sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Divulgação - Lançamento de A Imagem de Joel G. Gomes



É já a amanhã na Moita, mas não aquele que fica mesmo ao lado de Anadia infelizmente, o lançamento do livro A Imagem do Joel G. Gomes que vai acontecer na Biblioteca Municipal da Moita pelas 21:30.
Infelizmente não poderei estar presente, mas já parte de mim estará lá pois foi com prazer que fui um leitor beta (podem ler aqui os meus conselhos). 

Também recebi um dos mais originais convites que tive o privilégio de receber: um DVD que só visto.

Espero em breve ler a versão final e dar a minha opinião.

Espero que todo corra bem e que a sala esteja cheia.




terça-feira, 21 de outubro de 2014

Opinião - The Ones Who Walk Away from Omelas de Ursula K. Le Guin



Após ter lido a opinião do Luís Filipe Silva sobre este conto da Grande Ursula K. Le Guin na Somnium 109 (podem reler aqui a minha opinião) fui logo procura o dito, e aproveitando que hoje se comemora o seu octogésimo quinto aniversario deixo aqui a minha opinião sobre este pequeno, mas extremamente inquietante conto e que mostra o quanto ela é uma excepcional escritora.

Imaginem um cidade onde tudo corre bem, onde todos são felizes e onde nada falta, seja saúde ou comida. Assim é a cidade de Omelas, mas Omelas tem um segredo terrível, um segredo que é a razão desta sua (aparente) felicidade. 

Para nos mostrar isso Ursula K. Le Guin mostra-nos um festival de Verão e levando-nos pela mão vai nos apontando essa felicidade apresentando-nos ao tipo de pessoas que habitam em Omelas. E assim lá vamos nós olhando para onde ela aponta até que somos confrontados com a razão de toda esta felicidade, o porquê de tudo o que de bom esta cidade tem e os seus cidadãos usufruem: existe um criança presa algures na cave numa casa de um dos edifícios da cidade, presa e a quem é negado qualquer gesto de bondade, pois o mais ínfimo acto compaixão significaria o fim do tratado que garante à cidade a sua condição. Nunca é especificada a proveniência da criança, ou com quem, ou o com o quê o tratado foi feito, mas também não interessa, apenas saber que existam já é suficiente.

O conto termina com algo que eu interpreto como uma espécie de redenção daquele acto hediondo e que mostra que afinal a felicidade não é assim tão completa, que afinal ainda existe uma consciência em alguns habitantes de Omelas.


Como disse é um conto pequeno (cerca de nove páginas), mas inquietante em especial pela simplicidade com que a Ursula K. Le Guin nos vai mostrando esta cidade e é impossível chegar ao fim e não nos perguntar-mos se fossemos nós o que faríamos? Estaríamos dispostos a trocar a vida de uma criança, a sacrifica-la em troca da felicidade de toda uma comunidade? A resposta não é certa e deixa um travo a fel que teima em ficar...

domingo, 19 de outubro de 2014

Opinião - Lisboa no Ano 2000 (Antologia)



Quando na revista Bang! n.º 10 apareceu o desafio para esta antologia e depois de ter lido várias vezes os pressupostos em que assenta este universo Electropunk, a única coisa que me vinha à mente era: "Isto é estúpido!". Não parava de pensar em como já vivemos num mundo movido a electricidade, os electrodoméstico, os comboios até os carro já estão a caminhar a passos largos nesse sentido, portanto onde estava a inovação? Mas lá resfriei o meu negativismos (e falta de imaginação) e decidi dar uma oportunidade a esta antologia, até porque ao leme vai o João Barreiros e isso para mim é mais que suficiente para lhe dar o beneficio da duvida, e claro que gosto de falar, bem ou mal, com propriedade, e claro que não fiquei nada desiludido com o resultado final, mas vamos por partes.



Prólogo - (Acho que) Percebo o que o João Barreiros tentou fazer aqui: unificar este universo e embora engraçado o modo como foi escrito continua-me a parecer estranho e sendo totalmente sincero desnecessário.


O Turno da Noite de João Barreiros - Quando li "O Turno da Noite" na revista Bang! n.º10 e novamente nesta antologia "assustei-me". Parecia a escrita do João Barreiros, as temáticas são as típicas do João Barreiros, mas há ali um travo a "metafisica", para não dizer fantasia (heresia!!!) que o meu paladar estranhou logo. Mas passado o "choque" temos mais uma excelente texto bem à maneira do Barreiros e que é uma delicia para quem, como eu, aprecia o seu trabalho.


Venha a Mim o Nosso Reino de Ricardo Correia - Gostei bastante do inicio, mas a partir dai foi sempre a descer. Temos um espécie bispo da IRUD lá do sitio, feiras-ninjas e um robô gigante, mas de alguma forma não vi o puzzle encaixar.  Por exemplo achei as freiras-ninjas um toque interessante e com o seu quê de cómico, mas aparecem ali quase "caídas do céu". 


Os Filhos do Fogo de Jorge Palitos - Um conto interessante que me pareceu ter alguns elementos (inspiração) do livro "O Prestigio" de Christopher Priest (e não digo isto com conotações negativas). A imortalidade não é propriamente a temática, mas sim o Carpe Diem e uma experiência que corre muito mal. Gostei quer da temática quer do tom embora ache que devia ter sido mais "polido".


Dedos de AMP Rodriguez - Um conto com um humor subtil e muita critica social devidamente embrulhados numa investigação de estranhos acidentes de trabalho. Gostei bastante do personagem principal, que é também narrador e da sua maneira de ver o mundo, ou neste caso a resignação a que se vota.


As Duas Caras de António de Carlos Eduardo Silva - Um conto de espiões como se estivéssemos na Segunda Grande Guerra, com agentes duplos (ou mais) ao serviço quer de Portugal, quer da Germânia, e um final muito bom, alias todo o conto está bem escrito e no "tom" certo. 


Electro-dependência de Ana C. Nunes - O uso da electricidade como uma droga foi uma ideia bastante interessante, mais ainda a de utilizar um humano com poderes e que também é capaz de a "injectar", embora não seja o único método. Um conto cheio de ideias interessantes e bem aproveitadas pela seu autora que nos dá um final muito bom.


Nanoamour de Ricardo Cruz Ortigão - Um autor que afinal são dois e um conto que fala de amor e tal como o anterior dá uma nova roupagens ao algo bem antigo, neste caso as poções de amor, mas claro que devidamente adaptadas a um mundo onde a electricidade é rainha e senhora. Um final muito bom e que me deixou com um sorriso nos lábios.


Energia das Almas de João Ventura - O João Ventura é um escritor já com calo e isso está bem patente neste conto. A ideia base deste conto é bastante interessante e tem por base o trabalho do medico Duncan MacDougall sobre o peso das almas devidamente "misturado" com uma das premissas do conto "O Turno da Noite" do João Barreiros, a dos seus mortos que se alimentam do vivos. Ainda consegue lá introduzir o trabalho de Albert Einstien. 


Fuga de Joel Puga - Um conto interessante, mas mais pela critica que faz ao mundo literário actual em que apenas se publica mais do mesmo ao sabor das modas que vão aparecendo. O personagem principal é Tércio um programador que tem um trabalho rotineiro que mata qualquer iniciativa e criatividade e que sonha em ser escritor. O final reflecte o nosso estado literário actual.


Tratado das Paixões Mecânica de João Barreiros - Mais um magnifico conto do João Barreiros em que ele regressa a alguns dos seus temas por excelência, brinquedos, a invasão da (Fortaleza) Europa por África, neste caso uma autofábrica que quer assentar arrais na Caparica. Um conto "à" Barreiros e o meu preferido dos três aqui apresentados. Um final que me agradou bastante pelo humor.


O Obus de Newton de Telmo Marçal - Já conhecia os trabalhos do Telmo Marçal publicados na internet e claro o seu "agrupar" no excelente livro que é "As Atribulações de Jacques Bonhomme" (e que por estes dias está estupidamente barato portanto aproveitem), mas este conto foi uma surpresa. O tom do conto não condiz com a imagem que tenho do autor. Longe de ser algo que me tenha degradado foi com muito gosto que descobri esta nova faceta do autor. Com um prosa muito "literária" e uma história complexa lá fui desbravando as páginas. Para uma antologia que ser queria ambientada em Lisboa este conto passa lá muito pouco tempo, mas isso pouco interessa quando somos confrontados com a sua excelsa qualidade.


Ex-Machina de Michael Silva - A electroesfera esconde coisas para além da imaginação do homem e neste conto vamos descobrir o quanto elas podem ser assustadoras. Um conto com ideias interessantes, nota-se ali a "mãozinha" de H. P. Lovecraft, e uma escrita com bons apontamentos de humor.


A Rainha de Pedro Vicente  Pedroso - Se existe animal que está ligado à electricidade é a enguia, a eléctrica claro e neste conto temos uma espécie de Capitão Ahab à procura da sua Moby Dick em forma não de baleia, mas de enguia eléctrica nas turvas águas do Tejo. Uma ideia interessante e bem desenvolvida pelo Pedro Vicente Pedroso. 


Taxidermia de Guilherme Trindade - É um dos contos que mais me surpreendeu nesta antologia porque não fazia ideia do que esperar mesmo até ao final e que final. Existem historia que por muito misteriosas que sejam nós vamos conseguindo descobrir o que se passa, mas aqui não o que apenas tornou a sua leitura ainda mais interessante. Sem duvida um dos melhores contos desta antologia em todos os aspectos.


Quem Semeia no Tejo de Pedro G. P. Martins - Um conto com algumas ideia interessantes, mas que poderia ter sido mais trabalhado e alongado. É um dos poucos contos com "ligação directa" ao conto de partida / inspiração desta antologia "O Turno da Noite".


Coincidências de Pedro Afonso - Coincidências é um conto interessante que nos permite ter uma visão bastante alargada do ambiente que se vive não só em Lisboa, mas também na Europa, através da relação entre um escritor e uma estranha mulher que ele conhece em igualmente estranhas circunstancias. 


Chamem-nos Legião de João Barreiros - E para finalizar com chave de ouro a terceira parte de "O que escondem os Abismos". Uma história contada através de duas linhas narrativas que se vão inevitavelmente encontrar, quanto ao resto bastará dizer que é escrito pelo João Barreiros


Epílogo - Se achei o Prólogo desnecessário o Epílogo não podia ser diferente.  



Como em qualquer antologia a qualidade dos contos varia (muito), mas de um modo geral os trabalhos apresentados estão em bom nível. Esta antologia está cheia de ideias interessantes, como alias me fartei de escrever, algumas muito bem aproveitadas outras nem por isso, mas só o facto de os autores terem revelado essa imaginação já é prometedor desta nova geração de autores.
Outro aspecto importante está na dificuldade em manter uma coesão histórica e cronológica comum e claro que com tantos autores algumas coisas falham e temos algumas variações sobre os mesmos temas como é exemplo as varias visões sobre a família real. Não é propriamente algo mau, mas a tentativa de unir este universo feita por João Barreiros no Prólogo e o Epílogo apenas acentua o quanto estas são prescindíveis. Sou da opinião que uma introdução e quem sabe um nota final tivesse sido uma aposta melhor.
Numa nota sobre a historia desta Antologia recentemente o "Tio" Barreiros comentou no Facebook que esta ideia é bem mais antiga do que eu tinha imaginado e que já vem da altura em que a colecção de FC da Caminho, a dos livrinhos azuis, mas os seus camaradas Portugueses (e Brasileiros) da colecção não olharam com muito bons olhos este universo partilhado. Mau para eles, mas bom para nós e para toda esta nova geração de autores que assim puderam brilhar na electroesfera. 


Por fim gostava de deixar aqui um pedido de desculpas em primeiro ao meu bom amigo Fiacha, que tão amavelmente me deu este livro e que apenas pediu em troca que eu desse a minha opinião, mas que foi algo que demorou a fazer, aos autores por ter escrito um opinião demasiado tempo depois de lido os mesmo, o que não me permitiu ter os pormenores tão "frescos" quanto o desejável (embora tivesse tirado algumas notas e relido na diagonal quando necessário) e claro ao leitores porque podia ter feito um trabalho melhor. A todos a minhas desculpas.



Título - Lisboa no Ano 2000
Autores - João Barreiros, Ricardo Correia, Jorge Palitos, AMP Rodriguez, Carlos Eduardo Silva, Ana C. Nunes, Ricardo Cruz Ortigão, João Ventura, Joel Puga, Telmo Marçal, Michael Silva, Pedro Vicente  Pedroso, Guilherme Trindade, Pedro G. P. Martins e Pedro Afonso.
Editora - Saída de Emergência
Colecção - Bang!

sábado, 30 de agosto de 2014

Opinião - Somnium 109



Algo atrasado nas leituras, mas já começam a ficar em dia! 


Editorial - Copy paste dos outros editoriais da Somnium o que não é em si algo mau, mas não é o que eu procuro num editorial. Começa bem a falar da Ursula K. Le Guin, mas depois "descamba" no habitual índice comentado.


Contos:

Variável da Imponderabilidade de Tibor Moricz - Quando comecei a ler este conto tive uma sensação de déjà vu e a razão era a óbvia: já o tinha lido, especificamente na antologia Improbabilidades de Verão, uma publicação do e-zine literario (e blog) Infinitamente Improvável dirigido pelo Jorge Candeias, mas de volta ao conto. Trata-se de um conto ambientado num futuro distópico (?) onde as eleições são bastante diferentes (entre muitas outras coisas) e são decididas não pelo sufrágio universal. Quando não se ganha à primeira volta a segunda é decidida em combat e é o que vamos assistir, mas em jogo está muito mais do que a vitoria nas eleições. Foi um conto que me agradou, o autor soube dar a informação sem ser em imfodumps. Apenas o final me deixou algo "desapontado", demasiado limpo, mas nada de muito grave.

Projeto Mulah de Tróia XDII de B. B. Jenitez - Um conto interessante sobre o multiverso escrito (literalmente) na primeira pessoa. Nele B. B. Jenitez imagina alguns universos onde tudo foi diferente ou quase igual na sua vida.

Reprodutores de Frodo Oliveira - Um conto giro ou como se diz em Terras de Vera Cruz bacana. Num futuro onde devido a um vírus apenas alguns homens e mulheres são férteis estes são obrigados a tornar-se reprodutores. É na sua base uma historia de amor, mas também de rebelião. Tem um final interessante.

Finalidades e Destinos de Acervos Ocultos de Ricardo França - Um arqueólogo (no ano 2212) faz uma expedição a um escavação no fundo do mar ao que é suposto ser um edifício Sumério. Lá descobre um colar com certas "propriedades" e depois, bem depois a coisa fica demasiado confusa e só piora. O final é... bem um final.

Asas de Alexandre Lobão - Gostei da história base que serve de cenário acima de tudo pela sua plausibilidade e pela sua (aparente) inevitabilidade(mais dia menos dia). A policia tornou-se obsoleta devido às capacidades de uma Inteligência Artificial (IA) com o nome de DT-EYE que é mais rápida a resolver os casos e (aparentemente) infalível. A história começa nas "comemorações" do encerramento da esquadra e da reforma (compulsiva) dos policias. Martelli é um policia que não se conforma em ir para a reforma tão cedo e aleatoriamente vê um dos mais recentes casos que a IA resolveu em tempo recorde, um suicido, mas claro que as aparências enganam e é preciso os instintos de um humano para ver para lá do óbvio. Como eu disse gostei da historia base e achei a escrita do Alexandre Lobão competente sem ser exuberante, mas o que "estragou" tudo foi a falta de uma reviravolta (que esperei o conto todo e nunca veio) para compensar a total previsibilidade da história, o que é pena.

A Esfera de Ademir Pascale - Já não é a primeira vez que me deparo com este tipo de conto que mistura uma espécie de mito da criação do Universo com filosofias e um certo nível de religiosidade, mas a verdade é que ainda está para aparecer um conto nestes moldes bom e não apenas assim-assim (na melhor das hipóteses).

A Captura da Capitã Escarlate de Cláudio Villa - Uma história de Piratas, mas em terra, muito húmida é certo (ou como se escreve no Brasil úmida), mas ainda assim em terra (firme). Mais parecia um capitulo de um projecto maior com uma adenda no inicio para o leitor se situar.

A Chave do Conhecimento de Lúcio Manfredi - Um conto psicadélico e algo confuso. Percebe-se, ou pelo menos eu percebi, que o autor nos mostra uma espécie de viagem de descoberta do eu do personagem principal em forma de sonho, mas fica sempre travo de estranheza sem isto seja propriamente um elogio.


Prêmio Argos de Literatura Fantástica - O prémio Argos vai na sua 6ª edição (apesar de um interregno)  e mesmo sabendo que a colecção Portuguesa Argonauta tinha uma lugar de destaque no Brasil cada vez me vou apercebendo que ele é ainda maior do que eu pensava, porque não só o Clube de Leitores de Ficção Científica do Brasil (CLFC) foi fundado por leitores que se uniram precisamente por causa da colecção como o nome deste prémio é uma homenagem à mesma.

Homenagem:




Mulheres sabem escrever: como Ursula Le Guin transformou o papel feminino na literatura de gênero por Cláudia Fusco - Um texto bastante interessante sobre a obra de Ursula K. Le Guin, com especial incidência no livro "A Mão Esquerda das Trevas" (The Left Hand of Darkness). Apenas o achei demasiado "académico" na linguagem utilizada, não que isso tenha algo de mal, mas à que saber distinguir uma dissertação para mestrado de um ensaio numa revista de FC. 

Ursula Le Guin — Dados Biográficos por João Campos - Mais um Português, mais um João, mas desta vez o é Campos, do blog Viagem a Andrómeda que dá uma mãozinha com a bibliografia da autora. 


Resenhas e Reflexões:



A MÃO ESQUERDA DA ESCURIDÃO (Ursula Le Guin) - Verdade é uma questão de imaginação: devir, rizoma e A mão esquerda da escuridão por Luana Barossi - Mais uma espécie de "dissertação para mestrado", mais uma vez nada de mal, mas...





OS DESPOSSUÍDOS (Ursula Le Guin) — Os despossuídos, um dos clássicos da FC por Dario Andrade - Em Portugal este livro da Ursula K. Le Guin teve o título de "Os Despojados" e foi publicado na Europa-América na sua colecção de FC de bolso tendo sido divida em duas partes. Já tinha lido uma opinião do Luís Filipe Silva que me tinha despertado (e muito) a minha curiosidade para a leitura deste(s) livro(s), na altura ainda não o(s) tinha e apenas à pouco tempo é que consegui completar o par. Esta opinião/reflexão do Dario Andrade apenas aguçou a minha curiosidade.




FLORESTA É O NOME DO MUNDO (Ursula Le Guin) por Edgar Indalecio Smaniotto - Apesar de ter gostado da história deste livro, que foi publicado por cá e eu até tenho, não me parece que vá ter prioridade nas minhas leituras pelo menos para já.






DO OUTRO LADO DO SONHO (Ursula K. Le Guin) por Marcello Simão Branco - Quando comecei a ler a resenha reparei que já conhecia a historia: já o tinha lido, mas na sua última reencarnação (e com outro título): O Tormento dos Céus, editado pela Presença, teve outras duas e outros tantos nomes.


The truth is: you’ll never leave — Reflexão sobre o conto "THE ONES WHO WALK AWAY FROM OMELAS" de Ursula Le Guin por Luís Filipe Silva - Mais uma vez o Luís Filipe Silva deixa-me a salivar por uma história da Ursula K. Le Guin, neste caso um conto, mas conto colmatar esta falha em breve.




EXPULSOS DA TERRA (Ursula Le Guin) por Ricardo Guilherme dos Santos - Mais um história que me pareceu interessante e que tenho na estante, mas que não estará nos meus planos de leitura mais próximos.


Foi mais uma edição da Somnium que me deu um grande prazer ler. 


Podem descarregar a revista Somnium 109 aqui onde a vão encontrar nos formatos PDF, MOBI e claro EPUB é só escolher

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Opinião - Revista Trasgo 3 Extra - Quando Todos Viraram Filmes de Rodrigo van Kampen



Com a lançamento da revista Trasgo n.º3 o editor anunciou que quem subscrever-se a newsletter até ao final do mês de Agosto ganharia, como recompensa, um conto extra. Ora como será óbvio subscrevi e o conto lá veio na volta do correio. Lido e relido chega a altura do juízo!

O título do conto é Quando Todos Viraram Filmes e tem a particularidade de ser da autoria do editor da Trasgo: Rodrigo van Kampen. 
O cenário é o seguinte um dia as pessoas de todo o mundo começam a transformar-se em personagens de filmes, desde policiais a comédias passando por terror, romances, documentários e até mesmos desenhos animados e o personagem principal teve o azar de se transformar neste ultimo. Existe um tom cómico-trágico que percorrer todo o conto, nunca soube bem se havia de rir ou sentir pena dele. Parte deste sentimento é devido ao facto de ser o personagem principal a narrar a história, criando-se assim uma maior empatia ao invés de um impessoal narrador na terceira pessoa.
Quando li a história pela primeira vez pensei em como o conceito para o conto era completamente insano, mas ao continuar com a reflexão dei por mim a pensar: "isto é o Fantástico em todo o seu esplendor, uma historia totalmente maluca, mas que estranhamente (ou talvez não) resulta esplendidamente bem".  E esta é a verdade. Através de uma ideia tão louca Rodrigo van Kampen reflecte e faz os leitores reflectir sobre a discriminação, as aparências, o diferente. Apesar de me ter rido num momento ou outro o que me fica na memoria é a reflexão que ele me provocou.
É um magnifico conto e quanto mais reflicto mais estou convicto da sua  magnificência. Os meus parabéns ao seus autor que me deixou curioso quanto a resto da sua obra.

Como disse no inicio este conto só pode ser acedido se subscreverem a newsletter da revista Trasgo até ao final do mês de Agosto. Para tal é só ir aqui e colocar o vosso mail.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Opinião - O Mundo Depois do Fim de Tom Perrotta



Imaginem que de um momento para o outro, literalmente, dois por cento da população mundial desaparecia sem deixar rasto, mas mais espantoso sem alarido absolutamente nenhum. Nada de um Messias que vem buscar os fieis, nada de quatro cavaleiros e nem sinal da Besta. Os que partiram são cristãos, judeus, muçulmanos, hindus, ateus, crianças, velhos, assassinos e inocentes, adúlteros e santos, a única coisa que tem em comum é o facto de serem humanos. É com este cenário como pano de fundo que Tom Perrotta escreveu este livro. A história começa três anos depois do Arrebatamento ou Partida Súbita longe o suficiente para alguma normalidade já ter regressado à vida das pessoas, mas ainda perto o suficiente para os seus efeitos se sentirem. A acção passa-se (quase) toda numa pequena cidade Americana chamada Mapleton e as personagens principais são (quase) todas da família Garvey. Curiosamente, ou talvez não, não perderam ninguém, mas os efeitos da Partida Súbita fizeram-se sentir na mesma. É com esta visão bastante pessoal que vamos abrindo caminho por uma sociedade que ainda se esforça por sarar a ferida de algo que ninguém percebe bem. E é aqui que existe algo de profundamente paradoxal neste livro. Ao invés de observar o evento à escala planetária Tom Perrotta opta pelo comum, pelo familiar e se a principio foi algo que eu estranhei à medida que as páginas "voavam" foi algo que "esqueci" e foi cada vez mais apreciando a leitura e a história que estava a ser contada. Existe na escrita  do autor aquela simplicidade aparente, sem que isso se traduza num história simples, muito pelo contrário, algo que apenas os grandes conseguem.
Quem ler este livro não espere encontrar respostas, aliás o final, como muitos outros aspectos do livros é no mínimo ambíguo.
Apesar de todos este aparentes defeitos foi um leitura que me agradou muito, chegando a ser visceral em muitos momentos e os bons livros são assim como este, colocam-nos a sentir o mesmo que as personagens.

O título Português é "O Mundo Depois do Fim" não é um título mau, mas acho que falha em transmitir o que o autor pretendia. Na versão Brasileira o título é "Os Deixados para Trás" e embora reflicta um pouco melhor continua a deixar algo de fora. O título original é "The Leftovers" o que traduzido à letra é  restos ou sobras e é exactamente assim que o autor quer que nós pensemos nos que ficaram para trás e é também assim que muitos dele pensam de si por ter sido deixados para trás.

Estreou à pouco tempo a adaptação deste livro pelas mãos da HBO (os mesmos senhor que adaptaram A Guerra dos Tronos) e embora o autor esteja profundamente envolvido no projecto a serie tem vindo a revelar-se consideravelmente diferente do livro.


Título - O Mundo Depois do Fim
Autor - Tom Perrotta
Editora - Contraponto
Tradutora - Raquel Dutra Lopes

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Opinião - Somnium 108


Tenho descuidado as leituras um pouco e assim já a Somnium 109 já saiu e eu ainda agora acabei de ler a 108, por "sorte" é um prazer ler esta revista.


Editorial - Um editorial bastante engraçado pela maneira como Ricardo Guilherme dos Santos o escreveu.

Capa por Marcelo Bighetti - O autor da Capa, Marcelo Bighetti, leva-nos passo a passo pela construção da capa desta edição da Somnium

Entrevista a André Vianco - Mais uma excelente entrevista dirigida por Clinton Davisson onde ficamos a conhecer um pouco melhor o autor André Vianco, o seu trabalho gostos e rotinas.


Contos:

O Voo do Ranforrinco de Gerson Lodi-Ribeiro - Tanto quanto me é dado a perceber Gerson Lodi-Ribeiro é uma espécie de Luís Filipes Silva lá do sitio e melhor elogio que este não poderia fazer. E neste "O Voo do Ranforrinco" percebe-me bem porquê. É um conto de FC onde o mistério é o segredo. Temos uma nave que regressa de Marte para a Terra, mas na Terra ninguém a reconhece. ou consegue comunicar com ela... No final o mistério é desfeito, mas o sentido de  maravilha continua. Gostei de o conto não ter terminado logo com a revelação sendo prolongado mais um pouco, mas sem que isso tenha tido um impacto negativo, muito pelo contrario.

As Coisas Que Nunca Acontecem de Miguel Carqueija - Um micro conto de FC, com muito romance, humor e um final de ficar sem ar...

O Estigma da Rosa de Georgette Silen - E se todos os acontecimentos religiosos afinal fossem algo bem diferente, nada devendo ao sobrenatural? É o que Georgette Silen explora neste conto bastante bom e bem escrito que me agradou muito.

A Sereia e o Pescador de Clinton Davisson - Este foi um conto que me deixou (e ainda deixa) com um sorriso nos lábios, ri-me a bom rir com o final. Engana o leitor habilmente e ainda bem.


Reflexão

A Leitura Faz o Leitor por Roberto de Sousa Causo - Apesar de ser um texto escrito em 1999 e adaptado para esta edição da Somnium, e portanto já com quinze anos não deixou de ser uma leitura (muito) interessante e actual. Gostei especialmente de ver explorada a ideia de que cada geração tem a sua colecção referencia, sendo que como não podia deixar de ser a colecção Argonauta foi o alvo da maior atenção, pelas razões óbvias.


Homenagem:



Clifford D. Simak por João Vagos - João Vagos é administrador de entre outros, dos blog's dedicados às colecções Argonauta, Nébula e FC Europa-América e neste texto percorre a vida e obra de Clifford D. Simak. Tenho de confessar a minha ignorância sobre este autor, mas este texto e as resenhas que se lhe seguiram despertaram-me a curiosidade portanto mesmo que o resto da revista fosse má, o que não de todo o caso, muito pelo contrario, já tinha valido a pena a sua leitura só por este simples facto: ter-me despertado a curiosidade para a obra de Clifford D. Simak.



Resenhas:

A Homenagem a Clifford D. Simak prossegue com três resenhas a outros tantos livros seus, por leitores/fãs seus e cada um à sua maneira consegui cativar o leitor deste lado a querer ler esses mesmos livros e quem sabe a prosseguir com a descoberta. Apenas a quarta é de outro autor, Philip E. High, mas igualmente presente da colecção Argonauta.





Estação de Trânsito por Ricardo Guilherme dos Santos - Ricardo Guilherme dos Santos leva-nos a passear pela história do livro "Estação de Trânsito" (com muitos spoilers) usando pequenas passagens do livro como se fossem marcos históricos dignos da mais profunda contemplação. Escusado será dizer que no fim fiquei com imensa vontade de ler este livro. 





Cidade por Antonio Borba - Usando e abusando dos Spoilers (também), António Borba leva-nos no entanto por outro caminho. Numa curiosa dualidade entre a ficção do livro e a reflexão sobre essa mesma ficção versus a nossa realidade num interessante texto que mais uma vez me deixou com bastante curiosidade de ler o livro. De notar que em Portugal este livro recebeu o título de "As Cidades Mortas".





Engenheiros Cósmicos por Sid Castro - Num depoimento pessoal (que é o sub-título desta resenha) e que podia ser a história de muitos de nós, Sid Castro conta-nos como conheceu a obra de Clifford D. Simak e como se apaixonou pela literatura de FC e grande impacto que este livro teve (e ainda tem) na sua vida.





Depois da Derrocada por Miguel Carqueija - Este livro foi escrito originalmente em 1967, mas a sua temática é bastante actual. Pela descrição do Miguel Carqueija pareceu-me um livro com uma temática interessante, mas algo confuso, só lendo para tirar as duvidas. É o único livro desta quatro resenhas que não é de Clifford D. Simak, mas que (inevitavelmente?) também faz parte da colecção Argonauta.


Foi mais uma grande edição da Somnium e que aconselho vivamente a sua leitura. Como disse no inicio as minhas leituras andam "atrasadas", mas já ando a recuperar o tempo perdido e já ando a ler a mais recente edição da Somnium, para breve a minha opinião dela.


Podem descarregar a revista Somnium 108 aqui onde a vão encontrar nos formatos PDF, MOBI e claro EPUB é só escolher.