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sábado, 14 de março de 2015

Opinião - Revista Trasgo 5



Depois de uma ano e quatro números gratuitos, onde mostraram ao mundo o projecto que queriam desenvolver chega agora o quinto número que marca a fase seguinte no projecto Trasgo: a profissionalização. A revista deixa de ser gratuita e passa a ser paga para assim poderem remunerar todos os envolvidos pelo seu trabalho. Os preços variam conforme o local onde compram, se for na loja da Kobo (a única com o preço já em euros) o preço é de €2.03, se for na Amazon é de R$4.99 (cerca de €1.50), também podem comprar directamente ao Trasgo e até fazer uma assinatura anual, correspondente a quatro número custa R$18,00 (cerca de €5.50). A ideia de querer pagar aos envolvidos é nobre e eu concordo com ela, mas não são os primeiros a tenta-la e o problema é que no mercado brasileiro já existem algumas publicações do mesmo género, como a Somnium e a revista Bang Brasileira e ambas, são gratuitas, portanto quem irá pagar quando tem outras opções similares grátis? Um pergunta difícil, mas que tem de ser feita. Não conheço em detalhe o mercado brasileiro, mas do que conheço e se o mercado português servir de paralelo não posso dizer que esteja esperançoso. Apesar destas minhas reticencias o meu desejo é que o projecto triunfe nos moldes em que foi visionado, mas receio que a realidade não se coadune com os desejos dos homens. Pela minha parte aqui fica a minha ajuda em cativar alguns "clientes" com a minha opinião sobre o quinto número.


Contos:


Os Americanos Que Vieram do Céu de George dos Santos Pacheco - A ideia base deste conto, uma invasão extraterrestre, não é a mais original, mas gostei da tom geral que o autor deu à história. Achei que houveram algumas falhas de lógica aqui e ali e também no ritmo, mas nada que tivesse estragado o todo, pelo menos para mim.


O Preço da Cura de Roberta Spindler - Um conto curto com algumas ideias interessantes, mas que merecia ter sido melhor explorado e que no fim deixa a sensação de que é apenas o principio de algo maior.


O Prego de Batalha de A.Z. Cordenonsi - Ambientado num universo Steampunk este conto deve muito à opção de seu autor em o narrar recorrendo a vários pontos de vista. Sendo bem utilizada esta ferramenta narrativa consegue dar (muito) mais emoção a uma história, o que foi, definitivamente o caso. Apenas acho que faltou algo no final para ficar perfeito.


Um Convite Para o Jantar de Cláudio Villa - Um conto baseado numa lenda, mas mundano (sem fantasia) e também sem grande história que me despertasse a atenção. 


Isso É Tudo, Pessoal de Cesar Cardoso - Certamente que já viram um foto, seja de pessoas, animais ou objectos, feita de fotos mais pequenas. Ora é algo assim que temos neste conto que é formado por micro narrativas que nos dão uma imagem do que se passa neste universo onde a humanidade está no fim. Gostei da ideia, mas da execução já não posso dizer o mesmo, muito por culpa de um começo demasiado confuso  que irá desencorajar alguns leitores.


Canção Abissal de Priscila Barone - Um boa história de FC com um travo a contos de fadas, gostei.


Publicidade

Se nos números anteriores já se tinha visto alguma publicidade esta edição traz algumas novidades nesse campo com dois autores a publicitar os seus livros com a disponibilização dos prólogos dos mesmos. 

A Torre Acima do Véu (Prólogo) de Roberta Spindler - Um prólogo que me deixou muito curioso para o resto do livro, mas que, curiosamente (ou talvez não), também funciona bem como conto, um pouco ao contrario do outro conta que está nesta edição.


Le Chevalier e a Exposição Universal (Prólogo) de A. Z. Cordenonsi - Tal como o outro conto que o autor nesta edição também este livro se ambienta num universo Steampunk. Algumas ideias interessantes, mas só lendo mais (um pouco) para dizer melhor aferir a qualidade do mesmo.


Segue-se a habitual Galeria do artista Zakuro Aoyama e claro as entrevistas. Apenas destacaria a entrevista a George dos Santos Pacheco por partilhar comigo a opinião de que temos de começar criar uma Ficção Cientifica e Fantasia nossa, temos de deixar os nomes estrangeiros e os locais distantes e abraçar a nossa cultura como fonte de inspiração e o nosso "quintal" como palco das narrativas, enfim perder a vergonha da nossa identidade.


Reitero o meu desejo de que esta publicação prospere.

Podem encontrar a Revista Trasgo  neste link onde poderão encontrar os links para os vários locais onde ela se encontra disponível: TRASGO 05 – COMPRE O EBOOK

sábado, 15 de novembro de 2014

Opinião - Revista Trasgo 4




Editorial - Quem já leu a minha opinião sobre as outras revistas Trasgo já sabe a minha opinião sobre os editoriais sendo que este não é excepção. 


Contos:


Rendição do Serviço de Guarda de Gerson Lodi-Ribeiro - Depois de ter lido e adorado o conto "O Voo do Ranforrinco" na revista Somniom 108 foi com expectativas algo elevadas que parti para este conto, mas a verdade é que sai algo desiludido desta leitura. Uma boa parte do conto é basicamente o autor a enquadrar o leitor neste universo. E apesar de ser um universo que me interessou nem o final consegui salvar esta leitura.  


Vivo. Morto. X. de Érica Bombardi - Um conto bastante interessante, quer pela escrita e história, mas também por uma certa moral (se é que se pode dizer tal coisa) que não se vê muito na escrita nos dias que correm.


Isaac de Ademir Pascal - Mais um universo pós-apocalíptico, mas um de que gostei bastante. Gostei da inversão de papeis entra homem e máquina. O Homem passa de Deus criador a venerador e mais não posso dizer sem estragar a história.


Estive assombrando seus sonhos de Mary C. Muller - Um garoto chamado Filipe consegue ver e falar com mortos, tem um amigo vampiro e isto é apenas o começo de um conto bastante engraçado e leve para a temática que aborda. 


Arca dos Sonhos de Fred Oliveira - Uma nave multi-geracional que é uma lenda, pela sua missão o que leva a que muitos tentem destruí-la. O que o autor nos mostra é um desses momentos em que a nave é atacada. Com uma escrita fluída e (quase) poética descreve-nos como é que a nave e a sua tripulação reagem e é belo.  


No Labirinto de Jessica Borges - Um conto interessante sobre o destino e a nossa capacidade de o mudar, mas também sobre a nossa resistência ao apelo de algo que parece bem melhor. Gostei, embora o final tenha sido demasiado previsível, mas que outra coisa podia esperar de um conto de fadas? Com outro final deixaria certamente de o ser e perderia alguma da sua magia. 


Como é habitual depois dos contos somos presenteados com a galeria e autor da capa que desta vez é da autoria de Edmar Nunes de Almeida, que nos presentei com uns desenhos bastante bonitos (sim não sou lá muito bom a criticar arte, ou gosto ou não) e claro as entrevistas a todos os participantes desta edição.

Esta edição estreia um novo modelo em que incorpora publicidade, mas não foi intrusiva e portanto convivi bem com ela.

De ressalvar que esta é a ultima edição gratuita da revista Trasgo, a partir do próximo numero já será a pagar, embora para bloguer's ainda existe a possibilidade de poderem "ganhar" os próximos quatro números se e passo a citar: "publicarem 4 posts contado das 4 primeiras edições em seus blogues", tendo até ao final do presente mês de Novembro para tal, para saberem mais é ir aqui.


Podem descarregar a Revista Trasgo pela ultima vez gratuitamente em formato mobi, epub ou ir à loja Kobo.


sábado, 30 de agosto de 2014

Opinião - Somnium 109



Algo atrasado nas leituras, mas já começam a ficar em dia! 


Editorial - Copy paste dos outros editoriais da Somnium o que não é em si algo mau, mas não é o que eu procuro num editorial. Começa bem a falar da Ursula K. Le Guin, mas depois "descamba" no habitual índice comentado.


Contos:

Variável da Imponderabilidade de Tibor Moricz - Quando comecei a ler este conto tive uma sensação de déjà vu e a razão era a óbvia: já o tinha lido, especificamente na antologia Improbabilidades de Verão, uma publicação do e-zine literario (e blog) Infinitamente Improvável dirigido pelo Jorge Candeias, mas de volta ao conto. Trata-se de um conto ambientado num futuro distópico (?) onde as eleições são bastante diferentes (entre muitas outras coisas) e são decididas não pelo sufrágio universal. Quando não se ganha à primeira volta a segunda é decidida em combat e é o que vamos assistir, mas em jogo está muito mais do que a vitoria nas eleições. Foi um conto que me agradou, o autor soube dar a informação sem ser em imfodumps. Apenas o final me deixou algo "desapontado", demasiado limpo, mas nada de muito grave.

Projeto Mulah de Tróia XDII de B. B. Jenitez - Um conto interessante sobre o multiverso escrito (literalmente) na primeira pessoa. Nele B. B. Jenitez imagina alguns universos onde tudo foi diferente ou quase igual na sua vida.

Reprodutores de Frodo Oliveira - Um conto giro ou como se diz em Terras de Vera Cruz bacana. Num futuro onde devido a um vírus apenas alguns homens e mulheres são férteis estes são obrigados a tornar-se reprodutores. É na sua base uma historia de amor, mas também de rebelião. Tem um final interessante.

Finalidades e Destinos de Acervos Ocultos de Ricardo França - Um arqueólogo (no ano 2212) faz uma expedição a um escavação no fundo do mar ao que é suposto ser um edifício Sumério. Lá descobre um colar com certas "propriedades" e depois, bem depois a coisa fica demasiado confusa e só piora. O final é... bem um final.

Asas de Alexandre Lobão - Gostei da história base que serve de cenário acima de tudo pela sua plausibilidade e pela sua (aparente) inevitabilidade(mais dia menos dia). A policia tornou-se obsoleta devido às capacidades de uma Inteligência Artificial (IA) com o nome de DT-EYE que é mais rápida a resolver os casos e (aparentemente) infalível. A história começa nas "comemorações" do encerramento da esquadra e da reforma (compulsiva) dos policias. Martelli é um policia que não se conforma em ir para a reforma tão cedo e aleatoriamente vê um dos mais recentes casos que a IA resolveu em tempo recorde, um suicido, mas claro que as aparências enganam e é preciso os instintos de um humano para ver para lá do óbvio. Como eu disse gostei da historia base e achei a escrita do Alexandre Lobão competente sem ser exuberante, mas o que "estragou" tudo foi a falta de uma reviravolta (que esperei o conto todo e nunca veio) para compensar a total previsibilidade da história, o que é pena.

A Esfera de Ademir Pascale - Já não é a primeira vez que me deparo com este tipo de conto que mistura uma espécie de mito da criação do Universo com filosofias e um certo nível de religiosidade, mas a verdade é que ainda está para aparecer um conto nestes moldes bom e não apenas assim-assim (na melhor das hipóteses).

A Captura da Capitã Escarlate de Cláudio Villa - Uma história de Piratas, mas em terra, muito húmida é certo (ou como se escreve no Brasil úmida), mas ainda assim em terra (firme). Mais parecia um capitulo de um projecto maior com uma adenda no inicio para o leitor se situar.

A Chave do Conhecimento de Lúcio Manfredi - Um conto psicadélico e algo confuso. Percebe-se, ou pelo menos eu percebi, que o autor nos mostra uma espécie de viagem de descoberta do eu do personagem principal em forma de sonho, mas fica sempre travo de estranheza sem isto seja propriamente um elogio.


Prêmio Argos de Literatura Fantástica - O prémio Argos vai na sua 6ª edição (apesar de um interregno)  e mesmo sabendo que a colecção Portuguesa Argonauta tinha uma lugar de destaque no Brasil cada vez me vou apercebendo que ele é ainda maior do que eu pensava, porque não só o Clube de Leitores de Ficção Científica do Brasil (CLFC) foi fundado por leitores que se uniram precisamente por causa da colecção como o nome deste prémio é uma homenagem à mesma.

Homenagem:




Mulheres sabem escrever: como Ursula Le Guin transformou o papel feminino na literatura de gênero por Cláudia Fusco - Um texto bastante interessante sobre a obra de Ursula K. Le Guin, com especial incidência no livro "A Mão Esquerda das Trevas" (The Left Hand of Darkness). Apenas o achei demasiado "académico" na linguagem utilizada, não que isso tenha algo de mal, mas à que saber distinguir uma dissertação para mestrado de um ensaio numa revista de FC. 

Ursula Le Guin — Dados Biográficos por João Campos - Mais um Português, mais um João, mas desta vez o é Campos, do blog Viagem a Andrómeda que dá uma mãozinha com a bibliografia da autora. 


Resenhas e Reflexões:



A MÃO ESQUERDA DA ESCURIDÃO (Ursula Le Guin) - Verdade é uma questão de imaginação: devir, rizoma e A mão esquerda da escuridão por Luana Barossi - Mais uma espécie de "dissertação para mestrado", mais uma vez nada de mal, mas...





OS DESPOSSUÍDOS (Ursula Le Guin) — Os despossuídos, um dos clássicos da FC por Dario Andrade - Em Portugal este livro da Ursula K. Le Guin teve o título de "Os Despojados" e foi publicado na Europa-América na sua colecção de FC de bolso tendo sido divida em duas partes. Já tinha lido uma opinião do Luís Filipe Silva que me tinha despertado (e muito) a minha curiosidade para a leitura deste(s) livro(s), na altura ainda não o(s) tinha e apenas à pouco tempo é que consegui completar o par. Esta opinião/reflexão do Dario Andrade apenas aguçou a minha curiosidade.




FLORESTA É O NOME DO MUNDO (Ursula Le Guin) por Edgar Indalecio Smaniotto - Apesar de ter gostado da história deste livro, que foi publicado por cá e eu até tenho, não me parece que vá ter prioridade nas minhas leituras pelo menos para já.






DO OUTRO LADO DO SONHO (Ursula K. Le Guin) por Marcello Simão Branco - Quando comecei a ler a resenha reparei que já conhecia a historia: já o tinha lido, mas na sua última reencarnação (e com outro título): O Tormento dos Céus, editado pela Presença, teve outras duas e outros tantos nomes.


The truth is: you’ll never leave — Reflexão sobre o conto "THE ONES WHO WALK AWAY FROM OMELAS" de Ursula Le Guin por Luís Filipe Silva - Mais uma vez o Luís Filipe Silva deixa-me a salivar por uma história da Ursula K. Le Guin, neste caso um conto, mas conto colmatar esta falha em breve.




EXPULSOS DA TERRA (Ursula Le Guin) por Ricardo Guilherme dos Santos - Mais um história que me pareceu interessante e que tenho na estante, mas que não estará nos meus planos de leitura mais próximos.


Foi mais uma edição da Somnium que me deu um grande prazer ler. 


Podem descarregar a revista Somnium 109 aqui onde a vão encontrar nos formatos PDF, MOBI e claro EPUB é só escolher

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Opinião - Revista Trasgo 3 Extra - Quando Todos Viraram Filmes de Rodrigo van Kampen



Com a lançamento da revista Trasgo n.º3 o editor anunciou que quem subscrever-se a newsletter até ao final do mês de Agosto ganharia, como recompensa, um conto extra. Ora como será óbvio subscrevi e o conto lá veio na volta do correio. Lido e relido chega a altura do juízo!

O título do conto é Quando Todos Viraram Filmes e tem a particularidade de ser da autoria do editor da Trasgo: Rodrigo van Kampen. 
O cenário é o seguinte um dia as pessoas de todo o mundo começam a transformar-se em personagens de filmes, desde policiais a comédias passando por terror, romances, documentários e até mesmos desenhos animados e o personagem principal teve o azar de se transformar neste ultimo. Existe um tom cómico-trágico que percorrer todo o conto, nunca soube bem se havia de rir ou sentir pena dele. Parte deste sentimento é devido ao facto de ser o personagem principal a narrar a história, criando-se assim uma maior empatia ao invés de um impessoal narrador na terceira pessoa.
Quando li a história pela primeira vez pensei em como o conceito para o conto era completamente insano, mas ao continuar com a reflexão dei por mim a pensar: "isto é o Fantástico em todo o seu esplendor, uma historia totalmente maluca, mas que estranhamente (ou talvez não) resulta esplendidamente bem".  E esta é a verdade. Através de uma ideia tão louca Rodrigo van Kampen reflecte e faz os leitores reflectir sobre a discriminação, as aparências, o diferente. Apesar de me ter rido num momento ou outro o que me fica na memoria é a reflexão que ele me provocou.
É um magnifico conto e quanto mais reflicto mais estou convicto da sua  magnificência. Os meus parabéns ao seus autor que me deixou curioso quanto a resto da sua obra.

Como disse no inicio este conto só pode ser acedido se subscreverem a newsletter da revista Trasgo até ao final do mês de Agosto. Para tal é só ir aqui e colocar o vosso mail.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Opinião - Somnium 108


Tenho descuidado as leituras um pouco e assim já a Somnium 109 já saiu e eu ainda agora acabei de ler a 108, por "sorte" é um prazer ler esta revista.


Editorial - Um editorial bastante engraçado pela maneira como Ricardo Guilherme dos Santos o escreveu.

Capa por Marcelo Bighetti - O autor da Capa, Marcelo Bighetti, leva-nos passo a passo pela construção da capa desta edição da Somnium

Entrevista a André Vianco - Mais uma excelente entrevista dirigida por Clinton Davisson onde ficamos a conhecer um pouco melhor o autor André Vianco, o seu trabalho gostos e rotinas.


Contos:

O Voo do Ranforrinco de Gerson Lodi-Ribeiro - Tanto quanto me é dado a perceber Gerson Lodi-Ribeiro é uma espécie de Luís Filipes Silva lá do sitio e melhor elogio que este não poderia fazer. E neste "O Voo do Ranforrinco" percebe-me bem porquê. É um conto de FC onde o mistério é o segredo. Temos uma nave que regressa de Marte para a Terra, mas na Terra ninguém a reconhece. ou consegue comunicar com ela... No final o mistério é desfeito, mas o sentido de  maravilha continua. Gostei de o conto não ter terminado logo com a revelação sendo prolongado mais um pouco, mas sem que isso tenha tido um impacto negativo, muito pelo contrario.

As Coisas Que Nunca Acontecem de Miguel Carqueija - Um micro conto de FC, com muito romance, humor e um final de ficar sem ar...

O Estigma da Rosa de Georgette Silen - E se todos os acontecimentos religiosos afinal fossem algo bem diferente, nada devendo ao sobrenatural? É o que Georgette Silen explora neste conto bastante bom e bem escrito que me agradou muito.

A Sereia e o Pescador de Clinton Davisson - Este foi um conto que me deixou (e ainda deixa) com um sorriso nos lábios, ri-me a bom rir com o final. Engana o leitor habilmente e ainda bem.


Reflexão

A Leitura Faz o Leitor por Roberto de Sousa Causo - Apesar de ser um texto escrito em 1999 e adaptado para esta edição da Somnium, e portanto já com quinze anos não deixou de ser uma leitura (muito) interessante e actual. Gostei especialmente de ver explorada a ideia de que cada geração tem a sua colecção referencia, sendo que como não podia deixar de ser a colecção Argonauta foi o alvo da maior atenção, pelas razões óbvias.


Homenagem:



Clifford D. Simak por João Vagos - João Vagos é administrador de entre outros, dos blog's dedicados às colecções Argonauta, Nébula e FC Europa-América e neste texto percorre a vida e obra de Clifford D. Simak. Tenho de confessar a minha ignorância sobre este autor, mas este texto e as resenhas que se lhe seguiram despertaram-me a curiosidade portanto mesmo que o resto da revista fosse má, o que não de todo o caso, muito pelo contrario, já tinha valido a pena a sua leitura só por este simples facto: ter-me despertado a curiosidade para a obra de Clifford D. Simak.



Resenhas:

A Homenagem a Clifford D. Simak prossegue com três resenhas a outros tantos livros seus, por leitores/fãs seus e cada um à sua maneira consegui cativar o leitor deste lado a querer ler esses mesmos livros e quem sabe a prosseguir com a descoberta. Apenas a quarta é de outro autor, Philip E. High, mas igualmente presente da colecção Argonauta.





Estação de Trânsito por Ricardo Guilherme dos Santos - Ricardo Guilherme dos Santos leva-nos a passear pela história do livro "Estação de Trânsito" (com muitos spoilers) usando pequenas passagens do livro como se fossem marcos históricos dignos da mais profunda contemplação. Escusado será dizer que no fim fiquei com imensa vontade de ler este livro. 





Cidade por Antonio Borba - Usando e abusando dos Spoilers (também), António Borba leva-nos no entanto por outro caminho. Numa curiosa dualidade entre a ficção do livro e a reflexão sobre essa mesma ficção versus a nossa realidade num interessante texto que mais uma vez me deixou com bastante curiosidade de ler o livro. De notar que em Portugal este livro recebeu o título de "As Cidades Mortas".





Engenheiros Cósmicos por Sid Castro - Num depoimento pessoal (que é o sub-título desta resenha) e que podia ser a história de muitos de nós, Sid Castro conta-nos como conheceu a obra de Clifford D. Simak e como se apaixonou pela literatura de FC e grande impacto que este livro teve (e ainda tem) na sua vida.





Depois da Derrocada por Miguel Carqueija - Este livro foi escrito originalmente em 1967, mas a sua temática é bastante actual. Pela descrição do Miguel Carqueija pareceu-me um livro com uma temática interessante, mas algo confuso, só lendo para tirar as duvidas. É o único livro desta quatro resenhas que não é de Clifford D. Simak, mas que (inevitavelmente?) também faz parte da colecção Argonauta.


Foi mais uma grande edição da Somnium e que aconselho vivamente a sua leitura. Como disse no inicio as minhas leituras andam "atrasadas", mas já ando a recuperar o tempo perdido e já ando a ler a mais recente edição da Somnium, para breve a minha opinião dela.


Podem descarregar a revista Somnium 108 aqui onde a vão encontrar nos formatos PDF, MOBI e claro EPUB é só escolher.

domingo, 10 de agosto de 2014

Opinião - Revista Trasgo 3



E a revista Trasgo está de volta, embora eu tenha demorado mais tempo do que é habitual a começar lê-la, mas a culpa é só minha. Portanto sem mais demoras passemos ao que interessa. 


Editorial - Um Editorial, para mim, deve ser mais do que um mero desfilar do conteúdo de uma revista, acho que deve funcionar como reflexão, como chamada de atenção, por exemplo, para algum assunto importante, mas ignorado. Acho que o editor da Trasgo, Rodrigo van Kampen, deve começar a investir mais tempo nos seus editoriais, fica o conselho.

Contos:

O Empacotador de Memórias de Gael Rodrigues - Um conto com uma premissa bastante, um rapaz sofrer um trauma em criança, trauma esse que lhe vai "guiar" a vida até ao fim. Em certos momentos quase parece Ficção Científica, mas é a Fantasia que lhe assenta bastante bem. Foi (é) um conto interessante e assaz imaginativo e do qual gostei. 

Rosas Brancas de Roberto de Sousa Causo - Este conto de FC é o prologo de um projecto maior. Neste conto vamos conhecer o inicio de parte deste universo. Gostei da  premissa e da escrita e claro que fiquei curioso com o resto deste universo.

Feita de um sonho de Caroline Policarpo Veloso - Um sonho que se repete e que vai revelar um segredo antigo... Um conto que pega em todo o potencial dos mundos dos sonhos e os explora de moda bastante imaginativo. Gostei, mas achei curto.

Invasão de Claudio Parreira - Um conto completamente surreal, insano mesmo, mas igualmente extraordinário quer na premissa, quer na execução e com um final a condizer!

Viral de Tiago Cordeiro - Geralmente os Zombies (ou Zumbies como dizem os Brasileiros) tem a sua origem numa qualquer doença de origem desconhecida, mas não neste conto, aqui a sua origem está num emissão de radio. Estranho, mas garanto que o autor dará um explicação muito boa. A escrita do conto é "fragmentada", mas resulta lindamente e o final é bastante bom. Enfim gostei bastante.

O Vento do Oeste de Liége Báccaro Toledo - É de longe o mais longo conto desta revista. Nele vamos encontrar um universo Fantástico inspirado nos exóticos mundos dos muçulmanos e nas suas 1001 Noites. Foi um conto interessante, com um mundo bem construído e bem escrito. O final é muito bom e ficamos a pensar que mais aventuras se puderam ter passado naqueles desertos.


Terminados os contos somos presenteados, como habitual, com a Galeria da ilustradora Kelly Santos (autora  da capa deste edição da Trasgo) e de mais algumas ilustrações e a entrevista da praxe a todos os autores que participaram desta edição.

Indo já no seu terceiro número acho que chegou a altura de fazer algumas criticas construtivas ao ordenamento da revista. A colocação dos contos a um lado e as entrevistas no outro não me está a agradar muito, gostava de ver as entrevistas antecedidas dos contos (apesar de lá estar o link para a mesma no final do conto).  A Galeria podia ficar logo ao inicio ou no final.

Espero ajudar a Trasgo a tornar-se um revista ainda melhor com este singelos conselhos.


Podem descarregar a Revista Trasgo nos formatos epub e mobi

domingo, 3 de agosto de 2014

Opinião - Revista Bang! n.º16



Mais uma revista Bang! chegou!!!

Capa - Rompendo a politica até agora seguida de ter como capa uma ilustração original esta edição faz da capa de "O Império Final" de Brandon Sanderson também a sua. Apesar de perceber o porquê desta decisão gostava de ter visto uma ilustração original.

Editorial - Eu e a Safaa Dib temos muitas vezes diferendos de opinião, mas os seus editoriais tem sido algo que me me tem dado bastante prazer ler, este não foi propriamente a excepção, gostei da primeira parte, mas achei a segunda parte algo dispersa (embora tenha percebido onde queria chegar). Acho que faltava algo a ligar as duas partes.

Ilustrador Convidado - Ricardo Coimbra foi o autor da capa desta revista Bang! e pela amostra parece-me ser bastante talentoso, mas e mais uma vez tinha preferido uma ilustração original como por exemplo a que lá aparece com o titulo de "L'Homme runne".

Resumo das novidades - Estes resumos vem sempre acompanhados de uma opinião (à falta de um termo melhor) do editor Luís Corte-Real sobre o mercado editorial (e que muitas vezes dão azo a diferendos de interpretação entre mim e a Safaa). Este texto foi bastante esclarecedor e vem confirmar uma "revelação" que o João Barreiros fez à uns anos e que transcrevo:


O misterioso editor que proferiu estas palavras terá sido o Luís Corte-Real? Fica a questão.

Quanto às novidades parecem-me poucas para uma editora que se assume como a editora do Fantástico. Sobre a qualidade (ou falta dela) não me posso pronunciar visto não conhecer.

Sonar Literário - Um texto e um tema bastante interessante que o Eric Novello abordou e que me agradou muito.

Metais Pesados - Vou ser sincero acho que a participação do Fernando Ribeiro já não trás nada de novo seja nos temas seja na perspectivas. Sei que novos colaboradores não nascem nas árvores, mas este já passou a sua validade.

Sheridan Le Fanu - No Ano do Bicentenário - António Monteiro dá-nos a conhecer um daqueles autores tão importantes quanto desconhecidos. Espero que tenha despertado a atenção não só dos leitores como dos editores.

O Regresso do Transperceneige - Em mais um magnifico artigo da autoria do Mestre João Lameiras ficamos a conhecer mais uma Banda Desenhada (muito) interessante, mas que infelizmente não está publicada por cá e que dificilmente estará.

Feitiços e Terrores - Com a recente publicação de "Cultos Inomináveis" de Robert E. Howard nada como recordar a vida e obra deste grande autor e que bem merece ser publicado e lido, em (mais) um interessante artigo do António Monteiro.

O Regresso a Westeros - Safaa Dib mostra-nos a importância das aventuras de Dunk e Egg (que se passam 100 anos antes de do inicio da Guerra de Tronos) e as interligações de ambas as historias. Tudo isto a propósito do mais recente lançamento "Historias dos Sete Reinos".

As Agruras da Colecção Argonauta - Parte 2 - A segunda e ultima parte deu magnifico exercício não só de memória, mas também de analise desse mítica colecção que foi e é a Argonauta pelo Luís Filipe Silva. Gostava de ver mais artigos destes na revista Bang!

Visões da Utopia - Um artigo bastante interessante em especial pela sua parte histórica.

Brandon Sanderson - Este autor e a sua Saga "Mistborn - Nascida nas Brumas" do qual "O Império Final" é o primeiro volume, são a mais recente aposta da Saída de Emergência e diga desde já uma aposta que a editora pretende ganhar, dai o muito marketing que tem sido feito à volta deste autor/livros, sendo que neste revista muitas paginas lhe são dedicadas indirecta ou directamente. Nas dezasseis (16) paginas que falam directamente do autor/livro temos um pouco de tudo desde um tour pelo mundo criado, as suas características e personagem, passando por uma entrevista a Brandon Sanderson, e o making of da capa de "O Império Final". Nota-se que é uma aposta em que a editora entrou com "tudo" e eu espero que dê resultado e pelas primeiras opiniões parece-me que já começou a agradar a muitos leitores.

Prémio Bang! 2014 - Com o Prémio Bang a acabar (alias já terminou) "mostra-se" quem são os Juízes e faz-se (fez-se) um ultimo apelo.

As Cidades na Ficção Científica - Episódio 3 - Estes artigos da autoria do João Rosmaninho foram definitivamente uma aposta ganha e espero que sejam e estejam para continuar.

Ficção


Enciclopédia da Estória Universal de Afonso Cruz - Uma presença já habitual nas paginas de revista Bang e que é sempre um prazer ler.

Pensando no Relógio de Rui Rodrigues Alves - Quando acabei de ler este conto fiquei com a sensação que tinha acabado de ler não um conto, mas uma espécie de resumo de algo maior. O potencial e as ideias parecem lá estar, mas ainda vai ter de treinar muito até escrever algo bom. Espero que o Rui continua a trabalhar para um dia nos presentear com um conto, novela, romance, etc, de excelência.

Abiogenesis de Pedro G. P. Martins - Já tinha lido os dois trabalhos que o Pedro Martins tem à disposição no Smashwords portanto foi sem surpresas que mais um vez me vi presenteado com a qualidade deste autor neste conto. 

Imersão de Aliette de Bodard - Bem não à toa que este conto venceu os prémios Locus e Nébula e acho que mais não será preciso dizer.
Não deixo passar a oportunidade de agradecer os esforço da revista Bang! em nos presentear com o que de bom se faz lá fora agora.

A Guerra dos Pombos de Estevão Ribeiro - O melhor elogio que posso fazer a esta BD (ou HQ como se diz na outra margem do Atlantico) é que me ri bastante e mal posso esperar pela continuação.


E assim foi mais uma excelente revista que continua a primar pela qualidade e que eu espero seja para continuar durante muito tempo.

Neste intervalo de tempo a revista Bang! já está disponível em formato PDF, mas devido à manutenção do site da Saída de Emergência não me é possível deixar o link para quem queira descarregar a mesma. 

domingo, 30 de março de 2014

Opinião – Revista Trasgo 2



E a revista Trasgo está de regresso.

Editorial - Além do habitual desfilar do conteúdo da revista ficamos a saber que a revista irá ser gratuita até ao número quatro.


Contos:

Rosas de Ana Lúcia Merege – Um casal que já passou a idade da propagação da espécie vive uma vida de rotinas. Ele é um professor e está fora de segunda a sexta e ela vive em casa e cuida das suas preciosas rosas. Gostei do conto, embora quase ao início tivesse vislumbrado o fio condutor da história e que lhe dita o inevitável fim, mas isto não lhe tira o mérito de ser uma boa história.

Cinco Bilhões de Victor Oliveira de Faria – Um Sol vermelho está morrer e é preciso salva-lo, mas algo está errado…
Um conto com uma premissa interessante, mas que falha quer na estrutura narrativa quer nos factos científicos apresentados.
A estrutura narrativa é desequilibrada com a “reviravolta” a acontecer demasiado cedo e com uma segunda parte que é um enorme infodump. Rescrevendo o conto, alongando certas partes e intercalando a acção que decorre no longínquo futuro como que se passa no futuro próximo faria maravilhas.
Os factos científicos também mereciam mais atenção para, e utilizando uma expressão brasileira, não dizer bobagem. Por exemplo o Sol só se vai transformar em gigante vermelha daqui a cinco mil milhões de anos (ou como dizem no Brasil cinco biliões de anos) o que contradiz o que vem no conto em que se diz que o Sol, já vermelho, vai morrer na altura em na realidade vai passar a gigante vermelho. Existem mais alguns erros destes, que não interferem com a leitura, mas que exigem pouca procura, eu em cinco minutos na Wikipedia soube logo os detalhes todos e contribuiriam para uma história mais real, não só para os que percebem do assunto como para os outros que aprendem algo.

Hamlet: Weird Pop de Jim Anotsu – Uma jovem encenadora chamada Viola está quase a estrear uma peça de William Shakespeare, “Hamlet”. O problema é que Shakespeare não gostou da versão e do além intima Viola a cancelar a peça sob pena de morte. Quem entrega estas devastadoras notícias é o duende Puck, não só um personagem de Shakespeare, mas aqui também advogado. Este conto está particularmente engraçado e bem escrito. Não só a historia e a narrativa são muito boas como também apreciei a perspicácia com que o autor critica a morosidade da Justiça (algo que me parece que Portugal e o Brasil partilham), mas também outros assuntos, mas mais não digo porque não quero estragar a leitura a ninguém.

Código Fonte de George Amaral – A Juventude Eterna é o tema deste conto de FC do qual gostei bastante, mas sobre o qual é difícil escrever sem estragar a leitura, basta dizer que nada é o que parece...

A Maldição das Borboletas Negras de Albarus Andreos – Embora tenha apanhado o essencial deste conto (acho eu), o facto de ter sido escrito num linguagem com “sotaque cerrado”, quer nas expressões, quer no modo como foi escrito, quer ainda pela utilização de alguma mitologia Brasileira (e apesar de eu ter visto “O Sitio do Pica-pau Amarelo) fez com que eu, um Português, não tenha conseguido aprecia-lo devidamente.

O Homem Atômico de Cristina Lasaitis – Um velho mendigo percorre as praças e esquinas de S. Paulo dizendo que é um físico que trabalhou num programa secreto do presidente Médici, mas como mendigo ninguém lhe liga, pelo menos ao início. A sua presença, mas principalmente a sua oratória vão tornando-se casa vez mais apreciados e a sua história também... Um magnífico conto que quer pela sua história, quer pela sua narrativa e claro pelo seu final que eu apreciei muito.

Tal como a edição anterior edição também neste edição temos um entrevista e mostra do trabalho do autor da capa, Alex Leão e claro as entrevista aos autores dos contos que participaram nesta edição da Trasgo.


Podem descarregar a Revista Trasgo nos formatos epub e mobi.



terça-feira, 25 de março de 2014

Opinião - Revista Trasgo 1



A Trasgo é uma revista digital (Brasileira) de Ficção Cientifica e Fantasia que pretende, e citando o editorial:

…preencher a lacuna deixada por uma série de revistas de contos que popularam o imaginário da ficção científica brasileira nas décadas de 70 e 80.

Sem mais demoras passo à opinião do editorial e respectivos contos.


Editorial – Como não podia deixar de neste primeiro número o editorial expressa as suas intenções sempre numa nota de esperança para que o futuro lhe sorria e eu espero que sim.

Contos:

Ventania de Hális Alves – Um conto pós-apocalíptico, supostamente ao estilo “Mad Max”, e inserido no subgénero do Dieselpunk, com a acção a passar-se no Nordeste do Brasil. Sinceramente não gostei, não percebi bem onde estava a parte do Dieselpunk, e se tivesse de o enquadrar num subgénero seria Eólicapunk ou Ventopunk (à vossa escolha). A parte do “Mad Max” também me pareceu algo forçada, visto os três filmes serem maioritariamente “on the road” (na estrada) e a acção deste conto se passar no edifício que dá nome ao conto. Também a escrita não me convenceu. O autor passou a primeira parte com descrições desnecessárias, como por exemplo escrever o modelo das armas e o modelo e cor de uma mota (mais que uma vez) e o final.. bem nem o entendi de tão .

Azul de Karen Alvares - Uma história em tons de azul, aliás em tons de azul-escuro. É uma história sobre uma maldição, azul como não podia deixar de ser. Um conto “giro” que apesar de alguma imaginação não me pareceu assim tão especial.

Náufrago de Marcelo Porto – Um ferryboat que faz a travessia de uma foz avaria e fica à deriva. Uma tempestade forma-se e arrasta o ferryboat, mas o que parecia ser uma estranha tempestade é na realidade um portal temporal que transporta o barco quinhentos anos para trás onde se vão deparar com a chegada de uma caravela Portuguesa que os ataca logo. Um conto com muita acção e História e do qual gostei, principalmente pela reviravolta final embora tenha ficado no ar (pelo menos) uma pergunta sem resposta...

Gente é tão bom de Cláudia Dugim – Uma mulher na fase da menstruação e com um humor capaz de afastar leões e um acidente industrial numa indústria de galinhas. Estranho é a primeira palavra que me vem à mente para descrever este conto, estranho mas bom. Isso e não ter “papas na língua” que utiliza e ainda bem, digo eu. Gostei bastante.

A Torre e o Dragão de Melissa de Sá – Uma contos de fadas, com uma princesa presa numa torre e príncipes que tenta salva-la. Gostei deste conto e da reviravolta final, embora já tivesse “adivinhado” a reviravolta.


Segue-se uma entrevista e a apresentação dos trabalhos gráficos de Filipe Pagliuso, autor da capa. E claro uma entrevista a todos os autores presentes nesta edição. Apenas gostaria de destacar a entrevista a Marcelo Porto que se diz fã de FC, mas que ainda está “descobrindo os clássicos do gênero como Asimov e Ray Bradbury”, algo que eu não deixei de considerar algo caricato.


Em jeito de conclusão achei esta nova publicação interessante, pese embora ter achado o primeiro conto bastante fraquinho em relação ao resto. Espero que seja uma publicação para continuar.


Podem descarregar a Revista Trasgo nos formatos Epub e Mobi. 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Opinião - Revista Bang N.º 14



Acompanho a revista Bang desde o número zero, o mesmo será dizer do inicio e apesar de (muito) apreciar ler os contos que a revista tem publicado o que (mais) me tem levado a procura-la e a ler de fio a pavio cada número desta revista é a minha curiosidade em saber mais das historias por detrás das historias. Esta décima quarta edição não foi excepção em todos os sentidos, mas vamos por partes.  

Os editoriais tem sido uma parte importante de todas as edições e o texto da Safaa Dib mostra, mais uma vez, o porquê da importância destes textos e foi com um misto de agrado e preocupação que li um texto "carregado" de premonições e que mostra mais uma vez como a FC pode ser importante por mostrar o que ai vem (e o que pode correr mal), e apelando à esperança num futuro melhor.  

A apresentação das novidades da Saída de Emergência que estão a chegar (ou já chegaram) esteve mais uma vez a cargo do editor Luís Corte Real. Os textos que ele tem vindo a escrever são, na minha opinião, um bom "barómetro" do que se passa no mundo editorial e mais uma vez isso está reflectido nas suas palavras  de aviso sobre um futuro editorial não direi sombrio, mas menos luminoso do que seria expectável.

Passamos para mais um texto do David Soares sobre a história do Fantástico, recordando-nos episódios da Historia e a diferença entre a Fantasia e a Fatrasia.

Seguimos para um texto do Fernando Ribeiro que cruza a sua vida pessoal e da sua banda para nos levar a conhecer mais um pouco do mundo do rock "pesado".

Segue-se mais uma amostra do que é capaz a prodigiosa imaginação do autor Afonso Cruz na sua Enciclopédia da Estória Universal.

Depois vamos conhecer as varias facetas da Branca de Neve onde nos é mostrado que quem pensa que esta personagem começa e acaba no famoso filme da Disney está muito enganado, num texto assinada pela Inês Botelho.

Seguimos para o texto de António Monteiro que nos dá a conhecer a autora Susan Hill e a sua obra "The Woman in Black" e as adaptações que esta teve desde a sua publicação em  1983.

João Rosmaninho dá nos a conhecer o primeiro episódio de "As Cidades na Ficção Científica" do qual ficarei "aguçadamente" à espera dos próximos episódios.

Na habitual rubrica sobre BD João Lameiras evoca o falecido, mas pior que isso desconhecido Sérgio Toppi.

Pela mãos do João Monteiro chega-nos "A Invasão dos Ladrões de Corpos" sobre bandas de musica que e como estas desbravaram os novos terrenos da imaginação musical.

"A Fantasia e a Ficção Científica na Era da Interactividade" é um texto de João Campos que nos mostra que nem só de bons gráficos e jogabilidade vivem os Videojogos, e que as historias podem ser tão ou mais importantes.

Segue-se um texto da Safaa Dib onde vamos tentar descobrir o porquê do sucesso da saga Dragonlance.

E heis que chegamos ao muito aguardado regresso da Távola Redonda onde desta vez se sentam à volta da mesa Nuno Duarte, João Leitão e Filipe Homem Fonseca para discutir e partilhar esse obscuro mundo de quem é argumentista em Portugal num texto de Safaa Dib.

Chegamos então aquele que está a ganhar uma presença regular e merecida na Bang, a BD Arquivo Morto da dupla Gilmar Fraga e Paulo Stenzel que mais uma vez só merece elogios pela imaginação com que nos tem presentado.

Passamos à secção de critica literária preenchida em exclusivo por literatura que ainda não chegou a terras Lusas, e muito dificilmente chegará (infelizmente) e que é assinados pelo colosso João Barreiros e Safaa Dib

De seguida "A Bang recomenda" com uma novidade traduzida: "A Lenda do Vento" de Stephen King, um filme "The Inocents" que aparentemente nunca chegou a Portugal, e uma BD Fables de Bill Willinghan que teve por cá a publicação do primeiro volume pela editora Devir, mas tal nem merecer menção, algo que eu estranho e repudio.

E este décimo quarto número finaliza com a habitual Sugestão Fnac deste vez "Batalha" de David Soares num opinião de Filipe Martins e a noticia dos Prémios Adamastor do Fantástico promovidos pela equipa do blog Trëma.

Como devem ter reparado deixei de fora os contos publicados pois quero emitir uma opinião mais completa e que devem ser publicados por aqui nos próximos dias portanto estejam atentos.

Para finalizar resta dizer que foi mais uma excelente publicação que muito prazer me deu ler e que me saciou a curiosidade por breves momentos. Deixo apenas o reparo já conhecido de que esta revista apenas peca por (quase) nunca sair a horas, talvez a chamada plataforma online da Bang, que deve estrear em breve, ajude a colmatar o tempo que passa entre cada publicação.

Ficam os meus desejos que a revista Bang continue por muito tempo e sempre com a qualidade demonstrada até hoje.

PS: Notei que fui vitima da Printer Portuguesa, pois a impressão, gralhas incluídas como diz na ficha técnica, parece ser da sua responsabilidade e ao invés de dizer simplesmente O Senhor Luvas, alguém achou que seria melhor se o meu Blog se chamasse O Senhor das Luvas (como se eu tivesse uma loja das ditas), pessoalmente acho que está bem exactamente assim, mas longe de mim querer discutir gostos.

domingo, 12 de maio de 2013

Revista Bang n.º 14 - mais uma razão


A revista Bang já chegou e este décimo quarto número para lá das habituais razões de qualidade que me levam a "peregrinar" até a FNAC mais próxima assim que possível teve desta vez uma razão adicional: tenho uma pequena opinião publicada na secção de Bloggers. O convite foi feito pela Safaa Dib (assistente editorial da Editora Saída de Emergência) e foi um pequeno grande desafio. Em primeiro lugar pela surpresa do convite de que não estava à espera, pensa-se nisso, sonha-se com isso, mas a verdade é que quando acontece não se está preparado. Depois foi a escolha do livro, quis escolher um do qual ainda não se tivesse falado, um que representasse bem os géneros onde a revista se insere, mas que não quis ir buscar os "suspeitos do costume" e depois de algumas voltas as minhas estantes (que felizmente estão moderadamente bem compostas) os meus olhos acabaram por "cair" no livro "A Manhã do Mundo" do Pedro Guilherme-Moreira" e do qual já aqui falei ao de leve. 


As razões que me levaram à escolha deste livro são simples. É de um autor Português, é de Ficção Científica, tem (muita) qualidade, devido à sua classificação pode ter "escapado" ao apreciadores do género e tinha prometido ao autor uma opinião no blogue (que não está esquecida), resumindo mostrar e recordar um excelente livro.

O desafio seguinte foi escrever a opinião em meia dúzia de dias e com o limite de cento e cinquenta palavras e para "ajudar" calhou mesmo na semana em que estava a escrever as opiniões aos trabalhos do Manuel Alves. Foi um desafio e tanto, pois sabia o que queria dizer, mas a limitação de palavras fez com que tivesse de escrever e rescrever, de resumir resumos (eu sei!), e mesmo assim parecia-me que o que escrevia não servia. Então já com o prazo a tocar as ultimas badaladas coloquei os auscultadores e coloquei a minha inspiração a tocar: Queen Live at Wembley (1986) - The Magic Tour. E durante as cerca de duas horas que dura o concerto eu moldei o texto que podem ler na página setenta e oito da revista Bang n.º 14. 

Espero que as minha palavras vos levem a considerar este livro para leitura, pois bem merece.

Não sei se está foi uma vez sem exemplo, espero que não e que volte a ser (como diz na ficha técnica)  um "colaborador explorado" em futuras edições, pois é um prazer vermos o nosso nome em algo que admiramos, não pela fama que isso possa trazer, pelo menos no meu caso, mas pelo desafio que nos foi "imposto" e que nos faz progredir e ir mais além. 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O paradoxo paradoxal

Nunca, como agora lemos tanto, mas ao mesmo tempo nunca o que lemos foi tão conciso. A moda começou nos telemóveis com o advento das mensagens, as Short Messege Service (SMS) e o seu limite de 160 caracteres, e com o tempo foi evoluindo. Nos jornais e revistas, salvo raras excepções, os artigos são cada vez mais curtos e sintéticos, as pessoas querem as noticias como querem o café, curto e para levar que tempo é dinheiro.
As redes sociais, também não ajudam, estando o twitter à cabeça com o seu limite de 140 caracteres que até já serviram para escrever livros(?!). Os blogs também não escapam a esta tendência e os texto curtos são a regra. O (nosso) Nobel da Literatura, José Saramago chegou a dizer sobre o twiter: "Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau vamos descendo até ao grunhido".
Mas o que é uma regra sem uma excepção? Pois bem essa excepção pode ser encontrada na Literatura Fantástica.

Para os leitores de Literatura Fantástica  a regra são as sagas (intermináveis) e/ou o calhamaço. No inicio a Literatura Fantástica vivia (principalmente) do conto, os grandes escritores de outrora começaram as suas carreiras pelo conto, mas hoje em dia o conto quase que é desprezado. A revista Bang! é a única, profissional, no panorama nacional que vai publicando contos e vamos tendo algumas fanzines de carácter amador também.
Das três colecções dedicadas ao Fantástico em Portugal, a Via Láctea (Presença), já com mais de 100 titulo apenas tem um livro que se aproxima, "O Último Desejo" de Andrzej Sapkowski. A colecção 1001 Mundos (Asa) tem três, a recente antologia de ficção cientifica "Fantasporto" de vários autores e com a organização do Rogério Ribeiro, e duas antologias de autores nacionais, o excelente "As Atribulações de Jacques Bonhomme" de Telmo Marçal,  e claro "Se Acordar Antes de morrer" do grande João Barreiros. E por ultimo a colecção campeã, a Bang (Saída de Emergência), que entre as antologias subordinadas a um tema (cinco), e as dedicadas a um autor (cerca de 30, embora alguns possam ser discutíveis) já leva um bom avanço às suas concorrentes. Já sei o que muitos estarão a pensar neste momento, mas devo avisar que estes livros de contos muito raramente tem sucesso e/ou são alvo de reedições, muitas vezes apenas são editados por casmurrice de editores saudosos.

O conto é então umas das melhores formas de contar uma história, pois não se pode alongar, não se pode "distrair" com banalidades, tendo de se concentrar no que realmente importa, a história. Já as sagas muitas vezes ou se "perdem" ou vão dar a volta pelo caminho mais longo.
A saga e o calhamaço respondem à nossa "fome" de sabermos mais um pouco de mundos que nos encantaram, mas sem que tal seja sinonimo de algo novo, muitas vezes acaba por ser mais do mesmo. O conto é o essencial, nem mais nem menos, e é uma pena que o publico mais jovem não pareça saber o que anda a perder.

Deixo um link para o livro de contos vencedor do prémio Caminho Ficção Cientifica em 1991, "O Futuro à Janela" do Luís Filipe Silva e que na introdução, apropriadamente intitulada "A Importância do Conto" o seu autor defende o conto de uma maneira que eu apenas posso invejar. Leiam, não só a introdução, mas também os contos e saibam do que esta magnifica forma de contar uma historia é capaz.

O Futuro à Janela de Luís Filipe Silva

PS: Numa nota algo ironica, no dia em que escrevo estas palavras, o prémio Camões é atribuído a Dalton Trevisan, também conhecido como mestre do conto. Afinal talvez ainda exista esperança...