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quarta-feira, 5 de maio de 2021

30 Dias 30 Contos a ler em Português - Dia 5

 



No dia Mundial da Língua Portuguesa não podia escolher outro autor que não o João Barreiros. É uma voz única no panorama da Literatura Portuguesa e em específico da Ficção Científica. As suas narrativas são duras, sarcásticas, irónicas, pontos no espaço-tempo onde a esperança de algo melhor ou redenção não existe e mesmo o desespero é inútil. O conto que trago hoje é "Se Acordar antes de Morrer" que por alguma razão ficou comigo até hoje e tenho a certeza que me acompanhará até ao fim ou até ao momento em que alguma demência me limpe o "disco rígido". Podem encontrar esta história na coletânea com o mesmo nome pelo preço ridículo de €3,50 o que é um pequeno preço por tão grande livro, seja pelo seu tamanho físico (mais de quinhentas páginas), seja no seu conteúdo absolutamente delicioso para leitores com bom gosto.

Se quiserem primeiro molhar o proverbial pé nos mundos insanos do "Tio" Barreiros podem descarregar totalmente grátis alguns contos seus na sua página no site do Smashwords. 

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Um excelente quarto Aniversario

Para os que já pensavam que eu tinha morrido, bem lamento desiludir, mas ainda estou vivo. A verdade é que nos últimos quatro meses, e apesar das muitas ideias que (sempre) flutuam na minha mente, deixei de ligar às redes sócias (como eu odeio o Facebook). Estive a babar-me com a gratidão e abnegação de que algumas pessoas são capazes em nome dessas jóias que são os livros. Quatro meses volvidos e ainda não me consegui recompor do facto de que alguém pura e simplesmente me deu esse cálice sagrado da Ficção Cientifica Portuguesa que é  "Terrarium" do João Barreiros (a quem já dei hoje os parabéns) e o Luís Filipe Silva, mas sobre esta "peripécia" falarei daqui a uns dias (sim eu estou de regresso). E para marcar (ainda mais) o quarto aniversario quero deixar alguns de vós ainda mais invejosos: no mês passado na mais improvável das feiras de velharias que frequento, a da cidade de Águeda, encontrei "O Caçador de Brinquedos e outras Histórias" do João Barreiros, ainda hoje a minha alma está parva, mas serve para provar que nos locais mais improváveis... bem vocês percebem. 

E o melhor é não escrever mais nada e levar a coisa com calma porque depois de quatro meses sem cá vir não quero provocar algum acidente por demasiado esforço sem estar devidamente "aquecido". 

domingo, 19 de outubro de 2014

Opinião - Lisboa no Ano 2000 (Antologia)



Quando na revista Bang! n.º 10 apareceu o desafio para esta antologia e depois de ter lido várias vezes os pressupostos em que assenta este universo Electropunk, a única coisa que me vinha à mente era: "Isto é estúpido!". Não parava de pensar em como já vivemos num mundo movido a electricidade, os electrodoméstico, os comboios até os carro já estão a caminhar a passos largos nesse sentido, portanto onde estava a inovação? Mas lá resfriei o meu negativismos (e falta de imaginação) e decidi dar uma oportunidade a esta antologia, até porque ao leme vai o João Barreiros e isso para mim é mais que suficiente para lhe dar o beneficio da duvida, e claro que gosto de falar, bem ou mal, com propriedade, e claro que não fiquei nada desiludido com o resultado final, mas vamos por partes.



Prólogo - (Acho que) Percebo o que o João Barreiros tentou fazer aqui: unificar este universo e embora engraçado o modo como foi escrito continua-me a parecer estranho e sendo totalmente sincero desnecessário.


O Turno da Noite de João Barreiros - Quando li "O Turno da Noite" na revista Bang! n.º10 e novamente nesta antologia "assustei-me". Parecia a escrita do João Barreiros, as temáticas são as típicas do João Barreiros, mas há ali um travo a "metafisica", para não dizer fantasia (heresia!!!) que o meu paladar estranhou logo. Mas passado o "choque" temos mais uma excelente texto bem à maneira do Barreiros e que é uma delicia para quem, como eu, aprecia o seu trabalho.


Venha a Mim o Nosso Reino de Ricardo Correia - Gostei bastante do inicio, mas a partir dai foi sempre a descer. Temos um espécie bispo da IRUD lá do sitio, feiras-ninjas e um robô gigante, mas de alguma forma não vi o puzzle encaixar.  Por exemplo achei as freiras-ninjas um toque interessante e com o seu quê de cómico, mas aparecem ali quase "caídas do céu". 


Os Filhos do Fogo de Jorge Palitos - Um conto interessante que me pareceu ter alguns elementos (inspiração) do livro "O Prestigio" de Christopher Priest (e não digo isto com conotações negativas). A imortalidade não é propriamente a temática, mas sim o Carpe Diem e uma experiência que corre muito mal. Gostei quer da temática quer do tom embora ache que devia ter sido mais "polido".


Dedos de AMP Rodriguez - Um conto com um humor subtil e muita critica social devidamente embrulhados numa investigação de estranhos acidentes de trabalho. Gostei bastante do personagem principal, que é também narrador e da sua maneira de ver o mundo, ou neste caso a resignação a que se vota.


As Duas Caras de António de Carlos Eduardo Silva - Um conto de espiões como se estivéssemos na Segunda Grande Guerra, com agentes duplos (ou mais) ao serviço quer de Portugal, quer da Germânia, e um final muito bom, alias todo o conto está bem escrito e no "tom" certo. 


Electro-dependência de Ana C. Nunes - O uso da electricidade como uma droga foi uma ideia bastante interessante, mais ainda a de utilizar um humano com poderes e que também é capaz de a "injectar", embora não seja o único método. Um conto cheio de ideias interessantes e bem aproveitadas pela seu autora que nos dá um final muito bom.


Nanoamour de Ricardo Cruz Ortigão - Um autor que afinal são dois e um conto que fala de amor e tal como o anterior dá uma nova roupagens ao algo bem antigo, neste caso as poções de amor, mas claro que devidamente adaptadas a um mundo onde a electricidade é rainha e senhora. Um final muito bom e que me deixou com um sorriso nos lábios.


Energia das Almas de João Ventura - O João Ventura é um escritor já com calo e isso está bem patente neste conto. A ideia base deste conto é bastante interessante e tem por base o trabalho do medico Duncan MacDougall sobre o peso das almas devidamente "misturado" com uma das premissas do conto "O Turno da Noite" do João Barreiros, a dos seus mortos que se alimentam do vivos. Ainda consegue lá introduzir o trabalho de Albert Einstien. 


Fuga de Joel Puga - Um conto interessante, mas mais pela critica que faz ao mundo literário actual em que apenas se publica mais do mesmo ao sabor das modas que vão aparecendo. O personagem principal é Tércio um programador que tem um trabalho rotineiro que mata qualquer iniciativa e criatividade e que sonha em ser escritor. O final reflecte o nosso estado literário actual.


Tratado das Paixões Mecânica de João Barreiros - Mais um magnifico conto do João Barreiros em que ele regressa a alguns dos seus temas por excelência, brinquedos, a invasão da (Fortaleza) Europa por África, neste caso uma autofábrica que quer assentar arrais na Caparica. Um conto "à" Barreiros e o meu preferido dos três aqui apresentados. Um final que me agradou bastante pelo humor.


O Obus de Newton de Telmo Marçal - Já conhecia os trabalhos do Telmo Marçal publicados na internet e claro o seu "agrupar" no excelente livro que é "As Atribulações de Jacques Bonhomme" (e que por estes dias está estupidamente barato portanto aproveitem), mas este conto foi uma surpresa. O tom do conto não condiz com a imagem que tenho do autor. Longe de ser algo que me tenha degradado foi com muito gosto que descobri esta nova faceta do autor. Com um prosa muito "literária" e uma história complexa lá fui desbravando as páginas. Para uma antologia que ser queria ambientada em Lisboa este conto passa lá muito pouco tempo, mas isso pouco interessa quando somos confrontados com a sua excelsa qualidade.


Ex-Machina de Michael Silva - A electroesfera esconde coisas para além da imaginação do homem e neste conto vamos descobrir o quanto elas podem ser assustadoras. Um conto com ideias interessantes, nota-se ali a "mãozinha" de H. P. Lovecraft, e uma escrita com bons apontamentos de humor.


A Rainha de Pedro Vicente  Pedroso - Se existe animal que está ligado à electricidade é a enguia, a eléctrica claro e neste conto temos uma espécie de Capitão Ahab à procura da sua Moby Dick em forma não de baleia, mas de enguia eléctrica nas turvas águas do Tejo. Uma ideia interessante e bem desenvolvida pelo Pedro Vicente Pedroso. 


Taxidermia de Guilherme Trindade - É um dos contos que mais me surpreendeu nesta antologia porque não fazia ideia do que esperar mesmo até ao final e que final. Existem historia que por muito misteriosas que sejam nós vamos conseguindo descobrir o que se passa, mas aqui não o que apenas tornou a sua leitura ainda mais interessante. Sem duvida um dos melhores contos desta antologia em todos os aspectos.


Quem Semeia no Tejo de Pedro G. P. Martins - Um conto com algumas ideia interessantes, mas que poderia ter sido mais trabalhado e alongado. É um dos poucos contos com "ligação directa" ao conto de partida / inspiração desta antologia "O Turno da Noite".


Coincidências de Pedro Afonso - Coincidências é um conto interessante que nos permite ter uma visão bastante alargada do ambiente que se vive não só em Lisboa, mas também na Europa, através da relação entre um escritor e uma estranha mulher que ele conhece em igualmente estranhas circunstancias. 


Chamem-nos Legião de João Barreiros - E para finalizar com chave de ouro a terceira parte de "O que escondem os Abismos". Uma história contada através de duas linhas narrativas que se vão inevitavelmente encontrar, quanto ao resto bastará dizer que é escrito pelo João Barreiros


Epílogo - Se achei o Prólogo desnecessário o Epílogo não podia ser diferente.  



Como em qualquer antologia a qualidade dos contos varia (muito), mas de um modo geral os trabalhos apresentados estão em bom nível. Esta antologia está cheia de ideias interessantes, como alias me fartei de escrever, algumas muito bem aproveitadas outras nem por isso, mas só o facto de os autores terem revelado essa imaginação já é prometedor desta nova geração de autores.
Outro aspecto importante está na dificuldade em manter uma coesão histórica e cronológica comum e claro que com tantos autores algumas coisas falham e temos algumas variações sobre os mesmos temas como é exemplo as varias visões sobre a família real. Não é propriamente algo mau, mas a tentativa de unir este universo feita por João Barreiros no Prólogo e o Epílogo apenas acentua o quanto estas são prescindíveis. Sou da opinião que uma introdução e quem sabe um nota final tivesse sido uma aposta melhor.
Numa nota sobre a historia desta Antologia recentemente o "Tio" Barreiros comentou no Facebook que esta ideia é bem mais antiga do que eu tinha imaginado e que já vem da altura em que a colecção de FC da Caminho, a dos livrinhos azuis, mas os seus camaradas Portugueses (e Brasileiros) da colecção não olharam com muito bons olhos este universo partilhado. Mau para eles, mas bom para nós e para toda esta nova geração de autores que assim puderam brilhar na electroesfera. 


Por fim gostava de deixar aqui um pedido de desculpas em primeiro ao meu bom amigo Fiacha, que tão amavelmente me deu este livro e que apenas pediu em troca que eu desse a minha opinião, mas que foi algo que demorou a fazer, aos autores por ter escrito um opinião demasiado tempo depois de lido os mesmo, o que não me permitiu ter os pormenores tão "frescos" quanto o desejável (embora tivesse tirado algumas notas e relido na diagonal quando necessário) e claro ao leitores porque podia ter feito um trabalho melhor. A todos a minhas desculpas.



Título - Lisboa no Ano 2000
Autores - João Barreiros, Ricardo Correia, Jorge Palitos, AMP Rodriguez, Carlos Eduardo Silva, Ana C. Nunes, Ricardo Cruz Ortigão, João Ventura, Joel Puga, Telmo Marçal, Michael Silva, Pedro Vicente  Pedroso, Guilherme Trindade, Pedro G. P. Martins e Pedro Afonso.
Editora - Saída de Emergência
Colecção - Bang!

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O ano começa "A Oeste do Éden"



O livro que escolhi para começar as leituras de 2013 foi  "A Oeste do Éden" de Harry Harrison, era para o ter lido no ano passado, mas nunca consegui.
O seu autor morreu no ano passado, e depois de ter visto tantos a falar tão bem dele achei que era mais que tempo de lhe dar uma oportunidade, embora essa não tenha sido a única razão. É que este livro faz parte dessa mítica colecção organizado pelo João Barreiros que é a Contacto, e portanto já andava debaixo de olho. Será caso para dizer que se juntou a fome com a vontade de comer. 
Sendo que já tendo lido dois livros da colecção e alguns contos do autor, acho que não vou ter nenhuma desilusão. Deixo-vos a Sinopse, e agora se me dão licença vou começar a lê-lo. 


Sinopse

«Quando os dinossauros governavam a Terra...». Pois A Oeste do Éden ainda governam.
A catástrofe cósmica que os exterminou há 65 milhões de anos nunca chegou a acontecer. O grande cometa nunca caiu, nunca chegou a provocar aquilo a que, no nosso universo, Carl Sagan chamaria Inverno Nuclear. A permanência de condições climatéricas indefinidamente estáveis permitiu que os grandes répteis continuassem a evoluir, com o cérebro sempre a aumentar, o polegar a tornar-se oponível, até culminarem nas Yilanè, a raça sauróide mais inteligente da Terra. A sua complexa civilização, baseada em sofisticadas técnicas de engenharia genética, transformou se num milagre de estabilidade social e integração ecológica. Fez surgir cidades «orgânicas» por toda a África, Europa e Ásia. Modificou todos os ecossistemas à sua imagem e semelhança. 
Subitamente, pressões climatéricas, o advento de uma microidade glaciar, fazem diminuir radicalmente os recursos energéticos e alimentares. Sob a ameaça do extermínio total da sua civilização, as Yilanè são forçadas a explorar o que designamos por oceano Atlântico e a colonizar o Novo Mundo. 
E ali, nas costas da Florida, dominando o topo de um ecossistema incompreensível, encontram uma espécie desconhecida de mamíferos inteligentes, agressivos, selvagens. Mamíferos que se deslocam erectos, assentes nos dois membros posteriores, que possuem o dom da palavra e se servem de utensílios rudimentares de pedra. Mamíferos que odeiam instintivamente toda e qualquer yilanè. Um ódio que é recíproco...

Críticas de imprensa
"Um épico inteligente e brilhantemente construído."
João Seixas, Novembro de 2005

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Opinião – Se Acordar antes de Morrer de João Barreiros




Como parece que deixei algumas pessoas com muita curiosidade em relação a este livro aqui fica a minha opinião do livro, mas não só...


Em primeiro lugar gostava de deixar algumas “coisas” esclarecidas: este é um livro atípico no panorama actual da publicação em Portugal, e porquê? Ainda bem que perguntam!
É um livro de Ficção Cientifica num mundo povoado de livros de Fantasia, e como se não bastasse esta heresia é de contos, quando a regra são intermináveis sagas, ainda por cima só de um autor, mas pior de tudo é ser do João Barreiros. Como que para compensar (como se tal fosse possível!), partilha o tamanho (um “tijolo” como diria o autor) com o que é publicado por estes dias, para não destoar e possivelmente enganar algum incauto que nele pegue sem querer, pois com mais de 500 paginas, não se pode dizer que fique mal lá na estantes de casa, já para não falar no facto de se segurar sozinho em pé!

Ironias e piadas à parte à que dizer que este livro é um marco na Ficção Cientifica Portuguesa pois reúne contos e noveletas que andavam espalhados por jornais, antologias e por sites, daquele que é sem sombra para duvidas o maior autor de Ficção Cientifica Português, vivo ou morto. Infelizmente ainda ninguém se disponibilizou para republicar a restante obra deste autor único no panorama nacional, mas quem sabe se a doença que acometeu o editor não volta a atacar!

Iniciamos o livro com um assaz e acutilante prefacio de Nuno Fonseca, que nos leva acima de tudo a pensar:

“A literatura de Ficção Científica Portuguesa, a par de todo o género comum do fantástico, necessita de um instante destes, e uma publicação que nos faça pensar no passado, no presente e no futuro, em que a comunidade de leitores do género possa e deva ser confrontada com o que tem, com o que é, e com o poder vir a ser. E é também uma boa altura para certos sectores repararem que algo de legítimo se passa fora dos cânones convencionais do realismo contemporâneo, para dar a conhecer um pouco mais ao grande público, este importante vislumbre de um corpus e de uma carreira dedicada à Ficção Científica, made in Portugal”.

A sua opinião quer do João Barreiros quer do actual momento editorial do Fantástico é em grande parte (se não mesmo no seu todo) o reflexo das minhas ideias e opiniões.

O livro é constituído por quinze contos (e noveletas), e como prenda existe uma nota introdutória para cada um, em que o João Barreiros nos leva a passear pelas suas memórias e pensamentos, são vislumbres das histórias por detrás da história, são uma janela para (começarmos) a compreender quem é João Barreiros, de uma certa forma estas notas introdutórias são como pequenos apontamentos auto-biografias.

Não vos irei aborrecer com uma dissertação sobre os contos, outros já o fizeram antes e melhor do que eu poderia fazer, além disso eles são todos bons, muito bons, excelentes. A genialidade dos mesmos vê-se nos temas, completamente insanos, mas só à primeira vista, antes de termos pensado, sim porque isto não são contos fast-food, isto é gourmet, para serem degustado com calma. A mestria com que o autor maneja todas as história, todas as palavras está apenas ao alcance dos melhores e João Barreiros é sem sombra para dúvidas um deles. Mas não pensem que é fácil lê-lo, temos de nos acostumar à sua maneira de escrever, às suas “palavras”, já vi “críticas” em que lhe era apontado o facto de usar uma linguagem demasiado técnica, mas estamos a falar de Ficção Científica, outra coisa não seria de esperar. Muitos dos grandes autores de Ficção Científica usaram linguagem “técnica”, muitas vezes criando palavras para descrever os conceitos inovadores que hoje são para nós banais, e assim é com João Barreiros. Quem esperar “papinha” de fácil “digestão” o melhor é tirar o cavalinho da chuva, antes que ele se constipe. Estas são historias para pensar, como a boa Ficção Científica deve ser, chegando a ser profética. E um aviso de amigo para quem não conhece este autor, na sua escrita a realidade é quem manda...

Este Livro é mais que a simples soma dos seus contos, é mais que um Livro de Ficção Científica, este Livro é a prova que é possível escrever Ficção Científica em Português, é a prova que o Conto é uma das grandes maneiras de contar um Historia, mas acima de tudo este Livro é a memória do Passado, uma afirmação do Presente e uma esperança para o Futuro.
Espero que a João Barreiros seja reconhecido o devido valor ainda em Vida e em tempo útil de ele a saborear. Não gostava que lhe acontecesse o que, infelizmente, acontece a tantos geniais autores, que em vida são ignorados e desvalorizados, para serem descobertos depois da morte como génios incompreendidos.

Leiam e descubram um dos nossos grandes autores, quer no seu domínio da língua que maneja com uma habilidade que muitos querem, mas poucos detêm, quer nas suas ideias que nos levam a pensar e a olhar o mundo com um novo olhar.

domingo, 7 de agosto de 2011

Era uma vez um tipo que sonhava ter um blog

Não sei o que passaram os meus colegas que tem blog's para escolher um nome para o seu, ou até mesmo para definir sobre o queriam escrever e fazer, mas pela minha experiencia não é algo fácil, mas hoje já não persistem grandes dúvidas sobre se a escolha que fiz foi a correcta, mas comecemos a história pelo inicio, e como deve ser.

Era uma vez um tipo que sonhava ter um blog, eu! Coisa corriqueira dirão agora, mas naqueles dias quando a blogosfera começava a despontar não era coisa pouca. Nesses dias as minhas ideias eram um quanto ou tanto diferentes do que vêem hoje e do que irão ver (espero eu). Nesses dias o que eu queria de blog era algo que junta-se não só a literatura, mas também a Ciencia, mas não só, enfim um blog pessoal. Com o tempo estas minhas ideias à luz da paciência foram amadurecendo, até atingirem o ponto em que comecei a ver onde estava errado, onde poderia fazer melhor, o que poderia fazer de original. E assim nasceu este blog, mas ainda faltava um nome.

O primeiro nome que surgiu foi quase no inicio e durou quase este tempo todo: A Terceira Lei de Clarke. O nome juntava (e junta) de modo elegante essas minhas duas paixões, a Literatura Fantastica e a Ciencia de um modo sublime. (Sir) Arthur C. Clark foi não só um prolifero autor de Ficção Cientifica, mas também de divulgação Cientifica e claro está cientista, a ele se deve, por exemplo, os satelites de comunicações que estão em órbitas geoestacionarias ou órbitas de Clark, em sua honra como será óbvio. E claro a sua terceira lei que diz de um modo simples e poetico em tão pouca palavras tanto: qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia. Parecia ter encontrado o nome perfeito. E assim foi durante bastante tempo, mas passado este tempo todo o que eu queria do meu blog havia mudado. O nome A Terceira Lei de Clarke continuava a servir perfeitamente as minhas aspirações de blogger, mas de algum modo já não me parecia encaixar tão bem.

Comecei novamente a busca. Foram muitos os nomes que percorreram a minha mente, mas nenhum que fica-se o tempo suficiente para criar raizes. Formou-se em mim a ideia de fazer uma homenagem, ou para ser chique uma hommage. Comecei a procurar entre as lombadas dos livros da minha biblioteca algo que me chamasse a atenção.
Percorri as estante à procura de inspiração, olhando cada titulo como o possivel futuro nome do blog, parei os olhos sobre um dos primeiros livro de FC que li, mas depressa o descartei. Voltei a percorrer as estantes já algo incerto e com uma certa medida de desespero, até que os meus olhos pousaram na lombada da antologia “Se Acordar Antes de Morrer” de João Barreiros, um dos meus autores de eleição, acredito que os meus olhos devem ter brilhado.

Peguei nele, olhei a capa, folhei-o olhando cada título dos contos e noveletas que o compõem procurando aquele click de reconhecimento, mas que não vinha. Até que cheguei ao ultimo e derradeiro conto: O Homem e o seu Gato, ou o Céu dos Gatos é o Inferno dos Pardais. O titulo é impraticável como nome de blog (mas agora que penso nisso como sub titulo...), mas algo me fez ali ficar. Novamente percorri as páginas do conto como se algo ali chamasse por mim, até que os meus olhos se deparam com o nome de um personagem: o Senhor Luvas. Saborei o nome, como que me habituado a um estranho, mas agradavel paladar. A minha mente disparou: o Senhor Luvas é um gato, ora os gatos são os unicos animais domesticados pelo homem que ao mesmo tempo ainda mantêm a sua independencia (que tem ou já teve um sabe exactamente do que falo). Fazendo uso das sábias palavras do João Barreiros:

“Não nos podemos esquecer que o gato não é um cão. Não constitui matilhas, não obedece a ordens específicas, só ouve o seu nome quando lhe interessa, diverte-se a torturar as presas antes de as devorar e trata o dono como se este fosse a sua mãe que lhe fornece alimento às horas correctas e pouco mais. Quando se roça em nós não é porque nos queira fazer festas, mas pura e simplesmente para deixar as suas marcas territoriais nas nossas pernas. E mesmo assim gostamos dele, pois um gato é uma das criaturas mais belas, fascinantes e terríveis da nossa ecosfera. Se existerem alienígenas o gato é um deles.


Era quase perfeito, algo estranho à que admiti-lo, mas primeiro estranha-se e depois entranha-se, é assim o adagio popular e assim foi neste caso, e quanto mais eu pensava, mas perfeito me parecia. Com este titulo prestava a devida homenagem a um autor que muito admiro, e que ainda mais o merece, e que “explica” de um modo subtil o que espero que este blog se torne, um blog que pareça domesticado, mas que seja na realidade independente, como um gato, como este gato, o Senhor Luvas. Como que para me convencer, eis a “mordida” do final do conto:

“Em boa verdade, quero lá bem saber se me escutam ou não. Falar, tornou-se num acto cumpulsivo. Infelizmente já não tenho um dono a quem cobrir de insultos. Estou sozinho, rodeado pelos idiotas que doravante constituem a minha especie...”

Em boa verdade eu quero ser ouvido, mas acho que quero ainda mais é falar. Como será obvio nem tudo o que escrevo e transcrevo acima é literal no que ao blog diz respeito, mas reflecte o espirito dele, reflecte o que espero dele.

E assim estava escolhido nome.

A data de lançamento do blog foi mais pacifica, por duas boas razões: é a data de nascimento do João Barreiros(mais uma vez a hommage), e claro ousando fazer uma piada já celebrada no reportório desse icone da musica popular que é Quim Barreiros (está tudo interligado), com uma ligeira alteração:

"Qual é o melhor dia para um blog sem sofrer nenhum desgosto? O trinta e um de Julho, Porque depois entra Agosto."


Gostaria de agradece a disponibilidade e permissão do João Barreiros em me deixar utilizar partes do seu excelente e altamente recomendavel livro “Se Acordar antes de Morrer”.

domingo, 31 de julho de 2011

Parabéns João Barreiros!!!



Como nada é feito ao acaso também a entrada em funcionamento deste blog não foi deixada ao acaso e a data escolhida foi precisamente a data de nascimento desse grande vulto da Ficção Científica Portuguesa que é João Barreiros, quer como escrito, editor ou apenas divulgador. 

Ficam aqui os meus mais sinceros votos de mais um excelente ano quer em termos da sua vida pessoal quer da sua vida literária, com muitos e bons projectos.