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sábado, 1 de maio de 2021

30 Dias 30 Contos a ler em Português - Dia 1

 



Inicio hoje um desafio proposto pela Inês Montenegro, blogger e escritora, que consiste em partilhar durante 30 dias 30 contos de diferentes autores tendo em comum o facto de serem portugueses e escreverem em português e embora o tema seja livre eu irei concentrar-me em autores de Ficção Científica e Fantasia. A ordem em que irei publicar cada autor será aleatória tendo apenas por base a paridade entre homens e mulheres.


Para primeira entrada escolhi um autor que dispensa apresentações: Eça de Queirós. Mais conhecido por ser o autor dessa obra que muitos de nós não lemos na escola, "O Maias". Quem diria que um autor conhecido pelas suas obras realistas seria capaz de escrever um conto de Fantasia, mas assim foi com este "O Defunto". E foi uma história que me surpreendeu pela positiva e que adorei.

Se tal como eu, nunca conseguiram passar do terceiro capitulo de "Os Maias" e tiveram de recorrer á Sebenta ou aos apontamentos e resumos para se safarem nas aulas e teste deem um nova oportunidade ao Eça que não se irão arrepender.

Podem encontrar este conto totalmente gratuito, cortesia do Projecto Adamastor, neste link: O Defunto de Eça de Queirós.


#30dias30contos 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

As Luvas Brancas do Nobel da Literatura

Agora que o histerismo sobre quem seria o laureado com o prémio Nobel da Literatura 2013 terminou e quando o pó já começou a assentar (e nos dias que correm tal é cada vez mais rápido) é chegada a altura de fazer um pequeno exercício  sobre o significado da atribuição deste prémio.

O Nobel deste ano de 2013 foi atribuído à Canadiana Alice Munro. A sua carreira literária está assente nesse género narrativo tão desprezado nos nossos dias que é o conto. O comité do Nobel disse e passo a citar: The Nobel Prize in Literature 2013 was awarded to Alice Munto "master of the contemporary short story" (O Prémio Nobel da Literatura de 2013 foi atribuido a Alice Munro "mestre do conto contemporâneo").

Ora para mim isto foi uma bofetada de luva branca ao mundo editorial, onde cada vez mais para um livro ter sucesso tem de ter pelo menos mil paginas, quilo e meio e claro ser parte de pelo menos uma trilogia (embora se fizer parte de uma saga de pelo menos sete volumes será bem melhor, alias quantos mais melhor).

O Conto tem sido (muito) menosprezado. Muitos autores estreantes perdem bastante porque querem logo escrever o seu "calhamaço" esquecendo (ou nunca sabendo) que o conto é uma "escola" que muito ensina. 

Espero que a atribuição deste Prémio Nobel também sirva para chamar a atenção para estes factos.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O paradoxo paradoxal

Nunca, como agora lemos tanto, mas ao mesmo tempo nunca o que lemos foi tão conciso. A moda começou nos telemóveis com o advento das mensagens, as Short Messege Service (SMS) e o seu limite de 160 caracteres, e com o tempo foi evoluindo. Nos jornais e revistas, salvo raras excepções, os artigos são cada vez mais curtos e sintéticos, as pessoas querem as noticias como querem o café, curto e para levar que tempo é dinheiro.
As redes sociais, também não ajudam, estando o twitter à cabeça com o seu limite de 140 caracteres que até já serviram para escrever livros(?!). Os blogs também não escapam a esta tendência e os texto curtos são a regra. O (nosso) Nobel da Literatura, José Saramago chegou a dizer sobre o twiter: "Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau vamos descendo até ao grunhido".
Mas o que é uma regra sem uma excepção? Pois bem essa excepção pode ser encontrada na Literatura Fantástica.

Para os leitores de Literatura Fantástica  a regra são as sagas (intermináveis) e/ou o calhamaço. No inicio a Literatura Fantástica vivia (principalmente) do conto, os grandes escritores de outrora começaram as suas carreiras pelo conto, mas hoje em dia o conto quase que é desprezado. A revista Bang! é a única, profissional, no panorama nacional que vai publicando contos e vamos tendo algumas fanzines de carácter amador também.
Das três colecções dedicadas ao Fantástico em Portugal, a Via Láctea (Presença), já com mais de 100 titulo apenas tem um livro que se aproxima, "O Último Desejo" de Andrzej Sapkowski. A colecção 1001 Mundos (Asa) tem três, a recente antologia de ficção cientifica "Fantasporto" de vários autores e com a organização do Rogério Ribeiro, e duas antologias de autores nacionais, o excelente "As Atribulações de Jacques Bonhomme" de Telmo Marçal,  e claro "Se Acordar Antes de morrer" do grande João Barreiros. E por ultimo a colecção campeã, a Bang (Saída de Emergência), que entre as antologias subordinadas a um tema (cinco), e as dedicadas a um autor (cerca de 30, embora alguns possam ser discutíveis) já leva um bom avanço às suas concorrentes. Já sei o que muitos estarão a pensar neste momento, mas devo avisar que estes livros de contos muito raramente tem sucesso e/ou são alvo de reedições, muitas vezes apenas são editados por casmurrice de editores saudosos.

O conto é então umas das melhores formas de contar uma história, pois não se pode alongar, não se pode "distrair" com banalidades, tendo de se concentrar no que realmente importa, a história. Já as sagas muitas vezes ou se "perdem" ou vão dar a volta pelo caminho mais longo.
A saga e o calhamaço respondem à nossa "fome" de sabermos mais um pouco de mundos que nos encantaram, mas sem que tal seja sinonimo de algo novo, muitas vezes acaba por ser mais do mesmo. O conto é o essencial, nem mais nem menos, e é uma pena que o publico mais jovem não pareça saber o que anda a perder.

Deixo um link para o livro de contos vencedor do prémio Caminho Ficção Cientifica em 1991, "O Futuro à Janela" do Luís Filipe Silva e que na introdução, apropriadamente intitulada "A Importância do Conto" o seu autor defende o conto de uma maneira que eu apenas posso invejar. Leiam, não só a introdução, mas também os contos e saibam do que esta magnifica forma de contar uma historia é capaz.

O Futuro à Janela de Luís Filipe Silva

PS: Numa nota algo ironica, no dia em que escrevo estas palavras, o prémio Camões é atribuído a Dalton Trevisan, também conhecido como mestre do conto. Afinal talvez ainda exista esperança...