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sábado, 15 de maio de 2021

30 Dias 30 Contos a ler em Português - Dia 15

 



O Luís Filipe Silva é um dos nomes grandes da Ficção Científica Portuguesa. A sua entrada deu-se pela porta grande com o livro que venceu o prémio Caminho FC em 1991 com "O Futuro à Janela", um livro de contos. Se com o João Barreiros temos um humor negro e caustico, um vida sem esperança com o Luís temos um futuro de esperança, um futuro onde vale a pena viver e pelo qual vale a pena lutar e ansiar. De entre os contos destaco um que por razões que a razão desconhece ficou comigo: "Também há Natal em Ganímedes". 

Podem (e devem) descarregar este livro de modo gratuito de dois lugares: do site do próprio site do Luís Filipe Silva em PDF ou do Projecto Adamastor em epub ou mobi, os links em baixo:


O Futuro à Janela de Luís Filipe Silva (PDF)

O Futuro à Janela de Luís Filipe Silva (epub)

O Futuro à Janela de Luís Filipe Silva (mobi)

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Tirar, começar e não acabar ou a história de leituras inacabadas

A quem é que nunca aconteceu deixar um livro a meio? Já terá acontecido a todos nós pelo menos uma vez e eu não sou excepção. Alguns leitores deixam as suas leituras a meio porque o livro em questão não desperta a sua atenção, a sua curiosidade o suficiente ou porque esperavam algo mais e preferem não perder o seu tempo com algo que, à partida, não os vai satisfazer e seguem para outro livro que esperam ser (muito) melhor. Parte de mim admira e reconhece alguma coragem nesse acto embora confesse que não me lembro de ter deixado algum livro a meio por esse motivo. Já tenho lido livros que à partida sei que não são grande coisa, mas consigo lê-los facilmente, por norma o único desafio é ultrapassar  o aborrecimento de um livro previsível e insípido. Já agora para todos os que se estão a perguntar o porquê de eu ler livros que à partida sei serem maus? São livros que chegaram aos tops (ninguém sabe como), como a saga Twilight da Stephenie Meyer, e para poder falar com propriedade tenho de os ler. Eu sei, eu sei, mas alguém tem de o fazer.

Mas existem outras razões para se deixar um livro a meio. As dinâmicas das nossas vidas pessoais, sociais e profissionais também podem influenciar a leitura (ou não) de um livro.

Eis que chegamos ao que me levou a escrever este texto e que é a principal razão que me leva a deixar (embora temporariamente) a leitura de um livro: não estar preparado para o mesmo. É uma razão que não se vê muitas vezes a ser assumida e discutida, mas acredito que tal como eu também outros leitores o fazem por esta razão. Ninguém gosta de admitir que não percebeu o que estava a ler. Não serão muitos os leitores que gostam de reconhecer, quer a si quer aos seus pares, a sua ignorância. Na Ficção Científica, por exemplo e especialmente na chamada Hard Scifi, é algo que acontece amiúde, como os seus estranhos conceitos e tecnologias que baralham e afastam a grande maioria dos leitores. Para leitores iniciantes poderá ser um mau local para começar precisamente por isto, mas afasto-me do tópico. 

Neste aspecto houve uma colecção que me marcou: Viajantes do Tempo da editora Presença. Hoje uma colecção morta e (quase) enterrada, foi a minha porta de entrada para a Ficção Científica e como tal também a minha primeira fonte de frustrações e livros deixados para trás (embora hoje possa dizer com orgulho que já os li a todos). Alguns li-os até ao fim, como os livros do Philip K. Dick ou da Ursula K. Le Guin, mas acredito que nunca os compreendi totalmente, e alguns tive mesmo de os deixar. Não são poucas as vezes em que olho para eles e desejo voltar a lê-los novamente, para, agora já mais maduro quer na idade quer na experiência literária adquirida, os poder verdadeiramente apreciar, mas divago novamente.



Dos livros que tive de deixar a meio, embora logo ao inicio seja mais correcto, pelas razão acima descritas encontram-se o livro de Neal Stephenson “Samurai: Nome de Código” (Snowcrash) um dos grandes e icónicos livros do Cyberpunk (e o primeiro da colecção), do Bruce Sterling “Schismatrix – O Mundo Pós-Humano” (Schismatrix Plus) e a trilogia de John C. Wright constituída por “A Idade de Ouro” (The Golden Age), “A Fénix Exultante” (The Phoenix Exultant) e “A Grande Transcendência” (The Golden Transcendence). Todos livros que mal os comecei a ler coloquei-os de lado. O livro do Bruce Sterling ainda lhe peguei duas ou três vezes naquela altura, mas com o mesmo resultado. Não foram apenas estes claro, houve mais alguns, mas estes ficaram-me na memoria.




Foram precisos mais de dez anos para lhes pegar novamente e os ler, mais de dez anos a educar o meu “palato literário” e que irá continuar a ser educado até ao dia em que morrer. Quando os li, e apesar de ainda ter muito a aprender, consegui não só lê-los como também apreciar as belas obras que são e que merecem uma releitura e quem sabe se um dia não o farei.




E agora revelo que existe mais um livro que vai para este lista: Galxmente do Luís Filipe Silva. Era suposto ter sido a minha primeira leitura do ano e em boa verdade foi com ele que logo no dia Um comecei, lendo as primeiras páginas, mas foi sol de pouca dura pois apesar de toda a minha vontade não consegui prosseguir com a leitura. O livro não foi para a estante, ficou na mesa de centro da sala, onde estão as minha futuras leituras, como uma lembrança das minha “obrigações”. Há cerca de dois meses voltei a tentar. É certo que consegui avançar mais do que da primeira vez, mas o resultado foi o mesmo. Neste caso não foi a falta de conhecimentos que me deixou “pendurado”, mas antes a “dinâmica”, leia-se uma falta de disponibilidade mental para o conseguir ler. Apesar de toda a minha curiosidade em ler este clássico da Ficção Científica Portuguesa, e ao fim de duas tentativas goradas acabei por “devolver” o livro à estante na esperança de um dia, mais cedo do que tarde, possa voltar a pegar nele e lê-lo de fio a pavio com a atenção e dedicação que merece. Não culpo o livro, nem este nem os outros que não consegui ler à primeira, ou mesmo à segunda tentativa, aliás não culpo ninguém nem nada, são momentos e fases da vida e como tal não vale a pena andar a martirizar-me ou a tentar arranjar desculpas esfarrapadas culpando o autor ou o livro ou o que seja. O segredo é não levar a situação demasiado a sério. Já aconteceu antes e certamente voltará a acontecer e de todas as vezes e sabendo de antemão que os livros valiam a pena voltei a eles mais sapiente e mais calmo e pude aprecia-los. Com este tenho a certeza que também assim será. 

domingo, 1 de janeiro de 2017

O Ano começa na Galxmente do Mal Humano


Foi um final de ano complicado e um inicio ainda pior, mas felizmente tenho os livros, portais para outros mundos onde as preocupações deste desaparecem, nem que seja por breves momentos ou pelo menos diminuem.
Este ano começa com muitos autores portugueses e o primeiro deles vai ser o Luís Filipe Silva e seu Galxmente. Este livro foi originalmente publicado na colecção de Ficção Cientifica da Caminho em dois volumes, devido a restrições de enquadramento de tamanho na colecção.



 A segunda leitura e que ocorrerá ao mesmo tempo, será uma nova serie literária de Joel G. Gomes: "O Mal Humano". Este episódio, número zero, tem o titulo de "A Arca" e serve de apresentação a  este seu novo projecto.



Mais leituras de (bons) autores Portugueses e estrangeiros se seguiram e a pilha já faz sombra sobre mim. 

Apesar da dura realidade não me faltam mundos para onde escapar. Um bom ano a todos.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Um excelente quarto Aniversario

Para os que já pensavam que eu tinha morrido, bem lamento desiludir, mas ainda estou vivo. A verdade é que nos últimos quatro meses, e apesar das muitas ideias que (sempre) flutuam na minha mente, deixei de ligar às redes sócias (como eu odeio o Facebook). Estive a babar-me com a gratidão e abnegação de que algumas pessoas são capazes em nome dessas jóias que são os livros. Quatro meses volvidos e ainda não me consegui recompor do facto de que alguém pura e simplesmente me deu esse cálice sagrado da Ficção Cientifica Portuguesa que é  "Terrarium" do João Barreiros (a quem já dei hoje os parabéns) e o Luís Filipe Silva, mas sobre esta "peripécia" falarei daqui a uns dias (sim eu estou de regresso). E para marcar (ainda mais) o quarto aniversario quero deixar alguns de vós ainda mais invejosos: no mês passado na mais improvável das feiras de velharias que frequento, a da cidade de Águeda, encontrei "O Caçador de Brinquedos e outras Histórias" do João Barreiros, ainda hoje a minha alma está parva, mas serve para provar que nos locais mais improváveis... bem vocês percebem. 

E o melhor é não escrever mais nada e levar a coisa com calma porque depois de quatro meses sem cá vir não quero provocar algum acidente por demasiado esforço sem estar devidamente "aquecido". 

sábado, 7 de setembro de 2013

O Leitor, o Bibliófilo e o Bibliómano

Eu sou um leitor, mas também sou um bibliófilo (e acho que também sofro de bibliomania, mas numa variante benigna). Eu sou estas três facetas e a sua união leva a que procure muitos livros. Esta procura tem tanto de frustrante como de excitante. Não existe uma feira ou alfarrabista que eu falhe e que não me arrependa durante muito tempo com o pensamento "Ali poderia estar aquele livro que ando à procura à tanto tempo!!!". A cada feira e alfarrabista que visito pareço um drogado que acabou de receber a dose para parar os tremores, mesmo que não traga nada. Quando me meto no carro a caminho de uma feira ou alfarrabista pareço um puto com hiperactividade e que em quanto não chego lá... E assim que lá chego só tenho olhos para os livros (gostava de poder estar ali ao lado a ver as minhas figuras). Vou percorrendo as filas, pilhas, caixotes caixas e mesas cheias de livros velhos e novos, em bom estado e (quase) para lá da salvação. É rara a vez que venha de mãos a abanar, mas existem dias... de felicidade extrema. Hoje foi um dia desses!

Depois de ter percorrido quase toda a feira estava a "escavar" a caixa de um "fornecedor" habitual quando o encontrei. Entre livros que nada me diziam ali estava um daqueles livros que me faz palmilhar quantas feiras e alfarrabista posso: Cidade de Carne do Luís Filipe Silva.



Oh felicidade!!! A descarga de adrenalina é intensa. Pego nele como se pega-se num bebé, para logo de seguida me transfigurar num Gollum sussurrando "Meu Preciso" e não mais o largar. 

Depois cai a realidade e penso "Agora tenho de encontrar a segunda e ultima parte - Vinganças" e lá regresso aquele estado de "ressaca" até a próxima dose, perdão feira onde, quem sabe, poderei encontrar este ou outro desses livros que me fazem a vida um pouco mais feliz.  

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O paradoxo paradoxal

Nunca, como agora lemos tanto, mas ao mesmo tempo nunca o que lemos foi tão conciso. A moda começou nos telemóveis com o advento das mensagens, as Short Messege Service (SMS) e o seu limite de 160 caracteres, e com o tempo foi evoluindo. Nos jornais e revistas, salvo raras excepções, os artigos são cada vez mais curtos e sintéticos, as pessoas querem as noticias como querem o café, curto e para levar que tempo é dinheiro.
As redes sociais, também não ajudam, estando o twitter à cabeça com o seu limite de 140 caracteres que até já serviram para escrever livros(?!). Os blogs também não escapam a esta tendência e os texto curtos são a regra. O (nosso) Nobel da Literatura, José Saramago chegou a dizer sobre o twiter: "Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau vamos descendo até ao grunhido".
Mas o que é uma regra sem uma excepção? Pois bem essa excepção pode ser encontrada na Literatura Fantástica.

Para os leitores de Literatura Fantástica  a regra são as sagas (intermináveis) e/ou o calhamaço. No inicio a Literatura Fantástica vivia (principalmente) do conto, os grandes escritores de outrora começaram as suas carreiras pelo conto, mas hoje em dia o conto quase que é desprezado. A revista Bang! é a única, profissional, no panorama nacional que vai publicando contos e vamos tendo algumas fanzines de carácter amador também.
Das três colecções dedicadas ao Fantástico em Portugal, a Via Láctea (Presença), já com mais de 100 titulo apenas tem um livro que se aproxima, "O Último Desejo" de Andrzej Sapkowski. A colecção 1001 Mundos (Asa) tem três, a recente antologia de ficção cientifica "Fantasporto" de vários autores e com a organização do Rogério Ribeiro, e duas antologias de autores nacionais, o excelente "As Atribulações de Jacques Bonhomme" de Telmo Marçal,  e claro "Se Acordar Antes de morrer" do grande João Barreiros. E por ultimo a colecção campeã, a Bang (Saída de Emergência), que entre as antologias subordinadas a um tema (cinco), e as dedicadas a um autor (cerca de 30, embora alguns possam ser discutíveis) já leva um bom avanço às suas concorrentes. Já sei o que muitos estarão a pensar neste momento, mas devo avisar que estes livros de contos muito raramente tem sucesso e/ou são alvo de reedições, muitas vezes apenas são editados por casmurrice de editores saudosos.

O conto é então umas das melhores formas de contar uma história, pois não se pode alongar, não se pode "distrair" com banalidades, tendo de se concentrar no que realmente importa, a história. Já as sagas muitas vezes ou se "perdem" ou vão dar a volta pelo caminho mais longo.
A saga e o calhamaço respondem à nossa "fome" de sabermos mais um pouco de mundos que nos encantaram, mas sem que tal seja sinonimo de algo novo, muitas vezes acaba por ser mais do mesmo. O conto é o essencial, nem mais nem menos, e é uma pena que o publico mais jovem não pareça saber o que anda a perder.

Deixo um link para o livro de contos vencedor do prémio Caminho Ficção Cientifica em 1991, "O Futuro à Janela" do Luís Filipe Silva e que na introdução, apropriadamente intitulada "A Importância do Conto" o seu autor defende o conto de uma maneira que eu apenas posso invejar. Leiam, não só a introdução, mas também os contos e saibam do que esta magnifica forma de contar uma historia é capaz.

O Futuro à Janela de Luís Filipe Silva

PS: Numa nota algo ironica, no dia em que escrevo estas palavras, o prémio Camões é atribuído a Dalton Trevisan, também conhecido como mestre do conto. Afinal talvez ainda exista esperança...