-feira, 11 de março de 2019

Opinião - Pecado da Carne de Carlos Silva




"Pecados da Carne" é o terceiro conto e é da lavra de um autor já conhecido por aqui: Carlos Silva.

Se os anteriores contos desta Antologia tinham no centro das suas tramas elementos claramente Cyberpunk, este não. Não quer isso dizer que seja despromovido desses elementos. Eles estão lá, mas são mais acessórios, mais como elementos decorativos que mesmo retirados não afectariam (muito) a história contada. Este aspecto não influencia a qualidade da história, mas coloca-la numa antologia cyberpunk já me parece algo questionável.

O conto em si é uma distopia que versa sobre um mundo onde uma doença devastou o mundo. Os governos caíram incapazes de fazer face à pandemia. No seu lugar emergiram grandes corporações com apólices de saúde que apenas os mais ricos podiam pagar, obviamente. Essas grandes corporações construiriam cidades assépticas. Como parte do controlo (muito) rigoroso que é feito a tudo, mas mesmo tudo, isso inclui analises aos esgotos. Ora isso irá revelar que algo não está bem nesta espécie de cidade estado. E o resto vão ter de ler porque não quero estragar a história.

O conto tem uma estrutura clássica com principio meio e fim. O Carlos não utiliza analepses ou outros "truques". O final é interessante, mas para quem anda por cá há já tempo suficiente não será propriamente uma surpresa.

Tirando a falta de mais elementos cyberpunk entrelaçados na narrativa principal é um conto limpo e directo que se lê muito bem embora sem surpreender.

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Proxy - Antologia Ciberpunk



Uma das razões para me ter juntado à iniciativa Leiturtugas (desde já o meu obrigado ao Jorge Candeias) é a de me obrigar a ler mais. Poderá parecer estranho, mas a verdade é que o mundo de hoje tem muitas distracções e o tempo não estica e muito menos anda para trás. E verdade seja dita tenho lido muito poucos livros no último par de anos.

E não só me obrigar-me a ler mais, mas ler mais em português e acima de tudo de autores portugueses. E se existe algo de que tenho orgulhado é de ter ajudado a divulgar bons autores portugueses que escrevem (principalmente) no nosso bom português. E espero continuar a descobri-los e a divulga-los.

Vai-me também obrigar a escrever sobre o que leio, algo que muitas vezes fica pelo caminho...

A verdade é que tenho as estantes (físicas e virtuais) cheias de muitos e bons livros de autores portugueses que se encaixam nas "exigências" da iniciativa Leiturtugas e assim, como se costuma dizer, une-se o útil ao agradável.

Assim chego a esta antologia da Editorial Divergência: Proxy que é a primeira experiência antológica de cyberpunk em Português. Lançada nos idos de Setembro de 2016, já assombrava as minhas estantes à demasiado tempo e que por razões que nunca conseguimos explicar completamente, não seria certamente por falta de vontade, foi ficando na estante a ganhar pó (como infelizmente outros)

Com edição do Anton Stark, um prefacio do sempre certeiro e caustico João Barreiros (e que nunca desilude) este será o meu objecto de atenção durante as próximas seis semanas. Com uma opinião por semana a sair à segunda-feira e começa já amanhã com "Deuses como nós" do Vitor Frazão. 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Opinião - Anjos de Carlos Silva



Começo por confessar que devia ter escrito esta opinião quando li o livro, facto que ocorreu pouco depois do seu lançamento, e como será óbvio alguns pormenores já foram, inevitavelmente, esquecidos e quanto a isso há pouco ou nada a fazer, mas ainda me lembro do suficiente. 

O que mais me agradou no livro foi o tom positivo da história. Sim temos coisas más acontecer, sim Portugal passou por algo muito mau, mas saiu mais forte, melhor. É este tom positivo que vejo muitas vezes faltar à grande maioria das histórias de Ficção Cientifica que leio. Na sua grande maioria são inerentemente negativas, quando não são frontalmente negras, apesar da vitória momentânea dos heróis (quando os há), mas aqui à uma luz que tudo ilumina e que lhe dá um tom optimista. É precisamente o que me atrai nas series de TV como "Star Trek" ou mais recentemente "The Orville". Fez-me lembra quando li "O Futuro à Janela" do Luís Filipe Silva. Ambos partilham esse sentimento de esperança num futuro melhor, contrariamente ao tom pessimista, para não ir mais longe, das histórias do "tio" João Barreiros. E para mim este livro vale por isso.

Gostei também da maneira como o Carlos Silva no leva até um futuro suficientemente próximo para ainda o reconhecermos hoje, onde vemos à nosso volta as sementes do ele extrapola e imagina como esse futuro irá ser. 

É um livro bem escrito, como não podia deixar de ser, com boas descrições dos momentos de acção, mas também dos momentos mais parados, num acertado equilíbrio.

Este livro é também mais do que parece, pois mais do que um romance de um novo autor foi também um novo capitulo na vida da editora Divergência pois foi o primeiro livro exclusivo de um só autor e o primeiro vencedor do Prémio Divergência, portanto um marco quer para a editora quer para o seu autor. E eu dou os meus parabéns a ambos por uma excelente trabalho.

Neste momento já sabemos que a Divergência segue de vento em popa e espero que o Carlos já esteja bem avançado com mais um romance se não melhor, pelo menos tão bom quanto este.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Opinião - Urbania de Carlos Silva


Urbania é um romance de Carlos Silva no género da Fantasia. O livro é constituído por vários "mosaicos" onde vamos conhecer um conjunto de personagens que formaram o painel completo que é a história. Não será exagero dizer que a personagem principal deste livro é Urbania, mas Urbania não é uma pessoa, mas uma cidade, uma cidade que se move e que todos os dias destrói um parte de si apenas para outra parte renascer qual Fénix das cinzas. É neste movimento perpétuo que vivem os seus habitantes e que por ele regem as suas vidas. No seu percurso por vezes Urbania cruza-se com as cidades estáticas (as nossas) e quando as condições são as correctas as pessoas de lá podem vir visitar a nossa cidade e vice-versa. É assim que se conhecem Hugo e Inês, juntos vão dar inicio a uma mudança em Urbania que poderá ser o seu fim. 

Esta foi uma história que me agradou bastante e muita da culpa deve-se a uma ampla "mitologia" que o autor criou e conjugou e que bem merecia ter sido mais explorada, ou então de outro livro para o fazer. Desde o Caçador de Sonhos passando pelo Povo das Brumas à ciência da semioticologia, todos estes elementos conjugam-se para criar um magnifico cenário e este é certamente o ponto mais forte deste livro. 

A história tem um começo algo confuso, muito por culpa da narrativa em "mosaico", aliás acho que o livro só ganharia se a narrativa fosse contínua, dar-lhe ia não só um outro ritmo como ao leitor uma outra percepção. Ao longo do livro a história é contada com o recurso ao ponto de vista de diferentes personagens e embora todas se cruzem de modo directo ou indirecto a verdade é que as mudanças "repentinas" podem deixar alguns leitores um pouco "zonzos". Para esta narrativa em "mosaico" resultar será preciso o autor "poli-la" melhor. 

O autor confundiu-me (bastante) ao falar de Lobos e "olhares Lupinos" e com outras expressões que dão a entender que estava perante lobisomens quando tal não é de todo o caso. O autor alcunha alguns personagens como Lobos, símbolos de mudança, mais tarde percebi as intenções do autor, mas o mal estava feito e a confusão instalada.

A Simbologia é um tema de fundo neste livro, mas é preciso que o leitor entenda do que se fala, se não a frustração levará a melhor. Neste aspecto devo dizer que o autor esteve bem, explicando os símbolos que utiliza, embora existam alguns pontos onde poderá melhorar, não deverá nunca assumir que o leitor sabe automaticamente o que quer dizer.

Outro aspecto a ter em atenção, e isto serve para todos os autor desse lado, é a revisão, ainda foram  alguns os erros com que me deparei, e se alguns podem ser explicados pela conversão do texto nos vários formatos em que está disponível a verdade é que isso não os explica a todos.

Em conclusão um bom livro que vale a pena, apesar dos pontos menos positivos que aponto, pelas muitas e boas ideias que explora.

Este livro pode ser encontrado no site do Smaswords neste link: Urbania de Carlos Silva.