segunda-feira, 31 de julho de 2017

Valorizar o desvalorizado

Começo por confessar que não sabia bem o que escrever neste sexto aniversário d'O Senhor Luvas, mas ontem ao passar os olhos pelos blogs que sigo deparei-me com a opinião do Artur Coelho, no seu blog (Intergacticrobot), à última edição da revista Bang!. Mas, mais do que a sua opinião sobre o conteúdo da revista o que me chamou mais a atenção, e me tocou, foi o primeiro parágrafo do texto:

Por vezes, normalizamos de tal forma o que é pouco habitual por costume, que acabamos por já nem reparar na continuidade de projetos que por cá se caracterizam por serem fugazes. É o caso da revista Bang!, que continua a contrariar a tendência da inexistência de projetos de publicação regular na área do fantástico. E ainda por cima, gratuita. De quatro em quatro meses sabemos que podemos contar com a equipa editorial liderada pela Safaa Dib para nos colocar nas estantes das lojas FNAC mais uma edição recheada de artigos, contos, novidades literárias e banda desenhada. Uma anomalia, no panorama cultural português, onde só o mainstream tem visibilidade e valorização crítica.

Tudo o que o Artur escreveu é verdade. Temos uma tendência tão grande para desprezar e/ou a criticar negativamente, que nos esquecemos de tudo o que de positivo, projectos como a revista Bang!, trouxeram ao panorama nacional da Ficção Cientifica, Fantasia e Terror. Nós os leitores temos de ter em mente que podemos e devemos ser mais que meros elementos passivos, aos quais a única acção possível é a de ler os livros e as revistas. Podemos e devemos ser uma parte activa e integrante e não são precisos grandes gestos para tal. Muitas vezes são os pequenos gestos que mais ajudam, como um simples agradecimento às pessoas que fazem estes projectos nascerem e continuarem, mostrando que  todo o trabalho que eles tiveram é reconhecido e apreciado. Fazendo criticas construtivas e aceitando que existem limites para o que é possível e que se não podem fazer o que nós, os leitores queremos, é porque existe um motivo forte para isso. Podemos e devemos manifestar do que gostamos e gostávamos de ler. Nós os leitores temos mais poder do que imaginamos, apenas temos de o exercer. 

Espero que todos (eu incluído claro) possamos tornar o nosso mundo literário ainda melhor.

Agradeço ao Artur Coelho pelo texto e inspiração e ao Ricardo Lourenço por ter ajudado com o seu post no facebook sobre esta temática e claro o meu agradecimento a todos quantos participaram em todos projectos que eu tive o prazer de ler e que no futuro irei ler.

Por fim e como não podia deixar de ser os meus parabéns ao grande João Barreiros não só por mais um aniversário, mas por me ter proporcionado grandes momentos, quer pelos livros que escreveu quer pelos livros que traduziu, pelas colecções que orientou e pelas grandes histórias que nos revela sobre o "submundo" da edição.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Opinião - Quem tudo vê de Ricardo Neves

Capa Renovada

Júlio é um tipo que, como se diz na gíria popular, não joga com o baralho todo. Um dia ao ver o telejornal apaixona-se, embora dizer que desenvolve uma obsessão estará mais correcto, por uma jornalista chamada Alice. A partir desse momento não perde pitada da sua carreia em ascensão. Grava todos os programas em que ela aparece (principalmente os blocos noticiários) e guarda tudo quanto sai na imprensa escrita. Ao mesmo tempo perde a namorada e a sua "paixão" por Alice fica mais forte. Os anos passam e a sua musa torna-se pivot do telejornal. Eis que Júlio começa a receber na sua caixa de correio electrónico vídeos perturbadores de pessoas a comer outras pessoas em praticas (quase) rituais. Ora o que é que isto tem a haver com a sua obsessão com Alice? Bem vão ter de ler até ao fim para saber.

Primeira Capa

É um conto de terror (e gore), em que o que o autor soube manter o suspense mesmo até ao fim. Achei o final interessante. Apesar de o terror não ser propriamente a minha praia, gostei do li.

Este conto pode ser encontrado no Smashwords no link: Quem tudo vê de Ricardo Neves

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Opinião - À Hóme! de Joel G. Gomes



À Hóme! do Joel G. Gomes é um conto que mistura Ficção Científica e Comédia. O personagem principal é um português artificial: o andróide Tuga 2.3 (embora fabricado em Espanha). Um andróide que pretender emular o "típico" português num futuro (daqui a pouco mais de cem anos) em que uma praga dizimou (praticamente) toda a população da Península Ibérica. A história começa com uma perseguição ao 2172/3A1722l, ou 2172L para os amigos (se ele os tivesse), pelas ruas de Alfama. Depois de uma tentativa gorada de fuga e de uma épica e cómica tentativa de dissuasão dos seus perseguidores, que nunca chegamos a saber quem são ou o que pretendem, 2172L vê-se encurralado. Entre uma miríade de cenários em que "imagina" o que os seus perseguidores lhe farão e um fenómeno, na forma de uma barreira, que apenas os andróides conseguem ver e sem que saiba o que lhe possa acontecer ao atravessa-la, ele acaba por optar por esta última opção. Ao transpor a barreira acaba por vir parar à Alfama dos nossos dias, bem ao ano 2023 para ser exacto. Aqui passa por uma série de peripécias sempre tendo como pano de fundo aquilo que temos como a caricatura do que é ser português, seja mulher, mas principalmente homem.

Gostei de certas partes, de outras... nem por isso. Gostei das partes humorísticas, (há pessoas que são um bom garfo eu estou perpetuadamente pronto para uma boa gargalhada). Mesmo sendo baseado num cliché o Joel deu-lhe uma "voltinha" que achei interessante. Ficaram algumas perguntas no ar como por exemplo quem e porque é que foram criados estes andróides, ou porque raio é que haveriam de vir turistas depois do que aconteceu (embora esta seja mais fácil de responder: existem pessoas malucas em todo o lado e em todos os tempos). Ao longo do conto o autor foi deixando pistas de que me levam a concluir que este conto funciona em loop, ou seja o que aconteceu no passado vai influenciar o que se vai passar no futuro que por sua vez vai influenciar o que se passou no passado (parece confuso e é, mas eu já tenho "calo" nestas coisas).

E por fim o final. Achei que destoa do tom que o autor impôs ao resto do conto, ou seja, todo o conto é cómico e de repente o final assume um tom sério, como os filmes do Exterminador Implacável. Faltou aquilo a que no mundo humorístico se apelida de punchline (aquela piada que dá sentido(?) a todo) e que, penso eu, tinha ficado melhor e mais condizente com o tom do resto do conto.

Se ficaram curiosos podem seguir o link e encontrar na página do autor as várias lojas em que podem encontrar este conto: À Hóme de Joel G. Gomes e e outros trabalhos do autor.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Tirar, começar e não acabar ou a história de leituras inacabadas

A quem é que nunca aconteceu deixar um livro a meio? Já terá acontecido a todos nós pelo menos uma vez e eu não sou excepção. Alguns leitores deixam as suas leituras a meio porque o livro em questão não desperta a sua atenção, a sua curiosidade o suficiente ou porque esperavam algo mais e preferem não perder o seu tempo com algo que, à partida, não os vai satisfazer e seguem para outro livro que esperam ser (muito) melhor. Parte de mim admira e reconhece alguma coragem nesse acto embora confesse que não me lembro de ter deixado algum livro a meio por esse motivo. Já tenho lido livros que à partida sei que não são grande coisa, mas consigo lê-los facilmente, por norma o único desafio é ultrapassar  o aborrecimento de um livro previsível e insípido. Já agora para todos os que se estão a perguntar o porquê de eu ler livros que à partida sei serem maus? São livros que chegaram aos tops (ninguém sabe como), como a saga Twilight da Stephenie Meyer, e para poder falar com propriedade tenho de os ler. Eu sei, eu sei, mas alguém tem de o fazer.

Mas existem outras razões para se deixar um livro a meio. As dinâmicas das nossas vidas pessoais, sociais e profissionais também podem influenciar a leitura (ou não) de um livro.

Eis que chegamos ao que me levou a escrever este texto e que é a principal razão que me leva a deixar (embora temporariamente) a leitura de um livro: não estar preparado para o mesmo. É uma razão que não se vê muitas vezes a ser assumida e discutida, mas acredito que tal como eu também outros leitores o fazem por esta razão. Ninguém gosta de admitir que não percebeu o que estava a ler. Não serão muitos os leitores que gostam de reconhecer, quer a si quer aos seus pares, a sua ignorância. Na Ficção Científica, por exemplo e especialmente na chamada Hard Scifi, é algo que acontece amiúde, como os seus estranhos conceitos e tecnologias que baralham e afastam a grande maioria dos leitores. Para leitores iniciantes poderá ser um mau local para começar precisamente por isto, mas afasto-me do tópico. 

Neste aspecto houve uma colecção que me marcou: Viajantes do Tempo da editora Presença. Hoje uma colecção morta e (quase) enterrada, foi a minha porta de entrada para a Ficção Científica e como tal também a minha primeira fonte de frustrações e livros deixados para trás (embora hoje possa dizer com orgulho que já os li a todos). Alguns li-os até ao fim, como os livros do Philip K. Dick ou da Ursula K. Le Guin, mas acredito que nunca os compreendi totalmente, e alguns tive mesmo de os deixar. Não são poucas as vezes em que olho para eles e desejo voltar a lê-los novamente, para, agora já mais maduro quer na idade quer na experiência literária adquirida, os poder verdadeiramente apreciar, mas divago novamente.



Dos livros que tive de deixar a meio, embora logo ao inicio seja mais correcto, pelas razão acima descritas encontram-se o livro de Neal Stephenson “Samurai: Nome de Código” (Snowcrash) um dos grandes e icónicos livros do Cyberpunk (e o primeiro da colecção), do Bruce Sterling “Schismatrix – O Mundo Pós-Humano” (Schismatrix Plus) e a trilogia de John C. Wright constituída por “A Idade de Ouro” (The Golden Age), “A Fénix Exultante” (The Phoenix Exultant) e “A Grande Transcendência” (The Golden Transcendence). Todos livros que mal os comecei a ler coloquei-os de lado. O livro do Bruce Sterling ainda lhe peguei duas ou três vezes naquela altura, mas com o mesmo resultado. Não foram apenas estes claro, houve mais alguns, mas estes ficaram-me na memoria.




Foram precisos mais de dez anos para lhes pegar novamente e os ler, mais de dez anos a educar o meu “palato literário” e que irá continuar a ser educado até ao dia em que morrer. Quando os li, e apesar de ainda ter muito a aprender, consegui não só lê-los como também apreciar as belas obras que são e que merecem uma releitura e quem sabe se um dia não o farei.




E agora revelo que existe mais um livro que vai para este lista: Galxmente do Luís Filipe Silva. Era suposto ter sido a minha primeira leitura do ano e em boa verdade foi com ele que logo no dia Um comecei, lendo as primeiras páginas, mas foi sol de pouca dura pois apesar de toda a minha vontade não consegui prosseguir com a leitura. O livro não foi para a estante, ficou na mesa de centro da sala, onde estão as minha futuras leituras, como uma lembrança das minha “obrigações”. Há cerca de dois meses voltei a tentar. É certo que consegui avançar mais do que da primeira vez, mas o resultado foi o mesmo. Neste caso não foi a falta de conhecimentos que me deixou “pendurado”, mas antes a “dinâmica”, leia-se uma falta de disponibilidade mental para o conseguir ler. Apesar de toda a minha curiosidade em ler este clássico da Ficção Científica Portuguesa, e ao fim de duas tentativas goradas acabei por “devolver” o livro à estante na esperança de um dia, mais cedo do que tarde, possa voltar a pegar nele e lê-lo de fio a pavio com a atenção e dedicação que merece. Não culpo o livro, nem este nem os outros que não consegui ler à primeira, ou mesmo à segunda tentativa, aliás não culpo ninguém nem nada, são momentos e fases da vida e como tal não vale a pena andar a martirizar-me ou a tentar arranjar desculpas esfarrapadas culpando o autor ou o livro ou o que seja. O segredo é não levar a situação demasiado a sério. Já aconteceu antes e certamente voltará a acontecer e de todas as vezes e sabendo de antemão que os livros valiam a pena voltei a eles mais sapiente e mais calmo e pude aprecia-los. Com este tenho a certeza que também assim será. 

domingo, 18 de junho de 2017

Lançamento de As Nuvens de Hamburgo de Pedro Cipriano

Hoje é um dia que certamente ficará na História pelas piores razões devido aos infelizes acontecimentos em Pedrogão Grande. Mas este é também um dia que ficará na memoria, mas pelas melhores razões, de todos quantos assistiram ao lançamento, na Biblioteca Municipal de Vagos, do livro "As Nuvens de Hamburgo" do Pedro Cipriano

O Autor e o estreante 


À hora certa lá estava eu para apresentação de "As Nuvens de Hamburgo" e não foi sem alguma surpresa que o Pedro, que conheci pessoalmente hoje, me convidou para me sentar à mesa dos "graúdos". Já tínhamos falado da minha "disponibilidade" (dito assim até pareço um tipo importante o que não é o caso) em apresentar o livro, mas não tinha ficado nada decidido. Aceitei, mas nunca tinha feito nada disto na vida e não escondo que estava algo nervoso por ter de falar em público. Felizmente correu tudo bem, ou pelo menos tão bem quando seria de esperar para um estreante: não gaguejei (muito) e tive um discurso relativamente coerente e igualmente importante consegui manter-me (quase sempre) centrado no livro, embora não tenha conseguido evitar alguns desvios, mas consegui sempre voltar (quando não fui "arrastado) ao livro. Foi agradável falar do livro, que como sabem foi uma leitura da qual gostei bastante, e poder elogiar o autor cara a cara. Foi como um conversa de onde saímos mais ricos com o que aprendemos. Fiquei saber um pouco mais sobre o que esteve por detrás do livro, as motivações e inspirações, enfim aqueles pequenos, mas importantes pormenores, que acabam por dar mais vida à história.

O leitor, o livro e o autor

Foi uma tarde bem passada em que tive o privilegio de conhecer não só um excelente autor, mas também outras pessoas igualmente simpáticas e talentosas e com quem espero novamente privar "ao vivo e a cores" num futuro próximo. 

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Opinião - As Nuvens de Hamburgo de Pedro Cipriano




Marta é uma estudante de História que vai para a cidade de Hamburgo na Alemanha, integrada no programa Erasmus, mas algo de estranho se passa pois ainda não desfez a mala quando observa da janela do seu quarto algo não deveria ver: bandeiras com a cruz suástica a adejar ao vento, mas tal é impossível! Não é? E com um piscar de olhos elas desaparecem... É assim que começa esta novela do Pedro Cipriano onde vamos acompanhar a Marta não só na sua aventura em que irá questionar a sua sanidade, mas também a sua atribulada vida pessoal. Desde a sua relação, extremamente atribulada, com os pais, que nunca viram com bons olhos a sua escolha de curso e muito menos a sua ida para outro país, passando pelos poucos amigos que consegue fazer, também eles estudantes de Erasmus, enquanto se adapta a uma nova cidade e a uma nova língua, tudo pormenores que ajudam a dar profundidade à personagem e a criar ligação com o leitor. Mas o foco da história são mesmo as suas alucinações (serão mesmo?) onde Marta é transportada para os dias da Segunda Grande Guerra. É fascinante vê-la a debater-se com esta situação peculiar, questionando a sua sanidade e como poderá separar as suas alucinações da realidade. Ao inicio as transições são tão confusas para a personagem principal como para o leitor, pelo menos para mim foram. Não se foi algo que saiu naturalmente ao autor ou se foi meticulosamente planeado, mas tenha sido uma ou outra a verdade é que isso resulta numa maior afinidade entre o leitor e a história, pois nós (os leitores) ficamos tão confusos como a personagem principal e com ela vamos descobrindo o que se está a passar e viver as angustias e prazeres desta nova fase na sua vida.

Foram duas as horas que demorei a devorar este livro, porque depois de começar não consegui parar de lê-lo. É uma história que puxar pelo leitor. 

O que faz deste um excelente livro? As personagens palpáveis e a capacidade em ter integrado tudo numa história real apesar da sua inegável faceta Fantástica. 

Uma nota final. Em Setembro de dois mil e treze dei a minha opinião sobre a Compilação de contos da Era Dourada e escrevei que "o Pedro deve rever e aperfeiçoar a construção das personagens e aos finais um segundo olhar para que sejam mais verosímeis, pois senti algumas reticencias ai" foi pois com prazer que eu vi que ele fez exactamente isso e esta história prova-o sem margem para dúvidas. Ninguém é perfeito, mas o Pedro mostra que com (muito) trabalho se consegue progredir na direcção correcta. Espero que ele continue a mostra os seu talento.


O lançamento vai ocorreu este Domingo dia dezoito na Biblioteca Municipal de Vagos pelas quinze horas. Para quem não conseguir comparecer irá também ocorrer o lançamento em Lisboa em data e local a anunciar. 


Para quem quiser ler a sinopse e mais importante fazer a reserva do livro é só seguir o link: Pré-venda "As Nuvens de Hamburgo"


sexta-feira, 19 de maio de 2017

Opinião (BD) - Aprocryphus (volume um)

Capa do 1.º volume da autoria de Carlos Amaral


Aprocryphus é um projecto de BD de autores para leitores, sem filtros ou intermediários. Portanto quem comprar este livro está a apoiar directamente os autores. Isto não é propriamente algo novo. Com a facilidade de comunicação e visibilidade que a Internet, mas em especial as redes sociais, trouxeram, cada vez mais vemos autores a tentar a sua sorte sem terem de passar pelo "crivo" de uma editora convencional. Esta oportunidade de "ultrapassar" o selo de aprovação de uma editora significa que temos ao nosso alcance tudo, desde o pior que podemos imaginar passando por projectos que dada a sua especificidade nunca seria rentáveis para uma editora dita convencional, projectos como este, mas falemos dele.

Neste primeiro volume, e tenho a certeza que todos serão assim nem que seja pela natureza intrínseca do projecto, o que salta mais à vista, metafórica e literalmente falando, é o quanto ele é ecléctico, seja nos argumentos, seja na arte e isto apesar de "preso" a um tema, que neste primeiro volume é a Fantasia. São seis histórias, embora a ultima seja claramente de Ficção Científica, que muito me agradaram. Vamos poder apreciar histórias com inspiração na mitologia Árabe, seguida de outra que mistura quase todas as mitologia, desde a Cristã passando pela Grega, Hindu ou Egípcia, ou ainda uma que tem forte parecença (pelo menos assim me pareceu) com Conan o Bárbaro e muito humor, mas apenas para quem o souber ver.

Enfim tenho a certeza que  os apreciadores de BD irão encontrar pelo menos uma história que lhes aguarde. No meu caso foram seis em seis.

Este primeiro volume teve a mão dos seguintes autores: Nuno Amaral Jorge, Inocência Dias, Mariana Flores (Maria Mar), Rui Gamito, Miguel Jorge, Miguel Montenegro, Phermad (Fernando Madeira), Pedro Potier, João Raz, Pedro Daniel (Phobos Anomaly Design) e com uma belíssima capa da autoria do Carlos Amaral que também tem neste volume uma entrevista realizada pelo Nuno Amaral Jorge.

Este é um projecto que, para já, tem uma periodicidade anual sendo que se tudo correr bem e eu espero que sim, lá para o final deste ano teremos o segundo volume.

Para saberem mais sobre este projecto ou mesmo para adquirirem um exemplar, caso não tenham a sorte de os encontrarem em algum encontro de aficionados de BD, podem visitar o site do projecto em:

http://apocryphusproject.com

terça-feira, 9 de maio de 2017

Novos Talentos da Literatura Portuguesa? Quem e Onde?

Quem são os novos talentos da Literatura Portuguesa? A revista Estante, colocou esta mesma questão a "alguns dos mais consolidados autores da nossa praça" incluindo o "nosso" Luís Filipe Silva.

Confesso que algumas respostas me desiludiram. Parece-me que em alguns casos nem chegaram a ler a pergunta, ou então aproveitaram para fazer publicidade, ou isso ou eu tenho uma concepção de novos talentos (muito) diferente. Querem um exemplo? Mário Zambujal, autor da "Crónica dos Bons Malandros" dá como exemplo o  Gonçalo M. Tavares. Ora estamos a falar de um autor que já publica (e arrecada prémios) desde dois mil e um e que não tarda nada está a atingir a marca das quatro dezenas de livros publicados (a solo). E um dos dois nomes que o Luís Filipe Silva menciona é o do António de Macedo que já publica Ficção (para não ir mais longe) desde mil novecentos e noventa e dois. Repare-se que não está em causa a qualidade e o mérito dos autores, mas dificilmente os apelidaria de novos talentos.

Isto fez-me pensar quem são e onde estão afinal os novos valores da Literatura Portuguesa, mais concretamente os de Ficção Científica e Fantasia. Para melhor compreendermos quem podem ser estes novos talentos o melhor será começar por definir o que é afinal um novo talento. Vou balizar como novos talentos, os autores que independentemente da sua idade e meio de publicação (digital ou papel em edição de autor ou em editoras convencionais) começaram a publicar já durante esta década, portanto a partir de dois mil e onze. Naturalmente esta minha definição também poderá ser alvo de critica, mas não se pode agradar a "gregos e troianos".

A primeira conclusão a que chego é que se os queremos encontrar, dificilmente o vamos fazer nos catálogos das editoras tradicionais e/ou nas livrarias convencionais. Que novos nomes vemos nos escaparates? Poucos, muito poucos. E porquê? Não tenho a presunção de conhecer (todas) as nuances que pautuam o mercado editorial Português, mas olhando para o que por cá se vai publicando torna-se claro que é (muito) mais fácil ver publicado um estreante autor estrangeiro, quase invariavelmente de um pais de língua anglófona, do que um autor Português. E porque é que isso acontece? Mesmo sendo novo, um autor estrangeiro já traz consigo (quase) todo o marketing feito, desde prémios (pseudo)importantes a frases feitas elogiando a obra e/ou o autor de outros autores e/ou sites de livros passando por algum (possível) contrato para adaptar o livro ao cinema ou à televisão. Enfim como se costuma dizer na gíria popular: traz toda a "papinha" feita. Mesmo se juntarmos os custos da tradução e, claro, os direitos de publicação, que tanto quanto sei não são propriamente baixos, as editoras (parecem) continuar a preferir os autores estrangeiros.

Um livro de um novo autor Português, exclua-se as figuras públicas que são um caso à parte, tem de ser editado (não confundir com publicado), tem de ser publicitado, tem, ou deverá ter uma estratégia de marketing, que passa por exemplo, comprar espaço nas prateleiras das livrarias e grandes superfícies e tudo isto custa dinheiro e sem nunca se ter a certeza (pequena ou grande) de que o autor irá ter sucesso. Repare-se que a qualidade do autor não é para aqui chamada.

Mas então não existem Portugueses a escrever? Não há quem escreva Ficção Científica e Fantasia na língua de Camões? A resposta a ambas as perguntas é um rotundo sim. Lembro que na segunda edição do prémio Bang! da editora Saída de Emergência, e segundo números da mesma, a participação de autores portugueses passou a barreira dos cem manuscritos. Mesmo se aplicarmos a Lei de Sturgeon que diz que "90% de qualquer coisa é lixo" ainda ficamos com dez livros/autores bons para publicar. Então onde estão eles? Um boa pergunta para colocar à editora.

Então onde estão estes autores Portugueses? Incapazes (impedidos?) de editarem as suas obras pelas editoras convencionais viraram-se para as muitas plataformas de auto-edição, ou que tenham essa vertente, existentes por esse Internet fora, como  a Amazon, Smaswords, Kobo, Wattpad e tantas outras e por lá vão tendo mais ou menos sucesso em muito graças ao "passa a palavra" nas redes sociais como o Facebook.

As editoras convencionais são agentes passivos e em conformidade com essa imagem e apesar de algumas mudanças (rápidas) a que o mercado tem assistido elas continuam fechadas nas suas torres de marfim à espera que os autores e os seus manuscritos peregrinem até si, ao invés de tomarem uma posição mais pro-activa, procurarem o que de melhor se escreve por ai e oferecerem a possibilidade a esses autores e livros de conquistarem novos públicos. E, felizmente, não falta autores, desde o inevitável Manuel Alves passando pelo Joel G. Gomes, pela Carina Portugal ou pelo Pedro Cipriano, (mas existem muitos mais felizmente). São autores que já deram provas da sua qualidade e de que são (ou serão capazes) de voos mais altos. E já agora uma pequena nota para os projectos onde novos autores dão os primeiros passos como o excelente exemplo que é o Fantasy & Co, entre outros.

A minha visão é a de que esta situação beneficiaria todos os envolvidos. Os autores ganhariam  um parceiro de peso nas editoras que além de disponibilizarem os seus manuscritos a um publico mais vasto (ao invés dos "suspeitos do costume"), ainda teriam um parceiro profissional na preparação dos seus textos, seja na edição, paginação, capas ou marketing. As editoras ganhariam um elemento diferenciador ao apostarem em autores portugueses pois ao editarem um autor estrangeiro podem estar a perder leitores/clientes que preferem ler em inglês, mas este é um assunto que terá direito a um texto próprio.

Com tudo isto não quero dizer que as editoras não queiram novos autores portugueses, até porque do lado do autores também existem muitos que, por variadas razões, preferem não ser editados por uma editora convencional optando pelas soluções acima referidas

Já tinha aflorado este assunto no texto "Manuel Alves – O escritor 2.0" (já nos idos de dois mil e catorze) e irei voltar a escrever sobre estas questões outra vez, pois considero-as da máxima importância para um saudável mercado literário.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Opinião - Os Monstros que nos habitam (Antologia)



A Editora Divergência está de regresso com mais uma antologia mostrando que existe nesta cantinho à beira-mar plantado muito talento à espera de uma oportunidade para se dar a conhecer e mostrando também às vozes do Apocalipse que existe publico que gosta de ler contos e antologias neste géneros "marginais"

Quando "Os Monstros que nos habitam" me chegou às mãos não pode deixar de admirar a excelente capa (e que podem admirar acima) e que dá o tom para o que podemos encontrar dentro do livro. Da autoria da Ana Filipa Dias é dela também a introdução onde traça o actual panorama da ficção especulativa (termo pelo qual eu não morro de amores, mas isso é outra conversa) e com o qual, no geral, estou de acordo.

Para além da capa (que não me canso de elogiar) houve outra questão que rapidamente me chamou a atenção: o que é afinal o Paranormal? Para muitos leitores desse lado, e para mim também assim era, a palavra paranormal era sinonimo de sobrenatural. Movido pela curiosidade acabei por descobrir que são palavras com significados diferentes, embora com pontos em comum. Para melhor entenderam as diferenças na definição de Paranormal e Sobrenatural é só seguir os links até às respectivas paginas na Wikipédia.

E então os contos perguntam vós em ânsia? Eis o que a minha pessoa tem a dizer sobre cada um:

A Maldição de Odette Laurie de Nuno Ferreira - O autor presenteia-nos com um conto de fantasia medieval onde o preconceito e o ódio vão desencadear uma maldição com consequenciais imprevistas e claro nefastas. A ideia é boa e as habilidades narrativas do Nuno também, mas ele (parece) perder-se com pequenos apontamentos narrativos que não só não trazem nada de relevante à história, mas que acabam por distrair o leitor. E porquê? Bem um conto, devido ao seu tamanho, necessariamente pequeno, deve ser "directo". Se num formato maior, como o romance, essas "divagações" são algo esperado e até mesmo necessário, no conto tal é "proibido" não podendo o autor perder-se em linhas narrativas acessórias e isto é precisamente o que acontece neste conto, o que é uma pena. Este conto  podia e devia ter sido "limado" destas "arestas".

Vento Parado de Ângelo Teodoro - A morte de um ente querido é sempre uma altura de tristeza e mesmo de alguma confusão emocional e racional. Ora é precisamente por isso que passa a personagem principal deste conto, um escritor que perdeu a esposa num acidente e que vivendo momentos de bloqueio decide que o melhor é deixar a casa carregada de memorias conjuntas e rumar a uma isolada aldeia... e bem acho que já estão ver que a partir daqui a coisa vai correr mal.
Um conto simplesmente delicioso, que me deu bastante prazer ler. Se na antologia "Nos Limites do Infinito" já tinha dado ao Ângelo Teodoro uma menção honrosa desta vez ele sobe ao lugar máximo do pódio com este conto onde demonstra ter um soberbo controlo sobre os tempos narrativos conseguindo equilibrar na perfeição a informação que vai dando, maximizando assim o impacto emocional no leitor. Inicialmente apenas achei o final demasiado abrupto, mas após reflectir por alguns momentos vi a razão da decisão do autor em terminar ali o conto e isso veio reforçar ainda mais o que atrás disse e acrescentou ainda mais prazer à leitura.

A Essência do Mal de Alexandra Torres - Uma esposa foge de um marido bêbado e violento, mas será que consegue chegar a um porto seguro ou será que irá parar num lugar/situação ainda pior? Bem, pior do que viver sempre com medo não sei, mas que o que esta personagem vai passar é bastante assustador lá isso é. Gostei da escrita da autora, simples e eficaz. Confesso que o fim me surpreendeu, não pela originalidade, mas porque a autora me enganou bem enganado e neste casos isso é bom.

Génesis de Patrícia Morais - Um conto (muito) interessante, mas com dois problemas. O primeiro é passar a sensação de que é um prólogo (ou o primeiro capitulo) de uma historia maior, mas confesso que esta sensação pode ser um problema meu. Muitos contos que tenho lido tem me dado esta sensação. Dá-me a impressão de que os autores se esquecem que os contos devem ter principio, meio e fim. Reparem que não há mal em ter um conto que possa ser expandido para, por exemplo, um romance. Não seria a primeira vez e os exemplos são mais que muitos, mas o problema é o leitor no final ficar com a tal sensação de que acabou de ler um prólogo ou o primeiro capitulo de um romance e não um conto. No conto podemos (devemos?) no final ficar com a curiosidade de querer saber mais sobre o mundo que acabamos de "viver" ao invés do sentimento de ter ficado "pendurado".
O segundo problema tem à ver com a temática. Quando comecei a lê-lo pensei: "mas o que faz uma historia de Ficção Científica aqui?". Lá me acalmei e continuei a ler. E a minha paciência foi recompensado quando, talvez a meio do conto, acontece um evento, que por razões óbvias não irei descrever, mas que à primeira vista parece encaminhar este conto na direcção do tom da Antologia. O problema é que no final aquele evento acaba por parecer algo fortuito. Fica a impressão de que apenas lá foi colocado para justificar a presença deste conto nesta antologia.
Para lá destas considerações e analisando o conto isoladamente da presente companhia achei a história interessante e com potencial, com todo o seu ambiente de história alternativa com laivos de Steampunk e que me deixou a querer saber mais.

O Canto da Sereia de Soraia Matos - Se tivesse de escolher uma palavra para definir este conto essa palavra seria confuso. Achei a história e a sua execução nebulosa e em alguns pontos desconexa.
Como ponto positivo gostei de alguns elementos mitológicos que a autora criou, como a razão para as Sereias procriarem tão pouco. 

Páginas Assassinas de Carina Rosa - Dois jovens amigas finalmente vêem-se livros do jugo dos pais quando vão para a universidade. É tempo de descontrair e aproveitar a vida e as festas certo? Errado, porque uma delas está obcecada com uma historia que não consegue parar de escrever, um romance sobrenatural em que o que ela escreve acontece... E bem o resto vão ter ler para saber, mas posso adiantar que é um conto bem escrito, com principio, meio e fim. Gostei do final, embora não possa dizer que é a "coisinha" mais original que li. Não me surpreendeu, mas também não foi algo com o qual estivesse a contar totalmente. Uma repartição de "culpas" que me deixou (muito) satisfeito.




Eis-nos então chegados ao fim, onde tenho a certeza que já salivam por um veredicto! Já vos ouço gritar "Então, tanta conversa, tanta conversa, mas afinal é boa? Vale a pena?" E eu deixo-vos mais um pouco na expectativa enquanto coço a barba (que fofinha está) como um velho sábio e puxo mais uma baforada do cachimbo e limpo os óculos com toda a calma do mundo enquanto vocês começa a ficar vermelhos de impaciência e respondo baixinho: "Sim".

Qualquer antologia que mostre que existe vida para lá dos suspeitos do costume já vale a pena. Qualquer antologia que nos mostre que afinal existem muito mais autores do que aqueles que pensávamos existirem vale a pena.

Qualquer antologia que apresente talentos como esta apresenta vale a pena e acho que por esta altura já aprendemos que as da Editorial Divergência valem muito a pena e esta não é excepção.





Ficou apenas por dizer que o lançamento deste antologia vai ocorrer este Sábado, 29 Abril, às 17h30 na Biblioteca São Lázaro, Arroios (Lisboa) e no Domingo, 30 Abril, às 16h00, no Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha (Santarém), Se puderem apareçam, mas se, como eu, infelizmente, não puderem comparece sempre podem fazer já a vossa pré-encomenda na loja site da Editorial Divergência com desconto  até dia vinte e oito de Abril.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Opinião - A Arca de Joel G. Gomes




O Joel fez-me chegar este primeiro episódio da série "O Mal Humano", ainda em dois mil e dezasseis. Terminei as leituras que andava a fazer, imprimi a história (porque se puder ler em papel acho preferível a fazê-lo num ecrã) e, claro, li-a, sabendo que ainda tinha algum tempo até ao lançamento oficial e queria fazer coincidir a publicação da minha opinião com a estreia desta série.

O lançamento ocorreu em Janeiro, mas no inicio desse mês tinha morrido uma das pessoas mais queridas da minha vida. Coincidência ou não é precisamente sobre isso, a Morte, que fala esta história, mais especificamente sobre a nossa incapacidade de aceitarmos que aquele pessoa, por quem tínhamos tanto afecto, morreu e que agora precisamos prosseguir com a nossa vida. A Morte é o acontecimento mais natural e definitivamente o mais absoluto que iremos viver e a incapacidade de conseguirmos aceita-la e continuarmos tem consequenciais nefastas, quer para nós quer para quem nos rodeia. É precisamente estas consequenciais que o Joel explora neste episódio zero de "O Mal Humano".

Rui Alves é um jovem de vinte anos que perdeu os seus pais recentemente, mas que não foi capaz de seguir com a sua vida. Descobre que existe alguém que o pode reunir novamente com eles: Valter Braz. O Valter Braz é o guardião da Arca, e é quem permite a sua utilização, mas também ele sofreu uma perda: a sua esposa e como já devem ter adivinhado também ele não conseguiu seguir com a sua vida. A utilização da Arca implica seguir regras: existe um limite de tempo para a sua utilização e o seu guardião não a pode utilizar. Mas o luto é um sentimento poderoso, que nos leva a tomar decisões (muito) pouco racionais sem pensar nas consequências.  E o melhor é parar por aqui antes que revele mais do que devo e estrague o prazer da leitura aos futuros leitores.

Este episódio zero (da temporada zero) é a porta de entrada para esta nova série literária do Joel (e da qual já podem encontrar disponíveis os episódios um e dois). Para quem já conhece a escrita do autor, ela aparece aqui (ainda) mais afinada. Gostei da forma como o Joel abordou esta questão e da pitada de humor que lá conseguiu introduzir, em especial a arca que não é a arca que eu estava à espera, mas que me deixou com um sorriso nos lábios. 


Podem encontrar mais informações sobre o autor na sua pagina em Joel G. Gomes e sobre esta série literária em especifico e dos muitos locais onde a podem adquirir em: O Mal Humano

Joel G. Gomes é já um "velho" conhecido deste blog e o seu regresso, em especial com projectos como este, é sempre bem-vindo.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Opinião - Carnívora de Manuel Alves




Eis o Manuel de volta aos contos de Ficção Científica! E ainda bem.

A Carnívora é uma história temporal e geograficamente bem delimitada: um laboratório, secreto claro. Mas as consequências do que se lá vai passar irá levar-nos muito para lá das suas paredes e vamos ser "transportados" no tempo muito para atrás e ter um vislumbre de um possível futuro e garanto que não é propriamente agradável. 

Como é habitual não se poder contar muito sem correr o risco de dizer o que não se deve e assim estragar o prazer da descoberta. Posso dizer (acho) que as coisas não são o que parecem, mas à medida que vamos progredindo na leitura tudo ficará claro. 

Este é um conto que nos deixa a querer saber mais, mas que não nos deixa sem respostas. Não vamos ficar "pendurados" com muitas perguntas e poucas ou nenhumas respostas, mas antes a querer mais devido, precisamente, ao que sabemos.

Mais uma vez o Manuel não desilude e volta a mostra porque é um dos melhores novos autores no panorama nacional.


Este conto poder ser encontrado no site Smashwords no link: Carnívora de Manuel Alves

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Opinião - A Cativa de Manuel Alves



Depois de nos ter dado alguns excelentes contos nos géneros da Ficção Cientifica e da Fantasia o Manuel finalmente presenteia os seus leitores com o seu primeiro, e atrevo-me a dizer muito aguardado, romance no género da Fantasia (ou nas palavras do autor: um "calhamaço" o que também não deixar de ser uma boa descrição). Este é o primeiro de uma saga, uma saga  que tem o nome do seu personagem principal: Wulfric, o inigualável Wulfric. Como o descrever? Wulfric é um personagem misterioso e complexo e do qual pouco se sabe, mas o que se sabe apenas aguça a curiosidade em saber mais. Vamos descobrir, por exemplo, que tem uma agenda própria e que não olhará a meios ou a pessoas para atingir o que pretende. Sabemos que é poderoso, mas o seu poder não advém de uma qualquer capacidade extraordinária para a "magia" (atenção às aspas), mas mais a de alguém que tem uma vasta experiência e que faz uso dela para se antecipar aos seus adversários. É um personagem que sofreu bastante e isso sente-se em tudo o que faz de bom e mau. 

O Manuel soube criar um conjunto de personagens apelativas e interessantes que em nenhum momento nos deixam indiferentes, mesmos as segundarias como Desaad (não consigo deixar de sorrir ao pensar nele). Soube também equilibrar os momentos de acção (e que não são poucos) com os momentos calmos. Num livro com uma mitologia baseada em algo que nos é relativamente familiar como a Judaico-Cristã ele soube juntar o já conhecido com o novo (entenda-se os pormenores da sua criação que dão a consistência e um toque exótico a este mundo).  E soube transmitir ao leitor o novo e principalmente o velho sem ser enfadonho, mascarando esses "infodumps" em conversas tidas em ambiente ou tensos ou calmos, mas em que sentimos sempre a sua importância presente e futura. 

Como primeiro livro de uma saga ficam, como não podia deixar de ser, as habituais "pontas soltas" que me deixaram (e deixariam qualquer um) ansioso pelo(s) próximo(s) volume(s). 

Num nota extra informo que fui, como muito orgulho e prazer, leitor beta deste livro. Não irei explanar esta questão. Não direi que este livro tem um pouco de mim lá dentro, sou arrogante, mas nem tanto, mas simplesmente que ajudei, juntamente com os outros leitores beta, a moldar (um pouco) a sua estrutura narrativa, só e apenas, o "resto" é o trabalho puro e duro do Manuel. 

Por fim resta-me pedir desculpa ao Manuel e ao caro leitor por não conseguir fazer jus a este incrível livro (e por só agora publicar a minha opinião). Por não conseguir colocar no metafórico papel todo o que senti e que gostava de transmitir ao caro leitor para que ele se sinta tentado (pelo menos) a ler esta magnifica obra. 


Este livro pode e deve ser encontrado no site Smashwords neste link: A Cativa de Manuel Alves

domingo, 1 de janeiro de 2017

O Ano começa na Galxmente do Mal Humano


Foi um final de ano complicado e um inicio ainda pior, mas felizmente tenho os livros, portais para outros mundos onde as preocupações deste desaparecem, nem que seja por breves momentos ou pelo menos diminuem.
Este ano começa com muitos autores portugueses e o primeiro deles vai ser o Luís Filipe Silva e seu Galxmente. Este livro foi originalmente publicado na colecção de Ficção Cientifica da Caminho em dois volumes, devido a restrições de enquadramento de tamanho na colecção.



 A segunda leitura e que ocorrerá ao mesmo tempo, será uma nova serie literária de Joel G. Gomes: "O Mal Humano". Este episódio, número zero, tem o titulo de "A Arca" e serve de apresentação a  este seu novo projecto.



Mais leituras de (bons) autores Portugueses e estrangeiros se seguiram e a pilha já faz sombra sobre mim. 

Apesar da dura realidade não me faltam mundos para onde escapar. Um bom ano a todos.