sábado, 30 de agosto de 2014

Opinião - Somnium 109



Algo atrasado nas leituras, mas já começam a ficar em dia! 


Editorial - Copy paste dos outros editoriais da Somnium o que não é em si algo mau, mas não é o que eu procuro num editorial. Começa bem a falar da Ursula K. Le Guin, mas depois "descamba" no habitual índice comentado.


Contos:

Variável da Imponderabilidade de Tibor Moricz - Quando comecei a ler este conto tive uma sensação de déjà vu e a razão era a óbvia: já o tinha lido, especificamente na antologia Improbabilidades de Verão, uma publicação do e-zine literario (e blog) Infinitamente Improvável dirigido pelo Jorge Candeias, mas de volta ao conto. Trata-se de um conto ambientado num futuro distópico (?) onde as eleições são bastante diferentes (entre muitas outras coisas) e são decididas não pelo sufrágio universal. Quando não se ganha à primeira volta a segunda é decidida em combat e é o que vamos assistir, mas em jogo está muito mais do que a vitoria nas eleições. Foi um conto que me agradou, o autor soube dar a informação sem ser em imfodumps. Apenas o final me deixou algo "desapontado", demasiado limpo, mas nada de muito grave.

Projeto Mulah de Tróia XDII de B. B. Jenitez - Um conto interessante sobre o multiverso escrito (literalmente) na primeira pessoa. Nele B. B. Jenitez imagina alguns universos onde tudo foi diferente ou quase igual na sua vida.

Reprodutores de Frodo Oliveira - Um conto giro ou como se diz em Terras de Vera Cruz bacana. Num futuro onde devido a um vírus apenas alguns homens e mulheres são férteis estes são obrigados a tornar-se reprodutores. É na sua base uma historia de amor, mas também de rebelião. Tem um final interessante.

Finalidades e Destinos de Acervos Ocultos de Ricardo França - Um arqueólogo (no ano 2212) faz uma expedição a um escavação no fundo do mar ao que é suposto ser um edifício Sumério. Lá descobre um colar com certas "propriedades" e depois, bem depois a coisa fica demasiado confusa e só piora. O final é... bem um final.

Asas de Alexandre Lobão - Gostei da história base que serve de cenário acima de tudo pela sua plausibilidade e pela sua (aparente) inevitabilidade(mais dia menos dia). A policia tornou-se obsoleta devido às capacidades de uma Inteligência Artificial (IA) com o nome de DT-EYE que é mais rápida a resolver os casos e (aparentemente) infalível. A história começa nas "comemorações" do encerramento da esquadra e da reforma (compulsiva) dos policias. Martelli é um policia que não se conforma em ir para a reforma tão cedo e aleatoriamente vê um dos mais recentes casos que a IA resolveu em tempo recorde, um suicido, mas claro que as aparências enganam e é preciso os instintos de um humano para ver para lá do óbvio. Como eu disse gostei da historia base e achei a escrita do Alexandre Lobão competente sem ser exuberante, mas o que "estragou" tudo foi a falta de uma reviravolta (que esperei o conto todo e nunca veio) para compensar a total previsibilidade da história, o que é pena.

A Esfera de Ademir Pascale - Já não é a primeira vez que me deparo com este tipo de conto que mistura uma espécie de mito da criação do Universo com filosofias e um certo nível de religiosidade, mas a verdade é que ainda está para aparecer um conto nestes moldes bom e não apenas assim-assim (na melhor das hipóteses).

A Captura da Capitã Escarlate de Cláudio Villa - Uma história de Piratas, mas em terra, muito húmida é certo (ou como se escreve no Brasil úmida), mas ainda assim em terra (firme). Mais parecia um capitulo de um projecto maior com uma adenda no inicio para o leitor se situar.

A Chave do Conhecimento de Lúcio Manfredi - Um conto psicadélico e algo confuso. Percebe-se, ou pelo menos eu percebi, que o autor nos mostra uma espécie de viagem de descoberta do eu do personagem principal em forma de sonho, mas fica sempre travo de estranheza sem isto seja propriamente um elogio.


Prêmio Argos de Literatura Fantástica - O prémio Argos vai na sua 6ª edição (apesar de um interregno)  e mesmo sabendo que a colecção Portuguesa Argonauta tinha uma lugar de destaque no Brasil cada vez me vou apercebendo que ele é ainda maior do que eu pensava, porque não só o Clube de Leitores de Ficção Científica do Brasil (CLFC) foi fundado por leitores que se uniram precisamente por causa da colecção como o nome deste prémio é uma homenagem à mesma.

Homenagem:




Mulheres sabem escrever: como Ursula Le Guin transformou o papel feminino na literatura de gênero por Cláudia Fusco - Um texto bastante interessante sobre a obra de Ursula K. Le Guin, com especial incidência no livro "A Mão Esquerda das Trevas" (The Left Hand of Darkness). Apenas o achei demasiado "académico" na linguagem utilizada, não que isso tenha algo de mal, mas à que saber distinguir uma dissertação para mestrado de um ensaio numa revista de FC. 

Ursula Le Guin — Dados Biográficos por João Campos - Mais um Português, mais um João, mas desta vez o é Campos, do blog Viagem a Andrómeda que dá uma mãozinha com a bibliografia da autora. 


Resenhas e Reflexões:



A MÃO ESQUERDA DA ESCURIDÃO (Ursula Le Guin) - Verdade é uma questão de imaginação: devir, rizoma e A mão esquerda da escuridão por Luana Barossi - Mais uma espécie de "dissertação para mestrado", mais uma vez nada de mal, mas...





OS DESPOSSUÍDOS (Ursula Le Guin) — Os despossuídos, um dos clássicos da FC por Dario Andrade - Em Portugal este livro da Ursula K. Le Guin teve o título de "Os Despojados" e foi publicado na Europa-América na sua colecção de FC de bolso tendo sido divida em duas partes. Já tinha lido uma opinião do Luís Filipe Silva que me tinha despertado (e muito) a minha curiosidade para a leitura deste(s) livro(s), na altura ainda não o(s) tinha e apenas à pouco tempo é que consegui completar o par. Esta opinião/reflexão do Dario Andrade apenas aguçou a minha curiosidade.




FLORESTA É O NOME DO MUNDO (Ursula Le Guin) por Edgar Indalecio Smaniotto - Apesar de ter gostado da história deste livro, que foi publicado por cá e eu até tenho, não me parece que vá ter prioridade nas minhas leituras pelo menos para já.






DO OUTRO LADO DO SONHO (Ursula K. Le Guin) por Marcello Simão Branco - Quando comecei a ler a resenha reparei que já conhecia a historia: já o tinha lido, mas na sua última reencarnação (e com outro título): O Tormento dos Céus, editado pela Presença, teve outras duas e outros tantos nomes.


The truth is: you’ll never leave — Reflexão sobre o conto "THE ONES WHO WALK AWAY FROM OMELAS" de Ursula Le Guin por Luís Filipe Silva - Mais uma vez o Luís Filipe Silva deixa-me a salivar por uma história da Ursula K. Le Guin, neste caso um conto, mas conto colmatar esta falha em breve.




EXPULSOS DA TERRA (Ursula Le Guin) por Ricardo Guilherme dos Santos - Mais um história que me pareceu interessante e que tenho na estante, mas que não estará nos meus planos de leitura mais próximos.


Foi mais uma edição da Somnium que me deu um grande prazer ler. 


Podem descarregar a revista Somnium 109 aqui onde a vão encontrar nos formatos PDF, MOBI e claro EPUB é só escolher