terça-feira, 31 de dezembro de 2013

2013 - Leituras

Como é da praxe chegados ao final de mais um ano fazemos (quase) sempre um apanhado do que se fez ao longo do ano que termina.

No que a leituras diz respeito este foi mais um excelente ano em que não só li muito, mas mais importante do que a quantidade foi a qualidade do que li e ai não me posso queixar, bem pelo contrario. Foi um ano em que descobri muitas e excelentes "vozes" no panorama nacional da Ficção Científica e da Fantasia e que me faz ter esperança numa nova geração de autores que se está a começar a afirmar, mas que já dão mostras de excelência (embora ainda tenham um longo caminho a percorrer). 

Posso (felizmente) dizer que não li nenhum livro que se tenha revelado particularmente mau, mas houve um que me desiludiu bastante: O Medo do Homem Sábio (volume 1 e 2) de Patrick Ruthfuss. A "culpa" é minha por ter colocado a fasquia demasiado alta e nisto já se sabe quanto mais alto maior a queda.

Na categoria de melhor livro do ano vou, surpresa das surpresas, destacar um livro de não-ficção: O Negócio dos Livros de André Schiffrin. Este livro quase parece ficção, mas é a triste realidade dos nossos dias sobre como funciona (infelizmente) o mundo editorial. Com muita pena minha ainda não lhe dediquei a devida atenção aqui no blog, mas gravem este nome, especialmente se gostam de saber mais sobre o funcionamento do universo dos livros.

Quanto a autores e como não podia deixar de ser um nome salta logo: Manuel Alves. Este autor, na minha humilde opinião é o melhor exemplo do que referi no inicio. Apesar de o primeiro contacto com a sua prosa ter sido em 2012 com o conto Z foi em 2013 que ele esteve em "brasa" com a publicação de vários contos e livros nos mais diversos géneros como Ficção Cientifica, Fantasia, Literatura Infantil ou Romance mostrando não só que é um autor ecléctico na obra, mas também, a julgar pelas opiniões de outros leitores, um excelente escritor. Espero que 2014 lhe traga ainda mais sucesso, por ele, mas também por nós, seus leitores, sejam os que já o apreciam seja pelos que ele ainda vai conquistar.

Quanto a este blog, bem esteve a funcionar relativamente bem, embora os últimos dois meses tenha sido algo abandonado, mas espero fazer de 2014 um ano ainda melhor, o que convenhamos não será difícil...

A todos um excelente ano de 2014.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Opinião - Lili O Natal no Fundo da Caixa de Manuel Alves



O Manuel Alves tinha prometido um conto de Natal e cumpriu presenteando-nos com um conto da Lili.
Mais uma vez o Manuel deixou-me a sonhar com uma historia bonita e natalícia da Lili onde mais uma vez a imaginação da Lili nos embrulha suavemente na sua realidade a ponto de já nem sabermos bem o que é real e o que é a sua imaginação.
Nesta conto que alarga um pouco mais uma mitologia cada vez mais interessante, vamos conhecer mais um personagem, o Sem Fundo e que malandrote ele é, por sorte a Lili vai ter uma ajuda, mas para saberem mais vão ter de ler.
Este é mais um bom belo conto do Manuel Alves que volta a mostrar toda a sua versatilidade num conto para ser contado às crianças, mas que também fará a delicia dos adultos como eu.


Este conto pode ser encontrado no site Smashwords no link: Lili - O Natal do Fundo da Caixa de Manuel Alves

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

As Luvas Brancas do Nobel da Literatura

Agora que o histerismo sobre quem seria o laureado com o prémio Nobel da Literatura 2013 terminou e quando o pó já começou a assentar (e nos dias que correm tal é cada vez mais rápido) é chegada a altura de fazer um pequeno exercício  sobre o significado da atribuição deste prémio.

O Nobel deste ano de 2013 foi atribuído à Canadiana Alice Munro. A sua carreira literária está assente nesse género narrativo tão desprezado nos nossos dias que é o conto. O comité do Nobel disse e passo a citar: The Nobel Prize in Literature 2013 was awarded to Alice Munto "master of the contemporary short story" (O Prémio Nobel da Literatura de 2013 foi atribuido a Alice Munro "mestre do conto contemporâneo").

Ora para mim isto foi uma bofetada de luva branca ao mundo editorial, onde cada vez mais para um livro ter sucesso tem de ter pelo menos mil paginas, quilo e meio e claro ser parte de pelo menos uma trilogia (embora se fizer parte de uma saga de pelo menos sete volumes será bem melhor, alias quantos mais melhor).

O Conto tem sido (muito) menosprezado. Muitos autores estreantes perdem bastante porque querem logo escrever o seu "calhamaço" esquecendo (ou nunca sabendo) que o conto é uma "escola" que muito ensina. 

Espero que a atribuição deste Prémio Nobel também sirva para chamar a atenção para estes factos.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Opinião - Compilação de contos da Era Dourada de Pedro Cipriano




Como o título indica este livro é uma compilação de contos que tem como fio condutor os avanços da tecnologia e os perigos que eles poderão acarretar para a humanidade enquanto espécie. O tema não é novo, mas a cada dia que passa torna-se cada vez mais pertinente e importante, portanto foi com alguma expectativa que me juntei à leitura conjunta deste livro.
De uma modo geral gostei dos contos e gostei da disposição cronológica, mas, sim tinha de haver um mas, achei demasiado o salto de quinhentos anos que é feito entre o segundo e o terceiro conto, mas já lá irei.
O primeiro conto,  "A Alvorada", é um começo auspicioso, (ou será um fim?) embora o seu final não me tenha convencido por ai além.
No segundo conto, "A Escuridão" continuamos no mesmo tempo do primeiro conto, mas o cenário não podia ser mais diferente. Gostei do ambiente, mas novamente aquele final deixou-me algo insatisfeito. Tal como no primeiro conto não achei (muito) verosímil o final, mas (mais um) compreendam que este é um critério subjectivo.
Ao terceiro conto damos um salto temporal de quinhentos anos e vamos parar no meio de uma sociedade "tipo século dezanove" onde o vapor é a principal fonte de energia. Neste conto acompanhamos um homem amargurado com a vida e que culpa a tecnologia pela sua infelicidade. Este conto já foi mais do meu agrado, pequeno e conciso, tudo o que um conto deve ser e com um final que me agradou.
O quarto conto, "O Mostro e a Musa", é o maior e está subdivido em duas partes respectivamente em "O Monstro" e "A Musa". Embora a ideia por detrás me tenha apelado achei a construção psicológica dos personagens algo fraca, principalmente o Comandante Artur Olivais, primeiro descrito como sádico, mas para o final já era um "tipo porreiro".
O quinto e último conto, "O Fruto Proibido", versa sobre a curiosidade humana. Gostei do tema e como o Pedro Cipriano o explorou, com um final a condizer.

Como disse no inicio gostei dos contos, mas como livro não acho que funcione. Não basta ter um tema para "colar" os contos. Temos um bom inicio, mas depois aquele "salto" de quinhentos anos "estraga" um pouco as coisas, principalmente porque a fazer fé na descrição que aparece no Smaswors este é o primeiro livro. Ficamos com uma "falha" que podia e deverei ser preenchida. Não posso deixar de recordar aquele que eu considerando um bom exemplo: "Guerra Mundial Z" do Max Brooks. Este livro leva-nos a conhecer uma mundo que sofre uma infestação Zombei. O seu autor conta-nos a historia desde o inicio ao fim através de contos ordenados por ordem cronológica, mostrando-nos os pontos mais importantes e/ou significativos da historia. Ora é precisamente o que falta aqui, ao nos "dar" o segundo conto,  "A Escuridão" o autor "induz" em erro o leitor. Se apenas tivesse utilizado o primeiro conto, "A Alvorada", como prólogo tudo bem.
Outro aspecto que o Pedro deve rever e aperfeiçoar é a construção das personagens e aos finais um segundo olhar para que sejam mais verosímeis, pois senti algumas reticencias ai.
As minhas criticas podem parecer duras, mas como disse gostei do que li e espero que o Pedro Cipriano continuo a expandir este universo pois fiquei bastante curioso.

Se quiserem ler outras opiniões podem encontra-las nos links abaixo:

As Leituras do Corvo Fiacha - Compilação de contos da Era Dourada de Pedro Cipriano

Folhas do Mundo - A Era Dourada de Pedro Cipriano


Este livro pode ser encontrado no site Smashwords neste link: Compilação de contos da Era Dourada de Pedro Cipriano

domingo, 22 de setembro de 2013

Opinião - Querido estás Morto de João D. Martins



Querido estás Morto é um divertido conto de humor negro de João D. Martins.
A premissa é bastante interessante: um homem que tem de tal forma os hábitos enraizados em si que quando morre dá por isso, prosseguindo com a sua vida como se nada se tivesse passado. O autor segue pelo absurdo da normalidade, ou seja apesar do estranho da situação as pessoas tentam seguir com as suas vidas os mais normalmente que lhes é possivel. Ora como seria de esperar somos presentados com uma serie de caricatas situações como o facto do morto não dar por isso. Se quisesse ser picuinhas apontaria um inicio algo "afastado" do que é o tom do resto do conto, que mais parecia uma aula de escrita criativa (e dai...), mas que mantém sempre o (bom) humor.
Numa escrita bem humorada (que me arrancou umas boas gargalhadas) e isenta de erros (que eu tenha notado) o autor tem aqui aqui um excelente cartão de apresentação, especialmente se, como eu, gostarem de humor negro.

Este conto pode ser encontrado no site Smashwords neste link: Querido estás Morto de João D. Martins

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Opinião - Equador Morto de Manuel Alves



Este é um conto especial para mim: eu sou o personagem principal!!! Sim o Capitão Marco Lopes apresenta-se ao vosso serviço! Pois é, por serviços prestados a esse Senhor da "extraordinária arte da feitiçaria imaginativa" como diz o próprio e muito bem acrescentaria eu, o Manuel decidiu "oferecer-me" um conto onde não só sou a personagem principal, como também me deu a oportunidade de escolher o género, e claro que só podia ter sido a Ficção Científica. O resto deixei à sua imaginação e o resulta foi, como sempre, excelente. 

O Manuel apresenta-nos um mundo onde a Terra foi divida ao meio pelo Equador e tudo o que vive no hemisfério Norte está infectado por algo (tem de ler para saber). A Humanidade passou a ter de viver no hemisfério Sul, mas sempre com as nuvens negras do perigo do que está para Norte passar para o Sul e destruir o que resta do Mundo de outrora.
A historia que nos é apresentada é um pequeno episódio desta nova Terra. Uma equipa é enviada para lá da barreira e a coisa não corre bem..., mas a historia só começa depois disso, já o nosso personagem principal, eu (desculpem não me contive) está sozinho e nada contente, mas claro que os seus problemas ainda agora começaram...

Umas das coisas que mais me surpreendeu, para além da habitual e fantástica "feitiçaria" do Manuel foi que apesar de nunca nos termos conhecido pessoalmente, e as nossas conversas virtuais terem sido sempre curtas ele ter conseguido "adivinhar" como eu sou. Sim por incrível que pareça a linguagem do Capitão Marco Lopes é bastante parecida com a deste vosso Marco Lopes, como se pode ver neste excerto:

"A merda da China. Não lhe bastou tornar-se o país capaz de reproduzir clones de tudo o que existia, tinha de provar ao mundo que também era capaz de clonar lendas e torná-las reais. A merda da China e mais a merda dos dragões. Ninguém fez nada até todos serem forçados a admitir que já não era possível fazer nada. Nada, excepto evacuar metade do mundo e dividir o planeta pelo Equador, com uma barreira sólida de duzentos metros de altura."

Eu falo bastante assim, e as vezes pior, mas também sei ser um cavalheiro.
Outro aspecto que gostei e com o qual me identifiquei, foi o de o Manuel não ter transformado o Capitão Marco Lopes num herói sem medo que avança de arma em punho contra tudo e contra todos. Ele tem medo, mas não se deixa paralisar. Não é burro nenhum (mais uma característica em comum, eu sei mas se eu não me gabar quem o fará?), preferindo escolher o melhor momento para lutar (ou não) a combater contra todas as probabilidades de sucesso. Também me agradou e mais uma vez algo com que me identifiquei, foi a atitude de esperança, mas ao mesmo tempo sem nunca deixar de ser realista para reconhecer quando uma situação está perdida. Tudo isto torna o personagem não só mais humano como também mais credível.
A juntar a este personagem temos um conjunto de personagens secundarias que em nada ficam a dever ao Capitão Marco Lopes, igualmente humanas e verossímeis e que ajudam ainda mais a criar um atmosfera plausível.

Enfim este conto para além dos habituais predicado que já tornaram o Manuel Alves num dos meus autores preferidos, torna-se ainda mais especial pela dedicatória que me é dirigida e pela qual eu lhe ficarei para sempre agradecido, mas também por ter criado um personagem com o qual eu não só me identifico, mas que se parece comigo.

Para o Marco Lopes,
porque ele queria ser
Magnus, o Dragão Negro


Finalizo com uma boa noticia, ao que parece "inspirei" tanto o Manuel que ele tem intenção de expandir este universo, ao qual eu respondo: "Apoiado".

Este conto pode ser encontrado no site Smashword neste link: Equador Morto de Manuel Alves

sábado, 7 de setembro de 2013

O Leitor, o Bibliófilo e o Bibliómano

Eu sou um leitor, mas também sou um bibliófilo (e acho que também sofro de bibliomania, mas numa variante benigna). Eu sou estas três facetas e a sua união leva a que procure muitos livros. Esta procura tem tanto de frustrante como de excitante. Não existe uma feira ou alfarrabista que eu falhe e que não me arrependa durante muito tempo com o pensamento "Ali poderia estar aquele livro que ando à procura à tanto tempo!!!". A cada feira e alfarrabista que visito pareço um drogado que acabou de receber a dose para parar os tremores, mesmo que não traga nada. Quando me meto no carro a caminho de uma feira ou alfarrabista pareço um puto com hiperactividade e que em quanto não chego lá... E assim que lá chego só tenho olhos para os livros (gostava de poder estar ali ao lado a ver as minhas figuras). Vou percorrendo as filas, pilhas, caixotes caixas e mesas cheias de livros velhos e novos, em bom estado e (quase) para lá da salvação. É rara a vez que venha de mãos a abanar, mas existem dias... de felicidade extrema. Hoje foi um dia desses!

Depois de ter percorrido quase toda a feira estava a "escavar" a caixa de um "fornecedor" habitual quando o encontrei. Entre livros que nada me diziam ali estava um daqueles livros que me faz palmilhar quantas feiras e alfarrabista posso: Cidade de Carne do Luís Filipe Silva.



Oh felicidade!!! A descarga de adrenalina é intensa. Pego nele como se pega-se num bebé, para logo de seguida me transfigurar num Gollum sussurrando "Meu Preciso" e não mais o largar. 

Depois cai a realidade e penso "Agora tenho de encontrar a segunda e ultima parte - Vinganças" e lá regresso aquele estado de "ressaca" até a próxima dose, perdão feira onde, quem sabe, poderei encontrar este ou outro desses livros que me fazem a vida um pouco mais feliz.