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domingo, 3 de agosto de 2014

Opinião - Revista Bang! n.º16



Mais uma revista Bang! chegou!!!

Capa - Rompendo a politica até agora seguida de ter como capa uma ilustração original esta edição faz da capa de "O Império Final" de Brandon Sanderson também a sua. Apesar de perceber o porquê desta decisão gostava de ter visto uma ilustração original.

Editorial - Eu e a Safaa Dib temos muitas vezes diferendos de opinião, mas os seus editoriais tem sido algo que me me tem dado bastante prazer ler, este não foi propriamente a excepção, gostei da primeira parte, mas achei a segunda parte algo dispersa (embora tenha percebido onde queria chegar). Acho que faltava algo a ligar as duas partes.

Ilustrador Convidado - Ricardo Coimbra foi o autor da capa desta revista Bang! e pela amostra parece-me ser bastante talentoso, mas e mais uma vez tinha preferido uma ilustração original como por exemplo a que lá aparece com o titulo de "L'Homme runne".

Resumo das novidades - Estes resumos vem sempre acompanhados de uma opinião (à falta de um termo melhor) do editor Luís Corte-Real sobre o mercado editorial (e que muitas vezes dão azo a diferendos de interpretação entre mim e a Safaa). Este texto foi bastante esclarecedor e vem confirmar uma "revelação" que o João Barreiros fez à uns anos e que transcrevo:


O misterioso editor que proferiu estas palavras terá sido o Luís Corte-Real? Fica a questão.

Quanto às novidades parecem-me poucas para uma editora que se assume como a editora do Fantástico. Sobre a qualidade (ou falta dela) não me posso pronunciar visto não conhecer.

Sonar Literário - Um texto e um tema bastante interessante que o Eric Novello abordou e que me agradou muito.

Metais Pesados - Vou ser sincero acho que a participação do Fernando Ribeiro já não trás nada de novo seja nos temas seja na perspectivas. Sei que novos colaboradores não nascem nas árvores, mas este já passou a sua validade.

Sheridan Le Fanu - No Ano do Bicentenário - António Monteiro dá-nos a conhecer um daqueles autores tão importantes quanto desconhecidos. Espero que tenha despertado a atenção não só dos leitores como dos editores.

O Regresso do Transperceneige - Em mais um magnifico artigo da autoria do Mestre João Lameiras ficamos a conhecer mais uma Banda Desenhada (muito) interessante, mas que infelizmente não está publicada por cá e que dificilmente estará.

Feitiços e Terrores - Com a recente publicação de "Cultos Inomináveis" de Robert E. Howard nada como recordar a vida e obra deste grande autor e que bem merece ser publicado e lido, em (mais) um interessante artigo do António Monteiro.

O Regresso a Westeros - Safaa Dib mostra-nos a importância das aventuras de Dunk e Egg (que se passam 100 anos antes de do inicio da Guerra de Tronos) e as interligações de ambas as historias. Tudo isto a propósito do mais recente lançamento "Historias dos Sete Reinos".

As Agruras da Colecção Argonauta - Parte 2 - A segunda e ultima parte deu magnifico exercício não só de memória, mas também de analise desse mítica colecção que foi e é a Argonauta pelo Luís Filipe Silva. Gostava de ver mais artigos destes na revista Bang!

Visões da Utopia - Um artigo bastante interessante em especial pela sua parte histórica.

Brandon Sanderson - Este autor e a sua Saga "Mistborn - Nascida nas Brumas" do qual "O Império Final" é o primeiro volume, são a mais recente aposta da Saída de Emergência e diga desde já uma aposta que a editora pretende ganhar, dai o muito marketing que tem sido feito à volta deste autor/livros, sendo que neste revista muitas paginas lhe são dedicadas indirecta ou directamente. Nas dezasseis (16) paginas que falam directamente do autor/livro temos um pouco de tudo desde um tour pelo mundo criado, as suas características e personagem, passando por uma entrevista a Brandon Sanderson, e o making of da capa de "O Império Final". Nota-se que é uma aposta em que a editora entrou com "tudo" e eu espero que dê resultado e pelas primeiras opiniões parece-me que já começou a agradar a muitos leitores.

Prémio Bang! 2014 - Com o Prémio Bang a acabar (alias já terminou) "mostra-se" quem são os Juízes e faz-se (fez-se) um ultimo apelo.

As Cidades na Ficção Científica - Episódio 3 - Estes artigos da autoria do João Rosmaninho foram definitivamente uma aposta ganha e espero que sejam e estejam para continuar.

Ficção


Enciclopédia da Estória Universal de Afonso Cruz - Uma presença já habitual nas paginas de revista Bang e que é sempre um prazer ler.

Pensando no Relógio de Rui Rodrigues Alves - Quando acabei de ler este conto fiquei com a sensação que tinha acabado de ler não um conto, mas uma espécie de resumo de algo maior. O potencial e as ideias parecem lá estar, mas ainda vai ter de treinar muito até escrever algo bom. Espero que o Rui continua a trabalhar para um dia nos presentear com um conto, novela, romance, etc, de excelência.

Abiogenesis de Pedro G. P. Martins - Já tinha lido os dois trabalhos que o Pedro Martins tem à disposição no Smashwords portanto foi sem surpresas que mais um vez me vi presenteado com a qualidade deste autor neste conto. 

Imersão de Aliette de Bodard - Bem não à toa que este conto venceu os prémios Locus e Nébula e acho que mais não será preciso dizer.
Não deixo passar a oportunidade de agradecer os esforço da revista Bang! em nos presentear com o que de bom se faz lá fora agora.

A Guerra dos Pombos de Estevão Ribeiro - O melhor elogio que posso fazer a esta BD (ou HQ como se diz na outra margem do Atlantico) é que me ri bastante e mal posso esperar pela continuação.


E assim foi mais uma excelente revista que continua a primar pela qualidade e que eu espero seja para continuar durante muito tempo.

Neste intervalo de tempo a revista Bang! já está disponível em formato PDF, mas devido à manutenção do site da Saída de Emergência não me é possível deixar o link para quem queira descarregar a mesma. 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Opinião - Revista Bang N.º 14



Acompanho a revista Bang desde o número zero, o mesmo será dizer do inicio e apesar de (muito) apreciar ler os contos que a revista tem publicado o que (mais) me tem levado a procura-la e a ler de fio a pavio cada número desta revista é a minha curiosidade em saber mais das historias por detrás das historias. Esta décima quarta edição não foi excepção em todos os sentidos, mas vamos por partes.  

Os editoriais tem sido uma parte importante de todas as edições e o texto da Safaa Dib mostra, mais uma vez, o porquê da importância destes textos e foi com um misto de agrado e preocupação que li um texto "carregado" de premonições e que mostra mais uma vez como a FC pode ser importante por mostrar o que ai vem (e o que pode correr mal), e apelando à esperança num futuro melhor.  

A apresentação das novidades da Saída de Emergência que estão a chegar (ou já chegaram) esteve mais uma vez a cargo do editor Luís Corte Real. Os textos que ele tem vindo a escrever são, na minha opinião, um bom "barómetro" do que se passa no mundo editorial e mais uma vez isso está reflectido nas suas palavras  de aviso sobre um futuro editorial não direi sombrio, mas menos luminoso do que seria expectável.

Passamos para mais um texto do David Soares sobre a história do Fantástico, recordando-nos episódios da Historia e a diferença entre a Fantasia e a Fatrasia.

Seguimos para um texto do Fernando Ribeiro que cruza a sua vida pessoal e da sua banda para nos levar a conhecer mais um pouco do mundo do rock "pesado".

Segue-se mais uma amostra do que é capaz a prodigiosa imaginação do autor Afonso Cruz na sua Enciclopédia da Estória Universal.

Depois vamos conhecer as varias facetas da Branca de Neve onde nos é mostrado que quem pensa que esta personagem começa e acaba no famoso filme da Disney está muito enganado, num texto assinada pela Inês Botelho.

Seguimos para o texto de António Monteiro que nos dá a conhecer a autora Susan Hill e a sua obra "The Woman in Black" e as adaptações que esta teve desde a sua publicação em  1983.

João Rosmaninho dá nos a conhecer o primeiro episódio de "As Cidades na Ficção Científica" do qual ficarei "aguçadamente" à espera dos próximos episódios.

Na habitual rubrica sobre BD João Lameiras evoca o falecido, mas pior que isso desconhecido Sérgio Toppi.

Pela mãos do João Monteiro chega-nos "A Invasão dos Ladrões de Corpos" sobre bandas de musica que e como estas desbravaram os novos terrenos da imaginação musical.

"A Fantasia e a Ficção Científica na Era da Interactividade" é um texto de João Campos que nos mostra que nem só de bons gráficos e jogabilidade vivem os Videojogos, e que as historias podem ser tão ou mais importantes.

Segue-se um texto da Safaa Dib onde vamos tentar descobrir o porquê do sucesso da saga Dragonlance.

E heis que chegamos ao muito aguardado regresso da Távola Redonda onde desta vez se sentam à volta da mesa Nuno Duarte, João Leitão e Filipe Homem Fonseca para discutir e partilhar esse obscuro mundo de quem é argumentista em Portugal num texto de Safaa Dib.

Chegamos então aquele que está a ganhar uma presença regular e merecida na Bang, a BD Arquivo Morto da dupla Gilmar Fraga e Paulo Stenzel que mais uma vez só merece elogios pela imaginação com que nos tem presentado.

Passamos à secção de critica literária preenchida em exclusivo por literatura que ainda não chegou a terras Lusas, e muito dificilmente chegará (infelizmente) e que é assinados pelo colosso João Barreiros e Safaa Dib

De seguida "A Bang recomenda" com uma novidade traduzida: "A Lenda do Vento" de Stephen King, um filme "The Inocents" que aparentemente nunca chegou a Portugal, e uma BD Fables de Bill Willinghan que teve por cá a publicação do primeiro volume pela editora Devir, mas tal nem merecer menção, algo que eu estranho e repudio.

E este décimo quarto número finaliza com a habitual Sugestão Fnac deste vez "Batalha" de David Soares num opinião de Filipe Martins e a noticia dos Prémios Adamastor do Fantástico promovidos pela equipa do blog Trëma.

Como devem ter reparado deixei de fora os contos publicados pois quero emitir uma opinião mais completa e que devem ser publicados por aqui nos próximos dias portanto estejam atentos.

Para finalizar resta dizer que foi mais uma excelente publicação que muito prazer me deu ler e que me saciou a curiosidade por breves momentos. Deixo apenas o reparo já conhecido de que esta revista apenas peca por (quase) nunca sair a horas, talvez a chamada plataforma online da Bang, que deve estrear em breve, ajude a colmatar o tempo que passa entre cada publicação.

Ficam os meus desejos que a revista Bang continue por muito tempo e sempre com a qualidade demonstrada até hoje.

PS: Notei que fui vitima da Printer Portuguesa, pois a impressão, gralhas incluídas como diz na ficha técnica, parece ser da sua responsabilidade e ao invés de dizer simplesmente O Senhor Luvas, alguém achou que seria melhor se o meu Blog se chamasse O Senhor das Luvas (como se eu tivesse uma loja das ditas), pessoalmente acho que está bem exactamente assim, mas longe de mim querer discutir gostos.

domingo, 12 de maio de 2013

Revista Bang n.º 14 - mais uma razão


A revista Bang já chegou e este décimo quarto número para lá das habituais razões de qualidade que me levam a "peregrinar" até a FNAC mais próxima assim que possível teve desta vez uma razão adicional: tenho uma pequena opinião publicada na secção de Bloggers. O convite foi feito pela Safaa Dib (assistente editorial da Editora Saída de Emergência) e foi um pequeno grande desafio. Em primeiro lugar pela surpresa do convite de que não estava à espera, pensa-se nisso, sonha-se com isso, mas a verdade é que quando acontece não se está preparado. Depois foi a escolha do livro, quis escolher um do qual ainda não se tivesse falado, um que representasse bem os géneros onde a revista se insere, mas que não quis ir buscar os "suspeitos do costume" e depois de algumas voltas as minhas estantes (que felizmente estão moderadamente bem compostas) os meus olhos acabaram por "cair" no livro "A Manhã do Mundo" do Pedro Guilherme-Moreira" e do qual já aqui falei ao de leve. 


As razões que me levaram à escolha deste livro são simples. É de um autor Português, é de Ficção Científica, tem (muita) qualidade, devido à sua classificação pode ter "escapado" ao apreciadores do género e tinha prometido ao autor uma opinião no blogue (que não está esquecida), resumindo mostrar e recordar um excelente livro.

O desafio seguinte foi escrever a opinião em meia dúzia de dias e com o limite de cento e cinquenta palavras e para "ajudar" calhou mesmo na semana em que estava a escrever as opiniões aos trabalhos do Manuel Alves. Foi um desafio e tanto, pois sabia o que queria dizer, mas a limitação de palavras fez com que tivesse de escrever e rescrever, de resumir resumos (eu sei!), e mesmo assim parecia-me que o que escrevia não servia. Então já com o prazo a tocar as ultimas badaladas coloquei os auscultadores e coloquei a minha inspiração a tocar: Queen Live at Wembley (1986) - The Magic Tour. E durante as cerca de duas horas que dura o concerto eu moldei o texto que podem ler na página setenta e oito da revista Bang n.º 14. 

Espero que as minha palavras vos levem a considerar este livro para leitura, pois bem merece.

Não sei se está foi uma vez sem exemplo, espero que não e que volte a ser (como diz na ficha técnica)  um "colaborador explorado" em futuras edições, pois é um prazer vermos o nosso nome em algo que admiramos, não pela fama que isso possa trazer, pelo menos no meu caso, mas pelo desafio que nos foi "imposto" e que nos faz progredir e ir mais além. 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O paradoxo paradoxal

Nunca, como agora lemos tanto, mas ao mesmo tempo nunca o que lemos foi tão conciso. A moda começou nos telemóveis com o advento das mensagens, as Short Messege Service (SMS) e o seu limite de 160 caracteres, e com o tempo foi evoluindo. Nos jornais e revistas, salvo raras excepções, os artigos são cada vez mais curtos e sintéticos, as pessoas querem as noticias como querem o café, curto e para levar que tempo é dinheiro.
As redes sociais, também não ajudam, estando o twitter à cabeça com o seu limite de 140 caracteres que até já serviram para escrever livros(?!). Os blogs também não escapam a esta tendência e os texto curtos são a regra. O (nosso) Nobel da Literatura, José Saramago chegou a dizer sobre o twiter: "Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau vamos descendo até ao grunhido".
Mas o que é uma regra sem uma excepção? Pois bem essa excepção pode ser encontrada na Literatura Fantástica.

Para os leitores de Literatura Fantástica  a regra são as sagas (intermináveis) e/ou o calhamaço. No inicio a Literatura Fantástica vivia (principalmente) do conto, os grandes escritores de outrora começaram as suas carreiras pelo conto, mas hoje em dia o conto quase que é desprezado. A revista Bang! é a única, profissional, no panorama nacional que vai publicando contos e vamos tendo algumas fanzines de carácter amador também.
Das três colecções dedicadas ao Fantástico em Portugal, a Via Láctea (Presença), já com mais de 100 titulo apenas tem um livro que se aproxima, "O Último Desejo" de Andrzej Sapkowski. A colecção 1001 Mundos (Asa) tem três, a recente antologia de ficção cientifica "Fantasporto" de vários autores e com a organização do Rogério Ribeiro, e duas antologias de autores nacionais, o excelente "As Atribulações de Jacques Bonhomme" de Telmo Marçal,  e claro "Se Acordar Antes de morrer" do grande João Barreiros. E por ultimo a colecção campeã, a Bang (Saída de Emergência), que entre as antologias subordinadas a um tema (cinco), e as dedicadas a um autor (cerca de 30, embora alguns possam ser discutíveis) já leva um bom avanço às suas concorrentes. Já sei o que muitos estarão a pensar neste momento, mas devo avisar que estes livros de contos muito raramente tem sucesso e/ou são alvo de reedições, muitas vezes apenas são editados por casmurrice de editores saudosos.

O conto é então umas das melhores formas de contar uma história, pois não se pode alongar, não se pode "distrair" com banalidades, tendo de se concentrar no que realmente importa, a história. Já as sagas muitas vezes ou se "perdem" ou vão dar a volta pelo caminho mais longo.
A saga e o calhamaço respondem à nossa "fome" de sabermos mais um pouco de mundos que nos encantaram, mas sem que tal seja sinonimo de algo novo, muitas vezes acaba por ser mais do mesmo. O conto é o essencial, nem mais nem menos, e é uma pena que o publico mais jovem não pareça saber o que anda a perder.

Deixo um link para o livro de contos vencedor do prémio Caminho Ficção Cientifica em 1991, "O Futuro à Janela" do Luís Filipe Silva e que na introdução, apropriadamente intitulada "A Importância do Conto" o seu autor defende o conto de uma maneira que eu apenas posso invejar. Leiam, não só a introdução, mas também os contos e saibam do que esta magnifica forma de contar uma historia é capaz.

O Futuro à Janela de Luís Filipe Silva

PS: Numa nota algo ironica, no dia em que escrevo estas palavras, o prémio Camões é atribuído a Dalton Trevisan, também conhecido como mestre do conto. Afinal talvez ainda exista esperança...