domingo, 10 de junho de 2012

Uma visita à Feira do Livro do Porto - 2012

Pelo segundo ano tive o prazer de visitar a Feira do Livro do Porto. Já no ano passado lá tinha estado, mas por "acidente", o mesmo será dizer que foi sem querer. Este ano também teve a sua historia. Estive para ir no dia 2 (Sábado) porque havia uma reunião do Forum Bang, mas o tempo estava "manhoso" e adiei a viagem. No dia 7 (Quinta-feira, mas feirado) estava lá o Pedro Ventura, autor dos livros "Goor" e com de quem eu gostava de ter uns autógrafos, mas o tempo estava na mesmo. Ainda estive para lá ir ontem dia 9 (Sábado), estiveram lá o Filipe Faria (Cronica de Allaryia), a Sandra Carvalho (A Saga das Pedra Mágicas) e o Rafael Loureiro (Trilogia Nocturnus), mas acontece que neste meio tempo o autor Pedro Guilherme-Moreira comentou o meu texto A Manhã do Mundo ou o Preconceito na Ficção Cientifica e eu sabendo que ele lá estaria hoje optei por lá ir hoje e falar em pessoa com ele. Ora a conversa não podia ter corrido melhor, muito simpático e conversador foi com prazer que falamos, e até se lembrava do meu nome, eu fico assim surpreendido porque sou uma desgraça com nomes. Foram "dois dedos" de conversa agradáveis que tiveram o bónus de autografo muito personalizado, e pelo qual eu lhe agradeço, mas ainda me apresentou à sua editora, nem mais nem menos que a Maria Rosário Pedreira, e mais "dois dedos" de conversa muito agradáveis também. Se sabia que ela lá iria estar tinha levado ou livro infantil, mas com uma excelente historia, para ela me o autografar. E claro abasteci-me de "alguns" livros...

Enfim uma tarde bem passada e que me deu ainda mais vontade de querer interagir com alguns dos nossos grandes escritores, e que dos que conheço pessoalmente só posso falar muito bem.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Morreu o Mestre - Ray Bradbury 1920 -2012



Também eu junto a minha voz ao coro dos que lamentam a morte de Ray Bradbury. Nestas alturas é sempre difícil saber o que dizer. Ainda no mês de Março na revistas Bang 12  João Lameiras recordava o mestre na perspectiva, não só da sua paixão pelos comics, mas também pelas adaptações da sua obra em BD numa artigo intitulado "O Homem Ilustrado: Ray Bradbury em BD". Foi ai que tomei consciencia de que o meu primeiro contacto com o Mestre foi a adaptação para BD do conto "Vem para a minha cave" na revista Selecções BD (2.ª serie), mais recentemente descobri o Mestre através dos contos, contos como "Um Som de Trovão", "Virão Chuvas Mansas" ou "Aquele que espera".

Não falarei (muito) da sua obra, ainda só este ano li um dos seus clássicos "Fahrenheit 451"  e ainda tenho muito que ler, mas isto posso eu afirmar: do que li vale bem a pena, é um auto dotado como existem poucos. As suas obras conseguiram a proeza de ultrapassar as fronteiras da FC e tornar-se Literatura Mundial, para apreciadores de FC ou não, porque as suas obras são sobre a Humanidade, os nossos defeitos e virtudes, as nossas forças e fraquezas, sobre o que é ser Humano, mesmo que não estejamos lá...
A sua morte é triste, mas ele será sempre recordado, pois em todos nós existe um Montag, e talvez, mas apenas talvez, a sua morte tenha o condão de aguçar a curiosidade de leitores por esse mundo fora e eles irão descobrir o quanto Ray Bradbury é genial, irão procurar e descobrir mais, e um dia, inspirados pelo que leram, escreverão o primeiro capitulo de uma nova era de FC. Eu que sou um optimistas bem o sei, mas quem sabe.

Resta dizer que a melhor forma de o honrar e recordar é ler as suas magnificas obras, pena é que essas mesmas obras quase não existam no mercado Português, fica a chamada de atenção aos editores deste País.
Portanto leiam e deliciem-se, e depois (ou mesmos antes) peçam mais, se faz favor.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Silêncio que se vai ler um Livro

Podemos, genericamente, dividir os leitores em dois grupos: os que gostam de ouvir musica enquanto lêem e os que preferem o silêncio, eu ,definitivamente, pertenço a este ultimo grupo. Não é que não consiga ler se houver barulho (com e sem aspas), mas o silêncio permite-me mergulhar no que leio com muito mais facilidade. Consigo ler com "ruído de fundo" a maioria do livros, embora existam alguns que são difíceis pelo nível de concentração que exigem, no meu caso são, por exemplo, os do José Saramago.  Claro que hoje em dia é muito difícil ler em total silêncio, muitos de nós lê nos transportes, no consultório, enquanto esperamos em alguma fila para isto ou para aquilo, enfim onde podemos e ao fim de algum tempo lá ganhamos uma espécie de imunidade. Mas sempre que posso, e consigo, aproveito para ler algumas páginas no mais absoluto silêncio e sonhar que estou ali ao lado do Herói a lutar e a sofrer, mas de repente lá vem um barulho que me trás de volta à Realidade, e olho à volta com um misto de surpresa e confusão e perguntado-me onde estou?

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Terceiro Clube de Leitura Bertrand do Fantástico Coimbra - Epílogo



Esta terceira edição do Clube de Leitura Bertrand Fantástico de Coimbra foi um pouco atípica. Decorreu no Parque Verde da cidade integrado na Feira do Livro. Infelizmente, e tal como no mês passado, éramos apenas três. Trocamos o auditório, mas palco será uma palavra mais correcta, por uma mesa com o rio Mondego como paisagem, e num ambiente (bem) mais informal demos inicio à conversa. Como será evidente o ponto de partida foi o livro escolhido, Deuses Americanos de Neil Gaiman, e íamos percorrendo um longo circulo, acabando novamente no ponto de partida, apenas para partir novamente, numa conversa fluída e agradável.
Apesar de apreciar o ambiente gostava que mais pessoas se juntassem a nós, porque mais pessoas são mais ideias e opiniões. Fica a esperança que no próximo dia 28 de Junho, as 19:30 e já no nosso poiso habitual, o auditório da Bertrand do Dolce Vita, vá encontrar caras novas. Resta dizer que o livro escolhido foi A Lâmina de Joe Abercrombie.



quarta-feira, 30 de maio de 2012

Terceiro Clube de Leitura Bertrand do Fantástico Coimbra

E é já amanhã que se vai realizar o terceiro Clube de Leitura Bertrand do Fantástico em Coimbra. O Livro escolhido foi Deuses Americanos de Neil Gaiman


Desta vez, e a titulo excepcional, o encontro vai realizar-se no Parque Verde, na Feira do Livro, o ponto de encontro é o pavilhão da Bertrand, as 19:30.

Espero que apareçam, para uma animada conversa sobre este livro muito interessante.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A Manhã do Mundo ou o Preconceito na Ficção Científica




O romance de Pedro Guilherme-Moreira, A Manhã do Mundo (Dom Quixote 2011), editado sob a asa protectora desse mito vivo da edição que é Maria do Rosário Pedreira, tem como cenário o atentado de 11 de Setembro de 2011 às Torres Gémeas. A sinopse na contra capa é esta:

No dia 12 de Setembro de 2001, Ayda encontrou-se com Teresa num café de Allentown e, com o jornal aberto sobre a mesa, foi implacável com os que tinham saltado das Torres Gémeas, chamando-lhes cobardes; mas não disse à amiga que, na verdade, o que sentia era outra coisa, uma grande frustração por o marido e o filho a terem abandonado e rumado a Nova Iorque num momento em que ela se recusava a tomar a medicação e lhes tornava a vida um Inferno - e de não ter coragem de fazer o que esses tinham feito. Entre os que saltaram, estavam Thea, Millard, Mark, Alice e Solomon - todos personagens fascinantes, com histórias de vida simultaneamente banais e extraordinárias -, que o acaso reuniu no 106.º piso da Torre Norte do World Trade Center naquela fatídica manhã. Se Ayda, por hipótese, conhecesse essas histórias e o drama que eles enfrentaram, decerto não os teria insultado tão levianamente. Mas poderá o destino dar-lhe uma oportunidade de rever a História? Este é um romance admirável sobre o medo e a coragem, o desespero e a lucidez, a culpa e a expiação; mas é também um livro sobre Einstein e os universos paralelos, sobre o que foi e o que podia não ter sido. No décimo aniversário do 11 de Setembro, a memória não basta, é preciso combater o esquecimento indo para junto dos heróis que viveram o horror e compreender cada um dos seus actos - se necessário, saltar com eles, conhecer aquela que foi a manhã do Mundo.

Não dei o meu tempo por perdido, pelo contrario, gostei da historia e da escrita do autor, mas houve e há uma questão que me tem provocado alguma celeuma desde que peguei no livro.
Muitas editoras tem adoptado colocar, por exemplo por cima ou por baixo do código de barras, o género em que se insere o livro, e assim é com este, mas ao invés de dizerem que pertencia ao Romance Histórico, Filosofia, Terror, etc, este foi só classificado como Literatura Lusófona. Esta classificação é uma redundância, pois é um livro escrito por um Português, e claro não se refere ao livro, mas sim ao autor e essa informação já nós tínhamos lido na badana, portanto tempo perdido. Compreendo que a editora, a Dom Quixote tive escolhido esta "classificação" pois não é conhecida no género em que este livro se insere: a Ficção Científica, sim este é um livro de Ficção Científico.
O que mais me "escandaliza" é o facto de em todas as entrevistas e criticas que li e vi ninguém ter mencionado frontalmente o facto de este ser um livro de Ficção Cientifica, isto quando pura e simplesmente ignoraram esse facto, o que é a maioria da vezes. Existem alguns apontamentos nesse sentido, mas nunca nada de concreto é dito. A critica da Rita Bonet na revista Os Meus Livros diz que o autor deveria ter explorado "a teoria dos Universos Paralelos" (nesta revista a critica foi "arquivada” em Romance), outros falam em historia alternativa e teoria das cordas. O único que vi falar em Ficção Cientifica foi um tal de Pedro Brás Marques e apenas para dizer que "não se trata de uma investida na temática da "História Alternativa", um sub-tema tão querido ao universo da ficção científica". Este senhor claramente nunca leu Ficção Científica. Ninguém, fossem jornalistas, críticos ou leitores foram capazes de dizer que este é um livro de Ficção Científica. Acho este facto triste, triste porque mostra que as pessoas ou não conhecem o suficiente do género da Ficção Científica para o reconhecerem ou então tem preconceito em dizer e classificar este livro, ou outro que esteja na mesma situação, como Ficção Científica. Tenho muitas duvidas que a senhora Maria do Rosário Pedreira não saiba reconhecer um livro de Ficção Científica quando lê um. Tenho pena que tenham classificado este livro como sendo um romance de Literatura Lusófona, apenas por razões de marketing e medo da reacção da pessoas que tem "nojo" da Ficção Científica. Assim essas pessoas "comeram" e ainda elogiaram o "chefe", se lhes tivessem dito o que era verdadeiramente, tinham largado o livro assim que vissem esse sinal de estigma que é pertencer à Ficção Científica. À imagem do que foi feito com o nosso Nobel, José Saramago, fica mal dizer que é Ficção Científica, é mais "chique" dizer que se trata de um "alegoria".
Algumas pessoas dirão que este livro fala das pessoas, dos seus problemas, de como se as circunstancias fossem diferentes também as suas decisões o seriam, e não de Ficção Cientifica com as suas naves espaciais e laseres, ao qual eu só posso responder que a ignorância é realmente muito, muito triste. Quem assim falar certamente que nunca leu as grandes obras que a Ficção Científica tem para oferecer. Mostrar-lhes ia, e para não sair das viagens no tempo e historia alternativa, pelo menos quatro livros que tem um estrutura muito similar à de "A Manha do Mundo".
Mostrava-lhes "A Segunda Manhã do Mundo" (Presença 2004) de Manuel de Pedrolo, onde depois de todo o planeta Terra ter sido destruidor, por extraterrestres(?), ainda que nada disto seja descrito, os sobreviventes Humanos praticamente se resume a uma rapariga de 14 anos e um rapaz de 9 anos, e do que eles tem de fazer para sobreviver, de como naquele novo mundo as suas decisões de outrora tem de ser revistas.
Mostrava-lhes "E Tudo o Tempo Levou" (Clássica 1992) de Ward Moore, onde nos é apresentado um mundo onde a Guerra Civil América foi ganha pelo Sul, somos levados a conhecer um mundo diferente e igual na mesma medida, mas que devido a um pequeno erro se transforma na nossa linha temporal.
Mostrava-lhes "Eis o Homem" (Saída de Emergência 2007) de Michael Moorcock onde um homem regressa ao tempo de Jesus Cristo, onde descobre que este é um atrasado mental, e não só, e ao invés de deixar que se crie uma nova linha temporal e aceita a cruz de se oferecer em sacrifício para que a historia que ele conheceu continue igual.
Três livros, e mais exemplos poderiam ter sido dados, que muito tem em comum com "A Manhã do Mundo" excepto claro o facto de uns terem assumido o que são e o outro não, escondendo-se de modo covarde e com a conivência de quase todos, sob o rotulo de Literatura Lusófona.
Entristece-me a falta de coragem quer do autor quer da editora em assumir o género da Ficção Cientifica, pois é um dos ricos que existe. Entristece-me que saber que amanha nada terá mudado.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Agradecimentos

Ao longo dos anos começamos a reparar em pequenas coisas que geralmente costumam passar despercebidas, ou que pelo menos não chamam tanto a atenção. Uma dessas curiosidades são os agradecimentos que os autores costumam fazer. Os autores estrangeiros (por norma anglo-saxonicos)  publicados em Portugal, são mais "agradecidos" alguns chegam a escrever duas ou três páginas. O autor Português é mais comedido.
Os agradecimentos, seja de estrangeiros seja de nacionais, geralmente são dirigidos à mãe e ao pai, à mulher ou marido e filho(s), a este ou aquele amigo, a um ou dois autores pela inspiração e a alguma banda de musica.
O  que difere entre o autor Português e o autor estrangeiro, é que este ultimo agradece muitas e efusivas vezes ao seu agente literário, uma figura (quase) ausente no panorama editorial nacional, e claro ao seu editor. Estes agradecimentos costumam variar entre o "obrigado pelas ideias e contribuições que deram para os rascunhos" e o "obrigado pelo tempo extra e pela paciência".
Não sei porque é que isto acontece, mas é uma questão pertinente pois é raro ler um agradecimento deste género num autor português sendo o contrario nos autores estrangeiros. Porque acontece isto? Será porque o agente literário e editor lá fora acompanha mais o processo de escrita do autor? Será porque os editores em Portugal serem mais uma espécie de publicadores do que editores?
Perguntas para as quais eu não tenho resposta, talvez um dia converse com autores e editores Portugueses em quantidades suficientes para chegar a uma conclusão, até lá ficam as perguntas.